terça-feira, 20 de julho de 2010

Rio de Janeiro/Juiz de Fora, Cinema e Eu

Como ja foi dito no meu primeiro post, vim para Montreal por apenas um ano. A principio essa seria a duraçao da vida do blog, que era mais uma forma d'eu registrar as minhas opnioes ao ver filmes importantes (ou nao) e de me ajudar a aprender mais sobre cinema.

Tendo esses objetivos cumpridos e o tempo em Montreal acabado, o blog acabaria tambem. Mas justamente por ele ter dado tao certo, vou mante-lo até o final de 2010, talvez inicio de 2011, para me dar tempo de fazer as listinhas de piores e melhores filmes vistos no ano.

Tenho inclusive a ideia de começar um blog em ingles para poder, quem sabe, atingir um publico maior. E tambem porque o meu portugues esta muito ruim. (Falei que o filme era cheio de pretenciosidade outro dia)

Em breve voltarei à minha vida dupla indo e vindo do Rio para Juiz de Fora. Antigamente eu ficava feliz com os filmes do Rio quando saia de JF, mas vindo de Montreal agora vai ser meio deprimente. So espero que os meus amigos canadenses sejam legais o suficiente para nao jogarem na minha cara que ja viram tal filme aqui que so vai chegar no Brasil meses depois. Esperança falsa, though.

Anyway, o nome do blog continuara o mesmo para nao ficar confuso (e tambem porque é mais cool assim, hehe) e eu continuarei a postar normalmente. Vou demorar a publicar algo novo porque minha vida vai estar meio corrida, mas ja fiz anotaçoes sobre Inception (que eu vi e voce nao) e trabalharei numa critica completa o mais rapido possivel. Tambem tenho planos de fazer mini-criticas de varios filmes do Herzog, Kubrick e da filmografia completa do Truffaut. E obviamente, eu vou ficar enrolando e nao vou publica-las nunca. Digo, serao escritas com capricho e o mais rapido possivel.

Mas o que é deprimente mesmo é sair de Montreal poucos dias antes de uma mostra de filmes do Akira Kurosawa e do Christopher Nolan no Cinema du Parc, e de uma sessao de Metropolis no cinema com musica ao vivo. Mas nem ligo. Sou muito mais ficar assistindo filme ruim na telinha do aviao. No meu ultimo voo vi Crepusculo, que é o melhor filme anti-insonia existente. Ja estava no décimo sono quando é revelado que ele é um vampiro.

Anyway, uma coisa eu posso prometer. Em ordem a passar em portugues (isso ta errado, né?), vou aprender a lingua de novo, e parar de falar e escrever coisas como "defensa".

Ou talvez eu va viver numa caverna isolada da civilizaçao, rodeada apenas por filmes e posters de filmes.

OBS: Coincidentemente, publiquei extamente o mesmo numero de posts nas duas metades do meu tempo aqui.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"I feel like I'm in some John Hughes film"


A primeira vez em que ouvi o nome John Hughes foi na musica Seventh Grade Dance da banda Smash Mouth que falava: I feel like I'm in some John Hughes film. Para entender melhor a letra, fui pesquisar quem ele era. De todos os seus trabalhos reconheci apenas o Esqueceram de Mim, que ele so produziu. Mas nunca tinha ouvido falar em nenhum dos seus filme dos anos 80. Continuei sem entender muito a musica.

Pouco tempo depois, o diretor morre aos 59 anos. Com isso, li alguns artigos sobre ele e comecei a entender melhor a sua importancia. Em fevereiro tivemos um dia de aula que era meio bagunça, e a minha professora de ingles (que by the way nunca mais falou do tal irmao que trabalhou em Avatar) passou para a gente metade de O Clube dos 5. Curiosamente, boa parte das pessoas ja conheciam o filme e gostavam muito.

Depois disso assisti 3 de seus filmes. De inicio o achei meio bobinho, mas agora estou começando a respeita-lo, e até a adimirar o seu trabalho.



Gatinhas e Gatoes

Essa foi na verdade uma boa escolha para ser o meu primeiro filme inteiro do Hughes. Ruim o suficiente para nao me deixar com expectativas para os outros, e bom o suficiente para nao fazer com que eu desista de assistir mais.


Mas basicamente, ele é um filme bem fraco. Tendo como titulo original Sixteen Candles (16 velas), é de se esperar que o filme seja todo em torno do déceimo sexto aniversario da protagonista. Errado. Se passa em mais de um dia, um deles é sim o aniversario dela, mas em vez de se focar nas expectativas da personagem e todo o endeusamento por volta do aniversario de 16 anos, a historia é mais sobre crises gerais dela, com coadjuvantes demais e muitos sub-plots. O resultado é um roteiro bem bagunçado, excessivo, e consequentemente, cansativo. Alem de estarem em uma quantidade muito grande, os personagens tambem sao bem chatinhos e estereotipados.


