segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Festival do Rio 2010

Em primeiro lugar gostaria de pedir mil desculpas pela falta de atualizaçao dos ultimos meses. Eu quase publiquei um texto sobre o Truffaut, so que acabei achando que estava muio ruim e nao tive tempo de melhora-lo. Como vi boa parte dos filmes do Festival do Rio ha pouco tempo, achei que poderia escrever mini-criticas sobre todos, e deixar o blog um pouco menos monotono.

Sabe como é, né. Em Montreal as minhas aulas eram mais longas, entao eu tinha mais tempo para escrever. Aqui quando eu começo a pegar o ritmo, a aula de Religiao ja acabou. Mas tenho muitas ideias do que escrever, e assim que tiver com mais tempo vou voltar a publicar alguma coisa sempre. Juro por toda a obra do Quentin Tarantino.

Como alguns dos filmes que passaram no Festival do Rio 2010 eu ja tinha visto em Montreal e outros ja estao em circuito comercial aqui, acabou que eu vi 14 dos filmes exibidos. So fiz critica de 13 no entanto, ja que me lembro muito pouco de um deles, A Ultima Estaçao, e nao conseguiria fazer uma critica minimamente justa. Digo minimamente porque qualquer um que acompanha os meus textos sabe que sou muito gentil demais e elogio até os filmes que odiei porque fico com pena de falar mal do trabalho de alguem, o que é injustiça com os filmes que sao de fato bons.

América

Diretor: Joao Nuno Pinto, Ano: 2010, Pais: Portugal/Espanha/Russia/Brasil, Visto no festival.

Nao tendo nenhum nome conhecido no elenco nem na produçao, escolhi assistir esse filme apenas pelo seu resumo, que parecia ser minimamente interessante. Mas assim como o resto dos resumos do livrinho do festival, ele é incoerente com o filme e mal escrito.

So nao digo que me arrependo de tê-lo visto porque ver filme fraco faz parte de ir a um festival, e porque me diverti com o sotaque portugues, e ele tambem gerou umas piadinhas internas. Mas tirando isso e a boa atuaçao da atriz russa, ele nao tem mérito algum. É tudo muito caricato, historial mal conduzida e dirigida, com inumeras cenas inuteis, e com um roteiro que nao consegue equilibrar bem todos os seus temas- imigraçao, diferentes etnias, estupidez, incompetencia, problemas familiares- deixando a historia sem foco e cansativa.


A Woman, a Gun, and a Noodle Shop

Diretor: Zhang Yimou, Ano: 2010, Pais: Hong Kong/China, Visto no festival.

Mesmo nao sendo uma grande fa dos Coen, o fato desse filme ser inspirado no primeiro filme deles me deixou bastante curiosa, e mais ainda ao ver quem era o diretor.

A Woman, a Gun and a Noodle Shop é de fato um filme bem interessante que vale muito a pena ser visto. Zhang Yimou o dirigiu muito bem, mostrando planos muito bonitos, cenas com otimo timing, e uma comédia que mesmo no limite do pastelao consegue ser sutil. As reviravoltas da historia sao todas muito bem feitas, assim como a relaçao entre o que cada personagem sabe e nao sabe. Tudo isso ajuda as coincidencias exageradas e o humor negro, tipicos dos irmaos Coen.

A cena de abertura, uma das mais exgeradas, e os empregados preparando a massa sao umas das melhores, que expressam bem o tom do filme.


Trabalho Clandestino

Diretor: Jerzy Skolimowski, Ano: 1982, Pais: Reino Unido, Visto no festival.

Filme apresentado na mostra do diretor, que teve 5 dos seus filmes exibidos. Foi escolhido mais pelo horario, e pelo plot que parecia interessante.

E, realmente, nao poderia ter feito uma escolha melhor. Enquanto o assistia estava achando tudo meio parado demais e meio chato, mas depois de alguns dias, o filme cresceu muito para mim. Ele é sim bastante parado e monotono, mas tudo por uma boa razao: retratar com calma e sutileza toda a pressao e sofrimento passados pelo protagonista. A afliçao ao saber sobre o golpe na Polônia, a pressao de ter que administrar o trabalho de 3 poloneses em Londres que nao sabem falar ingles e nao devem saber sobre o golpe, as condiçoes precarias, a falta de dinheiro e comunicaçao com a terra natal, e todos os outros problemas estao muito presentes em quase todas as cenas, mesmo que de forma discreta.

Mesmo que tenha pouca cara de cinema por causa do uso de muita narraçao, pouca açao e ser pouco visual, Trabalho Clandestino demonstra que Jerzy Skolimowski tem grande habilidade na direçao, ao conseguir fazer um bom filme a partir dessas caracteristicas normalmente limitadoras. Jeremy Irons, o ator principal, nos entrega uma interpretaçao com o mesmo nivel e tom estabelicidos por Jerzy, tornando o filme ainda melhor, ja que sua atuaçao é extremamente importante para que tudo funcione.


Aproximaçao

Diretor: Amos Gitai, Ano: 2007, Pais: França/Israel, Visto no festival.

Queria assistir Copia Fiel, filme que deu à Juliette Binoche o prêmio de melhor atriz de Cannes em 2010. A questao é que o Copia é dirigio por um iraniano, e nao sei porque achamos que o Aproximaçao tambem fosse. Além disso, ambos têm a Binoche no elenco. Sim, comprei ingresso para Aproximaçao, toda feliz que ia ver Copia Fiel, e descobri a diferença entre os dois apenas um dia antes do filme. E nao, eu nao consegui assistir Copia Fiel depois.

Mas quem saiu perdendo com isso tudo foi a Binoche, cuja interepetaçao no filme que vi é vergonhosa, o que a fez cair bastante no meu conceito. Na verdade quem saiu perdendo foi eu mesmo, ja que apos ganhar Cannes nao acho que ela va ligar para o que eu acho dela.

