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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Festival do Rio 2010

Em primeiro lugar gostaria de pedir mil desculpas pela falta de atualizaçao dos ultimos meses. Eu quase publiquei um texto sobre o Truffaut, so que acabei achando que estava muio ruim e nao tive tempo de melhora-lo. Como vi boa parte dos filmes do Festival do Rio ha pouco tempo, achei que poderia escrever mini-criticas sobre todos, e deixar o blog um pouco menos monotono.

Sabe como é, né. Em Montreal as minhas aulas eram mais longas, entao eu tinha mais tempo para escrever. Aqui quando eu começo a pegar o ritmo, a aula de Religiao ja acabou. Mas tenho muitas ideias do que escrever, e assim que tiver com mais tempo vou voltar a publicar alguma coisa sempre. Juro por toda a obra do Quentin Tarantino.

Como alguns dos filmes que passaram no Festival do Rio 2010 eu ja tinha visto em Montreal e outros ja estao em circuito comercial aqui, acabou que eu vi 14 dos filmes exibidos. So fiz critica de 13 no entanto, ja que me lembro muito pouco de um deles, A Ultima Estaçao, e nao conseguiria fazer uma critica minimamente justa. Digo minimamente porque qualquer um que acompanha os meus textos sabe que sou muito gentil demais e elogio até os filmes que odiei porque fico com pena de falar mal do trabalho de alguem, o que é injustiça com os filmes que sao de fato bons.

América

Diretor: Joao Nuno Pinto, Ano: 2010, Pais: Portugal/Espanha/Russia/Brasil, Visto no festival.

Nao tendo nenhum nome conhecido no elenco nem na produçao, escolhi assistir esse filme apenas pelo seu resumo, que parecia ser minimamente interessante. Mas assim como o resto dos resumos do livrinho do festival, ele é incoerente com o filme e mal escrito.

So nao digo que me arrependo de tê-lo visto porque ver filme fraco faz parte de ir a um festival, e porque me diverti com o sotaque portugues, e ele tambem gerou umas piadinhas internas. Mas tirando isso e a boa atuaçao da atriz russa, ele nao tem mérito algum. É tudo muito caricato, historial mal conduzida e dirigida, com inumeras cenas inuteis, e com um roteiro que nao consegue equilibrar bem todos os seus temas- imigraçao, diferentes etnias, estupidez, incompetencia, problemas familiares- deixando a historia sem foco e cansativa.


A Woman, a Gun, and a Noodle Shop

Diretor: Zhang Yimou, Ano: 2010, Pais: Hong Kong/China, Visto no festival.

Mesmo nao sendo uma grande fa dos Coen, o fato desse filme ser inspirado no primeiro filme deles me deixou bastante curiosa, e mais ainda ao ver quem era o diretor.

A Woman, a Gun and a Noodle Shop é de fato um filme bem interessante que vale muito a pena ser visto. Zhang Yimou o dirigiu muito bem, mostrando planos muito bonitos, cenas com otimo timing, e uma comédia que mesmo no limite do pastelao consegue ser sutil. As reviravoltas da historia sao todas muito bem feitas, assim como a relaçao entre o que cada personagem sabe e nao sabe. Tudo isso ajuda as coincidencias exageradas e o humor negro, tipicos dos irmaos Coen.

A cena de abertura, uma das mais exgeradas, e os empregados preparando a massa sao umas das melhores, que expressam bem o tom do filme.


Trabalho Clandestino

Diretor: Jerzy Skolimowski, Ano: 1982, Pais: Reino Unido, Visto no festival.

Filme apresentado na mostra do diretor, que teve 5 dos seus filmes exibidos. Foi escolhido mais pelo horario, e pelo plot que parecia interessante.

E, realmente, nao poderia ter feito uma escolha melhor. Enquanto o assistia estava achando tudo meio parado demais e meio chato, mas depois de alguns dias, o filme cresceu muito para mim. Ele é sim bastante parado e monotono, mas tudo por uma boa razao: retratar com calma e sutileza toda a pressao e sofrimento passados pelo protagonista. A afliçao ao saber sobre o golpe na Polônia, a pressao de ter que administrar o trabalho de 3 poloneses em Londres que nao sabem falar ingles e nao devem saber sobre o golpe, as condiçoes precarias, a falta de dinheiro e comunicaçao com a terra natal, e todos os outros problemas estao muito presentes em quase todas as cenas, mesmo que de forma discreta.

