terça-feira, 20 de abril de 2010

Billy Wilder's

Peço desculpas a demora longa a escrever. É final do ano, tenho andado meio sem tempo e/ou inspiraçao para escrever.

Comecei essas mini-criticas ha bastante tempo mas nao consegui terminar depois. Tenho visto muita coisa do Billy Wilder, entao aqui esta o que achei de todos os filmes que vi dele até agora nesse ano. Nao fiz com muito capricho, mas para um blog totalmente desatualizado esta bom.



Beije-me, Idiota


Começa perfeito. Com um timing maravilhoso, as cenas do musico com ciumes da mulher e trabalhando com o amigo sao excelentes. Both o musico e o amigo sao muito bons. Conseguiu tambem me arrancar uma risada na parte "me-aa" da musica "Sophia", o que, sem querer que soe muito metido, é bem dificil. Infelizmente, o filme se perde totalmente a partir do momento que a Kim Novak aparece (por que sera, heim?). Na verdade nao é exatamente culpa dela. É claro que ela é uma chata insuportavél, mas ela ta até menos irritante que em Vertigo. A questao é que a historia fica com um timing pior e meio arrastada depois disso. Mas se recupera com o final, que assim como o amigo do musico gosta de falar, tem "the unexpected little twist". Um grande mérito do filme (tipico dos Wilder's tambem) é tratar uma situaçao extremamente incomum e controversial de uma forma super cotidiana e até meio ingenua. Depois falam que antigamente qualquer coisinha era considerada um horror e que tudo era muito mais restrito. Bullshit.

Ah, e para quem quiser se divertir, aqui estao os links de duas musicas do filme. A "Sophia" eu nao vejo muita graça, mas gosto da parte "me-aa", e a "I'm a Poached Egg" é bem bonitinha e feliz.
http://www.youtube.com/watch?v=l0fFRSqIr7c

http://www.youtube.com/watch?v=U104gqTGReA



Uma Loura Por Um Milhao


É um filme pouco conhecido, e nem merece muita atençao mesmo. Mas tem algumas pequenas qualidades muito boas. Jack Lemmon como sempre esta muito bom, com a sua interpretaçao perfeita para comédia sem ficar caricato, fazendo caras e bocas perfeitas. Walther Matthau esta otimo, com um timing excelente e uma dicçao incrivel. Insurpreendentemente ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante no ano do filme. A historia até que começa bem, mas vai se perdendo um pouco ao longo do filme. Mas de qualquer jeito tem um bom roteiro e um otimo timing, tipicas caracteristicas de filmes do Wilder. É um divertimento acima da média, ainda que abaixo da qualidade Wilder.



Um Amor Na Tarde


Ja esse tem menos qualidades. Até que começa bem, mas é meio sem graça. Nao tem um timing tao bom assim, e a historia é mais fraquinha mesmo. Comparando com outra comédia romantica do Wilder, diria que Avanti! é melhor. Mas essa da pra engolir, e achei interessante nao tentarem fazer o Gary Cooper parecer mais novo. O personagem dele é um homem mais velho mesmo, sem nenhum attempt de ser gala(til).



O Pecado Mora ao Lado


Minhas expectativas eram muito altas, o que é um problema sério. Enquanto eu estava assistindo achei meio fraco, com um timing mais ou menos e com situaçoes muito repetitivas. Depois até melhorou um pouco a minha ideia sobre ele, pensando que a trama é até que bem construida e o personagem se esforçando para nao trair a mulher e ficando completamente doido é bem feito, mas continuo achando que a maioria das cenas sao variaçoes sobre o mesmo tema. Acho que preciso reve-lo um dia sem a influencia da expectativa para poder julga-lo melhor.



A Incrivel Suzana


É o segundo filme do Billy Wilder. Consequentemente, nao é para se esperar muito mesmo, e ele é pouco conhecido de qualquer jeito. O roteiro é bem direitinho, e mesmo sendo bobinho e meio fraco, é bem gute, digamos. Nao gosto do Ray Milland, mas ele nao me incomodou muito dessa vez. A Ginger Rogers esta com uma boa performance, sabendo alternar entre uma adulta fingindo ser criança e uma adulta normal. É bem agradavél e leve de ver.



Se Meu Apartamento Falasse


Por ser uma das comédias mais importantes do Billy Wilder, eu denovo criei muita expectativa. Nao acho que ele seja o melhor filme dele de jeito nenhum, mas é cheio de qualidades e com certeza muito interessante. Lemmon obviamente esta muito bom, MacLaine me convence mesmo sem acha-la uma boa atriz. Sei la, vai ver a acho simpatica. O filme tem o tipico bom timing do Wilder, e claro, a tipica historia controversial. Mais uma vez ele foi sucesseful ao trabalhar com temas polemicos, naquele seu estilo cotidiano, sutil e leve. Como em outros filmes ele começa muito bem e acaba piorando ao longo, mas isso nao é tao chamativo assim. A critica ao jeito que as pessoas sobem na vida é muito bem feita sem ficar moralista nem com aquele jeito babaquinha de "comédias que te fazem rir e pensar".


O Farrapo Humano


Realmente nao gostei. Nao que seja uma porcaria total. Tem algumas cenas boas, uns angulos de camera interessantes e gostei da fotografia. A cena em que o homem é "atacado" por insetos é muito boa. Mas tirando isso nao me convenceu muito. Ja disse que nao vou com a cara do Ray Milland, mas considerando o seu estilo de interpretaçao (que nao é o meu favorito, ja que gosto das mais contidas) acho que ele esta bem. A historia é meio polemica como o sempre, e o seu ponto mais interessante é que termina em aberto, sem sabermos se ele superou o alcoolismo ou nao. Mas o filme em si eu achei bem arrastado e meio mao pesada, até um pouco dramalhao.