Amos Gitai pode até ser um diretor interessante, mas isso nao se aplica a esse filme, que é muito ruim mesmo. A primeira cena, do casal no trem, é muito boa. Se a historia tivesse seguido aquele ritmo e tema tudo seria incomparavelmente melhor. Mas nao seguiu. Na verdade, a historia nao segue nada. Fica num eterno dilema sobre qual tema tratar (etnia, relaçoes familiares, conflitos na regiao de Israel) e acaba nao tratando direito de nenhum. Alem disso o filme possui um timing horrivel e cenas vergonha-alheia e inuteis que nao acabam mais. A ultima vez que tinha ficado tao feliz com o final de um filme foi ha mais de 30 filmes atras.


Quebra-Cabeça

Diretor: Natalia Smirnoff, Ano: 2009, Pais: Argentina/França, Visto no festival.

Escolhido pelo horario e pelo tema curioso de quebra-cabeças, ele acabou sendo uma surpresa agradavel.

A historia bobinha, cheia de situaçoes e personagens bem clichês, se torna interessante justamente por “desclichezar” suas caracteristicas. Uma trama com soluçoes e desenrolares bem obivos, os evita, e deixa o filme simples, ainda que um pouquinho surpreendente. A boa atriz, que ajuda a historia a fluir bem, e a escolha inusitada pelo universo dos quebra-cabeças ajudam o filme a se destacar.


Blank City

Diretor: Celine Danhier, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto no festival.

Fiquei muito animada com esse documentario por causa dos nomes citados na sinopse: Jim Jarmusch, John Waters e Andy Warhol. Principalmente pelo ultimo, por quem eu me interesso muito.

O filme é sobre os movimentos No Wave e Cinema of Transgression que aconteceram no final dos anos 70 em Nova Iorque, que foram o inicio do cinema independente e de baixo custo, e que foram muito influentes no cinema independente que veio em seguida.

Mesmo tendo uma montagem correta, boas entrevistas e um bom acervo de imagens, ele deixa bastante a desejar. Primeiro, fiquei decepcionadissima ao ver o nome de Warhol citado apenas 2 ou 3 vezes. Aparentemente o seu periodo de cinema foi anterior a esse, mas mal falarem dele foi um erro, ja que ele fazia filmes exatamente nesse estilo. Os outros nomes que sao mais conhecidos hoje (Jarmusch e Waters) tambem sao pouco presentes, e os artistas nos quais o filme se foca sao Amos Poe, Beth e Scott B, Nick Zedd e Lydia Lunch Por nao saber muito sobre esse periodo, nao tenho como dizer se ele falou sobre as pessoas “erradas”, mas achei isso no minimo surpreendente.

O clima dos movimentos e as ideias sao bem expressos, no entanto o inicio e o fim do filme nao sao muito bem feitos, e nao é claro por quanto tempo tudo isso durou, nem a mudança do No Wave para o Cinema of Transgression. Para quem quiser saber mais sobre esses movimentos o ideal é procurar outra fonte, ja que Blank City falha na funçao de informar sobre o tema.


Um Lugar Qualquer

Diretor: Sofia Coppola, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto no festival.

Fiquei muito curiosa para ver esse filme por ele ter ganho Veneza esse ano, por ser dirigio pela Sofia Coppola diretora cuja filmografia quero ver toda (ja que é composta so por 4 filmes, hehe) e por ele ter crescido muito na cabeça do Tarantino, que eu acreditava nao ser possivel que ficasse maior.

Nao posso dizer que fiquei decepcionada porque mesmo que estivesse curiosa, nao esperava gostar muito. A questao é que o achei mais fraco do que eu esperava. A ideia de narrar a historia de uma celebridade prestes a entrar em uma crise de indentidade é bem boa, mas a abordagem de Coppola nao me agrada muito. Suas cenas e silencios longos nao sao muito expressivos, e deixam o filme meio vazio, como que tentando dizer algo so que sem conseguir. Alem disso, a estética naturalista e o tom de realidade e dia-a-dia me incomodam, ja que os personagens sao bastante caricatos, e a critica à fama e hollywood é feita de uma forma obvia e e clichê demais.

Falando com implicancia, Somewhere parece um filme caseiro. Escrito, dirigido e produzido pela filhinha, produzido tambem pelo papai e pelo irmaozinho, com trilha sonora do namorado, e, o elemento mais caseiro de todos, com microfones aparecendo em algumas das cenas.

Ao lembrar que o filme mais respeitado de Tarantino é bem fraco, começo a entender porque este cresceu em sua cabeça.


Comer, Rezar, Amar

Diretor: Ryan Murphy, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto em Juiz de Fora.

Nao assisti esse no festival, e sim dois dias depois do final dele com duas amigas, em Juiz de Fora mesmo. O fato do filme ter sido lançado antes do festival terminar me deixou confusa, ja que nao é um filme interessante para se colocar num festival por ser facil assisti-lo em circuito comercial, e ainda mais com ele entrando em circuito comercial antes mesmo do fim do festival. Levando isso em conta, mais a qualidade do filme, nao consigo entender porque os organizadores o incluiram.

Fui assisti-lo com uma unica expectativa: de que a sua duraçao fosse de 85 minutos. Nao sei como achei isso no google, ja que na realidade o filme dura 133 minutos, e eu so fui descobrir isso quando percebi que a Julia Roberts ainda nao tinha nem saido de Roma e ja tinha passado uma hora. Mas tenho que admitir que mesmo com essa duraçao medonha, Comer, Rezar, Amar até que é fluente e nao cansativo. O problema é que nao sei se acho isso porque assisti em boa companhia, o que costuma melhorar bastante qualquer filme ruim.

Mas ele tem sérios problemas em expressar a velocidade com a qual as coisas acontecem na historia, ja que nao fica muito claro quanto tempo demorou para ela sair dos Estados Unidos, nem a quantidade de dias passada em cada lugar. Digo, os personagens até mencionam essas informaçoes, mas o jeito que as coisas acontecem nao da a sensaçao certa dos dias passados.

