sexta-feira, 18 de junho de 2010

Toy Stories

Ja estava com a ideia de fazer um post com criticas de todos ou quase todos filmes da Pixar. Esse em si vai ficar para um outro dia, mas aproveitei a estreia de Toy Story 3 para fazer criticas de todos os 3 filmes. Minha ordem de melhor para pior vai na sequencia cronologica. Peço desculpas por ter sido mais resumida nas criticas dos dois primeiros, especialmente do segundo, mas por ter visto o terceiro ha menos tempo e este ser o que fecha o ciclo, senti a necessidade de escrever mais sobre ele.



Ano: 1995
Diretor: John Lasseter

Toy Story 1 nao so é o primeiro filme da Pixar e o pioneiro em animaçao 3D, mas tambem é o seu melhor filme na minha opiniao. Wall-E é o dono desse posto para a maioria das pessoas, mas eu sinceramente o acho fraquinho. Toy Story se sai muito melhor com uma historia mais criativa, mais ritmo, personagens mais complexos e com issues mais interessantes tambem. Enquanto Wall-E trata do cliche de que a sociedade é uma porcaria e que temos que proteger o meio ambiente, Toy Story consegue retratar problemas pelos quais todo ser humano passa, so que com brinquedos.

A ideia de um brinquedo novo chegar e todos os outros ficarem impressionados com ele e haver uma rivalidade entre ele e o brinquedo que ja era o lider é algo na verdade muito comum na vida real. Muita crianças ja passaram pela experiencia de ver uma nova pessoa chegar na turma da escola e ficar com medo de ter seus amigos roubados por ela.

Com essa e outras situaçoes presentes no filme, a Pixar se mostrou capaz de contar uma historia coerente com a vida imaginada para os brinquedos, e ao mesmo tempo retratar problemas que crianças e adultos vivem.

Uma das melhores cenas é quando Buzz tenta voar e cai. Ela nao so é bonita visualmente, mas again, retrata algo pelo qual todos passam: a desilusao e a dolorosa volta à realidade.

Mesmo tendo uma historia mais linear, gosto de colocar esse Toy Story junto com Meu Vizinho Totoro e Onde Vivem os Montros, dois outros filmes infantis que tambem sao complexos, possuem personagens vivendo crises, estao muito acima da média de filmes para crianças e nao tem uma moral ou liçao para passar. Eles procuram mais entender os sentimentos das crianças e pessoas do que ensina-las alguma coisa.



Ano: 1999
Diretores: John Lasseter, Lee Unkrich & Ash Brannon

Sequencias nao costumam funcionar muito bem. Principalmente pelos fatos da ideia ja ter perdido a graça e estar gasta e de serem feitas apenas para ganhar dinheiro na maior parte das vezes.

Esse nao é o caso de Toy Story 2. Ele é sim inferior ao primeiro, mas continua tendo um otimo timing e mostrando problemas passados por pessoas tambem. Acho que a principal diferença entre os dois é que Toy Story 1 é melhor num todo, e Toy Story 2 é composto por muitas cenas excelentes, relativamente separadas.

Uma das melhores é quando Jessie fala sobre a sua ex-dona. Mesmo sendo um clipe no meio do filme, ela consegue ser nostalgica, bonita e retratar bem os sentimentos da boneca. Tenho que admitir que sinto um aperto no coraçao sempre que a assisto. Alem disso, essa cena é um exemplo perfeito da teoria do Hitchcok de que é preferivel mostrar do que falar algo em um filme.




Ano: 2010
Diretor: Lee Unkrich

11 anos mais tarde, Pixar lança o ultimo filme da serie, que no começo foi inclusive feito contra a vontade deles. O projeto inicial estava nas maos de um estudio da Disney, mas felizmente foi passado para a Pixar depois.

Pela primeira vez na vida, as minhas expectativas estavam ao nivel perfeito. Altas o suficiente para nao esperar muito pouco, e baixas o suficiente para nao querer muito. Toy Story 3 é provavelmente a melhor terceira sequencia que poderia se esperar.

Nao, falar assim é um certo exageiro, ja que nao acho que o filme seja perfeito. Mas nunca esperaria perfeiçao do terceiro de uma serie, portanto quase que da para fazer esse statement.

A Pixar conseguiu ainda aproveitar mais aspectos da vida dos brinquedos, tendo uma abertura incrivel. As primeiras cenas sao excelentes, desde o Andy criança imaginando um mundo inteiro enquanto brincava, passando pelas novas crises que os brinquedos estao vivendo, ate eles chegarem ao Sunnyside, onde de cara promete ser o paraiso.

Logo temos a cena na qual as crianças menores destroem os brinquedos. A minha aposta é que em uma semana veremos uma materia no jornal com o titulo "Doaçoes de brinquedos diminuem em 90%". E espero ve-la mesmo, porque se as crianças nao se recusarem a doar os seus brinquedos para aqueles monstrinhos depois de ver essas cenas vai ser uma prova de que elas nao tem coraçao.

Mas isso é irrelevante à minha critica. Depois que os brinquedos chegam em Sunnyside o filme se perde um pouco. Continua acima da média dos filmes infantis, mas o roteiro revela ter umas barriguinhas e toda a crise de cumprir o seu dever ou fazer o que voce quer apresentada no começo é meio esquecida para dar espaço à açao.

O climax é meio longo e fica adiando muito o final, e ainda temos a explicaçao de porque o vilao é o vilao, coisa que eu nao sou muito fa(til). Mas tudo isso é perdoavel, até porque Lotso continua mal, coisa que nao é costume na maioria das historias.

