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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Festival do Rio 2010

Em primeiro lugar gostaria de pedir mil desculpas pela falta de atualizaçao dos ultimos meses. Eu quase publiquei um texto sobre o Truffaut, so que acabei achando que estava muio ruim e nao tive tempo de melhora-lo. Como vi boa parte dos filmes do Festival do Rio ha pouco tempo, achei que poderia escrever mini-criticas sobre todos, e deixar o blog um pouco menos monotono.

Sabe como é, né. Em Montreal as minhas aulas eram mais longas, entao eu tinha mais tempo para escrever. Aqui quando eu começo a pegar o ritmo, a aula de Religiao ja acabou. Mas tenho muitas ideias do que escrever, e assim que tiver com mais tempo vou voltar a publicar alguma coisa sempre. Juro por toda a obra do Quentin Tarantino.

Como alguns dos filmes que passaram no Festival do Rio 2010 eu ja tinha visto em Montreal e outros ja estao em circuito comercial aqui, acabou que eu vi 14 dos filmes exibidos. So fiz critica de 13 no entanto, ja que me lembro muito pouco de um deles, A Ultima Estaçao, e nao conseguiria fazer uma critica minimamente justa. Digo minimamente porque qualquer um que acompanha os meus textos sabe que sou muito gentil demais e elogio até os filmes que odiei porque fico com pena de falar mal do trabalho de alguem, o que é injustiça com os filmes que sao de fato bons.

América

Diretor: Joao Nuno Pinto, Ano: 2010, Pais: Portugal/Espanha/Russia/Brasil, Visto no festival.

Nao tendo nenhum nome conhecido no elenco nem na produçao, escolhi assistir esse filme apenas pelo seu resumo, que parecia ser minimamente interessante. Mas assim como o resto dos resumos do livrinho do festival, ele é incoerente com o filme e mal escrito.

So nao digo que me arrependo de tê-lo visto porque ver filme fraco faz parte de ir a um festival, e porque me diverti com o sotaque portugues, e ele tambem gerou umas piadinhas internas. Mas tirando isso e a boa atuaçao da atriz russa, ele nao tem mérito algum. É tudo muito caricato, historial mal conduzida e dirigida, com inumeras cenas inuteis, e com um roteiro que nao consegue equilibrar bem todos os seus temas- imigraçao, diferentes etnias, estupidez, incompetencia, problemas familiares- deixando a historia sem foco e cansativa.


A Woman, a Gun, and a Noodle Shop

Diretor: Zhang Yimou, Ano: 2010, Pais: Hong Kong/China, Visto no festival.

Mesmo nao sendo uma grande fa dos Coen, o fato desse filme ser inspirado no primeiro filme deles me deixou bastante curiosa, e mais ainda ao ver quem era o diretor.

A Woman, a Gun and a Noodle Shop é de fato um filme bem interessante que vale muito a pena ser visto. Zhang Yimou o dirigiu muito bem, mostrando planos muito bonitos, cenas com otimo timing, e uma comédia que mesmo no limite do pastelao consegue ser sutil. As reviravoltas da historia sao todas muito bem feitas, assim como a relaçao entre o que cada personagem sabe e nao sabe. Tudo isso ajuda as coincidencias exageradas e o humor negro, tipicos dos irmaos Coen.

A cena de abertura, uma das mais exgeradas, e os empregados preparando a massa sao umas das melhores, que expressam bem o tom do filme.


Trabalho Clandestino

Diretor: Jerzy Skolimowski, Ano: 1982, Pais: Reino Unido, Visto no festival.

Filme apresentado na mostra do diretor, que teve 5 dos seus filmes exibidos. Foi escolhido mais pelo horario, e pelo plot que parecia interessante.

E, realmente, nao poderia ter feito uma escolha melhor. Enquanto o assistia estava achando tudo meio parado demais e meio chato, mas depois de alguns dias, o filme cresceu muito para mim. Ele é sim bastante parado e monotono, mas tudo por uma boa razao: retratar com calma e sutileza toda a pressao e sofrimento passados pelo protagonista. A afliçao ao saber sobre o golpe na Polônia, a pressao de ter que administrar o trabalho de 3 poloneses em Londres que nao sabem falar ingles e nao devem saber sobre o golpe, as condiçoes precarias, a falta de dinheiro e comunicaçao com a terra natal, e todos os outros problemas estao muito presentes em quase todas as cenas, mesmo que de forma discreta.

Mesmo que tenha pouca cara de cinema por causa do uso de muita narraçao, pouca açao e ser pouco visual, Trabalho Clandestino demonstra que Jerzy Skolimowski tem grande habilidade na direçao, ao conseguir fazer um bom filme a partir dessas caracteristicas normalmente limitadoras. Jeremy Irons, o ator principal, nos entrega uma interpretaçao com o mesmo nivel e tom estabelicidos por Jerzy, tornando o filme ainda melhor, ja que sua atuaçao é extremamente importante para que tudo funcione.


Aproximaçao

Diretor: Amos Gitai, Ano: 2007, Pais: França/Israel, Visto no festival.

Queria assistir Copia Fiel, filme que deu à Juliette Binoche o prêmio de melhor atriz de Cannes em 2010. A questao é que o Copia é dirigio por um iraniano, e nao sei porque achamos que o Aproximaçao tambem fosse. Além disso, ambos têm a Binoche no elenco. Sim, comprei ingresso para Aproximaçao, toda feliz que ia ver Copia Fiel, e descobri a diferença entre os dois apenas um dia antes do filme. E nao, eu nao consegui assistir Copia Fiel depois.

Mas quem saiu perdendo com isso tudo foi a Binoche, cuja interepetaçao no filme que vi é vergonhosa, o que a fez cair bastante no meu conceito. Na verdade quem saiu perdendo foi eu mesmo, ja que apos ganhar Cannes nao acho que ela va ligar para o que eu acho dela.

Amos Gitai pode até ser um diretor interessante, mas isso nao se aplica a esse filme, que é muito ruim mesmo. A primeira cena, do casal no trem, é muito boa. Se a historia tivesse seguido aquele ritmo e tema tudo seria incomparavelmente melhor. Mas nao seguiu. Na verdade, a historia nao segue nada. Fica num eterno dilema sobre qual tema tratar (etnia, relaçoes familiares, conflitos na regiao de Israel) e acaba nao tratando direito de nenhum. Alem disso o filme possui um timing horrivel e cenas vergonha-alheia e inuteis que nao acabam mais. A ultima vez que tinha ficado tao feliz com o final de um filme foi ha mais de 30 filmes atras.


Quebra-Cabeça

Diretor: Natalia Smirnoff, Ano: 2009, Pais: Argentina/França, Visto no festival.

Escolhido pelo horario e pelo tema curioso de quebra-cabeças, ele acabou sendo uma surpresa agradavel.

A historia bobinha, cheia de situaçoes e personagens bem clichês, se torna interessante justamente por “desclichezar” suas caracteristicas. Uma trama com soluçoes e desenrolares bem obivos, os evita, e deixa o filme simples, ainda que um pouquinho surpreendente. A boa atriz, que ajuda a historia a fluir bem, e a escolha inusitada pelo universo dos quebra-cabeças ajudam o filme a se destacar.


Blank City

Diretor: Celine Danhier, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto no festival.

Fiquei muito animada com esse documentario por causa dos nomes citados na sinopse: Jim Jarmusch, John Waters e Andy Warhol. Principalmente pelo ultimo, por quem eu me interesso muito.

O filme é sobre os movimentos No Wave e Cinema of Transgression que aconteceram no final dos anos 70 em Nova Iorque, que foram o inicio do cinema independente e de baixo custo, e que foram muito influentes no cinema independente que veio em seguida.

Mesmo tendo uma montagem correta, boas entrevistas e um bom acervo de imagens, ele deixa bastante a desejar. Primeiro, fiquei decepcionadissima ao ver o nome de Warhol citado apenas 2 ou 3 vezes. Aparentemente o seu periodo de cinema foi anterior a esse, mas mal falarem dele foi um erro, ja que ele fazia filmes exatamente nesse estilo. Os outros nomes que sao mais conhecidos hoje (Jarmusch e Waters) tambem sao pouco presentes, e os artistas nos quais o filme se foca sao Amos Poe, Beth e Scott B, Nick Zedd e Lydia Lunch Por nao saber muito sobre esse periodo, nao tenho como dizer se ele falou sobre as pessoas “erradas”, mas achei isso no minimo surpreendente.

O clima dos movimentos e as ideias sao bem expressos, no entanto o inicio e o fim do filme nao sao muito bem feitos, e nao é claro por quanto tempo tudo isso durou, nem a mudança do No Wave para o Cinema of Transgression. Para quem quiser saber mais sobre esses movimentos o ideal é procurar outra fonte, ja que Blank City falha na funçao de informar sobre o tema.


Um Lugar Qualquer

Diretor: Sofia Coppola, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto no festival.

Fiquei muito curiosa para ver esse filme por ele ter ganho Veneza esse ano, por ser dirigio pela Sofia Coppola diretora cuja filmografia quero ver toda (ja que é composta so por 4 filmes, hehe) e por ele ter crescido muito na cabeça do Tarantino, que eu acreditava nao ser possivel que ficasse maior.

Nao posso dizer que fiquei decepcionada porque mesmo que estivesse curiosa, nao esperava gostar muito. A questao é que o achei mais fraco do que eu esperava. A ideia de narrar a historia de uma celebridade prestes a entrar em uma crise de indentidade é bem boa, mas a abordagem de Coppola nao me agrada muito. Suas cenas e silencios longos nao sao muito expressivos, e deixam o filme meio vazio, como que tentando dizer algo so que sem conseguir. Alem disso, a estética naturalista e o tom de realidade e dia-a-dia me incomodam, ja que os personagens sao bastante caricatos, e a critica à fama e hollywood é feita de uma forma obvia e e clichê demais.

Falando com implicancia, Somewhere parece um filme caseiro. Escrito, dirigido e produzido pela filhinha, produzido tambem pelo papai e pelo irmaozinho, com trilha sonora do namorado, e, o elemento mais caseiro de todos, com microfones aparecendo em algumas das cenas.

Ao lembrar que o filme mais respeitado de Tarantino é bem fraco, começo a entender porque este cresceu em sua cabeça.


Comer, Rezar, Amar

Diretor: Ryan Murphy, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto em Juiz de Fora.

Nao assisti esse no festival, e sim dois dias depois do final dele com duas amigas, em Juiz de Fora mesmo. O fato do filme ter sido lançado antes do festival terminar me deixou confusa, ja que nao é um filme interessante para se colocar num festival por ser facil assisti-lo em circuito comercial, e ainda mais com ele entrando em circuito comercial antes mesmo do fim do festival. Levando isso em conta, mais a qualidade do filme, nao consigo entender porque os organizadores o incluiram.

