sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Onde Vivem os Bons Atores Infantis

Por favor, nao me ache muito desorganizada. Eu já até comecei a escrever o post sobre Strangers On a Train (para o que servem as aulas de matematica?), mas to meio parada nele, e mesmo estando ainda no processo digestivo do filme, fiquei mais animada a escrever sobre Onde Vivem Os Monstros, que vi domingo passado.



Ficha completa: http://www.imdb.com/title/tt0386117/

O filme é baseado num livro infantil de gravuras sobre um menino que foge de casa e vai parar num lugar habitado por monstros e vira o rei deles. A história é contada com umas 300 palavras. Palavras, nao páginas. Quando foi lançado em 1963, os pais nao morreram de amores por ele, acharam os monstros muito assustadores para as crianças. Mas pais nao sabem de nada mesmo, e o livro foi premiado por um premio aí como melhor livro de gravuras infantil. Acho que o "infantil" é desnecessario, já que livros de gravuras são sempre infantis, mas detalhes.

Desde entao, muitas pessoinhas tentaram adaptar o livro pro cinema, mas ninguem foi muito feliz. Inclusive o filme que está sendo lançado agora (só aqui né, voces brasileiros no Brasil tem que esperar até primeiro de janeiro! HAHA) teve um "nascimento" complicado. O estudio até quis que refilmassem o filme todo quando ele estava quase pronto, entre outras complicaçoes. Foi tao complicado que ele foi filmado em 2006, e só está sendo lançado agora.

Se for pra resumir o filme em uma só palavra, segundo à minha digestao inacabada dele, seria "interessante" ou "curioso". Fiquei com vontade de ler o livro para poder comparar um pouco com o filme, já que imagino que ele tambem tenha o lado interessante do livro. E tambem porque eu posso lê-lo em meia hora e aumentar a minha listinha de livros lidos em 2009 que anda bem inha mesmo.

O que mais me deixou confusa sobre ele foi quem seria o seu público. A principio, é para crianças. Mas na minha eterna ignorancia sobre a mente infantil eu fico achando que elas nao iam gostar muito, ja que o filme é bem parado e muito psicológico. Na crítica do Globe & Mail foi até falado que os personagens tinham complicaçoes o suficiente para um filme do Ingmar Bergman. Ainda nao vi nenhum filme dele, mas imagino que seja verdade. Tanto o menino quanto os monstros tem altos problemas que sao explorados no filme em vez de resolvidos.

Ao mesmo tempo que acho que as crianças nao vao gostar muito dele, nao é um filme que os adultos vao amar, porque tem algumas cenas bem infantis. Mas como eu disse, sou ignorante no assunto criança, e quando o filme acabou, ainda tinha muitas delas na sala, ao contrario do que eu tinha pensado. Ele está em cartaz ha duas semanas, sua bilheteria é de mais de 53 milhões dolares, e foi o lider na sua semana de estréia. Minha curiosidade é que público é esse que ta assistindo ele. É estranho tambem porque eu li na wikipedia ( http://en.wikipedia.org/wiki/Where_the_Wild_Things_Are_(film)#Box_office ) que o estudio decidiu divulgar o filme como sendo para adultos, mas eu vi algumas propagandas que eram bem infantis... sei lá. O fato é que nao sao só os personagens que têm crises, o filme tambem tem uma bela crise de público.

Mas acho que (nao se esqueça que sou ignorante nesse assunto) ele retrata alguns sentimentos da criança de uma forma interessante, o que pode agradar a elas e a pais, professores de creches, etc.

Chega de achismo e encheçao de linguiça. Vou falar de uma vez o que a minha meia digestao acha do filme.

Em primeiro lugar, faço questao de rasgar elogios para Max Records, o menino do filme. Provavelmente o melhor ator infantil que já vi. Cheguei a pensar que a Abigail Breslin poderia disputar esse posto com ele pelo Pequena Miss Sunhine. Mas acho que nao, até porque o personagem dele é muito mais dificil e complexo que o dela. Ele tem um rosto muito expressivo e fez um trabalho realmente incrivel. Juro, uma atuaçao de babar. Se 5% dos atores infantis fossem assim... e olha que ele tinha só 9 anos quando fez o filme! O Spike Jonze queria um menino que nao fosse ator, pois achava que um ator mirim em vez de ser melhor por ter experiencia, nao pareceria uma crianaça de verdade, ficaria com um ar meio artificial. O quanto isso é exagero eu nao sei, mas deu certo. Nao consigo imaginar um interpretaçao melhor.