Mas nao é so por isso. Todos esses defeitos do filme sao perdoaveis porque ele continua dando de mil nesses filmes bobinhos produzidos pela DreamWorks, 20th Century Fox e até a propria Disney. Mesmo tendo uma historia mais simples que os outros dois Toy Stories ele ainda tem esse pano de fundo psicologico, e uma nostalgia sempre presente. Uma nostalgia leve, discreta, bonita e nem um pouco melosa. Afinal, o filme nao so é sobre despedidas e o inicio de uma nova vida, mas é tambem a propria despedida da Pixar dos seus primeiros personagens, daqueles que originaram tudo o que eles fizeram desde entao.

O postplot e as ultimas cenas terminam o filme de um jeito feliz e despreocupado, mas a historia em si é fechada de uma forma muito bonita e leve, quando Andy percebe que o melhor a fazer era passar os brinquedos adiante, e os da para a menina, mesmo ele querendo manter o Woody por mais um tempo.

Consigo imaginar a Pixar nessa mesma cena. Dando adeus ao Toy Story, ja com saudade, mas entendendo que é necessario. Talvez o maior trunfo do filme seja essa coincidencia (ou nao) do tema com o momento.


P.S.: Chutar a apontar toda vez que o Totoro aparece no filme nao é uma coisa infantil de se fazer nao, né?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

3 filmes em 1 dia

Na ultima quinta feira fiz algo um pouquinho diferente. Assisti 3 filmes em um dia so, sendo que eu fiz um exam de manha(til). Mas a parte que me impressionou mais foi que o mais velho desses filme é de 1992, e todos sao coloridos. Sério, isso é estranho para mim. Mas eu estou com 2 Fellinis, 1 Fritz Lang e 1 Win Wenders, que é mais novo, mas os outros sao todos em preto e branco, entao estarei voltando ao normal.

Fiz meio rapidamente mini-criticas desses filmes porque eles estavam bem fresquinhos na cabeça e eu sabia bem o que falar deles, e para mandar o blog minimamente atualizado tambem.

Ah, eu nao preciso de rehab, nao, ok.

Alta Fidelidade


Diretor: Stephen Frears
Ano: 2000

Meus pais sao fas desse filme e da trilha sonora, entao eu ja conhecia algumas das musicas e tinha um interesse em assiti-lo.

Fui ve-lo sem altas expectativas e sabendo que era um filme meio bobo, o que deu muito certo. Nao é nenhuma obra-prima nem nada, mas é um filme muito, digamos, gute. A historia é bobinha mas é simpatica, assim como todas as caracteristicas do filme. Ele tem uns probleminhas de roteiro e o final é meio bobinho demais, mas isso nao faz diferença nenhuma. John Cusack nao é um ator genial, mas caiu perfeitamente nesse papel. Desde a primeira cena gostei dele. Esta cheio de carisma e funciona muito bem. O outro grande trunfo do filme é a sua maravilhosa trilha sonora que eu nao consigo parar de ouvir. Muito bem escolhida e combina perfeitamente com o resto do filme.

Esses dois fatores e todo o jeito despretencioso do filme o tornam super agradavel e bom de assistir. Recomendo fortemente, mas tenha certeza de ter a trilha sonora a mao antes de assisti-lo, senao voce vai ficar doido procurando as musicas para ouvir depois.

Ja até me mandaram ir pro rehab porque nao paro de escutar as musicas. Por que todo mundo acha que eu sou viciada?!! As minhas favoritas sao "I'm Wrong About Everything", "Always See Your Face" "I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever)" (que é muito melhor que o titulo, eu juro) e "Let's Get It On", com a inesperavelmente otima voz de Jack Black, que tambem esta com um performance correta no filme, em vez de irritante como sempre.


Caes de Aluguel


Diretor: Quentin Tarantino
Ano: 1992

Ja tendo visto e nao gostado do Pulp Fiction, nao tinha muitas esperanças com esse, mas queria assistir de qualquer jeito porque eu tenho essa obsessao de assistir a filmografia completa de todos os diretores minimamente importantes existentes. Again, eu nao preciso de rehab.

O primeiro filme de Tarantino é ruim pelas mesmas qualidades que o segundo. A diferença é que é mais simples e menos pretencioso. A historia tem menos malabarismos em vez das mini historinhas nao tao relacionadas de Pulp Fiction. Mas a falta de ritmo, o excesso de referencia à cultura pop e o fucking dialogo cheio de fucking fuck words é o mesmo.


Quero Ser John Malkovich


Diretor: Spike Jonze
Ano: 1999

Sempre tive curiosidade em ver esse filme por dois motivos: sua historia maluca e a pariticpaçao inusitada de John Malkovich, a quem eu sou muito simpatica.

E essas sao as razoes de fato para assistir Quero Ser John Malkovich. Muito bem feito, com atuaçoes bem corretas (John Cusack esta bem, nao tanto quanto em Alta Fidelidade, fazendo o papel de loser, mas sem ser genial nem nada), roteiro com otimo timing, e uma auto ironia e senso de ridiculo muito bons. O proprio filme nao se leva a serio e meio que se ridiculariza. Mesmo com a historia mais sick e drugs que ja vi na vida, ele consegue passar muito longe do trash e contar tudo de um jeito quase que normal.

Parabens especiais para o Malkovich que concordou em participar dessa doideira e assim como o filme, ri de si mesmo, e para Spike Jonze que é o diretor e se mostra mais interessante cada vez que vejo um de seus filmes.