quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Primeiro e o Último Truffauts

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Coincidentemente, peguei na biblioteca o primeiro filme do Truffaut (Les 400 Coups, Os Incompreendidos) e o último (De Repente num Domingo, Vivement Dimanche!). São completamente diferentes: 400 Coups é sério e meio autobiografico, e Dimanche é uma grande piada sobre os filmes de misterio.
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De qualquer jeito, gostei dos dois. Também dei uma pesquisada sobre o Truffaut e descobri coisinhas muito felizes sobre ele. :D Tá, talvez nao tao felizes assim, mas descobri que ele acabava com os filmes que fazia critica no Cahier du Cinema, revista na qual ele escrevia antes de virar diretor, e que se divertia muito mais falando mal deles do que elogiando (alguem me entende!!). Com isso fiquei mais a vontade para esculachar os filmes e também, mais simpatica a ele.
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Também adorei o que ele começou a fazer quando tinha 14 anos: saiu da escola e resolveu se auto ensinar. Seus objetivos escolares eram assistir 3 filmes por dia e ler 3 livros por semana. O problema é que os meus pais nao se animaram muito com essa ideia.
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No DVD do 400 Coups tinha alguns extras do Truffaut falando de como ele começou a fazer cinema, do Jean-Pierre Léaud (o menino do filme) em Cannes, o teste de camera dele, e outras coisinhas. O problema é que era sem nenhuma legenda, entao nao consegui entender tudo direitinho, mas depois de voltar a cena muitas vezes e perguntar para os meus pais o que eles estavam dizendo, consegui pegar a ideia principal.
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Com certeza vou pegar mais filmes dele na proxima vez que for na minha bibliotequinha queridinha do meu coraçaozinho, até para melhorar o meu frances e ficar mais a vontade na aula da minha professora doida cheia de bacterias nos dentes.

O primeiro filme que vi dele foi Jules e Jim, na metade do ano, que gostei bastante. Infelizmente, depois bati a cara com O Último Metrô e Fahrenheit 451. Mas mesmo com essas decepçoes, acho que os filmes dele têm uma simplicidade e delicadeza que chamam atençao. Desses 5 filmes que eu vi, todos eles têm alguma cena marcante ou sacaçoes interessantes.

Uma das coisas que mais me chamaram atençao no 400 foi a mesma que no Jules e Jim: a imparcialidade. Nenhum dos dois filmes julga os personagens, os dois têm muita sutileza e nao ficam apontando bonzinho e mauzinho. Contam a historia de uma forma meio distante, mas ao mesmo tempo têm um carinho com ela e os personagens.

Se voce ainda nao dormiu ou foi fazer outra coisa e conseguiu aguentar essa introduçao gigante, meu pai! Voce deve ser muito sem o que fazer, heim. Mas obrigada pela paciencia, e espero que voce ainda tenha um pouco dela e leia as minhas criticas do Vivement Dimanche! e do Les 400 Coups... por favor?





De cara estava achando ele meio chatinho, e a legenda ruim atrapalhou muito. Eu nao entendia direito nem o que estava escrito nem o que eles tinham dito. Acabei perguntando muita coisa pros meus pais. Mas achei ele muito simpatico, leve, divertido, e bem feito. As atuaçoes sao boas, a Fanny Ardant tem uma presença de cena impressionante.

Ele é uma grande piada dos filmes de misterio, do tipo que vao aparecendo cada vez mais coisas misteriosas e voce fica meio confuso. Junta todos os cliches desses filmes e os usa muito bem, incluindo a famosa falsa estante que gira e te leva para um lugar macabro, e o fato do assassino ser a ultima pessoa que voce pensaria.

Uma brincadeira muito bem feita. Mais bem feita que boa parte dos filmes sérios. Uma pena que o titulo em frances nao dá para traduzir perfeitamente. É uma expressao que significa algo como "to doido pra isso acabar!" (haha! Eu sou muito boa em frances, conheço todas as expressoes...ta, foi a minha mae que me falou isso). Mas poderia ser algo melhor do que o titulo que colocaram, pois com De Repente num Domingo dá a entender que o filme se passa num domingo, o que nao é verdade.





Como ja disse, a imparcialidade me chamou muito a atençao. Quantas pessoas conseguem fazer um filme sobre um menino que vive brigando com os pais, foge de casa e rouba dinheiro da avó sem defender o menino ou ter uma explicaçao psicologica do tipo "ele é assim porque comeu pao podre quando tinha 3 anos"? E quantas pessoas conseguem fazer isso no seu primeiro filme? O Truffaut, que assistia os filmes mil vezes para entender como eles foram feitos e via 3 filmes por dia quando tinha 14 anos consegue. Mamae, papai, agora voces me deixam sair da escola? Pro bem da minha carreira...voces nao querem que eu seja bem sucedida?


O Jean-Pierre Léaud, ator principal, é ótimo. A cena em que ele conversa com a psicologa, que nao tinha dialogos escritos, foi meio de improviso, é muito boa. Nao dá pra entender como uma criatura de 13 anos consegue atuar tao bem no primeiro filme que faz. Bizarro.


Tem algumas cenas que sao realmente excelentes, como a cena do carrossel (aquilo é um carrossel? Ah, aquele negocio que gira), a da psicologa, a dele correndo, a dos meninos fugindo da aula de educaçao fisica, dele fazendo o bilhete pra justificar ter faltado aula e muitas outras. O filme é com certeza cheiinho de cenas que chamam atençao.


Acho que o titulo em portugues (Os Incompreendidos) estraga um pouco, fica parecendo um negocio mais psicologico, tipo "ninguem me entende, bua, bua...", que nao tem nada a ver com o filme. Acho o titulo original muito mais simpatico e coerente. Les 400 Coups quer dizer algo como "os 400 golpes", sendo "golpe" no sentido de apanhar, tanto literalmente quanto num sentido mais amplo.