Fui assisti-lo com uma unica expectativa: de que a sua duraçao fosse de 85 minutos. Nao sei como achei isso no google, ja que na realidade o filme dura 133 minutos, e eu so fui descobrir isso quando percebi que a Julia Roberts ainda nao tinha nem saido de Roma e ja tinha passado uma hora. Mas tenho que admitir que mesmo com essa duraçao medonha, Comer, Rezar, Amar até que é fluente e nao cansativo. O problema é que nao sei se acho isso porque assisti em boa companhia, o que costuma melhorar bastante qualquer filme ruim.

Mas ele tem sérios problemas em expressar a velocidade com a qual as coisas acontecem na historia, ja que nao fica muito claro quanto tempo demorou para ela sair dos Estados Unidos, nem a quantidade de dias passada em cada lugar. Digo, os personagens até mencionam essas informaçoes, mas o jeito que as coisas acontecem nao da a sensaçao certa dos dias passados.

Uma vantagem é que mesmo cheio de moral e cenas supostamente profundas, o filme nao fica gritando a sua mensagem o tempo todo, nem tem jeito de panfleto, o que sao coisas bem comuns nos filmes americanos atuais. Mesmo assim ele nao deixa de ser bem fraquinho, e nao existe quimica alguma entre a Roberts e o Javier Barden, que esta muito estranho fingido ser brasileiro.


Amores Imaginarios

Diretor: Xavier Dolan, Ano: 2010: Pais: Quebec, digo, Canada, Visto em Montreal.

Dirigido pela criança prodigio quebecoise Xavier Dolan, cujo talento que Cannes tanto ama eu nunca vou ententer, Amores Imaginarios consegue ser pior que o seu primeiro filme Eu Matei a Minha Mae. Seu unico progresso em relaçao ao anterior é que nao tem aquela gritaria insuportavel.

Mas o que incomoda é o fato do cinema de Dolan nao ter amadurecido nem um pouco. O que na verdade ja era de se esperar, ja que todo o processo de produçao (desde o surgimento da ideia até o lançamento do filme) durou menos de um ano. Seria essa pressa um medo de ser esquecido? O fato é que mesmo tendo optado por um tema e estilo mais leves e menos dramaticos, Dolan continua inacreditavelmente pretencioso e metido, e a sua capacidade de escrever uma historia fluente e com personagens minimamente complexos ou interessantes é nula.

O filme repleto de cenas em camera lenta longuissimas, figurinos exagerados, situaçoes mal construidas, e um trio de amigos sem qualquer quimica é simplesmente ridiculo. So espero que Dolan amadureça com o tempo e perceba que ser o orgulho de Quebec nao lhe da o direito de ser tao pretencioso, e que infinitas cenas extremamente estéticas nao deixam o filme bonito, e sim, superficial.


Minhas Maes e Meu Pai

Diretor: Lisa Cholodenko, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto em Montreal.

Com os elogios que esse filme tem recebido eu tenho tentado rever a minha opniao sobre ele. Mas nao adianta. Continuo achando que o seu unico mérito é tratar do assunto de uma forma diferente, nao panfletaria e leve.

No entanto, nao passa disso. O resto do filme é incrivelmente mal feito e “qualquer coisa”. A historia nao sabe do que quer falar, e coloca e tira personagens da trama do nada, e faz o mesmo com boa parte dos assuntos que começam a surgir. Mesmo que seja uma historinha bobinha, ela é muito bagunçada, e da a sensaçao de que a roteirista simplesmente sentou à mesa e escreveu tudo o que veio à cabeça, sem nem revisar e dar uma limpada no material inicial. A direçao tambem é muito ruim, dando a todas as cenas um ar meio estranho.

As atuaçoes sao até aceitaveis e podem ser consideradas boas, ja que os atores nao tinham muito o que fazer com os personagens que sao muito estereotipados e fracos.


Cyrus

Diretor: Mark Duplass e Jay Duplass, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto em Montreal.

Com um jeito muito experimental, Cyrus até que tem suas qualidades, como o fato de evitar soluçoes de trama faceis e obvias e a imparcialidade. Mas a historia é muito fraquinha e nao se sustenta, e o jeito de “olha como eu sou indie, a camera nao para de tremer” é bem desnecessario. Os constantes close-ups e desfoques tambem sao muito estranhos, ja que nao tem funçao alguma. Parece que o diretor mandou o cameraman fazer um dos dois a cada 5 minutos, e os dois juntos a cada 10.


Gainsbourg: Vida Heroica

Diretor: Joann Sfar, Ano: 2010, Pais: França, Visto em Montreal.

Fui assisti-lo curiosa com a historia de Gainsbourg e suas musicas, e mesmo que tenha aprendido bastante sobre ele, fiquei entediada como poucas vezes fico durante um filme.

Exageradamente longo (130 minutos) e com uma direçao que deixa a historia devagar e pouco fluente, fica dificil se interessar pela vida do cantor, e os aspectos mais interessantes de sua personalidade nao sao tao bem mostrados,e diria que faltam algumas historinhas bem interessantes que deixariam o filme mais divertido.

A mistura com animaçao e a ideia do alter-ego até que sao recursos interessantes que poderiam ter dado certo, mas do jeito que foram usados so ridicularizaram o filme, e dificultaram leva-lo a sério.


Dois Irmaos

Diretor: Daniel Burman, Ano: 2010, Pais: Argentina/Uruguai/França, Visto em Juiz de Fora.

So fui ver esse filme por causa da falta de opçao em Juiz de Fora, e um pouco por curiosidade mesmo. Por ter assistido com amigas, ele nao foi tao chato quanto poderia ser, mas ainda assim é dispensavel.

Com personagens estereotipados, historia boba e sem ritmo, Dois Irmaos so tem de interessante é a boa atuaçao do irmao, Antonio Gasalla, e o fato de conseguir se equilibrar entre comédia e drama bem. Mas os dialogos sao bem irritantes e o excesso de antipatia pela irma é incomoda, ja que sempre acho ruim quando a propria historia condena os seus personagens, e tambem porque ha um certo puxa-saquismo com o irmao. Basicamente, muito parcial.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Rio de Janeiro/Juiz de Fora, Cinema e Eu

Como ja foi dito no meu primeiro post, vim para Montreal por apenas um ano. A principio essa seria a duraçao da vida do blog, que era mais uma forma d'eu registrar as minhas opnioes ao ver filmes importantes (ou nao) e de me ajudar a aprender mais sobre cinema.

Tendo esses objetivos cumpridos e o tempo em Montreal acabado, o blog acabaria tambem. Mas justamente por ele ter dado tao certo, vou mante-lo até o final de 2010, talvez inicio de 2011, para me dar tempo de fazer as listinhas de piores e melhores filmes vistos no ano.

Tenho inclusive a ideia de começar um blog em ingles para poder, quem sabe, atingir um publico maior. E tambem porque o meu portugues esta muito ruim. (Falei que o filme era cheio de pretenciosidade outro dia)

Em breve voltarei à minha vida dupla indo e vindo do Rio para Juiz de Fora. Antigamente eu ficava feliz com os filmes do Rio quando saia de JF, mas vindo de Montreal agora vai ser meio deprimente. So espero que os meus amigos canadenses sejam legais o suficiente para nao jogarem na minha cara que ja viram tal filme aqui que so vai chegar no Brasil meses depois. Esperança falsa, though.

Anyway, o nome do blog continuara o mesmo para nao ficar confuso (e tambem porque é mais cool assim, hehe) e eu continuarei a postar normalmente. Vou demorar a publicar algo novo porque minha vida vai estar meio corrida, mas ja fiz anotaçoes sobre Inception (que eu vi e voce nao) e trabalharei numa critica completa o mais rapido possivel. Tambem tenho planos de fazer mini-criticas de varios filmes do Herzog, Kubrick e da filmografia completa do Truffaut. E obviamente, eu vou ficar enrolando e nao vou publica-las nunca. Digo, serao escritas com capricho e o mais rapido possivel.

Mas o que é deprimente mesmo é sair de Montreal poucos dias antes de uma mostra de filmes do Akira Kurosawa e do Christopher Nolan no Cinema du Parc, e de uma sessao de Metropolis no cinema com musica ao vivo. Mas nem ligo. Sou muito mais ficar assistindo filme ruim na telinha do aviao. No meu ultimo voo vi Crepusculo, que é o melhor filme anti-insonia existente. Ja estava no décimo sono quando é revelado que ele é um vampiro.

Anyway, uma coisa eu posso prometer. Em ordem a passar em portugues (isso ta errado, né?), vou aprender a lingua de novo, e parar de falar e escrever coisas como "defensa".

Ou talvez eu va viver numa caverna isolada da civilizaçao, rodeada apenas por filmes e posters de filmes.

OBS: Coincidentemente, publiquei extamente o mesmo numero de posts nas duas metades do meu tempo aqui.

domingo, 9 de maio de 2010

Uma Pequena Pérola


Me lembro de ver em algum canal infantil que eu assistia anunciando que ia passar o filme Conta Comigo. Como eu tenho uma memoria extremamente bizarra, o titulo e algumas cenas da propaganda ficaram na minha cabeça. Bati de cara com o cartaz do filme algumas vezes depois disso e o reconheci, mas nunca liguei muito e sempre achei que era um filmeco de Sessao da Tarde.

Outro dia na biblioteca estava meio fraco de opçao, e a minha mae me sugeriu esse filme. De cara torci um pouco o nariz mas ela me disse que era um filme bem feito e tinha um lado meio amargo. Como eu tenho uma quedinha por coisas amargas, me animei a pega-lo.

Assisti no dia do meu aniversario so porque era o filme mais curto dos que eu tinha em casa. E sinceramente, nao podia ter feito uma escolha melhor.

Nao vou dizer que é o melhor filme ja feito, nem uma obra genial. Mas Conta Comigo nao quer ser nenhuma dessas coisas mesmo. Tirando as suas muitas caracteristicas boas, esse é um dos seus aspectos mais interessantes: a falta de pretensao. Nesse ponto ele é quase ingenuo. Com uma historia que cai facil na profundidade barata de frases de efeito e tom de "a jornada que mudou a vida deles", ele passa muito longe disso.

Nao que ele seja bobo ou pareça nao saber o tema da historia. Simplesmente tudo é muito bem feito e com cuidado, com o tal tom meio amargo em relaçao à infancia, pré-adolescencia, familia, vida em cidade pequena e amizade. Amargo, mas nao pessimista. Sua ideia esta longe de ser que a vida nao vale a pena, ninguem presta, ou qualquer coisa do tipo. Na minha opniao é um amargo meio conformado com a situaçao. Ele aponta os problemas de todos esses temas que citei acima, mas sem tratar os meninos como probres coitados, muito menos pequenos herois que vao dar a volta por cima. Nao acho que ele seja um retrato de infancia exatamente, mas basicamente ele conta uma historia que é ficçao, mas com personagens, conflitos, ambiente e soluçoes muito bem elaborados e fundamentados.


