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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Alguns Filmes Interessantes


Peço desculpas pelo meu atraso com o blog, e aviso que vou atualiza-lo mais frequentemente durante as férias ou, pelo menos, o maximo que puder. Tenho ideias para posts mais interessantes, mas para andar mais rapido, resolvi escrever apenas essas mini-criticas sobre os filmes mais interessantes que vi recentemente.



Menina de Ouro
Diretor: Clint Eastwood
Ano:2004

Menina de Ouro parece ser um tipico filme americano sobre um(a) pobre coitado(a) que luta para realizar o seu sonho que é a principio impossivel. Com uma boa direçao e um bom ritmo, o filme segue essa linha e os cliches do genero até a sua ultima meia hora. A partir desse momento, no entanto, sua historia traz questoes mais interessantes e polemicas a tona, alem de ser o climax da relaçao treinador/lutadora entre os personagens de Clint e Hillary, que na verdade era uma relçao mais de pai e filha. Clint, que nao foi nem um ator nem um diretor muito sutil durante todo o filme, esbanja delicadeza nas cenas no hospital, retratando o carinho, cuidado e culpa sentidos por seu personagem com muita beleza, além de mostrar ter olhos muito mais expressivos do que aparentava ter. É por ter escolhido terminar a sua historia com idéias raras aos filmes americanos burocraticos que Menina de Ouro se diferencia dos outros, e merece ser chamado de “muito bom”.



Tropa de Elite
Diretor: José Padilha
Ano: 2010

Ha muito o que se dizer sobre Tropa de Elite 2, mas eu nao tenho um post inteiro para ele, entao serei resumida.

Questoes politicas e sociais à parte, o filme prova, ou relembra, que o Brasil  tem condiçoes de fazer bons filmes, tanto tecnicamente (com boa qualidade de som, imagem etc.) quanto artisticamente, digamos. O roteiro e direçao muito bons e continuos e sua historia bastante complexa compensam o seu tom de denuncia que é meio incomodo. Usa o recurso de narraçao corretamente, e consegue juntar varias questoes sociais e pessoais fazendo um mosaico composto por temas diferentes de nivel tao alto que me lembrou do Anatomia de um Assassinato. Wagner Moura é um show a parte, e eu que ja o achava muito bom, fiquei convencida de que ele é possivelmente o melhor ator brasileiro de hoje. So nao falo isso com mais segurança porque por termos um mercado de cinema pequeno fica dificil ver o nosso nivel de atuaçao em filmes. Mas se tivermos alguem que tenha mais presença de cena e consiga trazer mais complexidade a um personagem que o Wagner, precisamos valoriza-lo muito.


A Gardenia Azul
Diretor: Fritz Lang
Ano:1953

Mesmo tendo visto poucos dos seus filmes, respeito muito Fritz Lang, que nao so é capaz de criar cenas visualmente incriveis mas tambem comanda historias com uma fluidez impressionante. É por causa dessas caracteristicas que A Gardenia Azul nao é um filme chatinho e banal. Mesmo tendo uma historia bem sem graça, personagens fracos e um desenrolar bem tosquinho, tudo parece mais interessante e charmoso por causa da direçao de Lang, da musica de Nat King Cole e do titulo, que é, para mim, inegavelmente atraente.




Homem Urso
Diretor: Werner Herzog
Ano: 2005

É possivel perceber que Herzog é uma pessoa interessante, criativa e completamente pirada ao ver praticamente qualquer um dos seus filmes. Um bom exemplo disso é Fitzcarraldo, que é basicamente a historia de um homem doido sendo contada por outro mais doido ainda, de uma forma tres vezes mais doida. Homem Urso so é diferente porque é um documentario e as imagens impossiveis nao foram filmadas pelo propiro Herzog, mas sim pelo proprio maluco, objeto de estudo dessa vez. Mas justamente por serem cenas, digamos, autenticas, o filme se torna intrigante e trata de temas ja explorados em Fitzcarraldo de forma menos artistica, mas talvez mais eficiente por ser uma historia real. A ambiçao e paixao de Fitzcarraldo, as suas idéias impossiveis e a tentativa de ultrapassar limites da natureza sao tambem caracteristicas de Timothy Treadwell. No primeiro filme somos levados por uma loucura ficticia, que no segundo nos faz refletir sobre varias questoes quando descobrimos que alguem de fato amava ursos o suficiente para passar meses com eles sozinho. Isso sem levar em consideraçao todas as diferentes formas de olhar para a historia que Herzog tenta mostrar, como do ponto de vista ambiental, social, psicologico, e, apontado pelo proprio diretor, cinematografico. O Homem Urso nao é apenas um documentario muito bem realizado, mas é tambem profundo e complexo com as questoes que trata, e cheio de imagens e fatos incriveis, mostrando que realidade e arte podem juntos gerar trabalhos belissimos.