Trata com delicadeza, cuidado e sem muito drama de uma historia relativamente pesada, e que pode virar uma porcaria transbordando cliches muito facilmente. Com toda a sinceridade: pra que ir a escola?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

5 Hitchcocks

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Acabei demorando muito mais tempo pra escrever sobre o Intriga Internacional, mas tenho algumas boas desculpas:
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1- Vi mais filmes do Hitchcock pra nao falar muita coisa ignorantemente.

2- A minha semana foi meio doidinha

3- Preguiça :D

Mas eu tambem demorei mais porque fiquei preparando um post com criticas dos 5 filmes do Hitchcock que eu vi por agora. Ta, mentira, eu fiquei enrolando pra começar a escrever e estou fazendo tudo em cima da hora. Mas ninguem precisa saber disso.
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Assistir muitos filmes dele agora foi muito bom, ja que eu comecei o ano nao indo muito com a cara dele. Eu sempre tive uma simpatia muito grande pelo Hitch, e uma boa lembrança do Janela Indiscreta, que vi ha um tempo. Mas no inicio do ano vi o Pacto Sinistro e Ladrao de Casaca. O Pacto, por mais que as pessoas elogiem muito e algumas ate digam que é o melhor filme dele, eu achei muito ruim. Estou lendo o livro agora, que é da Patricia Highsmith, e gostando mutissimo muito. Quando eu terminar vou escrever sobre o filme e o livro. Quanto ao Casaca, eu nao achei ruim. É corretinho e tal, mas achei muito agua com açucar, aí fiquei meio desiludida com o Hitchcock. Mas como eu disse, era muito ignorante em relaçao a ele, entao agora, depois de assistir mais 5 filmes e pesquisar mais, voltei a admira-lo.

Depois do Intriga, assisti A Tortura do Silencio (maravilhosa traduçao de I Confess), Interludio (outra maravilhosa traduçao de Notorious...e sinceramente, eu nao sei o que nenhuma das palavras significa), Sombra de uma Dúvida (aeee, essa o tradutor acertou: Shadow of a Doubt) e o famoso Disque M para Matar (Dial M for Murder).

Como eu sou muito criativa, vou falar deles da ordem de pior para melhor.


Atençao: as criticas com um * revelam o final do filme ou alguma coisa importante no desenvolvimento da historia



Último lugar (loseeer!): Disque M para Matar *



É sem dúvida um dos Hitchcock's mais importantes e conhecidos. Mas nao sei muito bem porque ele tem essa fama toda. Nao é de todo ruim, é até direitinho. Mas foi mal adaptado de uma peça, ficou com um tom muito teatral. Passar de teatro pra cinema é dificil, claro, mas Dúvida e 12 Homens e uma Sentença sao exemplos de adaptaçoes que deram muito certo.

O título é meio apelativo e propaganda enganosa. Parece uma coisa toda do mal e macabra, mas é um filme bem de detetive, do tipo que se apoia muito de mais na soluçao do final.

Tinha gostado do marido da Grace Kelly na primeira cena, mas depois caiu um pouco. Se a atuaçao dele fosse melhor o filme ja ganharia muito. O amante é muito bobao. Quando ele chega pedindo pro marido (da Grace Kelly, nao dele. rs) falar pra policia que era tudo armaçao, ele nao parece estar querendo salvar a vida da Grace, e sim resolver um charada, tipo "ei, cara, descobri a resposta para aquela palavra-cruzada do jornal!". Sem falar que é muito sem noçao ele ter advinhado exatamente, exatamentissimamente o que o marido tinha feito. E como eu ja disse, tudo se apoia muito no final. Tem um tom meio Agatha Christie, de descobrir as coisas, só que fica só nisso e nao se preocupa com outros elementos da trama. O detetive tambem é meio tosco. Depois de ter acusado a Grace Kelly, ele começa a "defender" ela. Fica muito piscadela pro publico do tipo "viu, ele nao é do mal, nao. Voce ta pensando que ele tá contra a Grace, mas ele percebeu que o marido que é do mal. Esperto, né?!".

Quanto a Grace Kelly, nao me chamou muita atençao, acho ela uma atriz correta. Talvez se a minha mae nao quase me matasse toda vez que eu sacaneio a Grace um pouco, eu gostaria mais dela.

Enfim, nao achei horrivel, mas fraquinho e sem graça. Se é pra brincar de detetive e tentar descobrir as coisas eu posso ler Agatha Christie ou jogar Scotland Yard. Um filme desse tipo pode ficar sim muito bom se der atençao à mais coisas alem da soluçao final.

Ah, e um outro sério problema dele é que na noite seguinte que eu vi, meus pais sairam de casa e pouco depois me ligaram. E eu estava perto de uma cortina!! Acho que vou ficar com medo de telefones tocando à noite por alguns dias.




Penultimo lugar (semi-loser): Sombra de uma Duvida



Minha mae vai reclamar que ela faz de tudo pra eu nao criar muita expectativa para um filme que ela gostou e me decepcionar depois, mas eu criei muita expectativa para esse filme e me decepcionei depois. Por parte, foi porque a minha mae tinha falado que era muito legal. A outra parte foi porque é um dos filmes favoritos do Hitchcock (dos que ele fez né, ninguem é tao metido assim. Acho).
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De cara, nao gostei mesmo. Tinha achado as atuaçoes muito ruins, a trama muito banal ("toda familia tem os seus segredos"), e umas cenas meio nada a ver.

Depois de reclamar da minha reclamaçao do filme e defende-lo, minha mae me fez mudar de ideia. Mas nao tanto assim. rs


Retiro o que disse sobre a trama, porque ela nao se foca nessa coisa de segredos. É mais sobre a Charlie, sobrinha bobinha e ingenua de uma cidade pequena, tendo que lidar com um choque de descobrir coisas macabras sobre o tio, e a relaçao dos dois. O problema é que as cenas deles juntos nao parecem cenas de tio e sobrinha, mas sim, de amantes. Se voce vir aleatoriamente, sem saber nada sobre o filme, nao vai achar que sao parentes. Esse é um grande defeito, ja que essas cenas sao muito importantes.