Os personagens até sao a principio meio estereotipados, mas sem ser caricato nem ter aquela moral de "as pessoas sao mais do que a imagem que temos delas". A atuaçao dos meninos ajuda, que nao é genial de tirar o chapéu como a de Max Records em Onde Vivem os Montros (sim, eu vou cita-lo sempre que falar de atores infantis), mas é de fato muito boa. Além disso, o filme supera esse suposto estereotipo muito bem, sendo capaz de criar personagens complexos durante a sua curta duraçao.

O que é uma outra coisa muito interessante. Num tempo de apenas 1 hora e 28 minutos ele consegue desenvolver todos esses elementos melhor do que filmes com uma duraçao regular que se perdem. Prova de um otimo timing.
A ingenuidade das crianças que nao tinham ideia do que estavam fazendo e lidando com uma coisa muito acima do seu nivel de maturidade é um ponto muito bem apresentado. Como o resto do filme, nao trata eles como criancinhas bobinhas, nem mini-adultos. Simplesmente crianças bricando com algo que nao é brincadeira, e levando tudo a sério, ou nao, ao mesmo tempo.


Para finalizar, um pequeno detalhe no final que me chamou muito a atençao, por uma questao pessoal mesmo. Logo depois que eles voltam para a cidade tem um post plot com o protagonista contando o que aconteceu depois, e uma das coisas que ele fala é que depois de um tempo ele e o melhor amigo foram se afastando dos outros dois meninos até chegar ao ponto em que eles passaram a ser apenas dois outros rostos no corredor da escola. Eu simplesmente amei o jeito que ele disse isso. Sou uma das grandes defensoras de que amizades vem e vao e isso nao é um problema, mas sim, um simples fato da vida.

O desenrolar da historia em si é otimo, e mesmo tendo um final que fecha toda a historia e com narraçao, ele consegue ser bom. O que é para poucos.

Conta Comigo nao é uma obra-prima porque ele tem essa cara toda humilde e pequena, e mesmo que cheio de coisas boas, tem seus defeitos e nao é impactante o suficiente para ser uma. Mas isso inclusive faz parte das suas qualidades. Ao meu ver, entao, ele é uma pequena obra-prima, um trabalho muito bem feito. Um exemplo a ser seguido por filmes de sessao da tarde e low-budget em geral.

domingo, 21 de março de 2010

Meus Problemas Com Alice


Tenho uma relaçao meio complicada com essa historia. Desde pequena sofro de pessoas falando:

pessoa: Oi, menininha! Qual é o seu nome?
eu: Alice.
pessoa: Ah, tipo Alice no País das Maravilhas? Cadê o coelho branco?! E como vai a rainha de copas?
eu faço cara de tacho
pessoa: Ai, que criancinha mais antipatica.

Pode parecer ridiculo, mas isso afeta muito a vida de alguem. É por isso que sou assim hoje. ='(

De tanto ser relacionada a essa droga de historia, criei uma intolerancia à ela, e acho que nunca vi o filme da Disney inteiro. 1) por achar chato, 2) por rebeldia de nao ver o filme com o meu nome. Meus pais (sim, eu tenho que falar alguma coisa sobre eles em todos os posts) decepcionados com o relativo fracasso do nome que eles escolheram tao bem intencionados viviam falando que o livro era muito legal e me deram umas versoes adaptadas. Teve uma que eu comecei a ler e achei um porre, mas isso foi ha muito tempo.

Inicio de 2009, em Vancouver, meu pai sai para dar uma volta e chega mais tarde com presentinhos para a gente. O meu, muito criativo, era um livrinho com a versao original do Alice No País das Maravilhas, em ingles, por 4,99. Eu reclamei que ele nao me amava e por isso comprou um livro de 4,99 e so por rebeldia o preço esta la até hoje.

Mas isso é irrelevante. O fato é que eu li o livro nessa época, e mesmo sem entender muita coisa (enfase no "muita"), gostei. Reli agora que o meu ingles esta incomparavelmente melhor, e gostei bastante. Nao acho que seja genial nem nada, mas adorei as brincadeiras com as palavras, e todo o clima de nonsense que na verdade tem um certo sentido do livro. Fiquei sublinhando todas as frases e dialogos que achei legais. Esse é um dos meus favoritos:

"The name of the song is called 'Haddock's Eyes'."

"Oh, that's the name of the song, is it?" Alice said, trying to feel interested.

"No, you don't understand," the Knight said, looking a little vexed. "That's what the name is called. The name really is 'The Aged Aged Man'."


"Then I ought to have said 'That's what the song is called?'" Alice corrected herself.

"No, you oughtn't: that's quite another thing! The song is called 'Ways and Means': but that's only what it's called, you know!"

"Well, what is the song, then?" said Alice, who was by this time completely bewildered.

"I was coming to that," the Knight said. "The song really is 'A-sitting on a Gate': and the tune's my own invention."

Mas por mais que o livro seja muito legal, so recomendo que seja lida a versao origial em ingles, ja que muitos dos trocadilhos sao intradutiveis. O problema é que isso requere um bom ingles devido as mil piadinhas com palavras.


A questao é que a historia basica (menina segue coelho e vai parar num lugar com coisas estranhas) e o titulo sao muito conhecidos (e eu sei bem disso), mas principalmente por causa do filme da Disney, que na verdade, segundo à minha lembrança, é muito diferente da idéia do livro. Provavelmente porque tenta fazer uma coisa para crianças, e eu acho que Alice esta longe de ser algo que crianças entenderiam e gostariam. Mas principalmente, as pessoas no geral nao tem idéia de como é a historia original mesmo e têm uma noçao muito simplista dela.

É aqui que começo a falar do filme de Tim Burton (relaxa, eu nao tinha esquecido o tema do post, nao.). Quando fiquei sabendo que era uma continuaçao da historia original, achei até isso uma coisa boa, porque nao acho que o livro em si seja muito filmavel, por mais que tenham feito filmes dele, ja que as suas melhores caracteristicas sao os trocadilhos e brincadeiras com palavras (o que deixaria um filme muito vazio se fosse feito so disso), e a capacidade de mudar de cenario rapidamente sem que o leitor saiba, ja que nao estamos vendo nada. Num filme é preciso fazer essa transiçao, o que eu acho que perderia o impacto que o livro tem de se sentir fora de controle de onde voce esta.

De qualquer jeito, nao sou muito fa do Burton. Vi poucos filmes dele, mas nao gosto do seu estilo. O considero um grande criador, com muita personalidade e excelentes direçoes de arte, maquiagem e efeitos especiais, mas muito fraco em historia. Sendo que nao gosto desse estilo fabula dark, que tem um visual todo assustador mas que no final nao passa de um conto de fadas bobinho.

Mas tudo bem. La fui eu assistir o filme. Queria perguntar na bilheteria se eu podia ver de graça ja que me chamo Alice, mas nao sou tao cara de pau assim. Mesmo achando que deveria receber alguma coisa em troca, ja que desde que o filme estreiou todo dia é a mesma coisa "Hi Alice. Oh, did you see the movie?!". E a taxa de pessoas que me chamam de Alice no País das Maravilhas aumentou. Foi uma dificuldade para ver porque fui no fim de semana de estréia entao estava lotado. Fiquei feliz de ter visto logo e matado a curiosidade, mas meio pudim da vida por ter ficado curiosa para assisti-lo, ja que eu sabia que nao ia gostar muito.

Quando as pessoas reclamam que viram tal filme baseado em tal livro e que o filme nao é fiel e mudou muito a historia, eu sou a primeira e defender o coitado. Cinema e literatura sao duas coisas completamente diferentes, e quando se transforma algo em filme, tem que ter em mente que aquilo é uma adaptaçao, e tem todo o direito (artistico, quanto aos contratos nao sei) de mudar a historia, tirar e adicionar novos elementos, e filmar a interpretaçao que o diretor teve do livro. Isso muda um pouco quando vao fazer um filme de um bestseller, ja que o obejtivo é agradar os fas e ter uma boa bilheteria, mas nao é disso que quero falar.

Sendo, assim, eu nunca quis ver o livro filmadinho ali na minha frente, coerente com cada virgula. Seria impossivel esperar isso, ja que o conceito que Burton adotou lhe da muita liberdade para fazer o que quiser ja que se passa mais tarde e tal. Mas vamos com calma. O filme ainda se chama Alice no País das Maravilhas, e ainda se diz baseado no livro.

Esse é o principal problema. Ele nao passa de algo levemente inspirado na historia do Lewis Carroll. Enfase no "levemente". Burton parece mal ter lido o livro, e sim pego a base da historia que todos conhecem: menina segue coelho, cai num buraco e vai parar num lugar fantastico. A partir daí, nao se tem mais nada em comum.


Muitos dos persnagens até sao os mesmos. Digo, fisicamente e teoricamente sao os mesmos. Quanto as personalidades, é tudo da cabeça do Burton. No livro ninguem é simpatico, e a Alice fica pudim da vida porque é impossivel conversar com qualquer ser porque todos eles so falam nonsense. Nao existe nada nem se quer proximo de amizade entre ela e as criaturas. Pois é. Olha que coisa mais fofa: no filme tem os do bem, e os do mal. Os do bem sao super gente boa, legais e amam de paixao a Alice, e os do mal sao mals invejosos e ninguem pode dete-los (na verdade podem ser detidos sim, so quis escrever essa frase da Branca de Neve... rs). Essa idéia de bem e mal é inceitavel, se o filme se diz baseado no livro, ja que na obra original nao existe nada disso. Burton ainda mudou totalmente o personagem do chapeleiro, afinal, a musa dele tinha que ter muito espaço no filme.

Ele usou apenas o titulo e esse negocio de lugar fantastico. O resto foi transformado numa historinha de aventura previsivel, bobinha, e com o tal estilo fabula de fantasia gotica que o Burton tanto ama. Nesse ponto, tudo é até bem correto. A historia é amarradinha, as atuaçoes sao corretas e, claro, a maquiagem, efeitos especiais e direçao de arte sao otimos. Mas é isso. Tambem achei o final ridiculo, com essa necessidade de fechar a historia mostrando como a Alice é melhor que os outros e vai longe. Alguns personagens sao muito caricatos (como todas as pessoas da festa do inicio e os seguidores da rainha vermelha) e a dancinha que o Johnny Depp faz no final é MUITO vergonha alheia. Falando nele, fico sem saber se ele é bom ator ou nao, porque debaixo de tanta maquiagem e fantasia fica dificil de dizer, mas pelo menos nao é caricato.


Minha principal reclamaçao é que isso simplesmente nao é Alice no País das Maravilhas. Deveriam ter dado um outro titulo, e deixado claro que ele é apenas levemente inspirado. Mas para quê? Quase ninguem vai notar isso mesmo.

