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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Desvalorizando uma Suposta Obra Prima

Felizmente, nao fui atropelada por um alce louco, nem atingida por um disco de hockey. E não fiquei com preguiça como eu disse que nao iria ficar, afinal, preguiça é coisa de loser. Digo, de gente mais loser do que eu. Enfim, o fato é que eu terminei de escrever a crítica de Um Corpo Que Cai, e vou entao poder começar a trabalhar no post sobre Estranhos No Trem na minha próxima aula de ciencias.




ATENÇAO: ESSE TEXTO É ALTAMENTE NÃO RECOMENDADO PARA PESSOAS QUE GOSTARAM DE UM CORPO QUE CAI! REPETINDO: ALTAMENTE NÃO RECOMENDADO!!!

Caso você tenha ignorado o aviso e tenha continuado a ler, gostaria de deixar bem claro que não me responsabilizo por ataques de raiva ou qualquer outro dano psicológico que a crítica possa causar.

Como eu respeito e gosto muito do Hitchcock, e acho ele realmente genial em alguns filmes, fiquei sem entender como Vertigo (titulo original de Um Corpo que Cai) é tão ruim e é dele, mesmo o filme sendo considerado genial por muita gente. Não consigo entender mesmo como o diretor de um filme tão sutil como Interlúdio pode ser o mesmo de um outro tão não sutil, como o Vertigo. Depois de pensar muito nisso, fiz uma pesquisa sobre o Hitch para saber se ele tinha dupla personalidade ou coisa do gênero, mas não achei nada. Como eu realmente não consigo acreditar que ele tinha uma personalidade estável e fez Vertigo e Interlúdio, pernsei em 3 coisas que podem ter acontecido e que explicariam esse estranho fato.


1- Hitchcock tinha um irmão gêmeo do mal complexado com o fato que o Hitch era o filho favorito e profissionalmente bem sucedido. Esse irmão resolveu então seqüestrar o Hitch durante a produção de Vertigo para que ele dirigisse o filme e provasse que era muito talentoso e que a mãe deles foi injusta em não apoiá-lo na sua genialidade. Em parte, o plano dele deu certo, já que Vertigo é super conceituado. Mas na minha opinião, ele continua sendo o irmão loser.


2- Quem garante que a gripe suína não vem assombrando a sociedade desde 1958? Aposto que teve um surto de gripe nesse ano também, e o Hitch achou que era besteira esse negocio de ficar lavando a mão. Mas acontece que nessa coisa de trabalhar com uma equipe enorme e tal, ele deve ter apertado a mão de um cameraman que tava gripado, e passou pra ele. Uma pena que esse cameraman não tenha apertado a mão da Kim Novak também e passado a gripe para ela. Mas o fato é que nosso querido mestre do suspense teve que ficar de cama durante toda a produção do filme, e foi a Paty Hitchcock, sua filhinha querida que sempre é coadjuvante nos filmes dele que acabou dirigindo Vertigo e meio que se vingou do pai nao a colocar como protagonista.


3- Todos nós entramos em crise em algum momento da vida. Pois é, na época de Vertigo, Hithcock tinha 59 anos. Estava bem no meio de uma bela crise de meia idade, passando pros sessentas, sabe como é, né. Além disso, eu imagino que foi nessa época que ele descobriu o paint no computador. Aí ele ficava o dia todo colorindo fotos, pintando o cabelo das pessoas de verde, colocando nariz de palhaço e chifrinhos nelas e fazendo aqueles desenhos super coloridos e deformados que todo mundo já fez um dia. Aí juntou crise de meia idade com descoberta do paint, e o resultado foi nada mais, nada menos, que Vertigo!! De onde você acha que vem a cena em que a cabecinha do James Stewart fica mudando de cor?


Seja o que for, a coisa que pra mim faz menos sentido é que o Hitchcock tenha de fato feito Vertigo sem nenhuma complicação na época.