Pretty Baby-Menina Bonita
Diretor:Louis Malle
Ano: 1978

O mais interessante em Pretty Baby é o fato de que por mais que hoje “se veja de tudo”, jamais poderiamos fazer um filme como este. Podemos estar acostumados com cenas explicitas de sexo e violencia, mas as entidades protetoras de crianças nao permitiriam Brooke Shields interpretar esse papel e, se deixassem, o filme ia provavelmente ser rejeitado pela sociedade por ser “um horror”, sem contar que iam critica-lo muito por expor uma criança de 12 anos sexualmente. Louis Malle merece, entao, muitos elogios por te-lo realizado, nao so por suas qualidades, mas tambem pelo seu timing historico perfeito, pois se o filme nao tivesse sido feito naquela época, sabe-se la quando poderiamos ver essa historia contada de forma tao interessante.

Malle narra com delicadeza, afastamento e nenhum vestigio de denuncia a vida de uma menina que nasceu num bordel e conviveu até os 12 anos com prostitutas e os seus clientes, e consequentemente, acha tudo muito normal. As coisas mudam quando um fotografo passa a frequentar o local para tirar fotos e os dois estabelecem uma relçao bastante incomum entre eles. O contraste de maturidade entre a personagem de Brooke e o fotografo é interessantissimo, porque pode-se ver que ela tem uma noçao maior de uma vida dificil do que ele, mas que é ao mesmo tempo extremamente infantil, inconsequente, e sem noçao em relaçao a quase todos os outros assuntos. Mas o proprio fotografo nao se safa disso, afinal ele acha possivel que funcione o casamento entre ele e a menina.

Pretty Baby é ao mesmo tempo ingenuo e sério. Nada que acontece parece possivel, mas acontece mesmo assim, e até que nos nao achamos tao estranho.




Contos da Era Dourada
Ano: 2010

Composto por 6 curtas, o filme romeno é bastante interessante e curioso, mesmo que seja cansativo de ver devido a sua longa duraçao e aos primeiros curtas que sao mais longos do que o necessario e menos interessantes. Mas vale a pena passar por alguns minutos de tédio para depois ver alguns contos interessantissimos e bem contados, como a historia sobre um jornal que tem que reeditar uma foto, uma outra sobre um homem que utopicamente faz de tudo para diminuir a taxa de analfabetismo do pais, e sobre uma familia que tenta matar um porco para poder come-lo. Mesmo assim, o produto final é afetado pelos curtas mais fracos, e o filme acaba valendo mais a pena para conhecer um pouco da cultura e historia romena (e ouvir palavras quase identicas ao portugues no meio de um monte de “ruidos”), tendo valores artistico e cinematografico mais baixos, mesmo que nao despreziveis.


Mary e Max
Diretor: Adam Elliot
Ano: 2009

Mesmo sendo limitado como filme por depender da narraçao, Mary e Max é quase uma pequena pérola. A narraçao o diminui, mas também nao seria possivel faze-lo sem ela, o que torna esse defeito perdoavel. Seu grande mérito é o jeito como conta a historia, que é muito pesada e dramatica, mas que por receber o formato de animaçao e o tom de humor negro durante quase toda a sua duraçao, tornou-se mais interessante, contida, e bonita. Bem que os dramalhoes poderiam pegar um pouquinho da delicadeza dele.