Ultimo Comentario Atrasado Sobre o Oscar

Acabei ficando com preguiça, digo, sem tempo e nao escrevi nada mais detalhado sobre Oscar. Agora tambem ja é muito tarde, e nao vou gastar tempo comentando detalhes nem nada. So queria falar rapidamente que, caso alguem tenha levado meio a sério, o A Maior Injustiça do Oscar é uma brincadeira.

Vi depois que a reaçao do Cameron nem foi muito ruim (mesmo eu achando que na sua cabeça ele xingou a Academia até a morte e vai precisar de um analista por um tempo), o que é obviamente uma coisa boa, porque ele seria ainda mais infatil do que eu se tivesse reagido mal.

Mas de qualquer jeito tambem queria deixar claro que nao ha na verdade muitas razoes para que ele ficasse pudim da vida. A final, o filme dele esta muito longe de ser um fracasso. Teve uma boa bilheteria (da pro gasto, né), ganhou muitos premios técnicos, o Globo de Ouro, foi chamado de revolucionario (como ele queria) muitas vezes, adorado por muuuitos e homenageado durante toda a cerimonia do Oscar. E claro que nao podemos esquecer que muitos dos filmes mais importantes da historia do cinema nao ganharam Oscar ou muitos premios importantes (a.k.a. Cidadao Kane). Se o Avatar é de fato um divisor de aguas, revolucionario e sei la mais o que, nao vai ser a falta de premios que vai tirar a sua importancia. E nesse ponto ele nao tem nada a invejar o Hurt Locker, que pode ter arrazado nos premios, mas é o filme vencedor de Oscar com a menor bilheteria de todos os tempos, e que eu realmente acho que será em breve esquecido, ficando apenas com o titulo de primeira mulher a receber o premio de melhor filme e direçao, o que sinceramente ninguem liga muito, tirando as feministas e a Academia que se acha agora muito moderna e justa.

Agora, se Avatar tem de fato todo esse peso, so o tempo dirá.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A Maior Injustiça do Oscar

Como ja disse, a cerimonia em si acho meio chata. E é. Mas me diverti muito assistindo porque fiquei torcendo pelos filmes nos quais eu tinha apostado (até porque nao tinha nenhum filme la que eu tenha gostado muito e quizesse torcer... tirando A Fita Branca) de uma forma bem empolgada, a nivel de vaiar quando anunciavam os outros indicados e falar "eee" quando falavam o filme no qual eu tinha apostado. Sim, a minha infantilidade chega a esse ponto. Meus pais reclamaram (é, eu os forcei a assistirem comigo) que era muito longo, chato e cansativo. Eles tem razao, mas nao tem nenhum esporte para o qual eu torça ou goste muito, entao esse fica sendo mais ou menos o meu esporte. Com um unico e longo jogo por ano.

Vou fazer um texto direitinho (talvez 'direitinho' nao seja a melhor palavra...) com os meus comentarios sobre os resultados e tudo no geral.

Mas agora eu gostaria de expressar a minha decepçao e revolta com a maior injustiça do Oscar que eu ja vi. Ha anos e anos eles indicam e premiam, ou nao, muitas pessoas completamente desmerecedoras. As vezes ignoram os melhores e focam os piores. Mas o mais injusto, deprimente e tragico da cerimonia nao é isso. A maior e mais imperdoavel injustiça foi nao filmar a cara do James Cameron depois de ter ganho apenas 3 premios e perdido melhor direçao e filme. Isso eu nao aceito.

Mas por mais que isso seja muito injusto e que eu tenha perdido uma das imagens mais engraçadas da minha vida, eu até entendo, ja que ele devia estar falando palavras muito inapropriadas para serem mostradas na tv.

Eu sei que isso parece (e é) muito infatil, mas nao consegui resisir a fazer esse comentario... quem achar um video da reaçao dele ganha um doce.

domingo, 7 de março de 2010

Filmes Oscarinos 2 - O Retorno

Assisti mais alguns dos filmes indicados ao Oscar, e como disse, vou colocar mini-criticas aqui, e tambem as minhas apostas, que sao bem amadoras e sem noçao. Ainda estou meio digerindo o Preciosa e o Guerra ao Terror, mas tentei falar o maximo possivel deles.

OBS: Peço desculpas pelo titulo ridiculo, mas nao resisti a fazer essa piadinha.

Coraçao Louco


Indicado a: ator (Jeff Bridges), atriz coadjuvante (Maggie Gyllenhaal) e canção ("The Weary Kind")

O filme em si é muito ruim. Sem ritmo, chato, roteiro fraco, e tudo parece muito pointless. De inicio nao gostei muito da atuaçao de Jeff Bridges tambem. Achei muito obvia, para mim ele tinha composto o personagem so por estar sempre com um jeito deleixado. Mas depois conversando com os meus pais cheguei à conclusao que considerando o personagem e a historia, a sua performance era até bem contida e nao exagerada. Continuo achando que Colin Firth merece muito mais o Oscar, mas acho bem justificada a praticamente certa vitoria de Bridges. Quanto a Maggie, nao faço ideia de como ela foi ser indicada. Sua interpretaçao é direitinha, mas sem graça e nada de mais. Nao entendo porque deram uma indicaçao à ela e nao ao maravilhoso Max Records (mesmo que em categorias diferentes). Quanto à musica, ja disse que esse nao é o meu terreno, e mesmo que fosse, nao sou muito chegada a musica country, entao nao posso falar nada, mas vai ser essa que provavelmente vai ganhar.


Coraline e o Mundo Secreto


Indicado a: filme de animação.

Gosto muito de animaçao stop motion. Por tanto, gostei muito da animaçao do filme e de toda a direçao de arte. Quanto à historia, mais ou menos. O final é muito obvio, e eu diria que tem um certo problema de timing e desenvolvimento. Acho que o que mais me incomodou é que nao consegui sentir emoçao nenhuma por causa dos perigos passados por Coraline ja que era obvio que no final tudo ia ficar bem, e o suposto suspense do inicio do filme sobre o outro mundo nao é suspenseful porque é claro que tudo vai virar um pesadelo depois, inclusive esse foi o plot divulgado, entao a primeira metade do filme é quase sem sentido. Mas é simpatico, e me diverti vendo. O que acho legal é que o diretor (confundido com Tim Burton pelo seu filme O Estranho Mundo de Jack, no qual Burton produziu, escreveu e criou os personagens, mas foi Henry Selick quem dirigiu) se manteve no estilo gotico-magico de Burton, mas deu o seu proprio tom à historia, criando uma atmosfera mais singela e "fofa" que as dos filmes de Burton.


Guerra ao Terror


Indicado a: filme, direção (Kathryn Bigelow), ator (Jeremy Renner), roteiro original, fotografia, montagem, trilha sonora, mixagem de som e edição de som.

Ainda estou digerindo. E acho que vai ser uma digestao bem longa. Posso dizer com certeza que nao morri de amores pelo filme. Mas ainda nao sei se concordo ou nao com as qualidades apontadas sobre ele. Leio criticas positivas e penso "hm... é, ele tem razao", leio negativas e penso "é, realmente". Entao estou em crise mesmo.
Acho interessante fazer um filme de guerra sem batalhas e com um foque no efeito que a atmosfera de guerra tem nas pessoas, mas nao sei se o filme fez isso muito bem ou nao. Tambem nao posso falar o que as pessoas tem dito muito, que é um filme muito diferente do seu genero, ja que acho que é o primeiro filme de guerra que vejo na minha vida (acho que isso nao foi uma boa coisa para se escrever num blog sobre cinema...) Nao posso falar nada sobre as categorias tecnicas. Quanto ao ator, de cara nao gostei muito, mas no final cheguei a conclusao que ele soube construir bem o personagem com calma e nuances. Mas nao acho que valha a indicaçao. De novo, nao entendo porque indicaram ele e nao o maravilhoso Max Records. Sim, eu achei esse pouco caso em relaçao ao Onde Vivem os Monstros injustificado, até porque foi um ano de vacas magras. Mas eu ja sabia que ele nao era um filme oscarino mesmo.
Peço desculpas pela ausencia de critica, mas nao tenho nada a falar mesmo. Fico devendo pelo menos um breve comentario depois.


Preciosa


Indicado a: filme, direção (Lee Daniels), atriz (Gabourey Sidibe), atriz coadjuvante (Mo'Nique), roteiro adaptado e montagem.

Me surpreendeu. Nao é que eu tenha gostado dele, até porque uma historia assim nao tem apelo nenhum para mim. Mas esperava um dramalhao cheio de morais, com saidas e soluçoes faceis, uma coisa sem muito esforço, feito so para o publico chorar e morrer de pena da precious. Justamente. O filme é o oposto. Nao acho que trate do assunto de uma forma especialmente interessante ou que eu tenha gostado muito, mas considerando todo o seu background, ele lida com tudo muito bem, e até trata a historia de uma forma meio fria. Nao cinica, claro. Com "fria" eu quero dizer que ele nao é sentimentalista. Gabourey Sidibe ajuda a nao transformar o filme num dramalhao com uma performance super correta, contida, e mostra que tem bons recursos como atriz. Nao faz caras obvias de "tadinha de mim" ou de determinada lutadora. Sua interpretaçao retrata muito bem o jeito da Precious de querer guardar os seus problemas para ela mesma. De inicio achei a Mo'Nique bem caricata e apenas berrando, mas ao longo percebemos que ela consegue fazer uma personagem extremamente facil de ficar super caricata de forma contida e com sutilezas, e principalmente, sem ser espaçosa. Esta muito longe de ser um filme genial, mas é muito mais interessante do que eu esperava.


A Princesa e o Sapo


Indicado a: filme de animação e canções ("Down in New Orleans" e "Almost There")

Tentei me lembrar qual foi a ultima vez que vi um classico Disney. Nao consegui. A minha lembrança mais proxima é de series do Disney Channel. Mas considerando isso, o filme é feliz com a sua idéia de trazer de volta os filmes da epoca de ouro da Disney. Eu realmente me senti com uns 5 anos assistindo Cinderella, Bela Adormecida, etc. Quando eu era pequena até gostava muito de alguns filmes da Disney, mas hoje nao vejo muita graça nessa historia cliche e com personagens bem banais e alguns caricatos. Mas o principal é que o filme atinge o seu objetivo, e é bem correto. Quanto as musicas, sao bem estilo Disney tambem, que nao é o meu estilo favorito, mas sao mais diferentes e menos obvias do que as musicas que vi nos ultimos musicais que vi (Nine e O Estranho Mundo de Jack), o que eu acho que é um bom mérito. Da para ver que investiram em bons compositores.


Minhas Apostas com justificativas nao muito justificantes em baixo (nao vale rir):

Melhor Curta Live-Action: Miracle Fish
Chutei.

Melhor Curta de Animaçao: French Roast
Nao gostei, mas é o unico que vi.

Melhor Curta Documentario: Music By Prudence
Chutei.