Apesar de tudo, o ele é assistivel, mesmo sem ser muito agradavel. A principal qualidade dos filmes de Hughes é a facil identificaçao que os adolescente sentem com eles. Nesse caso eu diria que o que ganhou a simpatia deles foi a mudança de papeis entre os personagens, como o fato da menina ficar com o cara popular no final. Se isso hoje é o cliche dos cliches em filmes para adolescente, naquela época provavelmente era novidade.



O Clube dos Cinco


Sendo um dos principais filmes do Hughes (empatado com Curtindo a Vida Adoidado), ele me decepicionou bastante.


Nao nego que a ideia seja bem boa, nem que ele tenha uma conexao com os adolescentes muito grande. Nesses pontos ele se sai muito bem. Mesmo tendo personagens muito estereotipados, e uma mensagenzinha de esquecer as diferenças, ele consegue trabalhar esses elementos bem o suficiente para que nao fiquem muito caricatos. Mas o que realmente conquista os adolescentes nesse filme é a ideia de que todos eles tem mais ou menos os mesmos problemas e crises e que eles nao estao sozinhos. Isso é deixado tao claro que tem ate uma sequencia de cenas com os cinco personagens dançando ao som da musica « You Are Not Alone”.


O que me leva as razoes pelas quais eu me decepcionei com o filme. Todas elas se relacionam a uma coisa : falta de sutileza. Todas as ideias apresentadas tem que ser claramente estabelecidas, nada é discreto ou construido com calma. Boa parte das cenas sao meio simbolicas, tendo como unica funçao mostrar tal caracteristica sobre tal personagem. O uso da trilha Sonora com as imagens é muito mal feito. Da pra ver que se esforçaram, mas muitas vezes uma musica começa a tocar para estabelecer um certo clima, e logo acaba do nada, deixando as transiçoes de cena meio quebradas.


O filme é, no entanto, discreto em uma pequena coisa: a incerteza se eles vao continuar amigos na segunda-feira, quando estiverem na escola com os seus respectivos grupinhos, ou se tudo vai voltar ao normal depois dessa detençao que a principio mudou as suas vidas. Nao sei se Hughes pretendia deixar isso em aberto dando ao filme um lado cinico, mas a decisao de acabar a historia nesse ponto, sem ter um post-plot mostrando o que aconteceu depois, é sabia.



Curtindo a Vida Adoidado


Se eu nao estivesse em um lugar sem aparelho de DVD (sou tao nomade que ja morei em 3 apartamentos diferentes so em Montreal) provavelmente nao teria visto esse filme tao cedo. A questao é que estava procurando coisinhas para baixar, e Ferris Bueler apareceu na minha listinha infinita de filmes para assistir. O escolhi porque achei que seria algo leve e minimamente make-you-feel-good.


Nao poderia estar mais certa. Dos dois outros filmes filmes que levantaram o meu animo nesse ano (Conta Comigo e Alta Fidelidade), esse é com certeza o mais agradavel, mesmo que nao seja o melhor.


Se nao fosse por ele, talvez Hughes ainda nao tivesse o meu respeito. Assim como os outros dois filmes que citei acima, o que me conquistou no Ferris Bueler foi a simplicidade e falta de pretensao. Sem contar, é claro, com o proprio Ferris Bueler. Matthew Broderick nao é bonito, mas tem carisma e charme simplesmente impressionantes. Talvez sua incrivel performance seja mais por um casamento perfeito entre ator e personagem, mas acho que é mais do que isso. Ele realmente tem uma presença de cena muito forte e uma dicçao invejavel.


A historia, assim como todo o resto, é a melhor d’entre esses tres filmes do Hughes. Um menino resolve matar aula pela milésima vez no ano e nos somos pessoalmente convidados para passarmos o dia com ele. Durante o filme Ferris conversa conosco varias vezes, mas o recurso de narraçao nao é usado, so a meta-linguagem é, nos dando o papel de confidentes.


Alem disso, o roteiro tem um ritmo excelente. Tudo vai simplesmente acontecendo, de uma forma extremamente natural. As coisas impossiveis (ex: a popularidade absurda de Ferris) sao feitas com cuidado e tratadas como se fossem algo normal. Nao ha espaço para reclamar que era impossivel escapar de tal situaçao. A cena que serve melhor de exemplo é quando Ferris canta Twist & Shout no meio de um desfile na rua. É como se fosse um filme de fantasia, so que sem magica.



Em aspectos técnicos, John Hughes esta longe de merecer muitos elogios. Seus roteiros e personagens sao relativamente frageis. Mas é preciso parar para pensar. Esses filmes foram feitos nos anos 80, quando nao tinha nem celular, nem internet. Muitas pessoas da minha escola os conhecem e adimiram muito. Provavelmente se identificam com eles tanto quanto os adolescentes que foram os primeiros a ve-los. Nao da para ignorar isso.