Tinha achado a atuaçao dos dois muito ruins. Mudei minha opniao sobre a sobrinha, mas continuo achando o tio um personagem, ou mal interpretado, ou mal construido. Quanto a menina, ainda acho que poderia ser melhor, mas concordo com a minha mae que menina bobinha e ingenua de cidadezinha pequena costuma ter esse perfil.

Acho as cenas do pai com o amigo discutindo formas de matar pessoas meio paralelas demais. Parecem terem sido colocadas la só pra ficar meio engraçado, "que legal! Duas pessoas discutindo sobre a melhor forma de assassinar alguem!". Elas só cruzam com a historia mesmo quando a Charlie, depois de descobrir as tais coisas macabras sobre o tio, surta por ficar incomodada com eles falando de morte.

Outra cena que é muito fraquinha mesmo é quando a Charlie vai jantar com o detetive, e do nada, passa de um momento em que eles estao rindo, pra outro com a Charlie assustada, depois do detetive ter contado sobre o tio dela. A transiçao é horrenda. Eu até voltei o filme pra ver se nao tinha pulado nenhuma cena. Muito mal feita mesmo.

Mas tirando essas coisas (pequeninos detalhes), achei ele interessante. O jeito como a familia admirava o tio é muito bom, e a mae (irma do tio) tambem é um bom personagem. O jeito como a Charlie vai amadurecendo a força ao longo do filme tambem é muito bom. As decisoes que ela toma e o jeito como ela reage sao muito bem feitos e a deixaram uma personagem muito bem trabalhada tambem. Pena que nao foi feito o mesmo com o tio, coisa que seria essencial.

Ah, e uma das ultimas cenas, quando a Charlie desce da escada, é de uma sutileza muito boa. Diria que é a melhor cena do filme.

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Lugar do meio (mais ou menos loser): Intriga Internacional *



De novo, a expectativa diminuiu o impacto do filme. Quem foi que inventou ela? Coisa mais desnecessaria...

Dessa vez a expectativa veio de um top 100 (http://www.interney.net/blogs/filmesdochico/2009/01/29/6_anos_100_filmes/) que vi num blog de cinema que eu gosto. O Intriga estava em 4º lugar. Aí eu obviamente fiquei esperando um filmao.

Pra começar, eu gostei. Acho que o meu principal problema com ele é que eu daria um rumo totalmente diferete para a historia, o que a transfomaria em outra coisa, entao nao é um defeito, é só uma opniao pessoal. Na verdade, eu achava que era diferente. Eu pensava que o Cary Grant era confundido com um agente, e os seus colegas agentes nao conseguiam entender quem ele era realmente, entao tinha que fazer as missoes. É muito diferente disso. Ele é confundido pelo inimigo, que nao acredita nele quando diz que pegaram a pessoa errada. Eu achei esse inicio muito mais interessante do que o que eu achava que era, com certeza.

E o inicio é de fato uma das melhores coisas do filme. Depois de ter escapado dos inimigos, as pessoas nao acreditando no que aconteceu é otimo, e ele cismado em provar a verdade, procurando o agente com o qual confundiram com ele, e nisso só parecendo que ele é de fato o cara. Ele vai se envolvendo naquilo, cada vez deixando mais claro para as pessoas que ele era o agente mesmo.

O publico tambem vai ficando angustiado, pensando "onde que a droga do agente ta que ele nao aparece?!" (eu pensei isso pelo menos, e estou sem evidencia alguma assumindo que mais gente tambem pensou. Mas detalhes, detalhes) mas logo isso é respondido, quando descobrimos que o agente nao existia. Era uma inveçao da CIA para destrair os caras que eles estavam espionando. É nessa hora que eu mudaria o rumo da historia. Eu acho que ficaria muito melhor se ficassemos o filme todo quase tendo um ataque sem entender onde o agente estava, e descobrissemos só no final que a criatura nao existia. Mas a historia segue bem de qualquer jeito. Só acho que a melhor ideia do filme é a da nao existencia do agente, que logo acaba.

Mas outra coisa muito boa no filme sao as cenas. Ele tem algumas cenas muito boas e marcantes, que ficaram ainda melhores na telona a céu aberto. A cena dele fugindo do aviao é muito boa, e ele descendo os rostos dos presidentes no final tambem. É até chato pensar que rever ele na TV vai perder muito. Essas partes ficaram realmente deslumbrantes na telona.

E acho que parte da fama de maior diretor de suspense do Hitch vem dessas cenas muito boas, e da variaçao no estilo do filme. Ele tem coisas mais serias, tem coisas bem bobinha, e tem algo bem no meio do caminho, tipo Intriga. Ele é um suspense, mas nao do tipo que exige toda a atençao possivel e muito raciocinio. E ele é cheio de piscadelas (dessa vez sendo uma coisa positiva) pro publico, como a cena em que o Cary vai tomar banho e fica cantarolando Cantando na Chuva. Todas essas coisas que deixam o filme mais simpatico e agradavel sao muito bem feitas, e é daí que eu acho que vem a importancia do Hitch.

Nao concordo com o top 100 que colocou o Intriga em 4º lugar. Ele é um entretenimento de primeirississima qualidade, e nesse ponto é genial sim, mas nao é um filme para ser um dos melhores ja feitos. A grande qualidade dele é que é universal (ou seria internacional? hehe. Piadinha sem graça...), qualquer um pode gostar, nao tem um publico expecifico. E é muitissimo bem feito, uma produçao caprichada.