Tambem gostei muito da fotografia do filme. E olha que eu tinha visto Cidadão Kane no dia anterior, que tem planos belíssimos. É claro que ele nao chega nem perto, mas se me impressionou nesse aspecto mesmo eu estando com Kane na cabeça, é porque a fotografia é boa mesmo.


Nao gostei muito dos monstros (que sao fantasias com os rostos computadorizados para se mexerem). Eu até ja tinha visto fotos antes, mas esperava que eles fossem mais bonitos. Mesmo tendo um olhar bem expressivo, eu achei eles com muita cara de boneco. Se fossem mais "reais" o filme ganharia muito. Mas como ele ta mesmo é preocupado com os sentimentos dos personagens, isso nao chega a ser taaao importante assim.


A trilha sonora feita pela Karen O. me chamou atençao o suficiente para baixa-la. Nao morri de amores pelas musicas mas elas combinam muito com o filme, sempre que ouço lembro dele.

Quando saí da sala nao tinha gostado muito, tinha até achado meio chatinho. Mas desde entao ele ficou na minha cabeça e minha opiniao ta melhorando muito. Acho que ele tem um certo impacto.

Quanto as apostas nele para o Oscar, eu acho dificil. Sei lá, nao entendo muito de Oscar pra ser sincera, mas nao acho que ele faça o estilo deles.

Recomendo Para: Qualquer cinéfilo ou curioso com cinema e pessoas que gostam e tem muito contato com criança.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Desvalorizando uma Suposta Obra Prima

Felizmente, nao fui atropelada por um alce louco, nem atingida por um disco de hockey. E não fiquei com preguiça como eu disse que nao iria ficar, afinal, preguiça é coisa de loser. Digo, de gente mais loser do que eu. Enfim, o fato é que eu terminei de escrever a crítica de Um Corpo Que Cai, e vou entao poder começar a trabalhar no post sobre Estranhos No Trem na minha próxima aula de ciencias.




ATENÇAO: ESSE TEXTO É ALTAMENTE NÃO RECOMENDADO PARA PESSOAS QUE GOSTARAM DE UM CORPO QUE CAI! REPETINDO: ALTAMENTE NÃO RECOMENDADO!!!

Caso você tenha ignorado o aviso e tenha continuado a ler, gostaria de deixar bem claro que não me responsabilizo por ataques de raiva ou qualquer outro dano psicológico que a crítica possa causar.

Como eu respeito e gosto muito do Hitchcock, e acho ele realmente genial em alguns filmes, fiquei sem entender como Vertigo (titulo original de Um Corpo que Cai) é tão ruim e é dele, mesmo o filme sendo considerado genial por muita gente. Não consigo entender mesmo como o diretor de um filme tão sutil como Interlúdio pode ser o mesmo de um outro tão não sutil, como o Vertigo. Depois de pensar muito nisso, fiz uma pesquisa sobre o Hitch para saber se ele tinha dupla personalidade ou coisa do gênero, mas não achei nada. Como eu realmente não consigo acreditar que ele tinha uma personalidade estável e fez Vertigo e Interlúdio, pernsei em 3 coisas que podem ter acontecido e que explicariam esse estranho fato.


1- Hitchcock tinha um irmão gêmeo do mal complexado com o fato que o Hitch era o filho favorito e profissionalmente bem sucedido. Esse irmão resolveu então seqüestrar o Hitch durante a produção de Vertigo para que ele dirigisse o filme e provasse que era muito talentoso e que a mãe deles foi injusta em não apoiá-lo na sua genialidade. Em parte, o plano dele deu certo, já que Vertigo é super conceituado. Mas na minha opinião, ele continua sendo o irmão loser.