A Rainha
Diretor: Stephen Frears
Ano: 2006

Estou virando fa do Staphen Frears. Depois de ter visto o simpatico Alta Fidelidade, me deparei com um filme seu mais sério e complexo, e ele mostrou ter dirigido ambos muito bem. É claro que Helen Mirren é responsavel por grande parte da qualiade de A Rainha, mas conduzir uma historia tao parada e introspectiva nao é algo facil tambem. Frears conseguiu amarrar mil coisas juntas e se seu filme nao so é um documento historico, mas tambem é um retrato de problemas comuns a todo humano, como a (ou ausencia de) aceitaçao pelos outros, a (ou de novo, ausencia de) demonstraçao de sentimentos, problemas de comunicaçao e etc.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

3 filmes em 1 dia

Na ultima quinta feira fiz algo um pouquinho diferente. Assisti 3 filmes em um dia so, sendo que eu fiz um exam de manha(til). Mas a parte que me impressionou mais foi que o mais velho desses filme é de 1992, e todos sao coloridos. Sério, isso é estranho para mim. Mas eu estou com 2 Fellinis, 1 Fritz Lang e 1 Win Wenders, que é mais novo, mas os outros sao todos em preto e branco, entao estarei voltando ao normal.

Fiz meio rapidamente mini-criticas desses filmes porque eles estavam bem fresquinhos na cabeça e eu sabia bem o que falar deles, e para mandar o blog minimamente atualizado tambem.

Ah, eu nao preciso de rehab, nao, ok.

Alta Fidelidade


Diretor: Stephen Frears
Ano: 2000

Meus pais sao fas desse filme e da trilha sonora, entao eu ja conhecia algumas das musicas e tinha um interesse em assiti-lo.

Fui ve-lo sem altas expectativas e sabendo que era um filme meio bobo, o que deu muito certo. Nao é nenhuma obra-prima nem nada, mas é um filme muito, digamos, gute. A historia é bobinha mas é simpatica, assim como todas as caracteristicas do filme. Ele tem uns probleminhas de roteiro e o final é meio bobinho demais, mas isso nao faz diferença nenhuma. John Cusack nao é um ator genial, mas caiu perfeitamente nesse papel. Desde a primeira cena gostei dele. Esta cheio de carisma e funciona muito bem. O outro grande trunfo do filme é a sua maravilhosa trilha sonora que eu nao consigo parar de ouvir. Muito bem escolhida e combina perfeitamente com o resto do filme.

Esses dois fatores e todo o jeito despretencioso do filme o tornam super agradavel e bom de assistir. Recomendo fortemente, mas tenha certeza de ter a trilha sonora a mao antes de assisti-lo, senao voce vai ficar doido procurando as musicas para ouvir depois.

Ja até me mandaram ir pro rehab porque nao paro de escutar as musicas. Por que todo mundo acha que eu sou viciada?!! As minhas favoritas sao "I'm Wrong About Everything", "Always See Your Face" "I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever)" (que é muito melhor que o titulo, eu juro) e "Let's Get It On", com a inesperavelmente otima voz de Jack Black, que tambem esta com um performance correta no filme, em vez de irritante como sempre.


Caes de Aluguel


Diretor: Quentin Tarantino
Ano: 1992

Ja tendo visto e nao gostado do Pulp Fiction, nao tinha muitas esperanças com esse, mas queria assistir de qualquer jeito porque eu tenho essa obsessao de assistir a filmografia completa de todos os diretores minimamente importantes existentes. Again, eu nao preciso de rehab.

O primeiro filme de Tarantino é ruim pelas mesmas qualidades que o segundo. A diferença é que é mais simples e menos pretencioso. A historia tem menos malabarismos em vez das mini historinhas nao tao relacionadas de Pulp Fiction. Mas a falta de ritmo, o excesso de referencia à cultura pop e o fucking dialogo cheio de fucking fuck words é o mesmo.


Quero Ser John Malkovich


Diretor: Spike Jonze
Ano: 1999

Sempre tive curiosidade em ver esse filme por dois motivos: sua historia maluca e a pariticpaçao inusitada de John Malkovich, a quem eu sou muito simpatica.

E essas sao as razoes de fato para assistir Quero Ser John Malkovich. Muito bem feito, com atuaçoes bem corretas (John Cusack esta bem, nao tanto quanto em Alta Fidelidade, fazendo o papel de loser, mas sem ser genial nem nada), roteiro com otimo timing, e uma auto ironia e senso de ridiculo muito bons. O proprio filme nao se leva a serio e meio que se ridiculariza. Mesmo com a historia mais sick e drugs que ja vi na vida, ele consegue passar muito longe do trash e contar tudo de um jeito quase que normal.

Parabens especiais para o Malkovich que concordou em participar dessa doideira e assim como o filme, ri de si mesmo, e para Spike Jonze que é o diretor e se mostra mais interessante cada vez que vejo um de seus filmes.