Melhores Efeitos Visuais: Avatar
É o que parece mais likely (como a gente fala isso em portugues) de acontecer.

Melhor Mixagem de Som: Avatar
Chutei. E nem sei o que é mixagem de som exatamente.

Melhor Ediçao de Som: Guerra Ao Terror
Nao faço ideia de qual é a diferença. Mas Guerra Ao Terror ganhou o premio do sindicato dos sonoplastas, entao votei nele.

Melhor Cançao: "The Weary Kind", Crazy Heart
Ganhou os outros premios e é o favorito.

Melhor Trilha Sonora: Up
Sei la... sei que as trilhas sonoras da Pixar sao respeitadas.

Melhor Maquiagem: A Jovem Rainha Victoria
Filme de época, né?

Melhor Montagem: Guerra Ao Terror
Ganhou o premio do sindicato de montadores.

Melhor Documentario: The Cove
É o favorito, né.

Melhor Figurino: A Jovem Rainha Victoria
Fiquei bem indecisa, mas fui nele por ser filme de época, que sempre tem vantagem nessa categoria.

Melhor Fotografia: Fita Branca
Ganhou o premio do sindicato... e tambem para poder torcer para ele sem estar sendo contra à minha aposta.

Melhor Direçao de Arte: Avatar
Duvida cruel... fui em Avatar por ser Avatar.

Melhor Filme Estrangeiro: A Fita Branca
Nem sei se foi uma boa aposta, mas nao queria torcer contra ele, e existem chances de qualquer jeito.

Mehor Animaçao: Up
Pixar é quase sempre vitoria certa.

Melhor Roteiro Adaptado: Amor Sem Escalas
É o favorito, e ganhou o Globo de Ouro.

Melhor Roteiro Original: Bastardos Inglorios
Meu medo de nao dormir a noite me impediu de ver o filme, mas Tarantino tem fama de ser otimo roteirista, e parece ser o favorito.

Melhor Diretor: Kathryn Bigelow, Guerra Ao Terror
Essa foi meio dificil... mas ela ganhou o sindicato, e acho que eles vao dividir melhor filme e melhor diretor entre Avatar e Guerra, e achei que tinha mais chances da Bigelow levar o premio de direçao em vez de filme.

Melhor Atriz Coadjuvante: Mo'Nique, Preciosa
Obvio.

Melhor Ator Coadjuvante: Christoph Waltz, Bastardos Inglorios
Obvio.

Melhor Atriz: Meryl Streep, Julie & Julia
Nao muito certo... mas me recuso a torcer para a Bullock, e acho que a Meryl tem mais chances de qualquer jeito.

Melhor Ator: Jeff Bridges
Obvio.

Melhor Filme: Avatar
Tremi na hora de apostar nesse. Mas como acho que vao dividir os premios de filme e direçao, e ja tinha apostado em Guerra para direçao, nao me restou mais nada a nao ser apostar em Avatar. O que é triste, porque eu nao quero que ele ganhe.


Essa vai ser a minha segunda vez assistindo a cerimonia toda. No Brasil acaba muito tarde entao so pude ver ano passado porque era carnaval. A cerimonia em si eu achei bem chatinha, mas é divertido ver a premiaçao ao vivo e falar mal dos vestidos. Espero que essa ultima frase nao tenha tirado todo o meu prestigio como cinéfila. Se é que eu tenho algum.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Assistindo Deus e o Diabo na Terra do Sol na Cinemateca Quebecoise

Queriamos ir no cinema domingo passado, mas por mais que aqui os filmes cheguem bem antes, as opçoes eram fracas. A Princesa e o Sapo so ta passando num cinema la no fim do mundo, minha mae se recusa a ver Precious, eu tava sem paciencia pra ver Crazy Heart, e o resto dos filmes assistiveis ja tinhamos visto. Até que o meu pai viu no jornal que tava passando Deus e o Diabo na Terra do Sol na Cinemateca Quebecoise, e resolvemos ver esse.

Antes do filme começar, uma professora la de uma universidade ai foi na frente falar do Glauber Rocha. Ela ficou falando em frances, e no inicio eu até conseguia entender, mas ai ela começou a demorar muito e eu cansei de fazer esforço pra prestar atençao. So sei que ela falou "peuple" (quer dizer "povo") mil vezes e que ela colocava uma certa força no "peu", meio que a silaba pulava, sabe? Tipo "PEUple". Enfim, era bem bizarro. E ela nao calava a boca. Meu pai, durou seculos. E eu realmente acho que ela tava se repetindo. Quando ela terminou foi sentar, e o lugar dela era bem na nossa frente. Ela perguntou pro cara que tava com ela "eu fiquei falando por tempo de mais?" Espero que essa tenha sido uma pergunta retorica.

Nao tenho muito o que falar do filme, e nao sei muito sobre cinema novo entao nao quero ficar falando coisas que nao fazem sentido. Mas nao gostei, a historia é fraca, cenas ruins, atuaçoes péssimas, atores com dicçoes péssimas, roteiro péssimo, etc, etc.

Mas o legal foi que era com legenda em frances, e mesmo meu frances sendo uma me...lancia, ele foi bom o suficiente para perceber alguns erros de traduçao. Por exemplo, enquanto no filme nunca tinha concordancia de verbo, e etc, na legenda as frases eram sempre corretinhas. E em alguns momentos eles falavam alguma coisa no filme e nao aparecia legenda nenhuma.

O mais importante é que assistir um filme na sua primeira lingua com legenda numa outra lingua num lugar que ninguem fala a lingua do filme é uma das coisas que todo mundo deveria colocar na sua listinha de coisas pra fazer antes de morrer. Sério. Nao tem nada como a vontade de pular da cadeira e gritar "VOCES PRECISAM DE LEGENDA E EU NAAAO!" So nao fiz isso porque ia pegar mal para a minha reputaçao.

P.S.: Nao se preocupe, nao vou mudar o nome do blog para "Encheçao de Linguiça e Eu", mesmo que seja um titulo mais apropriado.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Enchendo Linguiça

Estou começando a achar que a expressao "encheçao de linguiça" é escrita aqui mais vezes do que coisas sobre cinema. rs

Estou com varias ideias de posts, mas meio muito devagar para escrever. Entao tive a ideia genial de colocar aqui fotinhas das coisinhas de cinema que ganhei/comprei na minha viagem e no Natal. Eu sei que isso é encheçao de linguiça pura, mas ai eu atualizo o blog mais rapidamente e ganho tempo para escrever posts mais sérios. Nao que os meus posts sejam sérios.

As outras coisas que aparecem nas fotos e eu nao falei de onde sao é porque ja nao sao do Natal, e sim mais antigas.

Divirta-se (nao que eu ache que seja muito divertido ver as coisas que os outros tem e voce nao, acho até que é bem triste, mas dizer "divirta-se" parecia a coisa mais educada a fazer)



posters de Jules et Jim e Querido Boudu comprados em Paris



O roteiro de Casablanca (presente comprado por internet), livrinhos com classicos (Pacto de Sangue, Sindicato de Ladroes, A Noite Americana, Metropolis, O Mensageiro do Diabo e Cidadao Kane) na promoçao do British Film Institute, livros do Paulo Emilio sobre Jean Vigo (presente comprado no Brasil... acho), DVD de Uma Jovem Tao Bela Como Eu (O azul escrito "A Gorgeous") do British Film Institute, enciclopedia de bolso com a historia do cinema comprada em Londres e um porta moeda do Meu Vizinho Totoro de Londres.


Calendario de ...E O Vento Levou (presente comprado nos EUA)



Cartoes de Londres (Bonequinha de Luxo, Audrey Hepburn, Atire No Pianista, William Holden, Audrey Hepburn e Gregory Peck em A Princesa e o Plebeu(2x), Humphrey Bogart, Acossado e Os Incompreendidos), boneco de Meu Vizinho Totoro de Londres, cartazes de Meu Vizinho Totoro e Os Incompreendidos de Paris, e o poster da Nouvelle Vague que eu "roubei" de uma livraria em Londres.



Foto de Casablanca de Londres. Considerando que Casablanca tambem é uma cidade isso soou estranho.


Fotos de Casablanca e de Intriga Internacional de Londres.


Cartaz frances de O Mensageiro do Diabo de Paris e poster de um festival do Orson Welles do British Film Institute.


Botttons de Os Incompreendidos, O Mensageiro do Diabo e Jules et Jim de Paris.


Em Breve (ou nao. Provavelmente nao):

-Criticas de O Mensageiro do Diabo e A Montanha dos 7 Abutres
-O Porque de Casablanca ser o meu filme favorito
-Comentarios sobre o Oscar
-Mini-criticas dos filmes que ja vi esse ano
-Correçao das listas dos melhores e piores do ano passado
-E muitas outras coisas que eu vou enrolar e nunca publicar!! :D

sábado, 30 de janeiro de 2010

Dessa Vez Nao Vou Acabar com uma Obra Prima do Hitchcock


Mas nao quer dizer que vou rasgar elogios, nem dizer que é sim uma obra prima. Nao acho que chegue a isso. Mas é um filme muito interessante, principalmente considerando o seu impacto na época.

Sinceramente, eu ja sabia mais ou menos da historia toda. Nao perfeitamente porque o resumo que eu li nao era muito bom, mas nao tive nenhuma surpresa enquanto assistia. Propositalmente. Como ja falei antes, é muito facil um filme, historia, trailer (e muitas outras coisas que voce nem imaginaria) me fazer ficar sem dormir ou acordar mil vezes de noite. Como eu estava com medo de ver Psicose e ficar assustada, eu tive a ideia genial de ler o resumo antes para nao me assustar com nada. Durante as minhas pesquisas sobre hitchcock acabei vendo algumas cenas do filme, entao eu sabia perfeitamente quando e como os assassinatos iam acontecer, e quem era o assassino tambem.

De inicio eu tinha achado a minha ideia genial nao tao genial assim e meio ruim, ja que ia estragar o meu jeito de ver o filme. Mas tenho que admitir que até que nao foi uma ideia tao ruim assim. O principal problema é que se depois de ver o filme eu nao tive insonia, antes, quando eu imaginava o assassino, eu passei algumas noites encarando a porta do meu quarto imaginando uma faca aparecendo, e alguns banhos nao muito relaxados tambem. Mas detalhes, detalhes. A parte boa da minha idea é que assim eu pude analisar o filme de uma forma mais tecnica, e a força que ele tem tirando as suas cenas de surpresas, digo, o quao as suas outras caracteristicas sao boas o suficiente para o filme nao depender simplesmente das cenas de assassinato e o desfecho inesperado que chamaram atençao quando foi lançado.