2- Quem garante que a gripe suína não vem assombrando a sociedade desde 1958? Aposto que teve um surto de gripe nesse ano também, e o Hitch achou que era besteira esse negocio de ficar lavando a mão. Mas acontece que nessa coisa de trabalhar com uma equipe enorme e tal, ele deve ter apertado a mão de um cameraman que tava gripado, e passou pra ele. Uma pena que esse cameraman não tenha apertado a mão da Kim Novak também e passado a gripe para ela. Mas o fato é que nosso querido mestre do suspense teve que ficar de cama durante toda a produção do filme, e foi a Paty Hitchcock, sua filhinha querida que sempre é coadjuvante nos filmes dele que acabou dirigindo Vertigo e meio que se vingou do pai nao a colocar como protagonista.


3- Todos nós entramos em crise em algum momento da vida. Pois é, na época de Vertigo, Hithcock tinha 59 anos. Estava bem no meio de uma bela crise de meia idade, passando pros sessentas, sabe como é, né. Além disso, eu imagino que foi nessa época que ele descobriu o paint no computador. Aí ele ficava o dia todo colorindo fotos, pintando o cabelo das pessoas de verde, colocando nariz de palhaço e chifrinhos nelas e fazendo aqueles desenhos super coloridos e deformados que todo mundo já fez um dia. Aí juntou crise de meia idade com descoberta do paint, e o resultado foi nada mais, nada menos, que Vertigo!! De onde você acha que vem a cena em que a cabecinha do James Stewart fica mudando de cor?


Seja o que for, a coisa que pra mim faz menos sentido é que o Hitchcock tenha de fato feito Vertigo sem nenhuma complicação na época.

Na verdade, não foi tãaao chocante assim ver Vertigo, já que a minha mãe (eu sei que é muito loser falar da minha mãe em quase todos os posts, mas espero que seja uma loseridade suportável) tinha me falado várias vezes que achava ele super estimado. Mas acontece que ele não é um bom filme, ou um filme regular que acham ótimo. Ele é um filme horrível que acham ótimo. Eu realmente não consigo achar uma qualidade nele. Não, na verdade consigo: a atuação do James Stewart é bem direitinha. Mas só isso. Sem exagero nenhum, não consigo achar qualquer outra coisa mesmo.


OS PARÁGRAFOS SEGUINTES REVELAM A HISTORIA PRATICAMENTE TODA


Agora vamos às justificativas. A primeira vítima vai ser o roteiro. Achei ele muito ruim e dividido. Tudo é muito mal amarrado, eu sinceramente fiquei com a sensação de um roteiro digamos...sujo. E o filme muda completamente de tom depois que a mulher morre. Ta, você pode dizer que era pra mudar mesmo. Mas acho que mudou demais. Não parece que é o mesmo filme, e sim uma continuação ou coisa do tipo. Tenho a sensação que ele não foi nem revisado e tal, pra mim o roteirista escreveu, levou para o estúdio e começaram a filmar, sem analisar o texto nem nada. Eu realmente achei ele muito estranho, não consigo acreditar que ele foi aprovado e de fato, filmado.


A próxima justificava vai mais para o lado pessoal mas a primeira parte do filme, que era um pouco sobrenatural, me irritou. Eu não gosto dessas explicações do além, eu realmente prefiro suspenses com uma base com mais lógica, sei lá, acho essa coisa de ficar baixando morto muito simples. Digo, qualquer um pode escrever uma historia de uma mulher que ficava baixando a avó, não consigo achar nada de especial, inteligente, excepcional nela. Ta, na verdade não é nem tão sobrenatural assim já que tem uma explicação psicológica. Que é outra coisa que eu também não gosto. Enfim, independentemente de ser sobrenatural ou psicológico, achei uma historia mal feita e muito óbvia, sem nada de interessante.


Achei que ele tem personagens demais, e não sabe lidar com eles. A amiga do James Stewart foi quem mais sofreu com isso. Ela aparece logo nas primeiras cenas e é apresentada como sendo importante para a trama. Não é. Depois do inicio ela passa a aparecer bem pouco, e na segunda parte do filme ela é completamente esquecida. Só aparece quando ele ainda ta na clínica, e ela nem fica sabendo que a Kim Novak voltou do reino dos mortos. Acho um absurdo total quando uma historia esquece dos personagens. Se não é para eles aparecerem mais, então que lhes dê um destino , mas deixar de lado é inaceitável. A pobrezinha ainda teve que ser a estrela de uma cena que dá tanta vergonha alheia quanto Mamma Mia: quando ela ta com ciúmes da Kim Novak e pinta um quadro igual ao da Carlota (a mulher que a Novak tava baixando) só que no lugar do rosto da Carlota coloca o dela. E essa obra prima ainda é vista de um jeito que metade da tela é o quadro, e a outra metade é ela sentada na mesma posição da pintura, meio que para comparar. Eu realmente não sei o que dá mais vergonha alheia: isso, Meryl Streep cantando e dançando Dancing Queen ou imaginar o Hitch filmando essa cena.


