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domingo, 21 de março de 2010

Meus Problemas Com Alice


Tenho uma relaçao meio complicada com essa historia. Desde pequena sofro de pessoas falando:

pessoa: Oi, menininha! Qual é o seu nome?
eu: Alice.
pessoa: Ah, tipo Alice no País das Maravilhas? Cadê o coelho branco?! E como vai a rainha de copas?
eu faço cara de tacho
pessoa: Ai, que criancinha mais antipatica.

Pode parecer ridiculo, mas isso afeta muito a vida de alguem. É por isso que sou assim hoje. ='(

De tanto ser relacionada a essa droga de historia, criei uma intolerancia à ela, e acho que nunca vi o filme da Disney inteiro. 1) por achar chato, 2) por rebeldia de nao ver o filme com o meu nome. Meus pais (sim, eu tenho que falar alguma coisa sobre eles em todos os posts) decepcionados com o relativo fracasso do nome que eles escolheram tao bem intencionados viviam falando que o livro era muito legal e me deram umas versoes adaptadas. Teve uma que eu comecei a ler e achei um porre, mas isso foi ha muito tempo.

Inicio de 2009, em Vancouver, meu pai sai para dar uma volta e chega mais tarde com presentinhos para a gente. O meu, muito criativo, era um livrinho com a versao original do Alice No País das Maravilhas, em ingles, por 4,99. Eu reclamei que ele nao me amava e por isso comprou um livro de 4,99 e so por rebeldia o preço esta la até hoje.

Mas isso é irrelevante. O fato é que eu li o livro nessa época, e mesmo sem entender muita coisa (enfase no "muita"), gostei. Reli agora que o meu ingles esta incomparavelmente melhor, e gostei bastante. Nao acho que seja genial nem nada, mas adorei as brincadeiras com as palavras, e todo o clima de nonsense que na verdade tem um certo sentido do livro. Fiquei sublinhando todas as frases e dialogos que achei legais. Esse é um dos meus favoritos:

"The name of the song is called 'Haddock's Eyes'."

"Oh, that's the name of the song, is it?" Alice said, trying to feel interested.

"No, you don't understand," the Knight said, looking a little vexed. "That's what the name is called. The name really is 'The Aged Aged Man'."


"Then I ought to have said 'That's what the song is called?'" Alice corrected herself.

"No, you oughtn't: that's quite another thing! The song is called 'Ways and Means': but that's only what it's called, you know!"

"Well, what is the song, then?" said Alice, who was by this time completely bewildered.

"I was coming to that," the Knight said. "The song really is 'A-sitting on a Gate': and the tune's my own invention."

Mas por mais que o livro seja muito legal, so recomendo que seja lida a versao origial em ingles, ja que muitos dos trocadilhos sao intradutiveis. O problema é que isso requere um bom ingles devido as mil piadinhas com palavras.


A questao é que a historia basica (menina segue coelho e vai parar num lugar com coisas estranhas) e o titulo sao muito conhecidos (e eu sei bem disso), mas principalmente por causa do filme da Disney, que na verdade, segundo à minha lembrança, é muito diferente da idéia do livro. Provavelmente porque tenta fazer uma coisa para crianças, e eu acho que Alice esta longe de ser algo que crianças entenderiam e gostariam. Mas principalmente, as pessoas no geral nao tem idéia de como é a historia original mesmo e têm uma noçao muito simplista dela.

É aqui que começo a falar do filme de Tim Burton (relaxa, eu nao tinha esquecido o tema do post, nao.). Quando fiquei sabendo que era uma continuaçao da historia original, achei até isso uma coisa boa, porque nao acho que o livro em si seja muito filmavel, por mais que tenham feito filmes dele, ja que as suas melhores caracteristicas sao os trocadilhos e brincadeiras com palavras (o que deixaria um filme muito vazio se fosse feito so disso), e a capacidade de mudar de cenario rapidamente sem que o leitor saiba, ja que nao estamos vendo nada. Num filme é preciso fazer essa transiçao, o que eu acho que perderia o impacto que o livro tem de se sentir fora de controle de onde voce esta.

De qualquer jeito, nao sou muito fa do Burton. Vi poucos filmes dele, mas nao gosto do seu estilo. O considero um grande criador, com muita personalidade e excelentes direçoes de arte, maquiagem e efeitos especiais, mas muito fraco em historia. Sendo que nao gosto desse estilo fabula dark, que tem um visual todo assustador mas que no final nao passa de um conto de fadas bobinho.

Mas tudo bem. La fui eu assistir o filme. Queria perguntar na bilheteria se eu podia ver de graça ja que me chamo Alice, mas nao sou tao cara de pau assim. Mesmo achando que deveria receber alguma coisa em troca, ja que desde que o filme estreiou todo dia é a mesma coisa "Hi Alice. Oh, did you see the movie?!". E a taxa de pessoas que me chamam de Alice no País das Maravilhas aumentou. Foi uma dificuldade para ver porque fui no fim de semana de estréia entao estava lotado. Fiquei feliz de ter visto logo e matado a curiosidade, mas meio pudim da vida por ter ficado curiosa para assisti-lo, ja que eu sabia que nao ia gostar muito.