Só que ele nao é muito serio, tem um lado glamuroso, mais romantico, na verdade. Essa foi outra coisa que diminuiu ele pra mim, nao que isso seja uma coisa ruim, é porque achava que ele fosse diferente. Como eu disse, expectativa é inutil.

Ah, e eu diria que a unica coisa que eu realmente achei muito ruim no filme foi o final. Meu pai, o que era aquela cena de casamento??? Nada a ver! Mestre do suspense e romantico bobao nao combinam.

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Segundo lugar (ainda nao é o vencedor, entao é meio loser): A Tortura do Silencio, que eu vou chamar de I Confess, porque esse titulo em portugues é insuportavel.



Ia ver esse filme no festival de filmes ex-censurados do Cinema Du Parc, mas o festival foi cancelado. Nao sei o motivo, mas acho que foi censurado. rs


Pouco depois da censura do festival, achei o I Confess na minha querida bibliotequinha. Foi o primeiro que eu vi depois do Intriga, e gostei muito!! Ele tambem teve um começo diferente do que eu esperava: achava que o cara ia confessar o crime meio que sem querer, nao com a intençao de ser no lugarzinho de confessar la, para o padre nao poder contar para ninguem. Mas achei mais interessante desse jeito.


Os personagens sao todos muito bem construidos, e o filme nao tem tom de ficar apontando mocinho e vilao em momento algum. O assassino é muito interessante, porque na verdade a morte foi um acidente, e o jeito como ele vai ficando dominado pela angustia e o medo de ser descoberto é otimo.

É cheio de ambiguidades, dá direito a vaarias interpretaçoes, coisa que eu adoro. A Anne Baxter tentando ajudar o padre é muito bom, principalmente o fato de depois de ter contado mil coisas que ela nao queria contar, só ter deixado ele mais enrolado ainda.

O detetive me chamou muito a atençao. Ele tem um jeito meio sadico, de nao querer só resolver o caso, mas de um prazer em ver as pessoas se ferrando ao descobrir provas contra elas. Achei um personagem muito bem escrito e interpretado.

Montgomery Clift, o padre, nao sei nem dizer se ele é um otimo ator, mas ele tem uma presença impressionante. Gostei da atuaçao dele sim, mas a beleza chama mais atençao. rs Se ele fosse padre de uma igreja perto da minha casa até eu ia na missa todos os dias.

Toda a historia é muito bem contada, com personagens muito bem feitos e complexos, nao tem a pretensao de dividir bem e mal (poderia se dizer que o assassinado era meio do mal, mas a narrativa nao se preocupa em focar isso), permite varias interpretaçoes, tem atuaçoes muito boas, tudo se encaixa e é bem amarrado.

Esse é bem sério mesmo, sem qualquer glamour. Nao que glamour e seriedade sejam opostos, mas os outros 3 filmes que tinha visto dele esse ano antes tinham mais glamour e romance (menos o Pacto Sinistro. Esse é ruim mesmo), e eu tava achando que ele ficava mais nisso mesmo, que nao fazia filmes, digamos, mais frios. Entao fiquei muito feliz em ver um filme dele num estilo diferente, e vi que ele fez sim filmes mais frios, e muitissimo bem.

Ah, e parece que ele foi censurado por causa da cena que uma multidao tenta atacar o padre. Motivo bobo e forçado.


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Em primeirissimo lugar, o grande vencedor, o qual eu nao sei o que o nome significa, INTERLUDIOO!!




Peguei o Interludio mais porque era com a Ingrid, e por ser um filme importante do Hitch. Mas estava esperando algo no estilo de Ladrao de Casaca. Nadica de nada a ver. Casaca é mais bobinho, é bem entretenimento mesmo, mas sem grandes caprichos tipo Intriga. Interludio nao é bobinho, tem dialogos importantes para a historia, é sutil e exige concentraçao.

De inicio, eu estava meio de saco cheio dele, porque eu achava que era bobinho, e tava aquela coisa seria, devagar, sem bobice na minha frente... eu nao tinha me preparado psicologicamente para isso! Mas ele prendeu a minha atençao, e quando terminei de ver tinha gostado, mas estava meio chateada porque esperava algo diferente, e porque nao estava tao concentrada assim para assistir a um filme cheio de indiretas e sutilezas.

Mas depois de alguns dias, o lado de ter assistido despreparada foi ficando mais insignificante, e as qualidades do filme começaram a me chamar mais a atençao.

Acabei gostando muito. Muitssimo muito. Acho que a gente só descobre se o filme é um dos nossos favoritos com o tempo, mas acho que ele vai fazer companhia pros meus 3 preferidos (Casablanca, 12 Homens e uma Sentença e Crepusculo dos Deuses).

É dificil dizer o que eu mais gostei nele, mas a sutileza me chamou muito a atençao. Como eu ainda nao vi muitos filmes, diria que é o mais sutil que eu ja vi. Tudo é muito delicado, o roteiro é sem pressa e cuidadoso com os minimos detalhes.

Isso leva a outra coisa que eu gostei muito: a narrativa. A historia é contada de uma forma muito diferente do comum. Sei la, é até dificil de explicar, mas ele consegue, sem esnobar coisas importantes, se focar na relaçao entre a Ingrid, o Cary Grant e o Claude Rains. Até nos esquecemos do lado de espionagem da historia. É mais romance do que suspense. Mas nao acho que seja um romance muito romantico, ele é mesmo sobre a as pessoas se relacionando, e tem um lado meio ironico e cinico. Ah, é dificil de explicar, ja tive uma dificuldade pra chegar a uma conclusao sobre o assunto que ele trata, explicar vai ser mais dificil ainda...rs

Os personagens sao bem construidos, e geram varias interpretaçoes em cima do que eles falam e fazem. As poucas cenas da Ingrid com o Cary sao todas muito boas cheias de sutilezas, indiretas e ironias. Uma pena ter visto o filme em ingles, com isso eu aproveito menos essas coisinhas do dialogo. Eu queria ter revisto ele mais preparada pro estilo, mas acabei devolvendo antes. Vou acabar revendo antes de voltar pro Brasil de qualquer jeito, até la eu ja vou conseguir pegar essas coisinhas nos dialogos melhor.