Uma vantagem é que mesmo cheio de moral e cenas supostamente profundas, o filme nao fica gritando a sua mensagem o tempo todo, nem tem jeito de panfleto, o que sao coisas bem comuns nos filmes americanos atuais. Mesmo assim ele nao deixa de ser bem fraquinho, e nao existe quimica alguma entre a Roberts e o Javier Barden, que esta muito estranho fingido ser brasileiro.


Amores Imaginarios

Diretor: Xavier Dolan, Ano: 2010: Pais: Quebec, digo, Canada, Visto em Montreal.

Dirigido pela criança prodigio quebecoise Xavier Dolan, cujo talento que Cannes tanto ama eu nunca vou ententer, Amores Imaginarios consegue ser pior que o seu primeiro filme Eu Matei a Minha Mae. Seu unico progresso em relaçao ao anterior é que nao tem aquela gritaria insuportavel.

Mas o que incomoda é o fato do cinema de Dolan nao ter amadurecido nem um pouco. O que na verdade ja era de se esperar, ja que todo o processo de produçao (desde o surgimento da ideia até o lançamento do filme) durou menos de um ano. Seria essa pressa um medo de ser esquecido? O fato é que mesmo tendo optado por um tema e estilo mais leves e menos dramaticos, Dolan continua inacreditavelmente pretencioso e metido, e a sua capacidade de escrever uma historia fluente e com personagens minimamente complexos ou interessantes é nula.

O filme repleto de cenas em camera lenta longuissimas, figurinos exagerados, situaçoes mal construidas, e um trio de amigos sem qualquer quimica é simplesmente ridiculo. So espero que Dolan amadureça com o tempo e perceba que ser o orgulho de Quebec nao lhe da o direito de ser tao pretencioso, e que infinitas cenas extremamente estéticas nao deixam o filme bonito, e sim, superficial.


Minhas Maes e Meu Pai

Diretor: Lisa Cholodenko, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto em Montreal.

Com os elogios que esse filme tem recebido eu tenho tentado rever a minha opniao sobre ele. Mas nao adianta. Continuo achando que o seu unico mérito é tratar do assunto de uma forma diferente, nao panfletaria e leve.

No entanto, nao passa disso. O resto do filme é incrivelmente mal feito e “qualquer coisa”. A historia nao sabe do que quer falar, e coloca e tira personagens da trama do nada, e faz o mesmo com boa parte dos assuntos que começam a surgir. Mesmo que seja uma historinha bobinha, ela é muito bagunçada, e da a sensaçao de que a roteirista simplesmente sentou à mesa e escreveu tudo o que veio à cabeça, sem nem revisar e dar uma limpada no material inicial. A direçao tambem é muito ruim, dando a todas as cenas um ar meio estranho.

As atuaçoes sao até aceitaveis e podem ser consideradas boas, ja que os atores nao tinham muito o que fazer com os personagens que sao muito estereotipados e fracos.


Cyrus

Diretor: Mark Duplass e Jay Duplass, Ano: 2010, Pais: Estados Unidos, Visto em Montreal.

Com um jeito muito experimental, Cyrus até que tem suas qualidades, como o fato de evitar soluçoes de trama faceis e obvias e a imparcialidade. Mas a historia é muito fraquinha e nao se sustenta, e o jeito de “olha como eu sou indie, a camera nao para de tremer” é bem desnecessario. Os constantes close-ups e desfoques tambem sao muito estranhos, ja que nao tem funçao alguma. Parece que o diretor mandou o cameraman fazer um dos dois a cada 5 minutos, e os dois juntos a cada 10.


Gainsbourg: Vida Heroica

Diretor: Joann Sfar, Ano: 2010, Pais: França, Visto em Montreal.

Fui assisti-lo curiosa com a historia de Gainsbourg e suas musicas, e mesmo que tenha aprendido bastante sobre ele, fiquei entediada como poucas vezes fico durante um filme.

Exageradamente longo (130 minutos) e com uma direçao que deixa a historia devagar e pouco fluente, fica dificil se interessar pela vida do cantor, e os aspectos mais interessantes de sua personalidade nao sao tao bem mostrados,e diria que faltam algumas historinhas bem interessantes que deixariam o filme mais divertido.

A mistura com animaçao e a ideia do alter-ego até que sao recursos interessantes que poderiam ter dado certo, mas do jeito que foram usados so ridicularizaram o filme, e dificultaram leva-lo a sério.


Dois Irmaos

Diretor: Daniel Burman, Ano: 2010, Pais: Argentina/Uruguai/França, Visto em Juiz de Fora.

So fui ver esse filme por causa da falta de opçao em Juiz de Fora, e um pouco por curiosidade mesmo. Por ter assistido com amigas, ele nao foi tao chato quanto poderia ser, mas ainda assim é dispensavel.

Com personagens estereotipados, historia boba e sem ritmo, Dois Irmaos so tem de interessante é a boa atuaçao do irmao, Antonio Gasalla, e o fato de conseguir se equilibrar entre comédia e drama bem. Mas os dialogos sao bem irritantes e o excesso de antipatia pela irma é incomoda, ja que sempre acho ruim quando a propria historia condena os seus personagens, e tambem porque ha um certo puxa-saquismo com o irmao. Basicamente, muito parcial.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um Filme Tao Grandioso Quanto Um Sonho



Inception conquistou o publico e a critica, sendo descrito como “fodao” por um, e “obra-prima” pelo outro.

Christopher Nolan demonstra que é um otimo diretor e tem muito controle sobre as cenas, nos entregando cenarios e sequencias bem bonitos. Além disso, podemos ver que ele se esforçou para criar um roteiro e trama inteligentes e sair do mainstream de blockbusters de açao que sao so explosoes e pronto. Nessa questao, concordo com o que as pessoas tem dito sobre esse ser o começo dos blockbusters de autor, e acho isso algo muito bom. Se chegarmos ao ponto que os filmes de sucesso vao ter de fato boas direçoes e mais personalidade havera uma consideravel melhora de qualidade no cinema hollywoodiano.