Na verdade, não foi tãaao chocante assim ver Vertigo, já que a minha mãe (eu sei que é muito loser falar da minha mãe em quase todos os posts, mas espero que seja uma loseridade suportável) tinha me falado várias vezes que achava ele super estimado. Mas acontece que ele não é um bom filme, ou um filme regular que acham ótimo. Ele é um filme horrível que acham ótimo. Eu realmente não consigo achar uma qualidade nele. Não, na verdade consigo: a atuação do James Stewart é bem direitinha. Mas só isso. Sem exagero nenhum, não consigo achar qualquer outra coisa mesmo.


OS PARÁGRAFOS SEGUINTES REVELAM A HISTORIA PRATICAMENTE TODA


Agora vamos às justificativas. A primeira vítima vai ser o roteiro. Achei ele muito ruim e dividido. Tudo é muito mal amarrado, eu sinceramente fiquei com a sensação de um roteiro digamos...sujo. E o filme muda completamente de tom depois que a mulher morre. Ta, você pode dizer que era pra mudar mesmo. Mas acho que mudou demais. Não parece que é o mesmo filme, e sim uma continuação ou coisa do tipo. Tenho a sensação que ele não foi nem revisado e tal, pra mim o roteirista escreveu, levou para o estúdio e começaram a filmar, sem analisar o texto nem nada. Eu realmente achei ele muito estranho, não consigo acreditar que ele foi aprovado e de fato, filmado.


A próxima justificava vai mais para o lado pessoal mas a primeira parte do filme, que era um pouco sobrenatural, me irritou. Eu não gosto dessas explicações do além, eu realmente prefiro suspenses com uma base com mais lógica, sei lá, acho essa coisa de ficar baixando morto muito simples. Digo, qualquer um pode escrever uma historia de uma mulher que ficava baixando a avó, não consigo achar nada de especial, inteligente, excepcional nela. Ta, na verdade não é nem tão sobrenatural assim já que tem uma explicação psicológica. Que é outra coisa que eu também não gosto. Enfim, independentemente de ser sobrenatural ou psicológico, achei uma historia mal feita e muito óbvia, sem nada de interessante.


Achei que ele tem personagens demais, e não sabe lidar com eles. A amiga do James Stewart foi quem mais sofreu com isso. Ela aparece logo nas primeiras cenas e é apresentada como sendo importante para a trama. Não é. Depois do inicio ela passa a aparecer bem pouco, e na segunda parte do filme ela é completamente esquecida. Só aparece quando ele ainda ta na clínica, e ela nem fica sabendo que a Kim Novak voltou do reino dos mortos. Acho um absurdo total quando uma historia esquece dos personagens. Se não é para eles aparecerem mais, então que lhes dê um destino , mas deixar de lado é inaceitável. A pobrezinha ainda teve que ser a estrela de uma cena que dá tanta vergonha alheia quanto Mamma Mia: quando ela ta com ciúmes da Kim Novak e pinta um quadro igual ao da Carlota (a mulher que a Novak tava baixando) só que no lugar do rosto da Carlota coloca o dela. E essa obra prima ainda é vista de um jeito que metade da tela é o quadro, e a outra metade é ela sentada na mesma posição da pintura, meio que para comparar. Eu realmente não sei o que dá mais vergonha alheia: isso, Meryl Streep cantando e dançando Dancing Queen ou imaginar o Hitch filmando essa cena.