Mesmo que tenha pouca cara de cinema por causa do uso de muita narraçao, pouca açao e ser pouco visual, Trabalho Clandestino demonstra que Jerzy Skolimowski tem grande habilidade na direçao, ao conseguir fazer um bom filme a partir dessas caracteristicas normalmente limitadoras. Jeremy Irons, o ator principal, nos entrega uma interpretaçao com o mesmo nivel e tom estabelicidos por Jerzy, tornando o filme ainda melhor, ja que sua atuaçao é extremamente importante para que tudo funcione.


Aproximaçao

Diretor: Amos Gitai, Ano: 2007, Pais: França/Israel, Visto no festival.

Queria assistir Copia Fiel, filme que deu à Juliette Binoche o prêmio de melhor atriz de Cannes em 2010. A questao é que o Copia é dirigio por um iraniano, e nao sei porque achamos que o Aproximaçao tambem fosse. Além disso, ambos têm a Binoche no elenco. Sim, comprei ingresso para Aproximaçao, toda feliz que ia ver Copia Fiel, e descobri a diferença entre os dois apenas um dia antes do filme. E nao, eu nao consegui assistir Copia Fiel depois.

Mas quem saiu perdendo com isso tudo foi a Binoche, cuja interepetaçao no filme que vi é vergonhosa, o que a fez cair bastante no meu conceito. Na verdade quem saiu perdendo foi eu mesmo, ja que apos ganhar Cannes nao acho que ela va ligar para o que eu acho dela.

Amos Gitai pode até ser um diretor interessante, mas isso nao se aplica a esse filme, que é muito ruim mesmo. A primeira cena, do casal no trem, é muito boa. Se a historia tivesse seguido aquele ritmo e tema tudo seria incomparavelmente melhor. Mas nao seguiu. Na verdade, a historia nao segue nada. Fica num eterno dilema sobre qual tema tratar (etnia, relaçoes familiares, conflitos na regiao de Israel) e acaba nao tratando direito de nenhum. Alem disso o filme possui um timing horrivel e cenas vergonha-alheia e inuteis que nao acabam mais. A ultima vez que tinha ficado tao feliz com o final de um filme foi ha mais de 30 filmes atras.


Quebra-Cabeça

Diretor: Natalia Smirnoff, Ano: 2009, Pais: Argentina/França, Visto no festival.

Escolhido pelo horario e pelo tema curioso de quebra-cabeças, ele acabou sendo uma surpresa agradavel.

A historia bobinha, cheia de situaçoes e personagens bem clichês, se torna interessante justamente por “desclichezar” suas caracteristicas. Uma trama com soluçoes e desenrolares bem obivos, os evita, e deixa o filme simples, ainda que um pouquinho surpreendente. A boa atriz, que ajuda a historia a fluir bem, e a escolha inusitada pelo universo dos quebra-cabeças ajudam o filme a se destacar.


Blank City

Diretor: Celine Danhier, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto no festival.

Fiquei muito animada com esse documentario por causa dos nomes citados na sinopse: Jim Jarmusch, John Waters e Andy Warhol. Principalmente pelo ultimo, por quem eu me interesso muito.

O filme é sobre os movimentos No Wave e Cinema of Transgression que aconteceram no final dos anos 70 em Nova Iorque, que foram o inicio do cinema independente e de baixo custo, e que foram muito influentes no cinema independente que veio em seguida.

Mesmo tendo uma montagem correta, boas entrevistas e um bom acervo de imagens, ele deixa bastante a desejar. Primeiro, fiquei decepcionadissima ao ver o nome de Warhol citado apenas 2 ou 3 vezes. Aparentemente o seu periodo de cinema foi anterior a esse, mas mal falarem dele foi um erro, ja que ele fazia filmes exatamente nesse estilo. Os outros nomes que sao mais conhecidos hoje (Jarmusch e Waters) tambem sao pouco presentes, e os artistas nos quais o filme se foca sao Amos Poe, Beth e Scott B, Nick Zedd e Lydia Lunch Por nao saber muito sobre esse periodo, nao tenho como dizer se ele falou sobre as pessoas “erradas”, mas achei isso no minimo surpreendente.