Mas eu so tenho um paragrafo elogioso a entregar a Inception. É um filme interessante que deve ser visto, mas nao é nem « fodao », muito menos uma « obra-prima kubrickiana », como ja li.

Por tras de todo o novo mundo elaboramente criado e a tal historia rapida e complexa, na verdade nos deparamos com um material muito didatico e, mesmo que nao pareça, conservador.

Personagens fracos e todos com uma especifica razao de ser (Ellen Page é o quadro negro para que nos ensinem como tudo funciona, cada membro da equipe so existe para executar as suas funçoes e Marion Cotillard esta la apenas para aumentar o perigo e dar ao filme um lado sexy e romantico), o que gerou interpretaçoes fracas tambem, salvo DiCaprio, que esta bem correto e faz o possivel com o seu personagem ruim.

Mesmo que Nolan queira nos estontear com sequencias de tirar o folego e nos levar para um universo paralelo, ele nao foi ousado o suficiente para deixar a historia fluir normalmente, e colocou milhares de cenas explicativas para tudo. Nos conta, como num filme infantil da Disney, o modo de se infiltrar na mente de alguem, porque o DiCaprio era complexado, e todo o seu background. Ainda abusa de flash-backs, ja que resolveu ir contando a historia meio que em retalhos para dar um ar ainda mais confuso, fazendo com que o espectador so entenda as coisas depois de ter visto cenas relacionadas a elas.

Temos, afinal, uma fabula de retorno à familia. Bem, na verdade nao. Inception quer ser um thriller psicologico de açao com um lado romantico-familiar, e entao engole goela a baixo quinhentos temas e idéias sem nem mastigar. Nolan pode dirigir cenas muito bem, mas nao é um maestro de conflitos como Otto Preminger, e Inception mesmo tratando de menos temas que Anatomia de um Assassinato, nao sabe sintetiza-los, e fica tudo meio frouxo. Isso ainda chama atençao para um roteiro nao tao bom assim, e mais ainda para o seu conservadorismo em relaçao a conflitos gerais e entre os personagens.

Aos meus olhos, nao adianta desfarçar. Inception tem uma embalagem bonita e chamativa, mas seu conteudo é meio oco. Um filme psicologico deve ter no minimo personagens e conflitos bem desenvolvidos e complexos, em vez de se apoiar em frases de efeitos e dar um significado exagerademente profundo a tudo. Ele é mais uma grande brincadeira com efeitos especiais e o amplo universo da mente, o que impressiona a muitos. Mas, na minha opniao, uma verdadeira obra-prima, um roteiro de fato inteligentemente elaborado esta mais proximo de um filme do Truffaut sobre a vida cotidiana do que algo pretensioso que morde mais do que consegue mastigar.

Para disfarçar o banal final feliz, Nolan ainda fala “espere, ainda nao acabou”, e fecha a historia deixando-a em aberto, um recurso que eu gosto, mas que foi usado mais para dar um golpe final no publico e deixa-lo mais tonto com a incerteza de tudo, nao porque era necessario.

Esse é apenas o segundo filme que vejo do Nolan, mas o acho cheio de potencial, e acredito que ele possa ser um grande diretor no futuro. É preciso, no entanto, mirar até onde alcança. E para fazer uma “obra-prima kubrickiana”, nao basta apenas saber lidar com imagens, mas tambem com cada detalhezinho da historia.

Diria que Inception é tao grandioso quanto um sonho. Pode ser impressionante no momento em que é assistido, mas no fim das contas é um conjunto de muitas coisas que nao fazem muito sentido e nao tem nenhuma importancia de fato na sua vida. Pelo menos nao na minha.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Rio de Janeiro/Juiz de Fora, Cinema e Eu

Como ja foi dito no meu primeiro post, vim para Montreal por apenas um ano. A principio essa seria a duraçao da vida do blog, que era mais uma forma d'eu registrar as minhas opnioes ao ver filmes importantes (ou nao) e de me ajudar a aprender mais sobre cinema.

Tendo esses objetivos cumpridos e o tempo em Montreal acabado, o blog acabaria tambem. Mas justamente por ele ter dado tao certo, vou mante-lo até o final de 2010, talvez inicio de 2011, para me dar tempo de fazer as listinhas de piores e melhores filmes vistos no ano.

Tenho inclusive a ideia de começar um blog em ingles para poder, quem sabe, atingir um publico maior. E tambem porque o meu portugues esta muito ruim. (Falei que o filme era cheio de pretenciosidade outro dia)

Em breve voltarei à minha vida dupla indo e vindo do Rio para Juiz de Fora. Antigamente eu ficava feliz com os filmes do Rio quando saia de JF, mas vindo de Montreal agora vai ser meio deprimente. So espero que os meus amigos canadenses sejam legais o suficiente para nao jogarem na minha cara que ja viram tal filme aqui que so vai chegar no Brasil meses depois. Esperança falsa, though.

Anyway, o nome do blog continuara o mesmo para nao ficar confuso (e tambem porque é mais cool assim, hehe) e eu continuarei a postar normalmente. Vou demorar a publicar algo novo porque minha vida vai estar meio corrida, mas ja fiz anotaçoes sobre Inception (que eu vi e voce nao) e trabalharei numa critica completa o mais rapido possivel. Tambem tenho planos de fazer mini-criticas de varios filmes do Herzog, Kubrick e da filmografia completa do Truffaut. E obviamente, eu vou ficar enrolando e nao vou publica-las nunca. Digo, serao escritas com capricho e o mais rapido possivel.

Mas o que é deprimente mesmo é sair de Montreal poucos dias antes de uma mostra de filmes do Akira Kurosawa e do Christopher Nolan no Cinema du Parc, e de uma sessao de Metropolis no cinema com musica ao vivo. Mas nem ligo. Sou muito mais ficar assistindo filme ruim na telinha do aviao. No meu ultimo voo vi Crepusculo, que é o melhor filme anti-insonia existente. Ja estava no décimo sono quando é revelado que ele é um vampiro.