Uma cena muito boa é a ultima. Diferente do que eu achava que seria essa cena de fuga (tinha lido sobre ela antes), ela é devagar, nao de perseguiçao. É realmente uma senhora cena, porque mesmo sendo calma e lenta, tudo acontece muito rapido, da a sensaçao de o tempo estar acabando, uma agonia. O personagem do Claude Rains nao sabe o que fazer e tem só aquele tempo de descer a escada pra resolver. Ah, nao dá pra explicar direito a cena, ainda mais tentando nao estragar o final.

Enfim, acho que ele tem um jeito meio Casablanca. Um pouco cinico, sutil, ambiguo, e tem a Ingrid Bergman e o Claude Rains rs. Só que Casablanca nao é tao sutil assim, tem um certo tom de aventura, é muito mais cinico e nao tem essa narrativa diferente. Acho que gostei muito dele por um lado pessoal mesmo, como Casablanca (3º Casablanca do paragrafo, caramba!). Até porque os meus filmes favoritos eu nao gosto deles só pelo lado tecnico (que na verdade sempre está meio relacionado ao lado pessoal rs), tem alguma coisa no filme que me chamou atençao, ou que me identifiquei. É o que eu acho que seja a definiçao de filme favorito: nao necessariamente o que voce considera melhor, mas o que te marca (ai, que brega) de alguma forma. O 12 Homens eu gosto muito, mas ele é mais pra um lado tecnico e menos pessoal, gostei dele por causa dos dialogos, e ele me marcou com isso. Mas nao como Casablanca, que eu me identifiquei com o cinismo. Fico até meio sem graça de elogiar tanto o filme para as outras pessoas, ja que acho que os nao cinicos nao vao ver tanta graça.

Peço desculpas por nao ter justificado muito bem, nem analisado muito tecnicamente, mas foi porque eu gostei muito dele mais pelo lado pessoal. Mil desculpas mesmo, porque eu odeio quando as pessoas vao fazer critica de um filme e os seus argumentos sao que é "lindo e emocionante". Espero ter usado argumentos melhores que estes...

Aluguei já o Festim Diabólico, O Homem Errado, Quando Fala o Coraçao e Um Corpo Que Cai. Vi o ultimo hoje de tarde, quando o post ainda nao estava pronto. Depois eu faço um outro grupo de criticas com esses.

Espero ter sido clara nos motivos por ter gostado ou nao dos filmes. Quem discordar se manifeste, mas nao venha me dizer que o filme é lindo e emocionante, por favor.

-Alice

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Aula de Francês Mais Útil de Toda a Minha Vida

A minha primeira aula de frances aqui foi meio estranha, porque a professora pegou uma vassoura suja, e passou a mao nela, pra explicar como as bacterias se escondem na lingua e como fazer para acabar com o mau halito. Na verdade eu continuo sem saber como, porque nao consegui prestar atençao no que ela falava, só nas naquelas maos passando nas bolinhas bem grandes de pó, e nelas tocando o rosto dela depois, sem serem lavadas antes.

Mas eu de fato aprendi uma das coisas mais valiosas e úteis de toda a minha vida escolar: tem numa estaçao de metro, nao muito longe da minha, uma biblioteca gigante, que é de graça, onde voce pode alugar livros, CDs e filmes.

Sim, de graça. Basta ser residente de Quebec, mostrar comprovante de residencia e de identidade, que voce ganha uma carteirinha com a qual voce pode pegar no maixmo 3 filmes de uma vez, e ficar com eles durante uma semana. E se nao for tempo o suficiente, voce pode pedir mais tempo. Tambem tem um site na internet onde voce pode procurar os filmes que eles tem, ver se estao disponiveis, reservar, renovar o que voce pegou e etc.

O acervo de filmes é excelente, o que é um sério problema, porque ele tem muitos classicos e filmes importantes que eu ja deveria ter visto ha muito tempo. Agora a questao é ver qual que vai passar na frente do outro. Se eu conseguir pegar eles, né, porque fui procurar Cidadao Kane e estavam todos alugados. Mas ja fui la duas vezes e dei uma catada no hitchcocks, porque vi muito poucos filmes dele e andava muito preconceituosa devido aos ultimos que tinha visto.

Mas se tudo isso é ótimo, a organizaçao dos filmes nao é. Sao separados por genero, mas essa classificaçao é meio doida. Nao tem suspense, e os hitchcocks estao divididos entre policial e drama. Os filmes estao teoricamente por ordem alfabetica do nome do diretor, o que nao é uma boa tecnica, ja que é muito facil voce querer ver um filme e nao saber quem dirigiu. Na ultima vez que fui la, ainda descobri que as pessoas pegam uns 20 DVDs pra escolher qual que vao levar, e depois deixam numa mesinha. Na verdade isso é o que eles pedem que seja feito, ate porque só ficaria mais bagunçado se as pessoas colocassem de volta, mas piora a busca mesmo assim. Vi que tinha o Montanha dos 7 Abutres disponivel mas nao consegui achar e nao tive paciencia pra procurar nas mesinhas.

Ja que a minha professora de frances é muito doida e eu realmente nao gostei dela, vou tentar lembrar que descobri a biblioteca na aula dela toda vez que eu ficar com raiva das maluquices que ela faz. O que vai acontecer toda a aula.

domingo, 13 de setembro de 2009

500 Dias de Metidez

Critica de 500 Dias com Ela

Plot: Era uma vez um carinha que é meio desiludido com a vida e acha que só vai ser feliz quando encontrar a sua alma gemea. Aí ele conhece uma menininha que é meio doidinha, alternativa e se veste igual a Lily Allen, se apaixona por ela e fica convencido de que ela é a pessoa certa pra ele. Mas ela nao se apaixona por ele, e muitas coisitchas acontecem por causa disso.