Mas acima de tudo isso, eu diria que o principal problema do filme (não que os outros sejam pequenos problemas, esse é um filme que até os menores defeitos são grandes) é a mão pesada. Pesadíssima. Achei tudo muito forçado. Historia, personagens, atuações, caracterização... a Kim Novak vai estar no top 10 das coisas mais fakes que já vi. Sempre com carão, e (isso não é nem culpa dela) com cabelo, maquiagem e roupas muito estranhos. Voce pode até querer dizer que isso é questão de gosto, mas bom... eu acho que é mais que isso. Porque ela está mesmo muito forçada. Tanto na 1ª quanto na 2ª parte. Na 2ª então, ta sempre com uma maquiagem muuuito pesada e estranha e com um cabelo também muito artificial. Na primeira também ta, mas acho que a na 2ª parte eu fiquei mais incomodada com a estranhice dela. Quanto à sua atuação, fiquei com a impressão de que ela se esforçou muito para fazer o filme. Só que o esforço não se converteu em uma boa atuação, e sim, em uma facilidade de ver que ela tava se matando para fazer as cenas. Eu quase sempre olhava para ela e parecia que ela tava pensando “estou atuando, essa não sou eu, é uma interpretação, olha como eu to me esforçando e como to sofrendo. Olha a minha cara de quem ta baixando morto e não ta entendendo nada do que está acontecendo”, com destaque para a ultima cena. Achei que ela fosse explodir de tanto esforço para atuar, a cara de “olha com eu to sofrendo” foi a mais forçada que já vi.


E falando em ultima cena: o que é aquela coisa? Depois de eu ficar duas horas e 8 minutos vendo a Kim Novak fazendo caras e bocas eu ainda tenho que ver ela morrer (pela segunda vez ainda por cima! A gente pensa que tá livre dela, mas não...a criatura tem duas vidas!) porque uma freira ouviu um barulho e subiu para ver o que tava acontecendo!! Aí ela sai da escuridão da torre de um jeito muito macabro, a Novak que tá sofrendo muuuito se assusta e cai da janela PELA SEGUNDA VEZ! E a janela nem terminava de cara, ainda tinha um pouquinho de chão, dava pra tentar de segurar, vai. E a freira nem fica impressionada com isso ou incomodada por ter meio que matado ela, só fala algo do tipo “oh, meu deus” super seriamente e faz um sinal da cruz. Ah, não! Isso foi falta de respeito! Depois de um filme inteiro é isso que eu recebo? Uma freira assassina? E eu queria ver o James Stewart se explicando que não matou ela.

“Ah, eu não levei ela para um lugar deserto pra matá-la não, é porque... sabe aquela mulher que morreu um tempo atrás? Aquela doida que ficava baixando morto? Então! Na verdade, o marido dela armou tudo e matou ela, e tinha duas mulheres, e a que morreu era a mulher dele, essa agora é uma outra que se parece muito com ela e ele pagou pra se passar por ela e fingir que tava baixando morto!! Só que depois eu encontrei ela e descobri tudo, e levei ela pra lá, mas eu não queria matá-la não, e a freira apareceu e ela se assustou e caiu. Eu sei que tava perto dela e podia muito bem tê-la empurrado, mas eu não fiz isso não. O senhor acredita em mim, não é seu juiz? O que? Cadeira elétrica? Naao, eu juro que não matei ela!!! A minha cabeça já ficou mudando de cor ao longo do filme, o senhor não sabe como isso é incômodo, eu não mereço ir para cadeira elé... AAAAAAAAAAAH!!!” Aí ele morre e algum tempo depois descobrimos que era tudo uma armação e na verdade o James Stewart mesmo está vivo e etc, etc.

Quando ela morreu pela primeira vez, eu olhei no tempo de filme do DVD e ainda faltava mais ou menos 1 hora. Eu pensei “Não é possível!! A mulher já morreu, o que mais tem para acontecer?” Mal sabia eu o que me esperava...

E é por todos esses motivos e mais alguns, que eu acho o filme meio trash. Só não é trash porque a principio é um filme sério, mas para mim, ele é recheado de coisas que chegam no limite da trashidade. Como as cenas que eu comentei, a mão pesada e o exagero na historia e etc. Não vai me dizer que a cabecinha colorida do James Stewart e a Kim Novak saindo do banheiro com fumaçinha branca atrás dela não são coisas trash? Não adianta dizer que tenho que considerar os recursos da época porque eu acharia essas coisas nada a ver mesmo que fossem feitas hoje com os melhores efeitos especiais possíveis.