Anyway, uma coisa eu posso prometer. Em ordem a passar em portugues (isso ta errado, né?), vou aprender a lingua de novo, e parar de falar e escrever coisas como "defensa".

Ou talvez eu va viver numa caverna isolada da civilizaçao, rodeada apenas por filmes e posters de filmes.

OBS: Coincidentemente, publiquei extamente o mesmo numero de posts nas duas metades do meu tempo aqui.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"I feel like I'm in some John Hughes film"


A primeira vez em que ouvi o nome John Hughes foi na musica Seventh Grade Dance da banda Smash Mouth que falava: I feel like I'm in some John Hughes film. Para entender melhor a letra, fui pesquisar quem ele era. De todos os seus trabalhos reconheci apenas o Esqueceram de Mim, que ele so produziu. Mas nunca tinha ouvido falar em nenhum dos seus filme dos anos 80. Continuei sem entender muito a musica.

Pouco tempo depois, o diretor morre aos 59 anos. Com isso, li alguns artigos sobre ele e comecei a entender melhor a sua importancia. Em fevereiro tivemos um dia de aula que era meio bagunça, e a minha professora de ingles (que by the way nunca mais falou do tal irmao que trabalhou em Avatar) passou para a gente metade de O Clube dos 5. Curiosamente, boa parte das pessoas ja conheciam o filme e gostavam muito.

Depois disso assisti 3 de seus filmes. De inicio o achei meio bobinho, mas agora estou começando a respeita-lo, e até a adimirar o seu trabalho.



Gatinhas e Gatoes

Essa foi na verdade uma boa escolha para ser o meu primeiro filme inteiro do Hughes. Ruim o suficiente para nao me deixar com expectativas para os outros, e bom o suficiente para nao fazer com que eu desista de assistir mais.


Mas basicamente, ele é um filme bem fraco. Tendo como titulo original Sixteen Candles (16 velas), é de se esperar que o filme seja todo em torno do déceimo sexto aniversario da protagonista. Errado. Se passa em mais de um dia, um deles é sim o aniversario dela, mas em vez de se focar nas expectativas da personagem e todo o endeusamento por volta do aniversario de 16 anos, a historia é mais sobre crises gerais dela, com coadjuvantes demais e muitos sub-plots. O resultado é um roteiro bem bagunçado, excessivo, e consequentemente, cansativo. Alem de estarem em uma quantidade muito grande, os personagens tambem sao bem chatinhos e estereotipados.


Apesar de tudo, o ele é assistivel, mesmo sem ser muito agradavel. A principal qualidade dos filmes de Hughes é a facil identificaçao que os adolescente sentem com eles. Nesse caso eu diria que o que ganhou a simpatia deles foi a mudança de papeis entre os personagens, como o fato da menina ficar com o cara popular no final. Se isso hoje é o cliche dos cliches em filmes para adolescente, naquela época provavelmente era novidade.



O Clube dos Cinco


Sendo um dos principais filmes do Hughes (empatado com Curtindo a Vida Adoidado), ele me decepicionou bastante.


Nao nego que a ideia seja bem boa, nem que ele tenha uma conexao com os adolescentes muito grande. Nesses pontos ele se sai muito bem. Mesmo tendo personagens muito estereotipados, e uma mensagenzinha de esquecer as diferenças, ele consegue trabalhar esses elementos bem o suficiente para que nao fiquem muito caricatos. Mas o que realmente conquista os adolescentes nesse filme é a ideia de que todos eles tem mais ou menos os mesmos problemas e crises e que eles nao estao sozinhos. Isso é deixado tao claro que tem ate uma sequencia de cenas com os cinco personagens dançando ao som da musica « You Are Not Alone”.


O que me leva as razoes pelas quais eu me decepcionei com o filme. Todas elas se relacionam a uma coisa : falta de sutileza. Todas as ideias apresentadas tem que ser claramente estabelecidas, nada é discreto ou construido com calma. Boa parte das cenas sao meio simbolicas, tendo como unica funçao mostrar tal caracteristica sobre tal personagem. O uso da trilha Sonora com as imagens é muito mal feito. Da pra ver que se esforçaram, mas muitas vezes uma musica começa a tocar para estabelecer um certo clima, e logo acaba do nada, deixando as transiçoes de cena meio quebradas.


O filme é, no entanto, discreto em uma pequena coisa: a incerteza se eles vao continuar amigos na segunda-feira, quando estiverem na escola com os seus respectivos grupinhos, ou se tudo vai voltar ao normal depois dessa detençao que a principio mudou as suas vidas. Nao sei se Hughes pretendia deixar isso em aberto dando ao filme um lado cinico, mas a decisao de acabar a historia nesse ponto, sem ter um post-plot mostrando o que aconteceu depois, é sabia.



Curtindo a Vida Adoidado


Se eu nao estivesse em um lugar sem aparelho de DVD (sou tao nomade que ja morei em 3 apartamentos diferentes so em Montreal) provavelmente nao teria visto esse filme tao cedo. A questao é que estava procurando coisinhas para baixar, e Ferris Bueler apareceu na minha listinha infinita de filmes para assistir. O escolhi porque achei que seria algo leve e minimamente make-you-feel-good.


Nao poderia estar mais certa. Dos dois outros filmes filmes que levantaram o meu animo nesse ano (Conta Comigo e Alta Fidelidade), esse é com certeza o mais agradavel, mesmo que nao seja o melhor.


Se nao fosse por ele, talvez Hughes ainda nao tivesse o meu respeito. Assim como os outros dois filmes que citei acima, o que me conquistou no Ferris Bueler foi a simplicidade e falta de pretensao. Sem contar, é claro, com o proprio Ferris Bueler. Matthew Broderick nao é bonito, mas tem carisma e charme simplesmente impressionantes. Talvez sua incrivel performance seja mais por um casamento perfeito entre ator e personagem, mas acho que é mais do que isso. Ele realmente tem uma presença de cena muito forte e uma dicçao invejavel.