Ficha Completa: http://www.imdb.com/title/tt1022603/

Data de Estréia no Brasil: 13 de Novembro de 2009

Trailer (em ingles, porque ele combina mais com o filme que o legendado): http://www.youtube.com/watch?v=PsD0NpFSADM&feature=fvw

"uuuuh! 500 Days of Summer! Que do maaal, o verao nao dura tanto assim! Uuuuh, como será que o verao dura tanto na historia? uuuuuh"

Foi isso que eu pensei quando vi a propaganda do filme na tv quando chegamos aqui. Eu realmente nao sei como eu tive coragem que escrever isso na internet. Mas eu fiquei curiosa pra ver o filme por causa do nome, e tambem porque achei que seria uma comedinha romantiquinha levinha, simpatiquinha e divertidinha.

Verdade numero 1: Esse Summer aí nao tem nadica de nada a ver com verao. É o nome da Lily Allen. Acho que tem até um trocadilho de que durante esses 500 dias era como se fosse verao pra ele ou qualquer coisa do genero, mas a minha curiosidade com o verao infinito foi em vão. Bua.

Verdade numero 2: Ele nao é tao simpatiquinho quanto achei que fosse. E mesmo ele sendo uma comedinha romantiquinha levinha e divertidinha, ele nao queria ser tao levinho assim, mas se diferenciar das outras comedias romanticas e, sei lá, vai ver tinha até uma pretensao de fazer uma revoluçao no gênero. É muito pretensioso.

Verdade numero 3: Se voce pensa que ele passa 500 dias com ela, ta pensando errado. O filme se passa sim em 500 dias, mas eles só ficam juntos la pelo 30, e terminam por volta do 200. Os 500 dias na verdade seriam desde o dia que ele conhece ela (e bobo do jeito que é, se apaixona logo de cara) até o dia que ele se desapaixona. Mas eu diria que durante esse tempo, eles ficam uns 100 dias sem se ver ou sem se falar.

Pra começar, o slogan com o qual ele se vendeu (Garoto conhece garota. Garoto se apaixona. A garota nao. Essa nao é uma historia de amor. É uma historia sobre amor.) ja tem um ar de "sou diferente, heim." e ele de fato segue essa linha.

É cheio de piscadelas para o publico ("voce nao viu isso em outro filme, nao é?!.") como por exemplo o contador de dias que aparece entre uma cena e outra durante o filme todo, mostrando em qual dos 500 dias a cena seguinte aconteceu. Faz isso fora de ordem cronologica, o que é parte de suas espertezazinhas, afinal, voce nunca viu outra comedia romantica sendo contada numa ordem meio doidinha, nao é? De vez quando ele ainda solta mais espertezazinhas dentro disso, como mostrar de um dia a outro (140-148) ou a hora de um (134, 15:30). Essa ultima é original pra caramba, vai me dizer que ja viu isso antes.

Alem do contador criativo, ele tem varias cenas que parecem ter sido colocadas com o único objetivo de mudar a comedia romantica. Tem uma hora que alguns personagens falam o que acham sobre amor, num tom de documentario, como tem no Ele Nao Esta Tao Afim de Voce (hum... essa ja nao foi tao diferente). Outras cenas do mesmo tipo sao a que a tela é dividida ao meio (uma metade com "expectativa" escrito embaixo mostra o que ele queria que acontecesse, e a outra, com "realidade", mostra o que realmente aconteceu), a que é mais ou menos explicado como a menina é diferente, e os creditos iniciais, com filmagem estilo caseira, onde metade da tela é o menino crescendo, e a outra é a menina.

Mesmo ele tentando a todo custo se mostrar diferente, superior e revolucionario em relacao ao seu genero, ele tem a narrativa e a moral tipicas de comedia romantica, e é sim uma, só que metidinha. Ele inclusive tem um final romantico, só que ao contrario, digamos.

Tirando a sua arrogancia, ele tem 3 grandes vantagens: o ator segura bem. Nao diria com firmeza que ele é bom, acho que precisaria ver mais filmes dele pra chegar a uma conclusao assim, mas é contido, e a sua atuaçao deu uma segurada na pretensao do filme.

Outra grande qualidade é que a historia é contada do ponto de vista do garoto, e nao sei o quanto o diretor e roteirista queriam isso, mas ficou muitissimo bem feito. Tudo é realmente como ele via as coisas. Algo que o À Deriva, um filme serio e com um tom pretensioso tambem, cujo objetivo era contar a historia pelo olhar da menina, nao conseguiu fazer. O jeito como a Summer é apresentada é muito bom. Podemos ver perfeitamente como ele via ela: perfeita por ser justamente meio doidinha, e na verdade, ser uma pessoa bem diferente dele. Essa imagem é muito bem passada, e fiquei com a sensaçao de que isso ficou bom justamente porque foi feito despretensiosamente.

A terceira e ultima grande qualidade é que nao tem a Sandra Bullock. Ficamos na duvida entre o Summer e o novo filme dela na terça passada. Achamos que o Summer parecia ser mais legal, e como a minha mae disse, é melhor do que 2 horas de Bullock.

De qualquer jeito ele é bem leve, e tem um roteiro bem corretinho. Se nao fosse tao cheio de pretensao seria uma comedia romantica acima da media, e teria ganho a atencao que tanto queria. Temos que dar um credito porque é o primeiro filme do diretor, e o roteirista escreveu o filme para superar uma dor de cotovelo. Disso nao pode sair nada maravilhoso mesmo. Mas acredito que esse diretor tenha capacidade de fazer alguma coisa interessante daqui a uns anos.