O clima dos movimentos e as ideias sao bem expressos, no entanto o inicio e o fim do filme nao sao muito bem feitos, e nao é claro por quanto tempo tudo isso durou, nem a mudança do No Wave para o Cinema of Transgression. Para quem quiser saber mais sobre esses movimentos o ideal é procurar outra fonte, ja que Blank City falha na funçao de informar sobre o tema.


Um Lugar Qualquer

Diretor: Sofia Coppola, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto no festival.

Fiquei muito curiosa para ver esse filme por ele ter ganho Veneza esse ano, por ser dirigio pela Sofia Coppola diretora cuja filmografia quero ver toda (ja que é composta so por 4 filmes, hehe) e por ele ter crescido muito na cabeça do Tarantino, que eu acreditava nao ser possivel que ficasse maior.

Nao posso dizer que fiquei decepcionada porque mesmo que estivesse curiosa, nao esperava gostar muito. A questao é que o achei mais fraco do que eu esperava. A ideia de narrar a historia de uma celebridade prestes a entrar em uma crise de indentidade é bem boa, mas a abordagem de Coppola nao me agrada muito. Suas cenas e silencios longos nao sao muito expressivos, e deixam o filme meio vazio, como que tentando dizer algo so que sem conseguir. Alem disso, a estética naturalista e o tom de realidade e dia-a-dia me incomodam, ja que os personagens sao bastante caricatos, e a critica à fama e hollywood é feita de uma forma obvia e e clichê demais.

Falando com implicancia, Somewhere parece um filme caseiro. Escrito, dirigido e produzido pela filhinha, produzido tambem pelo papai e pelo irmaozinho, com trilha sonora do namorado, e, o elemento mais caseiro de todos, com microfones aparecendo em algumas das cenas.

Ao lembrar que o filme mais respeitado de Tarantino é bem fraco, começo a entender porque este cresceu em sua cabeça.


Comer, Rezar, Amar

Diretor: Ryan Murphy, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto em Juiz de Fora.

Nao assisti esse no festival, e sim dois dias depois do final dele com duas amigas, em Juiz de Fora mesmo. O fato do filme ter sido lançado antes do festival terminar me deixou confusa, ja que nao é um filme interessante para se colocar num festival por ser facil assisti-lo em circuito comercial, e ainda mais com ele entrando em circuito comercial antes mesmo do fim do festival. Levando isso em conta, mais a qualidade do filme, nao consigo entender porque os organizadores o incluiram.

Fui assisti-lo com uma unica expectativa: de que a sua duraçao fosse de 85 minutos. Nao sei como achei isso no google, ja que na realidade o filme dura 133 minutos, e eu so fui descobrir isso quando percebi que a Julia Roberts ainda nao tinha nem saido de Roma e ja tinha passado uma hora. Mas tenho que admitir que mesmo com essa duraçao medonha, Comer, Rezar, Amar até que é fluente e nao cansativo. O problema é que nao sei se acho isso porque assisti em boa companhia, o que costuma melhorar bastante qualquer filme ruim.

Mas ele tem sérios problemas em expressar a velocidade com a qual as coisas acontecem na historia, ja que nao fica muito claro quanto tempo demorou para ela sair dos Estados Unidos, nem a quantidade de dias passada em cada lugar. Digo, os personagens até mencionam essas informaçoes, mas o jeito que as coisas acontecem nao da a sensaçao certa dos dias passados.

Uma vantagem é que mesmo cheio de moral e cenas supostamente profundas, o filme nao fica gritando a sua mensagem o tempo todo, nem tem jeito de panfleto, o que sao coisas bem comuns nos filmes americanos atuais. Mesmo assim ele nao deixa de ser bem fraquinho, e nao existe quimica alguma entre a Roberts e o Javier Barden, que esta muito estranho fingido ser brasileiro.


Amores Imaginarios

Diretor: Xavier Dolan, Ano: 2010: Pais: Quebec, digo, Canada, Visto em Montreal.

Dirigido pela criança prodigio quebecoise Xavier Dolan, cujo talento que Cannes tanto ama eu nunca vou ententer, Amores Imaginarios consegue ser pior que o seu primeiro filme Eu Matei a Minha Mae. Seu unico progresso em relaçao ao anterior é que nao tem aquela gritaria insuportavel.