A historia, assim como todo o resto, é a melhor d’entre esses tres filmes do Hughes. Um menino resolve matar aula pela milésima vez no ano e nos somos pessoalmente convidados para passarmos o dia com ele. Durante o filme Ferris conversa conosco varias vezes, mas o recurso de narraçao nao é usado, so a meta-linguagem é, nos dando o papel de confidentes.


Alem disso, o roteiro tem um ritmo excelente. Tudo vai simplesmente acontecendo, de uma forma extremamente natural. As coisas impossiveis (ex: a popularidade absurda de Ferris) sao feitas com cuidado e tratadas como se fossem algo normal. Nao ha espaço para reclamar que era impossivel escapar de tal situaçao. A cena que serve melhor de exemplo é quando Ferris canta Twist & Shout no meio de um desfile na rua. É como se fosse um filme de fantasia, so que sem magica.



Em aspectos técnicos, John Hughes esta longe de merecer muitos elogios. Seus roteiros e personagens sao relativamente frageis. Mas é preciso parar para pensar. Esses filmes foram feitos nos anos 80, quando nao tinha nem celular, nem internet. Muitas pessoas da minha escola os conhecem e adimiram muito. Provavelmente se identificam com eles tanto quanto os adolescentes que foram os primeiros a ve-los. Nao da para ignorar isso.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Toy Stories

Ja estava com a ideia de fazer um post com criticas de todos ou quase todos filmes da Pixar. Esse em si vai ficar para um outro dia, mas aproveitei a estreia de Toy Story 3 para fazer criticas de todos os 3 filmes. Minha ordem de melhor para pior vai na sequencia cronologica. Peço desculpas por ter sido mais resumida nas criticas dos dois primeiros, especialmente do segundo, mas por ter visto o terceiro ha menos tempo e este ser o que fecha o ciclo, senti a necessidade de escrever mais sobre ele.



Ano: 1995
Diretor: John Lasseter

Toy Story 1 nao so é o primeiro filme da Pixar e o pioneiro em animaçao 3D, mas tambem é o seu melhor filme na minha opiniao. Wall-E é o dono desse posto para a maioria das pessoas, mas eu sinceramente o acho fraquinho. Toy Story se sai muito melhor com uma historia mais criativa, mais ritmo, personagens mais complexos e com issues mais interessantes tambem. Enquanto Wall-E trata do cliche de que a sociedade é uma porcaria e que temos que proteger o meio ambiente, Toy Story consegue retratar problemas pelos quais todo ser humano passa, so que com brinquedos.

A ideia de um brinquedo novo chegar e todos os outros ficarem impressionados com ele e haver uma rivalidade entre ele e o brinquedo que ja era o lider é algo na verdade muito comum na vida real. Muita crianças ja passaram pela experiencia de ver uma nova pessoa chegar na turma da escola e ficar com medo de ter seus amigos roubados por ela.

Com essa e outras situaçoes presentes no filme, a Pixar se mostrou capaz de contar uma historia coerente com a vida imaginada para os brinquedos, e ao mesmo tempo retratar problemas que crianças e adultos vivem.

Uma das melhores cenas é quando Buzz tenta voar e cai. Ela nao so é bonita visualmente, mas again, retrata algo pelo qual todos passam: a desilusao e a dolorosa volta à realidade.

Mesmo tendo uma historia mais linear, gosto de colocar esse Toy Story junto com Meu Vizinho Totoro e Onde Vivem os Montros, dois outros filmes infantis que tambem sao complexos, possuem personagens vivendo crises, estao muito acima da média de filmes para crianças e nao tem uma moral ou liçao para passar. Eles procuram mais entender os sentimentos das crianças e pessoas do que ensina-las alguma coisa.



Ano: 1999
Diretores: John Lasseter, Lee Unkrich & Ash Brannon

Sequencias nao costumam funcionar muito bem. Principalmente pelos fatos da ideia ja ter perdido a graça e estar gasta e de serem feitas apenas para ganhar dinheiro na maior parte das vezes.

Esse nao é o caso de Toy Story 2. Ele é sim inferior ao primeiro, mas continua tendo um otimo timing e mostrando problemas passados por pessoas tambem. Acho que a principal diferença entre os dois é que Toy Story 1 é melhor num todo, e Toy Story 2 é composto por muitas cenas excelentes, relativamente separadas.

Uma das melhores é quando Jessie fala sobre a sua ex-dona. Mesmo sendo um clipe no meio do filme, ela consegue ser nostalgica, bonita e retratar bem os sentimentos da boneca. Tenho que admitir que sinto um aperto no coraçao sempre que a assisto. Alem disso, essa cena é um exemplo perfeito da teoria do Hitchcok de que é preferivel mostrar do que falar algo em um filme.




Ano: 2010
Diretor: Lee Unkrich

11 anos mais tarde, Pixar lança o ultimo filme da serie, que no começo foi inclusive feito contra a vontade deles. O projeto inicial estava nas maos de um estudio da Disney, mas felizmente foi passado para a Pixar depois.

Pela primeira vez na vida, as minhas expectativas estavam ao nivel perfeito. Altas o suficiente para nao esperar muito pouco, e baixas o suficiente para nao querer muito. Toy Story 3 é provavelmente a melhor terceira sequencia que poderia se esperar.

Nao, falar assim é um certo exageiro, ja que nao acho que o filme seja perfeito. Mas nunca esperaria perfeiçao do terceiro de uma serie, portanto quase que da para fazer esse statement.

A Pixar conseguiu ainda aproveitar mais aspectos da vida dos brinquedos, tendo uma abertura incrivel. As primeiras cenas sao excelentes, desde o Andy criança imaginando um mundo inteiro enquanto brincava, passando pelas novas crises que os brinquedos estao vivendo, ate eles chegarem ao Sunnyside, onde de cara promete ser o paraiso.

Logo temos a cena na qual as crianças menores destroem os brinquedos. A minha aposta é que em uma semana veremos uma materia no jornal com o titulo "Doaçoes de brinquedos diminuem em 90%". E espero ve-la mesmo, porque se as crianças nao se recusarem a doar os seus brinquedos para aqueles monstrinhos depois de ver essas cenas vai ser uma prova de que elas nao tem coraçao.