Ja tenho idéias para posts futuros, o que nao quer dizer que elas serao logo colocadas em pratica. Mas comecei a ler Les Films de Ma Vie, coletania de criticas do Truffaut, e tenho andado com muuuita vontade de escrever. Por tanto vou me esforçar.

domingo, 11 de abril de 2010

A Prova de Que Crianças Nao Precisam de uma Historinha Bobinha


Quando era pequena, como qualquer outra criança (espero), fui obcecada por muitos filmes. Branca de Neve, Rei Leao, uma versao musical do Patinho Feio, Bambi, Rudolf a Rena de Nariz Vermelho, Todos os Caes Merecem o Céu, Procurando Nemo, entre outros. Nessa lista o nivel de obsessao varia bastante, o Branca de Neve por exemplo eu assistia religiosamente todos os dias e ainda forçava as pessoas a intrepretarem o filme. Ja o Patinho Feio, eu so ficava cantando as musiquinhas.

Enfim, o fato é que um dos filmes que mais me marcaram foi Meu Vizinho Totoro, que conheci quando morei na França aos 6 anos.

É uma animaçao japonesa de 1988, dirigida por Hayao Miyazaki, o mesmo de A Viagem de Chihiro, filme que na minha opiniao é infinitamente inferior ao Totoro. O plot é: duas meninas e seu pai se mudam para uma casa no interior para ficarem mais perto de sua mae que esta no hospital doente. Um dia a mais nova encontra o Totoro por perto, e ele e alguns outros "monstros" aparecem de vez em quando.

Depois disso até cheguei a reve-lo com uns 11 anos mas fiquei meio decepcionada.

4 anos depois dessa decepçao, estamos passeando em Londres, e vejo numa loja uma porçao de coisinhas do filme. Graças ao meu tio, ganhei de Natal um bichinho de pelucia e um porta moeda (se quiser ver como é e ficar morrendo de inveja, clique aqui: Enchendo Linguiça). Com isso, fiquei animada a rever o filme. Poucos dias depois, estamos em Paris, e nao so Totoro ainda estava em cartaz, mas tambem achei (e comprei) um poster liiiindo do filme. De volta à Montreal, a primeira coisa a fazer foi reserva-lo na biblioteca, ja que nao pude ver na França por ser em japones com legenda em frances. E o meu japones anda meio enferrujado, sabe.

Tenho que admitir que estava meio nervosa. Recentemente revi Procurando Nemo e foi muito triste porque o achei bem fraquinho. Demorou bastante para pegarmos o DVD, primeiro porque a fila de espera era grande, segundo porque sendo um filme infantil voce pode ficar com ele por 2 semansas, em vez de uma so, ja que criança vê e revê. Achei isso gute.


O que me marcou tanto do filme quando eu tinha 6 anos, nunca vou saber. Mas acho que tenho uma idéia. No minimo, posso apontar as suas qualidades.

Sem querer falar coisas sem sentido, ele é muito simples e muito complexo ao mesmo tempo. Quero dizer, mal tem uma historia, os personagens nao sao complicados (mas ainda assim construidos muito cuidadosamente), quase nada acontece, as poucas coisas que acontecem mal sao explicadas, é até meio nonsense, e o desenho é super simples. Mas mesmo assim, tudo isso é extremamente bem feito e composto por pequenos detalhes, o que o torna complexo.


Ele é bem singelo e feliz, mas com uma melancolia sempre presente. Me lembrou um pouco do Onde Vivem os Monstros, que tambem tenta retratar os sentimentos das crianças. Os dois filmes têm estilos muito diferentes, mas Totoro cumpre esse objetivo melhor por ser mais discreto. Consegue mostrar a solidao e uma certa pressao que as meninas sofriam perfeitamente, mesmo que na maior parte do tempo elas estejam brincando e rindo.

Uma das coisas mais interessantes é a relaçao delas com o Totoro. Nao se sabe em momento algum se ele de fato existia ou se era a imaginaçao delas. E sinceramente, quem liga? A funçao que ele tem de protege-las de longe é muito bem construida, e o fato d'ele estar sempre ou com um sorrisao ou uma cara de tacho ainda aumenta o ar de misterio e magia do filme.


Assim como a historia, narrativa e roteiro, o desenho é simples, mas lindo. As cores sao extremamente bem escolhidas e ajudam na atmosfera criada.

Mas o mais importante é que Totoro é a prova de que criança nao precisa de uma historinha linear, bobinha, com bem e mal claramente especificados, moral ou qualquer uma dessas coisas que as pessoas tanto insistem que sao necessarias em um filme infantil. Falar que elas nao vao entender, que é muito complicado ou sei la o que é besteira. Na minha opiniao, essas exigencias vêm dos pais que acham que o filho tem que aprender alguma coisa com o filme ou coisa do tipo. Ou talvez porque eles mesmos nao vao entender algo mais diferente.



Um filme delicado e nem um pouco explicadinho como Totoro é capaz de encantar as crianças tanto quanto um conto de fadas, ou até mais. A prova é que ele esta em cartaz em Paris desde 2000, tem bonecos e posters sendo vendidos, uma fila longa de espera na biblioteca, e ainda é meio antigo.

Ja passou da hora das pessoas entenderem isso e pararem de subestimar o gosto e a capacidade das crianças de acompanhar uma historia.