Mas acima de tudo isso, eu diria que o principal problema do filme (não que os outros sejam pequenos problemas, esse é um filme que até os menores defeitos são grandes) é a mão pesada. Pesadíssima. Achei tudo muito forçado. Historia, personagens, atuações, caracterização... a Kim Novak vai estar no top 10 das coisas mais fakes que já vi. Sempre com carão, e (isso não é nem culpa dela) com cabelo, maquiagem e roupas muito estranhos. Voce pode até querer dizer que isso é questão de gosto, mas bom... eu acho que é mais que isso. Porque ela está mesmo muito forçada. Tanto na 1ª quanto na 2ª parte. Na 2ª então, ta sempre com uma maquiagem muuuito pesada e estranha e com um cabelo também muito artificial. Na primeira também ta, mas acho que a na 2ª parte eu fiquei mais incomodada com a estranhice dela. Quanto à sua atuação, fiquei com a impressão de que ela se esforçou muito para fazer o filme. Só que o esforço não se converteu em uma boa atuação, e sim, em uma facilidade de ver que ela tava se matando para fazer as cenas. Eu quase sempre olhava para ela e parecia que ela tava pensando “estou atuando, essa não sou eu, é uma interpretação, olha como eu to me esforçando e como to sofrendo. Olha a minha cara de quem ta baixando morto e não ta entendendo nada do que está acontecendo”, com destaque para a ultima cena. Achei que ela fosse explodir de tanto esforço para atuar, a cara de “olha com eu to sofrendo” foi a mais forçada que já vi.


E falando em ultima cena: o que é aquela coisa? Depois de eu ficar duas horas e 8 minutos vendo a Kim Novak fazendo caras e bocas eu ainda tenho que ver ela morrer (pela segunda vez ainda por cima! A gente pensa que tá livre dela, mas não...a criatura tem duas vidas!) porque uma freira ouviu um barulho e subiu para ver o que tava acontecendo!! Aí ela sai da escuridão da torre de um jeito muito macabro, a Novak que tá sofrendo muuuito se assusta e cai da janela PELA SEGUNDA VEZ! E a janela nem terminava de cara, ainda tinha um pouquinho de chão, dava pra tentar de segurar, vai. E a freira nem fica impressionada com isso ou incomodada por ter meio que matado ela, só fala algo do tipo “oh, meu deus” super seriamente e faz um sinal da cruz. Ah, não! Isso foi falta de respeito! Depois de um filme inteiro é isso que eu recebo? Uma freira assassina? E eu queria ver o James Stewart se explicando que não matou ela.

“Ah, eu não levei ela para um lugar deserto pra matá-la não, é porque... sabe aquela mulher que morreu um tempo atrás? Aquela doida que ficava baixando morto? Então! Na verdade, o marido dela armou tudo e matou ela, e tinha duas mulheres, e a que morreu era a mulher dele, essa agora é uma outra que se parece muito com ela e ele pagou pra se passar por ela e fingir que tava baixando morto!! Só que depois eu encontrei ela e descobri tudo, e levei ela pra lá, mas eu não queria matá-la não, e a freira apareceu e ela se assustou e caiu. Eu sei que tava perto dela e podia muito bem tê-la empurrado, mas eu não fiz isso não. O senhor acredita em mim, não é seu juiz? O que? Cadeira elétrica? Naao, eu juro que não matei ela!!! A minha cabeça já ficou mudando de cor ao longo do filme, o senhor não sabe como isso é incômodo, eu não mereço ir para cadeira elé... AAAAAAAAAAAH!!!” Aí ele morre e algum tempo depois descobrimos que era tudo uma armação e na verdade o James Stewart mesmo está vivo e etc, etc.