Mas isso é irrelevante à minha critica. Depois que os brinquedos chegam em Sunnyside o filme se perde um pouco. Continua acima da média dos filmes infantis, mas o roteiro revela ter umas barriguinhas e toda a crise de cumprir o seu dever ou fazer o que voce quer apresentada no começo é meio esquecida para dar espaço à açao.

O climax é meio longo e fica adiando muito o final, e ainda temos a explicaçao de porque o vilao é o vilao, coisa que eu nao sou muito fa(til). Mas tudo isso é perdoavel, até porque Lotso continua mal, coisa que nao é costume na maioria das historias.

Mas nao é so por isso. Todos esses defeitos do filme sao perdoaveis porque ele continua dando de mil nesses filmes bobinhos produzidos pela DreamWorks, 20th Century Fox e até a propria Disney. Mesmo tendo uma historia mais simples que os outros dois Toy Stories ele ainda tem esse pano de fundo psicologico, e uma nostalgia sempre presente. Uma nostalgia leve, discreta, bonita e nem um pouco melosa. Afinal, o filme nao so é sobre despedidas e o inicio de uma nova vida, mas é tambem a propria despedida da Pixar dos seus primeiros personagens, daqueles que originaram tudo o que eles fizeram desde entao.

O postplot e as ultimas cenas terminam o filme de um jeito feliz e despreocupado, mas a historia em si é fechada de uma forma muito bonita e leve, quando Andy percebe que o melhor a fazer era passar os brinquedos adiante, e os da para a menina, mesmo ele querendo manter o Woody por mais um tempo.

Consigo imaginar a Pixar nessa mesma cena. Dando adeus ao Toy Story, ja com saudade, mas entendendo que é necessario. Talvez o maior trunfo do filme seja essa coincidencia (ou nao) do tema com o momento.


P.S.: Chutar a apontar toda vez que o Totoro aparece no filme nao é uma coisa infantil de se fazer nao, né?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

3 filmes em 1 dia

Na ultima quinta feira fiz algo um pouquinho diferente. Assisti 3 filmes em um dia so, sendo que eu fiz um exam de manha(til). Mas a parte que me impressionou mais foi que o mais velho desses filme é de 1992, e todos sao coloridos. Sério, isso é estranho para mim. Mas eu estou com 2 Fellinis, 1 Fritz Lang e 1 Win Wenders, que é mais novo, mas os outros sao todos em preto e branco, entao estarei voltando ao normal.

Fiz meio rapidamente mini-criticas desses filmes porque eles estavam bem fresquinhos na cabeça e eu sabia bem o que falar deles, e para mandar o blog minimamente atualizado tambem.

Ah, eu nao preciso de rehab, nao, ok.

Alta Fidelidade


Diretor: Stephen Frears
Ano: 2000

Meus pais sao fas desse filme e da trilha sonora, entao eu ja conhecia algumas das musicas e tinha um interesse em assiti-lo.

Fui ve-lo sem altas expectativas e sabendo que era um filme meio bobo, o que deu muito certo. Nao é nenhuma obra-prima nem nada, mas é um filme muito, digamos, gute. A historia é bobinha mas é simpatica, assim como todas as caracteristicas do filme. Ele tem uns probleminhas de roteiro e o final é meio bobinho demais, mas isso nao faz diferença nenhuma. John Cusack nao é um ator genial, mas caiu perfeitamente nesse papel. Desde a primeira cena gostei dele. Esta cheio de carisma e funciona muito bem. O outro grande trunfo do filme é a sua maravilhosa trilha sonora que eu nao consigo parar de ouvir. Muito bem escolhida e combina perfeitamente com o resto do filme.

Esses dois fatores e todo o jeito despretencioso do filme o tornam super agradavel e bom de assistir. Recomendo fortemente, mas tenha certeza de ter a trilha sonora a mao antes de assisti-lo, senao voce vai ficar doido procurando as musicas para ouvir depois.

Ja até me mandaram ir pro rehab porque nao paro de escutar as musicas. Por que todo mundo acha que eu sou viciada?!! As minhas favoritas sao "I'm Wrong About Everything", "Always See Your Face" "I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever)" (que é muito melhor que o titulo, eu juro) e "Let's Get It On", com a inesperavelmente otima voz de Jack Black, que tambem esta com um performance correta no filme, em vez de irritante como sempre.


Caes de Aluguel


Diretor: Quentin Tarantino
Ano: 1992

Ja tendo visto e nao gostado do Pulp Fiction, nao tinha muitas esperanças com esse, mas queria assistir de qualquer jeito porque eu tenho essa obsessao de assistir a filmografia completa de todos os diretores minimamente importantes existentes. Again, eu nao preciso de rehab.

O primeiro filme de Tarantino é ruim pelas mesmas qualidades que o segundo. A diferença é que é mais simples e menos pretencioso. A historia tem menos malabarismos em vez das mini historinhas nao tao relacionadas de Pulp Fiction. Mas a falta de ritmo, o excesso de referencia à cultura pop e o fucking dialogo cheio de fucking fuck words é o mesmo.


Quero Ser John Malkovich


Diretor: Spike Jonze
Ano: 1999

Sempre tive curiosidade em ver esse filme por dois motivos: sua historia maluca e a pariticpaçao inusitada de John Malkovich, a quem eu sou muito simpatica.

E essas sao as razoes de fato para assistir Quero Ser John Malkovich. Muito bem feito, com atuaçoes bem corretas (John Cusack esta bem, nao tanto quanto em Alta Fidelidade, fazendo o papel de loser, mas sem ser genial nem nada), roteiro com otimo timing, e uma auto ironia e senso de ridiculo muito bons. O proprio filme nao se leva a serio e meio que se ridiculariza. Mesmo com a historia mais sick e drugs que ja vi na vida, ele consegue passar muito longe do trash e contar tudo de um jeito quase que normal.