Tirando essa preparaçao para evitar dormir mal e poder estar em forma para poder escrever coisas pro blog na aula de frances, digo, aprender a conjugar todos os verbo direitinho, eu tambem ja estava pronta para nao gostar muito do filme. Meus pais nao falavam muito bem dele, e diziam que tinha uma explicaçao muito psicologica e faladinha, e o comparavam muito com Vertigo. Quem leu a minha critica do Vertigo entende o que quero dizer. Eu pensava que ia achar ele interessante do ponto de vista "historico". Do marco que teve na epoca e etc, mas eu realmente ja estava pronta para escrever mais uma critica esculachando uma outra obra prima do hitch.

Como ja disse, nao vou fazer isso, porque gostei dele. Mas eu realmente acho isso uma pena. Me diverti muito escrevendo a critica do Vertigo e tava doida para arrumar uma outra vitima... fica para outra vez. Mas o fato d'eu ter gostado de muitas coisas do filme compensa.

Para escrever a minha critica, eu pulei uns capitulosinhos no livro Hitchcock/Truffaut (que eu espero que ninguem lembre que eu comecei a ler no ano passado, isso seria meio humilhante) para chegar na parte que o Hitch fala do Psicose. Depois disso, passei a gostar bem mais do filme.

Uma das coisas que achei mais interessante foi que o Hitchcock estava era fazendo um grande experimento. Ao contrario dos outros filmes dele, esse nao tem personagens com os quais o publico vai se identificar, um casalzinho feliz, e na verdade é bem pobre na historia tambem. Digamos, nao é uma historia genial nem nada do tipo. E era exatamente essa a ideia do Hitch. Ele quis fazer um filme a partir desse livro por causa do assassinato no chuveiro. A repentinadade chamou a sua atençao. Mas ele mesmo disse que a ideia do filme era basicamente controlar as emoçoes e reaçoes do publico. Ele queria contar a historia de um jeito que prendesse a atençao das pessoas perfeitamente.

Parabens. Esse é de longe o melhor ponto do filme. A direçao é uma das melhores do Hitch. A historia e os personagens sao perfeitamente controlados por ele. A primeira metade, ele mesmo falou, era como armadilha. O filme começa parecendo ser a historia de uma menina que rouba uma certa quantidade de dinheiro e foje. Até o momento que ela morre, nunca ninguem desconfiaria de qualquer outro plot. De repente, é como se fosse um outro filme. O estilo de narrativa muda um pouco tambem, e obviamente, o publico fica completamente chocado com a mudança de rumo da historia.

Mas as duas partes do filme sao muito bem dirigidas, suas historias muito bem contadas, e a transiçao de uma para outra é perfeita. Passamos para um outro filme, mas sem ficar irregular, problema que Vertigo enfrenta. Uma passagem que me chamou muita atençao na primeira parte foi enquanto a Janet Leigh dirigia e ouviamos as conversas entre as pessoas preocupadas com onde ela estava. Uma tecnica de passagem de tempo muito boa, criativa e bem executada.

Depois de ler muito sobre Hitchcock, finalmente entendi porque a cena do chuveiro é tao importante. Hoje isso é menos estranho, mas naquela época a estrela do filme nao morria logo no começo, principlamente esfaquiada de supresa por uma pessoa misteriosa. O Hitch deu tanta importancia para essa cena que ele pedia para que os cinemas nao deixassem as pessoas entrarem no filme depois do começo, coisa que era muito comum na época. Vendo a cena hoje ela nem tem muita graça, mas seu impacto na época é inegavel.

O Hitch diz que nao gosta de dirigir atores. No capitulo sobre Psicose, ele disse "Eu nao ligo para as atuaçoes; mas eu ligo para as partes do filme e a fotografia e a trilha sonora e todos os ingredientes para fazer o publico gritar.". Nesse caso, acho que posso atribuir todo o mérito da maravilhosa performance de Anthony Perkins, ao proprio Anthony Perkins. Ele esta realmente muito bom. Todo o jeito de filhinho loser da mamae, timido, meio desajeitado, e aquele sorrisinho no final é otimo. Mas eu preferiria que ele nao tivesse feito esse sorriso, porque ele é muito macabro e as vezes ele me vem a cabeça quando eu estou tentando dormir, o que nao é legal. Nao pretendo muito ver as sequencias de Psicose, nas quais ele continuou a interpretar Norman Bates, mas espero que a sua atuaçao tenha continuado a esse nivel.

O final com aquele psicologo explicando tudo é mesmo meio decepcionante. Depois de um filme tao diferente, com recursos de contar historia tao criativos, terminamos com um carinha explicando tudinho tintim por tintim. Decepcionante, mas totalmente perdoavel. Justamente pelo resto todo do filme ser tao ousado. O publico merecia uma explicaçao logica (bem... mais ou menos, né) e facil de entender. Continuo achando que o dialogo dessa cena poderia ser melhor, mas tudo bem.

Uma outra coisa muito interessante que o Truffaut apontou no livro é que o filme é praticamente mudo. Ta, nao praticamente, mas tem muitas sequencias sem dialogo algum. O que esta muito ligado com a qualidade visual dele. Hitch nao quis uma fotografia em preto e branco para nao mostrar sangue, e sim porque o filme pedia mesmo essa escuridao toda. E é uma otima fotografia. Escura o suficiente para assustar com a dificuldade de ver, mas nao é confusa, e tem um otimo contraste.

"As pessoas vao dizer 'Foi um pessimo filme para se fazer. O tema era horrivel, as pessoas eram pequenas e nao tinha personagem algum." Eu sei tudo isso, mas eu tambem sei que a construçao da historia e o jeito na qual ela foi contada fez com que pessoas em todo o mundo reagissem emocionalmente." - Alfred Hitchcock

Nao sei se minha critica esta boa, mas chega. Estou presa com isso desde o fim de semana. E eu li sobre o filme e escrevi a noite, pouco antes de ir dormir. Coisa que eu realmente nao deveria ter feito, e agora acho que vou ter que ficar lendo revistas de fofoca para nao sonhar com o Anthony Perkins sorrindo macabramente para mim. Nao que eu tenha revistas de fofoca.

domingo, 24 de janeiro de 2010

1 Ano = 129 Filmes.

Ano passado vi a tristeza de 129 filmes. Tristeza porque é um numero quebrado. Só mais unzinho e seria 130!! E para alguem como eu, que nao consegue nem parar o microondas se o timer nao estiver em um minuto inteiro ou meio, isso é muito tragico.

Mas depois de ficar uma semana chorando no banheiro, estou me sentindo melhor agora, pude fazer um post com os 29 filmes que vi depois que fiz a lista dos 100 (http://montrealcinemaeeu.blogspot.com/2009/11/100-filmes.htmll), e tambem os altos e baixos do ano. Mas nao dos filmes lançados em 2009, e sim, dos filmes que eu vi. Alguns eu nao vou comentar muito, nao por estar esnobando, mas por nao saber muito o que falar sobre eles. Como o A Malvada, que eu acabei cochilando quando vi e nem cheguei a discuti-lo ou analisa-lo. Nao gostei muito, mas nem sei porque... quero rever, mas ele ficou meio excluido das listas, provavelmente injustamente.

Bem, divirta-se. Lembre-se que fiz essas listinhas por diversao, e com certeza me esqueci de muita coisa e fui injusta com muito filmes, mas é dificil lembrar dos melhores e piores momentos de todos eles. Queria fazer categorias mais engraçadas mas nao tive boas ideias, entao pode estar meio chato... mas espero que voce se divirta enquanto se chateia. Nao coloquei todas as informaçoes dos filmes sempre porque daria muito trabalho demais. Nao é que eu seja preguiçosa... ta, eu sou, mas esse post ja foi muito trabalhoso, entao so coloquei as informaçoes que considerei necessarias. Se quiser saber mais sobre o filme, olhe a lista desse post ou do "100 filmes" que tem titulo original, diretor e ano.

Duas observaçoes muito importantes:

1-Nenhuma das listas esta em ordem, ou tem limite de filmes
2-Se voce é facilmente irritavel, recomendo que nao leia as partes de "surpresas ruins", "piores filmes" etc, porque nunca se sabe se o seu favorito está nessa lista sendo esculachado. E como ja disse, nao me responsabilizo por traumas psicologicos.

Os 29 filmes que assisti depois da lista dos 100:

OBS: O Casamento de Rachel eu vi no inicio do ano, mas tinha me esquecido de coloca-lo na lista. O Resto esta na ordem em que vi mesmo.

101-Hannah e Suas Irmas (Hannah and Her Sisters), de Woody Allen (1986)
102-2001: Uma Odisseia No Espaço (2001: A Space Oddyssey), de Stanley Kubrick (1968)
103-A Montanha Dos 7 Abutres (Ace In The Hole), de Billy Wilder (1951)
104-O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married), de Jonathan Demme (2008)
105-Atire No Pianista (Tirez Sur Le Pianiste), de François Truffaut (1960)
106-A Mulher Do Lado (La Femme d'à Côté), de François Truffaut (1981)
107-Sindicato de Ladroes (On The Water Front), de Elia Kazan (1954)
108-? (Sharkwater), de Rob Stewart (2007)
109-Sonhos de um Sedutor (Play It Again, Sam), de Herbert Ross (1972)
110-Suspeita (Suspicion), de Alfred Hitchcock (1941)
111-As Duas Inglesas e o Amor (Les Deux Anglaises et le Continent), de François Truffaut (1971)
112-O Mensageiro do Diabo (The Night of the Hunter), de Charles Laughton (1955)
113-A Dama Oculta (The Lady Vanishes), de Alfred Hitchcock (1938)
114-Piratas do Rock (The Boat That Rocked), de Richard Curtis (2009)
115-Cupido Nao Tem Bandeira (One, Two, Three), de Billy Wilder (1961)
116-Pavor Nos Bastidores (Stage Fright), de Alfred Hitchcock (1950)
117-O Amor Em Fuga (L'amour En Fuite), de François Truffaut (1979)
118-Fantastico Senhor Raposo (Fantastic Mr. Fox), de Wes Anderson (2009)
119-O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon), de Julian Schnabel (2007)
120-A Dama de Shanghai (The Lady From Shanghai), de Orson Welles (1947)
121-O Homem Que Nao Estava La (The Man Who Wasn't There), de Joel e Ethan Coen (2001)
122-O Terceiro Tiro (The Trouble With Harry), de Alfred Hitchcock (1955)
123-Avanti... Amantes da Italia (Avanti!), de Billy Wilder (1972)
124-? (Pour Toujours les Canadiens), de Nao Importa Quem Porque Esse É Um Filme Sobre O Time de Hockey de Montreal e Ninguem Liga Quem Fez, Até Porque É Horrivel. Ah, Deixa Pra La, Achei o Diretor, é Sylvain Archambault (2009)
125-A Besta Humana (La Bête Humaine), de Jean Renoir (1938)
126-A Vida Intima de Sherlock Holmes (The Private Life of Sherlock Holmes), de Billy Wilder (1970)
127-Trama Macabra (Family Plot), de Alfred Hitchcock (1976)
128-Amor Sem Escalas (Up In The Air), de Jason Reitman (2009)
129-A Historia de Adele H. (L'Histoire d'Adele H.), de François Truffaut (1975)

*= filme da foto

Os Meus Favoritos dos Favoritos


Casablanca*
12 Homens e 1 Sentença (1957)
Crepusculo Dos Deuses
Uma Mulher Para Dois (Jules et Jim)
Interludio
Os Incompreendidos

O Mensageiro do Diabo (The Night Of The Hunter), de Charles Laughton

Por incrivel que pareça, eu tinha colocado filmes demais nessa categoria, e resolvi dividir entre favoritos dos favoritos e só favoritos. rs Mesmo assim continuei meio confusa, porque nao sei muito bem se alguns dos filmes dessa lista deveriam estar na outra e vice e versa, mas o principal é que sao todos filmes que gostei muitissimo. O Casablanca é muito obvio, afinal eu praticamente grito para o mundo todo que é o meu filme favorito. Junto dele, 12 Homens, Crepusculo Dos Deuses, Interludio e O Mensageiro do Diabo sao os meus favoritos mesmo. Mas tenho que admitir que passado o tempo, nao sei se ainda gosto taaanto assim do 12 Homens e do Crepusculo... mas continuam sendo os meus favoritos. Alem desses, quem ficou nessa lista foram 2 Truffauts, inclusive o Jules e Jim, que eu acho que preciso ver de novo, mas ele teve muito impacto para mim de qualquer jeito.