Quando ela morreu pela primeira vez, eu olhei no tempo de filme do DVD e ainda faltava mais ou menos 1 hora. Eu pensei “Não é possível!! A mulher já morreu, o que mais tem para acontecer?” Mal sabia eu o que me esperava...

E é por todos esses motivos e mais alguns, que eu acho o filme meio trash. Só não é trash porque a principio é um filme sério, mas para mim, ele é recheado de coisas que chegam no limite da trashidade. Como as cenas que eu comentei, a mão pesada e o exagero na historia e etc. Não vai me dizer que a cabecinha colorida do James Stewart e a Kim Novak saindo do banheiro com fumaçinha branca atrás dela não são coisas trash? Não adianta dizer que tenho que considerar os recursos da época porque eu acharia essas coisas nada a ver mesmo que fossem feitas hoje com os melhores efeitos especiais possíveis.

Mas a grande pergunta é “Como esse filme é tão bem conceituado?” Quem conseguir responder essa pergunta ganha um doce. Não, dois. É uma pergunta muito difícil mesmo.
O Interessante é que segundo a Wikipédia (http://en.wikipedia.org/wiki/Vertigo_(film) ), o filme não foi muito elogiado quando foi lançado e também não foi um sucesso de público. Recebeu criticas meio misturadas, e poucas positivas. Com o tempo ele foi sendo revisto e começou a ser mais valorizado, quando foi relançado no cinema e chegou em VHS foi um grande sucesso comercial. O fato é que mesmo ele sendo muito considerado hoje, sua historia com o publico e a critica não é muito simples.

Espero ter sido bem clara com as minhas justificativas, e caso você tenha cabeçaduramente ignorado o aviso no inicio do post e tenha lido, fique à vontade para explicar porque as pessoas gostam tanto de Vertigo e ganhar os dois doces, mas argumentos como “Vertigo é uma obra prima do Mestre Hitchcock e se você não gostou é porque não entendeu o filme” não são argumentos de verdade.

A minha conclusão é que o Hitchcock deveria ter tomado mais cuidado com o irmão dele, lavado as mãos e que a mãe dele deveria ter confiscado o computador. Isso teria poupado a mim e à muita gente de desperdiçar 2 horas e 8 minutos de nossas vidas. 2 horas e 8 minutos que ficarão marcados para sempre com a Kim Novak fazendo carão e com a cabeça do James Stewart mudando de cor.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Justificando o Atraso Dessa Semana e Da Próxima

Nao acho que tenha alguem que cheque o blog regularmente (tirando uma amiga minha que eu sei que faz isso rs), entao eu devo ser a única que nao aguenta mais ver a Ellen Page de capacete verde toda vez que entro aqui. Mas independentemente de leitores para darem falta de post novo ou nao, eu mesma to ficando com nervoso do meu atraso.

Estou meio devagar para escrever...nao cheguei nem na metade do meu próximo post (minha crítica de Um Corpo Que Cai), e olha que eu comecei a escrever ele numa aula de ciencias da semana passada. E eu finalmente terminei de ler o Estranhos No Trem (depois de uma amiga minha que lê 4 livros por semana ter me enchido o saco que eu nao terminava nunca ele) e queria escrever um post comparando o livro com o filme, mas nem comecei ainda.

Mas para a felicidade de todos (só pros alunos da minha escola, pra quem nao estuda lá nao faz diferença nenhuma) quinta feira eu nao tenho aula porque é conselho de classe ou sei lá o que. Nao importa, o fato é que eu nao tenho aula e isso quer dizer que vou acordar meio dia e ficar o dia todo comendo chocolate 70% da Lindt e vendo filmes de pijama. Ah, e terminar de escrever o post que comecei, claro, claro, eu já ia falar isso. Mas caso aconteça alguma coisa (se eu for atropelada por um alce louco ou acertada por um disco de hockey, já que eu nao vou deixar de escrever por causa de preguiça, né? Seria um absurdo!), eu juro que termino na aula de matematica e coloco aqui até o final da semana. Hum, o pior é que eu tenho teste de matematica... termino na aula de frances entao, ja que a professora vai ta ocupada de mais passando a mão na vassoura suja ou gritando com algum aluno.