Quando as pessoas reclamam que viram tal filme baseado em tal livro e que o filme nao é fiel e mudou muito a historia, eu sou a primeira e defender o coitado. Cinema e literatura sao duas coisas completamente diferentes, e quando se transforma algo em filme, tem que ter em mente que aquilo é uma adaptaçao, e tem todo o direito (artistico, quanto aos contratos nao sei) de mudar a historia, tirar e adicionar novos elementos, e filmar a interpretaçao que o diretor teve do livro. Isso muda um pouco quando vao fazer um filme de um bestseller, ja que o obejtivo é agradar os fas e ter uma boa bilheteria, mas nao é disso que quero falar.

Sendo, assim, eu nunca quis ver o livro filmadinho ali na minha frente, coerente com cada virgula. Seria impossivel esperar isso, ja que o conceito que Burton adotou lhe da muita liberdade para fazer o que quiser ja que se passa mais tarde e tal. Mas vamos com calma. O filme ainda se chama Alice no País das Maravilhas, e ainda se diz baseado no livro.

Esse é o principal problema. Ele nao passa de algo levemente inspirado na historia do Lewis Carroll. Enfase no "levemente". Burton parece mal ter lido o livro, e sim pego a base da historia que todos conhecem: menina segue coelho, cai num buraco e vai parar num lugar fantastico. A partir daí, nao se tem mais nada em comum.


Muitos dos persnagens até sao os mesmos. Digo, fisicamente e teoricamente sao os mesmos. Quanto as personalidades, é tudo da cabeça do Burton. No livro ninguem é simpatico, e a Alice fica pudim da vida porque é impossivel conversar com qualquer ser porque todos eles so falam nonsense. Nao existe nada nem se quer proximo de amizade entre ela e as criaturas. Pois é. Olha que coisa mais fofa: no filme tem os do bem, e os do mal. Os do bem sao super gente boa, legais e amam de paixao a Alice, e os do mal sao mals invejosos e ninguem pode dete-los (na verdade podem ser detidos sim, so quis escrever essa frase da Branca de Neve... rs). Essa idéia de bem e mal é inceitavel, se o filme se diz baseado no livro, ja que na obra original nao existe nada disso. Burton ainda mudou totalmente o personagem do chapeleiro, afinal, a musa dele tinha que ter muito espaço no filme.

Ele usou apenas o titulo e esse negocio de lugar fantastico. O resto foi transformado numa historinha de aventura previsivel, bobinha, e com o tal estilo fabula de fantasia gotica que o Burton tanto ama. Nesse ponto, tudo é até bem correto. A historia é amarradinha, as atuaçoes sao corretas e, claro, a maquiagem, efeitos especiais e direçao de arte sao otimos. Mas é isso. Tambem achei o final ridiculo, com essa necessidade de fechar a historia mostrando como a Alice é melhor que os outros e vai longe. Alguns personagens sao muito caricatos (como todas as pessoas da festa do inicio e os seguidores da rainha vermelha) e a dancinha que o Johnny Depp faz no final é MUITO vergonha alheia. Falando nele, fico sem saber se ele é bom ator ou nao, porque debaixo de tanta maquiagem e fantasia fica dificil de dizer, mas pelo menos nao é caricato.


Minha principal reclamaçao é que isso simplesmente nao é Alice no País das Maravilhas. Deveriam ter dado um outro titulo, e deixado claro que ele é apenas levemente inspirado. Mas para quê? Quase ninguem vai notar isso mesmo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Onde Vivem os Bons Atores Infantis

Por favor, nao me ache muito desorganizada. Eu já até comecei a escrever o post sobre Strangers On a Train (para o que servem as aulas de matematica?), mas to meio parada nele, e mesmo estando ainda no processo digestivo do filme, fiquei mais animada a escrever sobre Onde Vivem Os Monstros, que vi domingo passado.



Ficha completa: http://www.imdb.com/title/tt0386117/

O filme é baseado num livro infantil de gravuras sobre um menino que foge de casa e vai parar num lugar habitado por monstros e vira o rei deles. A história é contada com umas 300 palavras. Palavras, nao páginas. Quando foi lançado em 1963, os pais nao morreram de amores por ele, acharam os monstros muito assustadores para as crianças. Mas pais nao sabem de nada mesmo, e o livro foi premiado por um premio aí como melhor livro de gravuras infantil. Acho que o "infantil" é desnecessario, já que livros de gravuras são sempre infantis, mas detalhes.