Os Meus Favoritos


Pacto de Sangue (Double Indemnity), de Billy Wilder
A Tortura do Silencio (I Confess), de Alfred Hitchcock
Cidadao Kane
A Montanha dos 7 Abutres
(Ace In The Hole), de Billy Wilder
A Mulher do Lado
Cupido Nao Tem Bandeira
(One, Two, Three), de Billy Wilder
A Historia de Adele H.*

Fiquei muito na duvida entre colocar o Adèle nessa lista ou na outra, mas acabei deixando aqui. A critica sobre A Montanha dos 7 Abutres que eu fiquei devendo vai ser postada em breve. Ou nao. A unica comédia da lista é o Cupido Nao Tem Bandeira (que foi vitima de uma péssima traduçao, coitado), do Billy Wilder, que é uma excelente comédia com um timing, direçao e roteiro otimos. E ainda me ajudou no meu trabalho de ingles (fazer um persuasive essay do tema da sua escolha. Eu escolhi que cinema devia ser mais usado como método de ensino, e falei desse filme numa parte porque ele se passa na Alemanha pós guerra). hehe. O Cidadao Kane é o menos pessoal da lista. Gostei muitissimo dele, e de toda a historia envolvendo o filme e o Orson Welles. So nao coloquei ele na seleçao dos favoritos dos favoritos porque pessoalmente ele nao foi tao impactante para mim.


As Surpresas Agradaveis


A Vida Num Só Dia (Miss Pettigrew Lives For a Day)*
Simonal - Ninguem Sabe o Duro Que Eu Dei
Apenas O Fim

Cupido Nao Tem Bandeira (One, Two Three), de Billy Wilder

Nao juro que o nome do primeiro esteja certo. Na capa do DVD é A Vida Num Só Dia, e na abertura do filme é A Vida Num Dia Só. É super despretencioso, bobinho e clichê, mas foi otimo para mim, porque assisti num dia que estava de muito mau humor. So sei da existencia dele porque é com 3 atores que gosto muito: Amy Adams, Lee Pace e Frances McDormand. E as atuaçoes sao boas. Foi com certeza uma surpresa maravilhosa. O Simonal eu fui ver nao muito animada, mas gostei bastante, e aprendi mais sobre a ditadura, ja que eu nao estudei isso direito na escola. O Apenas O Fim eu nem queria ver a principio, e me surpreendeu muito. Na época inclusive achei ele um filme muito bom. Nao é. É beeem mediano. Mas extremamente simpatico e agradavel, principalmente considerando a sua origem. O Cupido eu peguei na biblioteca só por ser do Billy Wilder, e como ja falei na categoria anterior, é otimo.


As Surpresas Desagradaveis


Quem Quer Ser Um Milionario?
Pacto Sinistro
(Strangers On a Train)
O Ultimo Metro
O Demonio das Onze Horas
(Pierrot Le Fou)*
Inferno Numero 17
Up- Altas Aventuras
Rebecca
Um Corpo Que Cai
O Amor em Fuga


Eu posso reclamar de quase todos os filmes que vejo, mas eu costumo criar muita expectativa para a maioria deles. E bato a cara. Essa lista era enorme, tive que diminuir muito. Estava doida com o Milionario antes de ver. Quando ele ganhou o oscar eu comecei a pular de alegria. Eu sei, é patético. Poucos dias depois vi o filme, e eu realmente odiei. Fiquei alguns dias meio deprimida por causa isso. Eu sei, tambem é patético. A decepçao com os outros foi menor. Eu acho que devia ser mais preconceituosa do que ja sou com filmes, ja que eu continuo batendo a cara.

Os Piores


Pour Toujours Les Canadiens
Piratas do Rock
The Invention of Lying
O Baile
O Grande Ditador
Eu Matei a Minha Mae*
A Proposta
17 Outra Vez
Divã
Vivendo e Aprendendo
Delirios de Consumo de Becky Bloom
Agente 86
Uma Noite de Amor e Musica


O Canadiens eu vi porque a minha amiga alemã é doida com hockey, e o filme é sobre o time dela. Eu achei que fosse aprender sobre hockey, mas nao é um documentario, e sim, uma historinha de terceira, na qual se pode substituir hockey por qualquer outro esporte e nao faria diferença nenhuma. Sorte de voces brasileiros no Brasil que nao correm risco de vê-lo. É dificil dizer qual desses eu acho pior, mas se voce ama (ou gosta um pouquinho pelo menos) a vida, nao veja em hipotese alguma Vivendo e Aprendendo. Peguei por causa da Ellen Page, e so assisti até o fim para poder colocar na minha listinha. Mas é deprimente. Para aguentar, eu fiquei andando em volta da sala enquanto via, se nao eu morria de tédio e depressao. Mas o ideal é nao ver nenhum desses. As comedias sao resultado de ir no cinema com amigas. Eu diria que o menos ruim é o Mae, que eu coloquei mais por causa da metidice e babaquice do diretor.


As Melhores Atrizes


Eva Marie Saint (Sindicato de Ladroes)
Fanny Ardant (A Mulher do Lado)
Ingrid Bergman (Quando Fala o Coraçao, Casablanca, Interludio)
Teresa Wright (Sombra de Uma Duvida)
Amy Adams (Julie & Julia, A Vida Num So Dia, Duvida)
Gloria Swanson (Crepusculo do Deuses)*
Sally Hawkings (Simplesmente Feliz)
Viola Davis (Duvida)

Sinceramente, nao tenho muito o que falar sobre essa lista... infelizmente nao consegui achar muitos nomes, diferente da lista de melhores atores que eu tive até que dar uma limpada. Nao coloquei a Jeanne Moreau porque nao me lembro tao bem assim da atuaçao dela, e achei que seria injusto colocar por "intuiçao".


As Piores Atrizes


Mary Astor (Falcao Maltes)
Sarah Jessica Parker (Vivendo e Aprendendo)
Lauren Bacall (Uma Aventura Na Martinica)*
Lilia Cabral (Divã)
Sandra Bullock (A Proposta)
Kim Novak (Um Corpo que Cai)
Juliette Lewis (Whip It)
Meryl Streep (Julie & Julia)
Judith Anderson (Rebecca)
Marie-France Pisier (Amor Em Fuga)
Alexandra Richter (Divã)

Contrariamente, aqui choveu gente. Nao fiz distinçao entre coadjuvante e principal. Com exceçao das tres primeiras e da Bullock, as outras vieram parar aqui por serem caricatas e exageradas. A Mary Astor foi por sua ausencia de expressao, Parker por sua chatisse infinita, Bullock tambem, e a Bacall por sua cara fechada, dicçao horrivel e falta de emoçao. Sem contar que ela casou com o Humphrey Bogart!! Como assim?!! Depois de fazer par romantico com a Ingrid Bergman e a Audrey Hepburn, é a Bacall que ele escolhe?! Um absurdo!


Os Melhores Atores


Jack Lemon (Avanti... Amantes da Italia, Quanto Mais Quente Melhor)
Orson Welles (Cidadao Kane, A Dama de Shanghai)
Robert Mitchum (O Mensageiro do Diabo)*
Klaus Kinski (Nosferatu- O Vampiro da Noite)
Max Records (Onde Vivem os Monstros)
Henry Fonda (O Homem Errado, 12 Homens e Uma Sentença)
Gregory Peck (Quando Fala o Coraçao, Agonia do Amor)
Jean-Pierre Léaud (Os Incompreendidos)
Montgomery Clift (A Tortura do Silencio)
William Holden (Inferno Numero 17, Crepusculo dos Deuses, Sabrina)
Jeff Daniels (A Rosa Purpura do Cairo)
Humphery Bogart (Casablanca)
Phillip Seymour Hoffman (Duvida)

Fui bem pouco criativa aqui. Tirando Jeff Daniels e Max Records coloquei os nomes mais obvios. Nao quero dizer que o Record é tao bom quanto o Mitchum ou que chegue perto, nao é uma lista comparativa. Mas achei que esses dois mereciam ser lembrados. O Records é uma das melhores atuaçoes infantis que eu ja vi, e o Daniels tem um filme menor e papel menor tambem, mas me chamou muito atençao, principalmente a diferença entre os dois personagens que ele interpretou.


Os Piores Atores


Owen Wilson e o seu nariz horrendo (Marley & Eu)
Michael Cera (Uma Noite de Amor e Musica)*
Dennis Quaid (Vivendo e Aprendendo)
José Mayer (Divã)
Zac Efron (17 Outra Vez)
Ryan Reynolds (A Proposta)
Ray Milland (Disque M Para Matar)
Jean-Pierre Léaud (Beijos Proibidos, O Amor em Fuga)
Ben Whishaw (Brilho de Uma Paixao)
Leslie Howard (Intermezzo-Uma Historia de Amor, ...E O Vento Levou)
Peter Sarsgaard (Educaçao)

Sao muito caricatos, chatos, sem emoçao, ou simplesmente nao me convenceram mesmo. O Léaud conseguiu entrar na lista dos melhores e dos piores. Muito merecido, nas duas.


Os Que Me Fizeram Dormir


Uma Aventura Na Martinica
Fahrenheit 451*
A Malvada
A Condessa Descalça
Sindicato de Ladroes
O Homem Que Nao Estava La
Ladroes de Bicicletas


Nao pense de forma alguma que eu achei todos esses filmes chatos, ou que nao assisti tudo. Dormi neles por ter ido assistir depois do almoço com sono, ou no final do dia. E quando eu percebia que ia dormir, parava o filme, e voltava a ver depois de acordar. Me arrependo muito, e mesmo tendo visto, fiquei sem uma opiniao sobre a maioria deles por causa disso. Mas o Uma Aventura Na Martinica é um porre total mesmo. Dormi porque estava entendiada.