Parabens especiais para o Malkovich que concordou em participar dessa doideira e assim como o filme, ri de si mesmo, e para Spike Jonze que é o diretor e se mostra mais interessante cada vez que vejo um de seus filmes.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Yes, We Cannes! ...maybe

Peço desculpas pela demora em postar... de novo. Minhas aulas acabaram ha pouco tempo e estou em temporada de exams, e mesmo eu estando na verdade tranquila de tempo eu nao estava muito inspirada para escrever. By the way a data do post nao é do dia que eu escrevi e publiquei. Eu comecei a prepara-lo ainda em maio, mas so coloquei os cartazes dos filmes na verdade. Tudo foi escrito hoje, dia 11/06/2010.

Como sempre, eu prometo que vou postar com mais frequencia. E como sempre, nao vou comprir.

Aqui estao as criticas dos dois ultimos filmes que vi no minifestival de Cannes no Cinema du Parc. Depois de ver essa pequena amostra de vencedores de Cannes cheguei à conclusao que esses filmes sao premiados mais pelo impacto da época e criatividade do que por qualidade em si. Fiquei com a sensaçao que os juris vao mais pelo "calor do momento". Mas provavelmente estou errada, afinal eu sou uma pirralha que nao sabe de nada e reclama de obras primas incontestaveis, entao nao ligue para o que eu digo. Ah, e se o filme tiver o Harvey Keitel as chances melhoram tambem, ja que 3 dos 5 filmes que vi tinham a sua participaçao (Taxi Driver, Pulp Fiction e O Piano).

By the way, se voce ama Tarantino/Pulp Fiction, por favor pule direto para a critica de O Piano.


Pulp Fiction


Diretor: Quentin Tarantino
Ano: 1994

Pulp Fiction é um filme muito respeitado que eu era doida para ver ha muito tempo mas morria de medo por causa da famosa violencia explicita do Tarantino. Gostaria de ter conhecido alguem que tivesse visto o filme ha pouco tempo que pudesse me dizer que o filme nao é tao violento nem tao explicito assim. Claro, pessoas com um estomago muito fraco provavelmente vao ficar incomodadas, mas eu que me assusto com qualquer coisa (as vezes dou um gritinho so porque alguem me cutucou de leve) achei a violencia muito light demais e fiquei extremamente decepcionada. Se a violencia Tarantino é leve assim eu vou assistir Laranja Mecanica e O Iluminado logo.

Alem da decepçao com a falta de violencia, fiquei tambem extremamente impressionada com a pobreza do roteiro e do filme todo no geral. Entendo que ele tenha chamado atençao por ser muito diferente, e tambem entendo todo esse lado do Tarantino de fazer referencias a filmes B com mais recursos etc, mas nao consigo entender de jeito nenhum como Pulp Fiction é considerado uma obra prima. O tal roteiro genial do Tarantino na verdade é uma bagunça total, com um cruzamento de historias mal feito e super arrastado. O dialogo genial tambem nao é tudo isso. No inicio até o achei fluente, mas as mini historinhas começam a ficar muito longas e perdem a graça e mostram ter um timing terrivel com um dialogo longo demais e cheio de fuck demais. Fiquei umas 24 horas sem conseguir fazer uma frase inteira sem falar fuck, fucking, shit e motherfucker. Desnecessario. Alem de perceber que o dialogo era pobre depois de algumas cenas, tambem percebi que todos os personagens falam do mesmo jeito. A unica diferença é o nivel de fuck de um para outro.

O humor trash meio negro tambem logo cansa. Muitas das coisas me fariam morrer de rir normalmente, como por exemplo a morte idiota do John Travolta, ou quando eles acidentalmente atiram e matam o cara no banco de tras do carro. Mas tudo fica muito previsivel e repetitivo depois de vermos as primeiras historinhas e entendermos o estilo da coisa.

Tudo é caricato demais, incluindo as atuaçoes. O unico aspecto do filme que se salva é o John Travolta, que esta otimo. Ele é o unico que conseguiu compor bem o seu personagem no meio dessa bagunça toda, sem ficar fora do estilo trash do filme. Qualquer um que nao goste do Travolta pelo seus tempos de Grease deve ver Pulp, que é a prova dos seus skills como ator.


O Piano


Diretora: Jane Campion
Ano: 1993

Tinha vontade de ver esse filme ha muito tempo so por causa da Anna Paquin, a quem eu sou muito simpatica nao sei porque, e pela sua performance que a tornou a segunda mais jovem atriz a ganhar um Oscar.

No entanto, O Piano é muito mais que isso. A atuaçao de Paquin nem é tao boa assim. Nao é ruim, até considerando que ela era uma criancinha, mas continuo achando Max Records o maior no quesito atuaçao infantil. Anna atua bem, mas é mais fofa que boa atriz.

Quanto ao resto, o filme tem altos e baixos. Visualmente é simplesmente belissimo. Nao posso descreve-lo com uma palavra diferente de stunning. Ja o roteiro e a historia em si meio que se perdem. Tem bons momentos, mas o final é muito ruim e acaba com todo o clima de repressao e solidao do filme, o que afeta muito o produto final e o impacto no espectador.

Jane Campion me convenceu que é uma boa diretora (muito melhor do que o seu recente meloso e sem graça Brilho de Uma Paixao) e tem uma boa mao para construir o clima da historia, que é feito com maestria. A cena na qual o marido se revolta e SPOILER corta o dedo da protagonista é pesada, dramatica mas linda. A cena mais marcante de todo o filme e resultado de um direçao de primeira.

Foi de longe o melhor filme que vi nesse minifestival, mesmo que O Piano tenha parecido melhor enquanto eu assistia do que agora. Acho que a principal questao é que a direçao de arte e a fotografia sao tao belas que todos os outros problemas do filme ficam meio para tras. So consigo pensar naquela floresta escura e umida com alguns tons mais claros fazendo um contraste lindo, mas nao obvio.


Coming Soon (or not):
Kubrick's
Herzog's
Alta Fidelidade, Caes de Aluguel e Quero Ser John Malkovich