Desde entao, muitas pessoinhas tentaram adaptar o livro pro cinema, mas ninguem foi muito feliz. Inclusive o filme que está sendo lançado agora (só aqui né, voces brasileiros no Brasil tem que esperar até primeiro de janeiro! HAHA) teve um "nascimento" complicado. O estudio até quis que refilmassem o filme todo quando ele estava quase pronto, entre outras complicaçoes. Foi tao complicado que ele foi filmado em 2006, e só está sendo lançado agora.

Se for pra resumir o filme em uma só palavra, segundo à minha digestao inacabada dele, seria "interessante" ou "curioso". Fiquei com vontade de ler o livro para poder comparar um pouco com o filme, já que imagino que ele tambem tenha o lado interessante do livro. E tambem porque eu posso lê-lo em meia hora e aumentar a minha listinha de livros lidos em 2009 que anda bem inha mesmo.

O que mais me deixou confusa sobre ele foi quem seria o seu público. A principio, é para crianças. Mas na minha eterna ignorancia sobre a mente infantil eu fico achando que elas nao iam gostar muito, ja que o filme é bem parado e muito psicológico. Na crítica do Globe & Mail foi até falado que os personagens tinham complicaçoes o suficiente para um filme do Ingmar Bergman. Ainda nao vi nenhum filme dele, mas imagino que seja verdade. Tanto o menino quanto os monstros tem altos problemas que sao explorados no filme em vez de resolvidos.

Ao mesmo tempo que acho que as crianças nao vao gostar muito dele, nao é um filme que os adultos vao amar, porque tem algumas cenas bem infantis. Mas como eu disse, sou ignorante no assunto criança, e quando o filme acabou, ainda tinha muitas delas na sala, ao contrario do que eu tinha pensado. Ele está em cartaz ha duas semanas, sua bilheteria é de mais de 53 milhões dolares, e foi o lider na sua semana de estréia. Minha curiosidade é que público é esse que ta assistindo ele. É estranho tambem porque eu li na wikipedia ( http://en.wikipedia.org/wiki/Where_the_Wild_Things_Are_(film)#Box_office ) que o estudio decidiu divulgar o filme como sendo para adultos, mas eu vi algumas propagandas que eram bem infantis... sei lá. O fato é que nao sao só os personagens que têm crises, o filme tambem tem uma bela crise de público.

Mas acho que (nao se esqueça que sou ignorante nesse assunto) ele retrata alguns sentimentos da criança de uma forma interessante, o que pode agradar a elas e a pais, professores de creches, etc.

Chega de achismo e encheçao de linguiça. Vou falar de uma vez o que a minha meia digestao acha do filme.

Em primeiro lugar, faço questao de rasgar elogios para Max Records, o menino do filme. Provavelmente o melhor ator infantil que já vi. Cheguei a pensar que a Abigail Breslin poderia disputar esse posto com ele pelo Pequena Miss Sunhine. Mas acho que nao, até porque o personagem dele é muito mais dificil e complexo que o dela. Ele tem um rosto muito expressivo e fez um trabalho realmente incrivel. Juro, uma atuaçao de babar. Se 5% dos atores infantis fossem assim... e olha que ele tinha só 9 anos quando fez o filme! O Spike Jonze queria um menino que nao fosse ator, pois achava que um ator mirim em vez de ser melhor por ter experiencia, nao pareceria uma crianaça de verdade, ficaria com um ar meio artificial. O quanto isso é exagero eu nao sei, mas deu certo. Nao consigo imaginar um interpretaçao melhor.


Tambem gostei muito da fotografia do filme. E olha que eu tinha visto Cidadão Kane no dia anterior, que tem planos belíssimos. É claro que ele nao chega nem perto, mas se me impressionou nesse aspecto mesmo eu estando com Kane na cabeça, é porque a fotografia é boa mesmo.


Nao gostei muito dos monstros (que sao fantasias com os rostos computadorizados para se mexerem). Eu até ja tinha visto fotos antes, mas esperava que eles fossem mais bonitos. Mesmo tendo um olhar bem expressivo, eu achei eles com muita cara de boneco. Se fossem mais "reais" o filme ganharia muito. Mas como ele ta mesmo é preocupado com os sentimentos dos personagens, isso nao chega a ser taaao importante assim.


A trilha sonora feita pela Karen O. me chamou atençao o suficiente para baixa-la. Nao morri de amores pelas musicas mas elas combinam muito com o filme, sempre que ouço lembro dele.

Quando saí da sala nao tinha gostado muito, tinha até achado meio chatinho. Mas desde entao ele ficou na minha cabeça e minha opiniao ta melhorando muito. Acho que ele tem um certo impacto.

Quanto as apostas nele para o Oscar, eu acho dificil. Sei lá, nao entendo muito de Oscar pra ser sincera, mas nao acho que ele faça o estilo deles.

Recomendo Para: Qualquer cinéfilo ou curioso com cinema e pessoas que gostam e tem muito contato com criança.