Os Que Me Fizeram Nao Dormir


O Homem Que Matou o Facinora
Uma Mente Brilhante
Crepusculo dos Deuses
Elefante*


É meio humilhante, mas eu fico sem dormir direito por causa de um filme muuuito facilmente. A lista é pequena porque esse ano os filmes que me assustaram mais foi os que eu vi trailer, ou fiquei imaginando, como Psicose. Que nem da tanto medo assim. Mas enfim, eu peço que ninguem role de rir por eu nao ter dormido por causa dos 3 primeiros. Eu sei que eles nao sao assustadores. Mas nao sei porque, tive um pesadelo na mansao do Crepusculo dos Deuses, e fiquei com medo do Liberty Valance na noite que vi o Facinora. Quanto ao Mente Brilhante, eu nao juro que fiquei sem dormir, mas me lembro de imaginar o amigo imaginario dele me encarando, por causa de uma cena la que ele faz uma cara meio macabra. O Elefante eu acho que é perfeitamente compreensivel, né? Fiquei vendo menininhos com metralhadora durante semanas. No meu primeiro dia de aula aqui a escola estava sem energia e eu tava atrasada. Fui andando pelo corredores, que se pareciam bastante com os do filme... minha sorte é que um professor me ajudou a achar a sala, se nao eu acho que saia correndo com medo. Por que eu to escrevendo isso na internet?!!


As Melhores Cenas


Conversa entre a Meryl Streep e Viola Davis (Duvida)
Sequencia em que as esposas estao esperando os maridos chegarem da "reuniao politica" (...E O Vento Levou)
Sequencia do momento em que Victor Lazo chega no Rick's para pegar os vistos até o final do filme (Casablanca)
Todos os livros sendo queimados (Fahrenheit 451)
Cena final, quando dao um cigarro ao James Stewart e falam que ele merece por ter matado o facinora (O Homem Que Matou o Facinora)
Cena do aviao (Intriga Internacional)*
Fuga lenta pela escada (Interludio)
A Charlie descendo a escada com o anel (Sombra de uma Duvida)
A Fuga do Internato (Os Incompreendidos)
A Conversa com a Psicologa (Os Incompreendidos)
Conversa entre o Conde Dracula e a moçinha quando ele invade o quarto dela (Nosferatu- O Vampiro da Noite)
Conde Dracula mordendo a moçinha (Nosferatu- O Vampiro da Noite)
Cena final, quando o Kirk Douglas cai morto em cima da camera (Montanha dos 7 Abutres)
Sequencia das crianças no rio (O Mensageiro do Diabo)
Quando o Robert Mitchum é preso (O Mensageiro do Diabo)
As crianças fugindo de casa (O Mensagiero do Diabo)
A perseguiçao de carro (Cupido Nao Tem Bandeira)
Cena em que conta a historia dos tubaroes e no final, quando fala dela de novo (A Dama de Shanghai)
As cenas da Adèle escrevendo as cartas (A Historia de Adèle H.)
Menino acha o corpo dentro da banheira (O Terceiro Tiro)

Nao me preocupei muito em fazer uma lista com um tamanho mais humano, digamos. Coloquei (tentei, pelo menos) todas as cenas que me chamaram atençao por seu dialogo, timing, atuaçoes, aparencia visual, ou simplesmente pelo impacto que tiveram para mim. Tem muitas que ia colocar e acabei tirando e fiquei na duvida se estava sendo injusta ou nao, mas como isso é mais uma brincadeira, nao quis me preocupar muito. Algumas nao sao nem taao boas assim, mas achei que mereciam ser lembradas.

As Piores Cenas


Todas as cenas de Pour Tourjours Les Canadiens
Os Animais invadindo varios lugares diferentes e dançando dentro deles (O Fantastico Senhor Raposo)
Todas as cenas de O Amor Em Fuga*
Todas as cenas de Piratas do Rock
Quando a menina recebe o resultado da faculdade (Educaçao)
Quando o Gregory Peck descobre porque tinha complexo de culpa (Quando Fala o Coraçao)
As mortes da Kim Novak (Um Corpo Que Cai)
O agente beijando o inimigo para poder ganhar a briga (Agente 86)
Sequencia "Todos nasceram para alguma coisa" (O Curioso Caso de Benjamin Button)

As razoes sao basicamente as mesmas, so que ao contrario. Peço desculpas pela quantidade de "todas as cenas de", mas eu nao podia deixar esses filmes de fora, e nao conseguia me decidir em uma cena so, entao coloquei todas. rs


As Cenas Mais Vergonha Alheia


Cabeça do James Stewart mudando de cor (Um Corpo Que Cai)
Pintura imitando o quadro da Carlota (Um Corpo Que Cai)
Todas as cenas de 17 Outra Vez
Lilia Cabral dançando funk numa boate (Divã)
Assistindo o video de casamento (Divã)*
Resumindo, todas as cenas de Divã
Lauren Bacall dançando do piano até o Humphrey Bogart (Uma Aventura na Martinica)
Sandra Bullock dançando no meio da floresta (A Proposta)

Nao confunda essa lista com a anterior. Aquela era de cenas com um timing, direçao, atuaçao ruins ou sem um proposito para o resto do filme. Essas sao aquelas que me deram vontade de adiantar o filme ou sair do cinema. Como a minha amiga alemã vive dizendo, "eu me senti tao mal por eles..."


Historias Que Poderiam Ter Gerado Filmes Melhores


1-Pacto Sinistro
2-Farenheit 451
3-A Meia Luz
4-Julie & Julia
5-Up-Altas Aventuras
6-Festim Diabolico
7-Rebecca
8-O Terceiro Tiro*
9-Amor Sem Escalas

Ideias mal aproveitadas, filmes mal dirigidos, ou com um pequeno problema como timing ou um elenco fraco foram o suficiente para impedir que esses filmes sejam bons. Alguns deles eu achei bem ruins mesmo(1,2 e 7). Outros começam bem, mas a historia acaba se perdendo (5,9). O Festim simplesmente nao me convenceu, ele me parece ter um timing fraco. O proprio Hitchock disse que achava ele muito experimental. O A Meia Luz tem uma direçao fraca, e perde ao ficar muito policial em vez de se focar no marido torturando a Ingrid Bergman psicologicamente. Julie & Julia é estragado por causa da metade da Meryl Streep. Mas até que gostei de O Terceiro Tiro (traduçao injusta e injustificada de The Trouble With Harry). Tem um timing fraco e é meio cansativo, mas eu amei a historia e o humor morbido e ironico dele. É uma pena que ele tenha esses problemas, porque a historia me encantou. Vale a pena ver só por ela.


Os Melhores Elencos


Entre Os Muros da Escola*
Duvida
Casablanca
12 Homens e Uma Sentença
Crepusculo dos Deuses
A Tortura do Silencio
Sindicato de Ladroes
O Mensageiro do Diabo
Cupido Nao Tem Bandeira


Tambem nao tenho muito o que falar sobre essa lista. Nao da para comparar um elenco com o outro, mas o Muros me chama a atençao em especial. A performance dos alunos que nunca estudaram interpretaçao na vida é simplesmente maravilhosa e muuuuito melhor do que muitos atores profissionais. Cupido nao é nem cheio de atores maravilhosos, mas acho que todos foram contidos dentro do lado besterol do filme, entao achei que mereciam ser lembrados.


As Minhas Musicas Favoritas


Sabre Dance (Cupido Nao Tem Bandeira)
All Is Love (Onde Vivem os Monstros)
I've Got Rhythm (Sinfonia de Paris)*
Le Tourbillon de la Vie (Uma Mulher Para Dois)
Some Like It Hot (Quanto Mais Quente Melhor)
I Wanna Be Loved By You (Quanto Mais Quente Melhor)
As Time Goes By (Casablanca)
Knock The Wood (Casablanca)
Jai Ho (Quem Quer Ser um Milionario?) VEJA A JUSTIFICATIVA!!

Eu nao entendo nadica de nada de musica. Coloquei simplesmente as que me chamaram mais atençao. Eu nao queria colocar Jai Ho porque eu acho tosquinha, mas ouvi mil vezes no inicio do ano e continuo ouvindo agora, entao para nao ficar com peso na consciencia nem ouvir reclamaçoes das pessoas que sabem que eu ouço essa musica eu coloquei. Tambem nao morro de amores pela All Is Love, mas acho ela simpatica e queria que ela representasse o Onde Vivem os Monstros, que tem uma trilha sonora muito boa. Ia colocar quem canta e o compositor, mas a preguiça e vontade de publicar isso o mais rapido possivel falaram mais alto.

Os Melhores Personagens


Scarlet O'Hara, por Vivien Leigh (...E O Vento Levou)
Rick Blaine, por Humphrey Bogart (Casablanca)
Norma Desmond, por Gloria Swanson (Crepusculo dos Deuses)
Catherine, por Jeanne Moreau (Uma Mulher Para Dois)*
Ransom Stoddard, por James Stewart (O Homem Que Matou o Facinora)
Michael Logan, por Montgomery Clift (A Tortura do Silencio)
Alex Sebastian, por Claude Rains (Interludio)
Charlie Newton, por Teresa Wright (Sombra de uma Duvida)
Antoine Doinel, por Jean-Pierre Léaud (Os Incompreendidos)
Conde Dracula, por Klaus Kinski (Nosferatu-O Vampiro da Noite)
Chuck Tatum, por Kirk Douglas (A Montanha dos 7 Abutres)
Harry Powell, por Robert Mitchum (O Mensageiro do Diabo)
John Harper, por Billy Chapin (O Mensageiro do Diabo)
Charles Foster Kane, por Orson Welles (Cidadao Kane)
Adèle Hugo, por Isabelle Adjani (A Historia de Adèle H.)

Essa categoria nao esta tao relacionada assim à atuaçao. Coloquei os atores tambem para facilitar identificar os personagens. Mas essa lista é dos personagens mais bem desenvolvidos, com historias mais interessantes, e é claro, a atuaçao ajuda muitississimo. Mas a Adèle, por exemplo, eu coloquei por causa do personagem mesmo, ja que eu nao gostei muito da atuaçao da Adjani.


Por mim eu colocava outras categorias, mas ja to trabalhando nisso ha uma semana, e nao aguento mais. Quero publicar de uma vez para poder ficar a toa o dia todo. Digo, fazer o meu dever de casa e começar a escrever os proximos posts, porque eu tenho muitas ideias.

Peço desculpa pela irregularidade da fonte, mas ficou assim nao sei porquê. No proximo ano eu faço listas melhores. Ou nao.