Ah, fiz umas busquinhas no site da minha bibliotequinha queridinha do meu coraçaozinho e descobri que eles têm o roteiro de alguns filmes! Tem de varios do Truffaut, inclusive o livro de entrevistas dele com o Hitchcock... mas tudo em frances. Talvez eu devesse escrever o post na aula de ciencias e prestar atençao na de frances para ver se um dia quem sabe eu tenho condições de ler uma dessas coisas. Mas o fato é que achei um livro de Casablanca chamado You Must Remeber This: The Filming Of Casablanca. Nao é o roteiro, mas fiquei com vontade de ler e vou tentar pegar ele amanhã, junto com o Cidadão Kane que consegui reservar. Finalmente vou parar de me sentir uma anta por nunca ter visto! rs Só espero que ele nao me decepcione por causa da expectativa.

-Alice

sábado, 10 de outubro de 2009

Resultado da Volta ao Cinema

Depois de quase 1 mês sem ir ao cinema, finalmente fomos no sábado e terça passados. Digamos que nao foi uma volta muito triunfante... nao que tenha sido fracasso total, mas eu nao reclamaria se tivessemos visto filmes melhores. Mas poderia ser bem pior com certeza... sem mais encheçao de linguiça, aí estão as criticas dos dois.


Whip It


Estréia no Brasil: algum dia aí de 2010

Estréia como diretora da Drew Barrymore, com a Ellen Page como protagonista e com a chata insuportavel da Juliette Lewis como "vilã".

É "vilã" porque o filme é daqueles pra adolescentes que seguem sempre exatamente a mesma fórmula. Portanto, a maior maldade que a vilã faz é fazer a protagonista se sentir mal com alguma coisa ou roubar o namorado dela. Nesse caso, é a primeira coisa que acontece.

Clichê atras de clichê, incluindo mãe realizando o sonho na filha, briga de melhor amiga por causa de mal entendido, desilusao com principe encantado, esforço para conquistar alguma coisa em segredo dos pais e tudo o mais que voce puder imaginar.

Só que em vez de vermos a Lindsay Lohan se drogando e dirigindo bêbada, digo, se defendendo das meninas populares, vemos a Ellen Page tentando jogar Roler Derby (um jogo meio violento de patins). O que é bem melhor, convenhamos.

O filme é bem nesse estilo mesmo, só que mais sujo e violento. Mas nao é metido, como o 500 Dias com Ela, por ser um pouco diferente. Pelo contrátio, é muito simpático e despretencioso.

O problema é que enquanto eu estava assistindo, todos os filmes desse genero que eu vi quando tinha 12 anos (triste fase da minha vida...) voltavam à minha mente, e eu fiquei extremamente irritada com isso e com o fato de saber exatamente o que ia acontecer na historia, e ja ter visto aquela mesma coisa antes. Com isso acabei achando o filme muito chatinho, mas reconheço que pro que ele é, é super direitinho e a Drew com certeza nao queria fazer um filme maravilhoso nem nada. Nao é o tipo de filme pra ficar analisando ou ficar esperando muito dele.

Quanto às atuaçoes, Ellen Page ta direitinho, nada de mais, nada de menos, assim como quase todo o elenco. É quase todo porque a Juliette Lewis conseguiu me dar vontade de pular da cadeira e sair da sala do cinema em toda cena em que aparecia. Falando de um jeito bizarro, cheia de caretas, muito caricata, ridiculamente ridicula. A sorte é que ela aparece pouco. Mas deveria aparecer menos ainda.

Recomendo para: quem gosta desse tipo de filme, quem gosta da Drew, quem nao ficou traumatizado com os seus 12 anos, e quem tem uma boa paciencia e aguenta a chata da Juliette Lewis.




Coco Antes de Chanel

Estréia no Brasil: 30/10/2009

Se voce adora moda e tava doido para assistir esse filme e ficar vendo altos figurinos, haha, se ferrou. A moda é apenas uma parte do que é mostrado sobre a vida de Coco Chanel no filme. É quase um pequeno detalhe.

Fico meio na dúvida se isso é um defeito ou nao. Por um lado, é interessante falar da vida dela sem focar muito o motivo dela ser conhecida, mas pelo outro, ela ficou conhecida justamente por isso, entao a moda nao deveria receber mais atençao?