Mas o que incomoda é o fato do cinema de Dolan nao ter amadurecido nem um pouco. O que na verdade ja era de se esperar, ja que todo o processo de produçao (desde o surgimento da ideia até o lançamento do filme) durou menos de um ano. Seria essa pressa um medo de ser esquecido? O fato é que mesmo tendo optado por um tema e estilo mais leves e menos dramaticos, Dolan continua inacreditavelmente pretencioso e metido, e a sua capacidade de escrever uma historia fluente e com personagens minimamente complexos ou interessantes é nula.

O filme repleto de cenas em camera lenta longuissimas, figurinos exagerados, situaçoes mal construidas, e um trio de amigos sem qualquer quimica é simplesmente ridiculo. So espero que Dolan amadureça com o tempo e perceba que ser o orgulho de Quebec nao lhe da o direito de ser tao pretencioso, e que infinitas cenas extremamente estéticas nao deixam o filme bonito, e sim, superficial.


Minhas Maes e Meu Pai

Diretor: Lisa Cholodenko, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto em Montreal.

Com os elogios que esse filme tem recebido eu tenho tentado rever a minha opniao sobre ele. Mas nao adianta. Continuo achando que o seu unico mérito é tratar do assunto de uma forma diferente, nao panfletaria e leve.

No entanto, nao passa disso. O resto do filme é incrivelmente mal feito e “qualquer coisa”. A historia nao sabe do que quer falar, e coloca e tira personagens da trama do nada, e faz o mesmo com boa parte dos assuntos que começam a surgir. Mesmo que seja uma historinha bobinha, ela é muito bagunçada, e da a sensaçao de que a roteirista simplesmente sentou à mesa e escreveu tudo o que veio à cabeça, sem nem revisar e dar uma limpada no material inicial. A direçao tambem é muito ruim, dando a todas as cenas um ar meio estranho.

As atuaçoes sao até aceitaveis e podem ser consideradas boas, ja que os atores nao tinham muito o que fazer com os personagens que sao muito estereotipados e fracos.


Cyrus

Diretor: Mark Duplass e Jay Duplass, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto em Montreal.

Com um jeito muito experimental, Cyrus até que tem suas qualidades, como o fato de evitar soluçoes de trama faceis e obvias e a imparcialidade. Mas a historia é muito fraquinha e nao se sustenta, e o jeito de “olha como eu sou indie, a camera nao para de tremer” é bem desnecessario. Os constantes close-ups e desfoques tambem sao muito estranhos, ja que nao tem funçao alguma. Parece que o diretor mandou o cameraman fazer um dos dois a cada 5 minutos, e os dois juntos a cada 10.


Gainsbourg: Vida Heroica

Diretor: Joann Sfar, Ano: 2010, Pais: França, Visto em Montreal.

Fui assisti-lo curiosa com a historia de Gainsbourg e suas musicas, e mesmo que tenha aprendido bastante sobre ele, fiquei entediada como poucas vezes fico durante um filme.

Exageradamente longo (130 minutos) e com uma direçao que deixa a historia devagar e pouco fluente, fica dificil se interessar pela vida do cantor, e os aspectos mais interessantes de sua personalidade nao sao tao bem mostrados,e diria que faltam algumas historinhas bem interessantes que deixariam o filme mais divertido.

A mistura com animaçao e a ideia do alter-ego até que sao recursos interessantes que poderiam ter dado certo, mas do jeito que foram usados so ridicularizaram o filme, e dificultaram leva-lo a sério.


Dois Irmaos

Diretor: Daniel Burman, Ano: 2010, Pais: Argentina/Uruguai/França, Visto em Juiz de Fora.

So fui ver esse filme por causa da falta de opçao em Juiz de Fora, e um pouco por curiosidade mesmo. Por ter assistido com amigas, ele nao foi tao chato quanto poderia ser, mas ainda assim é dispensavel.

Com personagens estereotipados, historia boba e sem ritmo, Dois Irmaos so tem de interessante é a boa atuaçao do irmao, Antonio Gasalla, e o fato de conseguir se equilibrar entre comédia e drama bem. Mas os dialogos sao bem irritantes e o excesso de antipatia pela irma é incomoda, ja que sempre acho ruim quando a propria historia condena os seus personagens, e tambem porque ha um certo puxa-saquismo com o irmao. Basicamente, muito parcial.