Mas eu tenho certeza de que foi a Lily Allen que intrepretou a Summer, só que para nao ficarem falando que ela canta melhor que atua e que nao deve se meter em cinema, colocou um nome diferente. Mas considerando o último album dela, acho que é melhor virar atriz mesmo.



Recomendo Para:
-Quem gosta de comédia romantica.

-Quem gosta de comedia romantica mas tem uma certa vergonha de admitir, entao procura filmes mais diferentes desse tipo para fingir que só gosta de coisa de qualidade.

-Quem quiser praticar ingles, ele é bem fácil de entender.

P.S.: Devido a minha ignorancia em relaçao a Hitchcock, a critica do Intriga Internacional vai ser postada no final da semana. Nao estou esnobando o filme, só quis adiar um pouco porque quero ver alguns filmes dele e dar uma pesquisada antes de escrever.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Mais Cinema sob as Estrelas

e critica de O Baile, de Ettore Scola.


O cartaz é legal, né? Só isso tambem.


Depois de termos visto o Intriga Internacional na telona aberta, meu pai ficou animadinho e quis ver o que ia passar no domingo tambem: O Baile.

Minha Mae: A Alice vai achar o filme um porre.
Eu: Por que?
Minha Mae: É um porre.

Mas eu fiquei curiosa com a ideia do filme, e interessada em colocar mais um na minha listinha de meta. Hehe. Tentei que os meus pais falassem que ele era importante, porque eu só tenho 2 filmes nessa lista, mas nao deu. De qualquer jeito, ajudou a outra.

Pois é, eu preciso passar a ouvir a minha mae. Nao que eu me arrependa de ter ido ver o filme de noite, no frio, com vento... é, eu me arrependo um pouco. Nao que ele seja totalmente horrivel. Ele é só horrivel, sem o totalmente. Mas cultura cinematografica é sempre bom. Mesmo que isso custe 2 horas de frio, vento e tédio. Só que nesse caso nao valeram tao a pena assim as 2 horas de frio, vento e tédio.


Plot: A historia da França entre os anos 30 e 70, contada atraves de bailes no mesmo salao e com os mesmo atores.
Ficha.completa: http://www.imdb.com/title/tt0085213/fullcredits#writers

A ideia é bem interessante. Mas acho que seria muitissíssimo dificil ela dar um bom filme, o que nao impede de valer a pena tentar fazer um. De qualquer jeito, poderia com certeza ter sido feita uma coisa muito melhor do que foi.

Um grande problema é a dança, que achamos que ganharia muito sendo vista numa telona, mas digamos que, huh...mal tem dança. Só tem umas coisinhas que até voce consegue fazer. Sim, voce. Da mesma forma que qualquer um pode ler isso, qualquer um pode fazer aquelas danças. Elas sao sempre meio muito desajeitadas, e pouco marcadas pela epoca que retratam. Isso para nao dizer que nao sao nem um pouco marcadas. A unica cena que a dança teve mesmo mais personalidade e variou um pouco foi um curto momento em que uns roqueiros invadem o salao, mas foi estragado por ser muito rapido e exagerado.

Exagerado. Ta aí o outro adjetivo perfeito para o filme. Ele é horrivelmente exagerado. Ou exageradamente horrivel. O que voce preferir. Tudo é muitissimo extremamente excessivamente exageradamente exagerado. Um pouco menos que essa frase, mas é. Tudo muito caricato: figurino, atuaçoes, danças bizarras e o que mais tiver no filme. E é cheinho de uma comédia (sem querer ser muito repetitiva de mais) exagerada e caricata.

E na verdade, ele nem retrata a mudança dos bailes em si. Todos eles sao focados em os homens tentando dançar com as mulheres e levando foras, as mulheres tentando dançar com os homens e levando foras, e vice e versa. Como se isso fosse a unica coisa que acontece nos bailes (As vezes um homem tenta dançar com um outro homem e tambem leva um fora.). Em todos eles, a historinha que se segue é sempre sobre isso, e os detalhes importantes para retratar a epoca nao recebem a atençao devida.

Mesmo o filme sendo exageradamente horrivel/horrivelmente exagerado, nao foi o fim do mundo. Eu continuei gostando muito do ambiente de assistir numa telona num lugar aberto e etc. Dessa vez tinha menos gente, e o numero foi diminuindo ao passar do filme. Me pergunto porquê. Mas por outro lado tinha umas pessoas que riam muito. Muito mesmo. Achei bizarro, mas sei que no fundo, no fundo eu devo ter inveja delas por conseguirem rir tanto de uma coisa tao chata. No fundo. Bem no fundo. No finzinho do meu ser.

Recomendo para: pessoas felizes que riem facilmente de qualquer coisa.


OBS: Os níveis de exagero entre a crítica e o filme estao mais proximos do que deveriam.

-Alice

domingo, 6 de setembro de 2009

Cinema sob as Estrelas

Amanhã termina o Festival du films de monde de Montreal, que começou dia 27 de agosto.

Eu tava muito animada com o festival. Aí um dia eu peguei o folhetinho. Depois de ver a programaçao, acabei só vendo 1 filme.

Parece que é um festival que quase morre todo o ano, e essa seria uma tentativa de mante-lo. Ele é completamente diferente do festival de Toronto, que tem uma certa importancia e as personalidades até vao la. O films du monde mesmo tendo mostra competitiva, é mais alternativo, ninguem vem, e é bem menor.
Os filmes passavam em diferentes lugares da cidade: alguns pagos, em cinemas, outros em tendas, e alguns numa telona gigante a ceu aberto. Esses ultimos eram sempre acompanhados de um curta antes.

Tambem tinha varias mostras diferentes: competitiva, de primeiro filme do diretor, classicos, e alguma outra que eu esqueci. rs
A programaçao era desanimadora. Boa parte dos filmes sao de Québec mesmo, e todos tem um plot muito parecido: era uma vez um carinha em Quebec que foi pra Montreal. Era uma vez uma menininha em Montreal que foi para Quebec. Era uma vez dois amigos, um em Montreal, outro em Quebec. E por aí vai.