De qualquer jeito, o filme é sobre a vida dela antes de virar estilista. Ele para no final do primeiro desfile que ela faz. O que é até uma ideia interessante, nao contar a vida toda dela.

Mas ele é aquele filme biografico bem tipico, sem grandes invençoes ou ousadias. Só em uma cena ou outra ele tenta chamar um pouco mais de atenção, pegando um plano com cores mais fortes, e na hora do desfile, quando mal conseguimos ver as roupas direito já que vemos as modelos descendo atraves de espelhos, entao só da pra ver do tronco para cima, e mesmo assim, muito rapidamente.

Isso eu diria que é um defeito sim. Afinal, ela leva o filme inteiro para virar estilista e fazer o desfile, e mal podemos ver o que ela fez? Nao estou dizendo que era preciso mostrar todas as roupas nos mínimos detalhes, mas minimamente seria bom.

A narrativa é comum tambem, só que bem chatinha. Achei meio longo e monótono. Dura 105 minutos, menos de 2 horas, mas achei que fosse bem mais. Na verdade acontece bem pouca coisa. Posso resumir o filme todinho em 5 minutos sem pular fatos importantes ou ser simplista de mais. Sério mesmo, até fiz isso e deu certo. rs

As atuaçoes sao bem corretas, nada de mais nada de menos tambem. Uma qualidade dele é que nao tem mão pesada. Nao é dramatico e é bem contido na maior parte do tempo, coisa que biografias de gente que teve uma vida cheia de altos e baixos nao costuma ser. Na hora em que o inglês morre, eu pensei "ai que saco! Eu achei que esse negocio tava acabando e agora ainda vai ter mais uma meia hora dela chorando a morte dele!". Exagerei muito. Imagino que depois dessa cena só tenha mais 10 minutos de filme, se tanto.

É um filme biografico bem tipico, com algumas qualidades, alguns defeitos... ah, da pra ver numa boa. Nao é nada de mais. Para os interessados em moda vale a pena pelo lado historico, ja que pelo lado do figurino é fraco.

O engraçado é que tambem está sendo lançado um filme que se chama Coco Chanel & Igor Stravinsky, e que começa no ponto em que esse termina. Li pouca coisa sobre ele mas parece que está sendo mais elogiado. Fiquei com uma certa curiosidade de ver para poder compara-los. rs

Recomendo para: Quem é interessado em moda (especialmente na historia da moda), quem gosta da Coco Chanel, quem gosta de biografias, quem nao tem facilidade para dormir em filmes.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um Exemplo Quase Perfeito

Critica de Quando Fala o Coraçao

.



Eu tenho uma teoria que na verdade nunca uso, até porque acho que nunca acreditei muito nela.
.
A teoria é de que praticamente qualquer historia pode dar um um bom filme. Tudo depende da qualidade de direçao, atuaçao, roteiro e narrativa. A idéia é que um filme é muito mais que a história dele, e que a sua trama pode ser muito importante ou quase secundária. Basicamente: a historia nao é o filme, e sim, uma parte dele. Mas nunca tinha visto nenhum filme que me ajudasse com essa idéia, entao nem me lembrava muito dela.
.
Mas num belo dia ensolarado de sol, quando coelhinhos pulavam ao redor do arco-íris, assisti Quando Fala o Coraçao, e percebi que talvez essa minha teoria faça até algum sentido.


O Coraçao só nao é um exemplo perfeito porque a história é tao fraquinha e tao carregada de baboseiras psicologicas que ele nao vira um bom filme. Mas detalhes, detalhes... quem liga para eles?

Em primeiro lugar, gostei muito das atuaçoes. Ja gosto da Ingrid Bergman desde quando vi Casablanca, mas nesse filme a atuaçao dela me chamou mais atençao que o normal. Quanto ao Gregory Peck, só tinha visto A Princesa e o Plebeu com ele ha uns anos, entao nem me lembrava direito. Diferentemente do Montgomery Clift, que eu achei muito bonito e com muita presença mas nao um ator genial, o Gregory é muito bonito, tem muita presença e é um excelente ator. O personagem dele tem todos os problemas psicologicos que voce puder imaginar e mais alguns ainda. Enfim, tinha tudo para ficar muito caricato e estranho, mas o Gregory conseguiu fazer esse ser que vira e mexe fica fora de si de uma forma muito contida. Para mim, os melhores atores são aqueles que conseguem interpretar um personagem meio doido, que vive surtando ou é meio fora de si e continuarem sendo contidos. O Gregory é o exemplo perfeito para isso nesse filme.

Quanto à historia, eu achei muito fraquinha. Como eu disse, é uma metralhadora de explicaçoes psicologicas, e tem o negocio de interpretar o sonho que eu acho bem tosquinho. Mas é por isso mesmo que ele é um bom exemplo para a minha teoria. A historia é ruim, mas na minha opiniao, ela nem é tao importante assim no filme.

Ele tem uma narrativa interessante, acho que um pouco no estilo da do Interlúdio, só que nao tao boa quanto.

Tem a cena horrivel em que o Gregory Peck descobre porque tinha complexo de culpa e a Ingrid Bergman grita "agora voce descobriu o que te assombrava, voce está livre!" de uma forma bizarra, amadora, como se fosse uma adolescente numa peça de teatro da escola. Mas por outro lado a cena em que o Gregory desce as escadas num momento em que está fora de si com uma navalha na mao é muito boa. Meio assustadora de um jeito meio Crepúsculo dos Deuses, aquela coisa levemente macabra... só que Crepusculo dos Deuses é mais melancólico, e essa cena nao é. Tambem gostei muito da posiçao da camera no final dessa cena (que vemos o Gragory bebendo um copo de leite, mas é como se nós estivessemos bebendo o leite, é do nosso ponto de vista. E à medida que ele vai bebendo, o leite vai tampando o psicanalista que esta na frente dele) e da cena em que o verdadeiro assassino se mata, e tambem vemos tudo como se fossemos ele, a arma vira para o público, e atira.

E a direçao é muito boa tambem, como é em quase todos os filmes do Hitchcock.

Só nao é um exemplo perfeito porque a teoria é de que praticamente qualquer historia pode dar um bom filme, e essa está no limite mesmo. Mas como os outros elementos dele sao de alta qualidade, é um filme quaaase bom. Quem é chegado em psicologia vai gostar mais. Mas como eu nao sou chegada, as referencias infinitas a Freud me irritaram um pouco bastante.

sábado, 3 de outubro de 2009

De Volta ao Cinema

Quando chegamos aqui conseguimos manter a media de ir no cinema toda terça, e até mais de uma vez por semana. Mas depois que as aulas começaram (ja disse que cinema e escola nao batem) e eu descobri a minha bibliotequinha queridinha do meu coraçaozinho, ficamos só vendo filme em casa. A ultima vez que fomos no cinema foi dia 8, tem quase 1 mês!!

Mas aproveitando as estreias, hoje resolvemos nos aventurar num filme sem legenda (que frase bizarra). Ja que estamos acostumados a ver com legenda em ingles para surdos (nao aguento mais ler "porta se fechando" e "pés andando"), dá um certo medinho. hehe

Por causa disso, excluímos O Desinformante, pois achamos que ele vai ter dialogos rapidos. Ficamos com Coco Antes de Chanel (legendado em ingles, ja que Quebec é repressora e nao deixa dublar filme em frances, mesmo em ingles podendo), o remake de Fama, Whip It (estreia da Drew Barrymore como diretora) e Bright Star, um filme que se passa na Australia e é cheio do sotaque bizarro e insuportavel dos australianos, mas por ser no Cinema Du Parc, é com legenda em frances, o que ajuda um pouco.

O Coco ficou de fora por estar no cinema perto da minha escola, o Bright Star nao estou muito animada, e o Fama eu queria ver o original antes. Quem advinhar qual filme escolhemos ganha um doce!! :D

Vamos entao ver a Drew dirigindo e a Ellen Page patinando. Fascinante. Ta, sem sacanagem agora: to curiosa pra ver a direçao da Drew e se ele é mesmo "Hannah Montana em patins, com sexo e violencia", como o Globe & Mail (pois é, globo é global!!...piadinha sem graça), jornal que compramos aqui disse.

Mesmo que seja ruim, ja me diverti o suficiente imaginando a Ellen Page de peruca loira cantando musiquinhas pop, ou a Hannah Montana grávida. Acho que essa segunda coisa é até provavel que aconteça.