Mas mesmo com a programaçao fraca, eu gostaria de ter visto mais filmes, como 2001: Uma Odisséia No Espaço, Fama e uma maratoninha de curtas da NFB (National Film Board of Canada, uma produtora de filmes/curtas de animaçao daqui). Mas como o festival começou junto com as aulas, que estao me matando, ficou dificil de ver os filmes ja que eles passavam tarde.

Mas por sorte, o Intriga Internacional (Sim, aquele que eu fui tentar ver no cinema de 2 dolares e bati com a cara na porta) passou ontem de noite na telona aberta.
Tava bem frio e eu ficava pulando um pouco pra me esquentar, mas foi ótimo. Chegamos ainda estava terminando o filme anterior, La Petite Voleuse, (nele vi uma cena em que a menina enfia um garfo na mao da outra. Nunca mais olhei para garfos da mesma forma.) e tava bem cheio. Tinha gente sentada nos bancos que eles colocaram, gente numa escada, no chao, e tinha até aqueles que levaram suas proprias cadeirinhas.

Estavam emprestando almofadinhas gratuitamente de graça sem pagar nada por preço algum para sentar em cima, entao pegamos 3 pra a gente.

Assim que o Voleuse terminou, muita gente foi embora e conseguimos um banquinho, com direito a um cara alto na nossa frente e uma menininha de uns 3 anos cujos pais sem noçao, nao só nao tinham dinheiro para ir a um cinema pago, como tambem nao tinham para uma babá, e a levaram para ver Hitchcock as 10 da noite. Canadenses sao meio bizarros. Logo o cara alto mudou de lugar, já a menina ficou la ate o final. Mas tirando uns gritinhos ela até que nao atrapalhou muito.
Fiquei em pé durante a maior parte do filme para ter um apoio da legenda em frances (mesmo eu só falando ingles, ajudava um pouco porque som de filme antigo nunca é muito bom, mesmo o som do lugar sendo ótimo.) e poder pular um poquinho e ficar com menos frio (já disse que é verao aqui?).

Depois eu vou postar a minha critica do filme. Valeu muitíssimo a pena ver ele numa tela tao grande. Na televisao em casa com certeza ia perder muito. E na cena do aviao, varias pessoas passando em frente a tela quase foram pegas. rs A roda do aviao passou raspando na cabeçinha de algumas.
O filme terminou bem tarde, quase 1 da manha, acho. Assim que acabou, saímos correndo para fugir do frio e nao perder o ultimo metro (o ultimo metro mesmo, nao o filme).

Abaixo, algumas fotos que tirei. Nao ficaram muito boas, mas da pra ter uma ideia de como era o lugar.

escadinha feita de banco

cadeirinhas levadas de casa. rs


fotos que tirei quando passei por lá de manhã, no primeiro dia do festival.

domingo, 30 de agosto de 2009

A Vida Não Mais em Cima de um Cinema

Nos mudamos ontem para o lugar onde vamos morar mesmo. Sinto saudades de ir no cinema sem nem colocar o pé na rua, mas fico feliz que a minha gata nao fique mais correndo de um lado para o outro tentando pegar uma criatura invisivel. Aqui tem mais espaço e ela nao está fazendo isso. Por enquanto.
Adicionar imagem

Mas nao pense que eu estou desmunida de coisas para jogar na cara dos outros. De jeito nenhum. A casa em que estamos é de uma familia com dois filhos pequenos, e eles deixaram uma porrada (muito mesmo) de DVDs na sala. A questao é que a maioria é de Mini Eisnteins, Ben 10, Homem Aranha e outras coisas muito cults. Eu até gosto de filmes cults, mas nao desses.

Mas para a minha felicidade, os pais tambem tem os seus DVDs! Tirando algumas coisas de muito mal gosto (Sex and The City), tem muitos filmes que eu tava querendo ver, como: Os Pássaros, 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, Blade Runner, Pulp Fiction, O Dia Em Que a Terra Parou (sim, o original!), Corra, Lola, Corra, O Grande Ditador, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain (mesmo eu cada vez tendo mais certeza de que vou achar um porre, eu quero ver ele. Se bem que é melhor nao ter visto do que odiar um filme que tanta gente idolatra.), uns curtas da Pixar e outras coisinhas interessantes ou no minimo boas para um dia chuvoso.

Ainda nao descobri uma boa locadora por aqui, mas acho que estou bem equipada por algum tempo. E ainda tenho o Hairspray do John Waters (que eu comprei no Cinema Du Parc por 5 dólares e nem vi ainda) e 4 filmes (Acossado, Pequena Miss Sunshine, Juno e Charada) que trouxe do Brasil por terem a regiao compativel com a daqui.

A única e grande desvantagem disso é que eles nao deixaram os DVDs porque sao gente boa e legais. Eles deixaram os DVDs e MUITAS outras coisas junto. No meu quarto tinha um bonequinho do homem aranha, meias jogadas, muitos brinquedos e uma quantiade bem legal de poeira. E na geladeira 70% das coisas estavam vencidas. E uma boa parte desde o ano passado. Legal, né? :D

Mas depois de tirar o homem aranha, a poeira, os brinquedos e uma mesinha de plastico, e colocar minhas fotos de cinema (Humphrey Bogart, dele com a Audrey Hepburn em Sabrina, do ...E O Vento Levou e do Hitchcock com 2 pássaros no ombro), um cartaz (lindo, lindo, lindo, lindo) de Casablanca, uma montagem da Audrey com o Gregory Peck no Rio e a minha coleçao de porta-copos de cinema, me sinto mais em casa.



-Alice


Minha coleçao de porta-copos. Ela nao é linda?