Mas a grande pergunta é “Como esse filme é tão bem conceituado?” Quem conseguir responder essa pergunta ganha um doce. Não, dois. É uma pergunta muito difícil mesmo.
O Interessante é que segundo a Wikipédia (http://en.wikipedia.org/wiki/Vertigo_(film) ), o filme não foi muito elogiado quando foi lançado e também não foi um sucesso de público. Recebeu criticas meio misturadas, e poucas positivas. Com o tempo ele foi sendo revisto e começou a ser mais valorizado, quando foi relançado no cinema e chegou em VHS foi um grande sucesso comercial. O fato é que mesmo ele sendo muito considerado hoje, sua historia com o publico e a critica não é muito simples.

Espero ter sido bem clara com as minhas justificativas, e caso você tenha cabeçaduramente ignorado o aviso no inicio do post e tenha lido, fique à vontade para explicar porque as pessoas gostam tanto de Vertigo e ganhar os dois doces, mas argumentos como “Vertigo é uma obra prima do Mestre Hitchcock e se você não gostou é porque não entendeu o filme” não são argumentos de verdade.

A minha conclusão é que o Hitchcock deveria ter tomado mais cuidado com o irmão dele, lavado as mãos e que a mãe dele deveria ter confiscado o computador. Isso teria poupado a mim e à muita gente de desperdiçar 2 horas e 8 minutos de nossas vidas. 2 horas e 8 minutos que ficarão marcados para sempre com a Kim Novak fazendo carão e com a cabeça do James Stewart mudando de cor.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Um Exemplo Quase Perfeito

Critica de Quando Fala o Coraçao

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Eu tenho uma teoria que na verdade nunca uso, até porque acho que nunca acreditei muito nela.
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A teoria é de que praticamente qualquer historia pode dar um um bom filme. Tudo depende da qualidade de direçao, atuaçao, roteiro e narrativa. A idéia é que um filme é muito mais que a história dele, e que a sua trama pode ser muito importante ou quase secundária. Basicamente: a historia nao é o filme, e sim, uma parte dele. Mas nunca tinha visto nenhum filme que me ajudasse com essa idéia, entao nem me lembrava muito dela.
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Mas num belo dia ensolarado de sol, quando coelhinhos pulavam ao redor do arco-íris, assisti Quando Fala o Coraçao, e percebi que talvez essa minha teoria faça até algum sentido.


O Coraçao só nao é um exemplo perfeito porque a história é tao fraquinha e tao carregada de baboseiras psicologicas que ele nao vira um bom filme. Mas detalhes, detalhes... quem liga para eles?

Em primeiro lugar, gostei muito das atuaçoes. Ja gosto da Ingrid Bergman desde quando vi Casablanca, mas nesse filme a atuaçao dela me chamou mais atençao que o normal. Quanto ao Gregory Peck, só tinha visto A Princesa e o Plebeu com ele ha uns anos, entao nem me lembrava direito. Diferentemente do Montgomery Clift, que eu achei muito bonito e com muita presença mas nao um ator genial, o Gregory é muito bonito, tem muita presença e é um excelente ator. O personagem dele tem todos os problemas psicologicos que voce puder imaginar e mais alguns ainda. Enfim, tinha tudo para ficar muito caricato e estranho, mas o Gregory conseguiu fazer esse ser que vira e mexe fica fora de si de uma forma muito contida. Para mim, os melhores atores são aqueles que conseguem interpretar um personagem meio doido, que vive surtando ou é meio fora de si e continuarem sendo contidos. O Gregory é o exemplo perfeito para isso nesse filme.

Quanto à historia, eu achei muito fraquinha. Como eu disse, é uma metralhadora de explicaçoes psicologicas, e tem o negocio de interpretar o sonho que eu acho bem tosquinho. Mas é por isso mesmo que ele é um bom exemplo para a minha teoria. A historia é ruim, mas na minha opiniao, ela nem é tao importante assim no filme.

Ele tem uma narrativa interessante, acho que um pouco no estilo da do Interlúdio, só que nao tao boa quanto.

Tem a cena horrivel em que o Gregory Peck descobre porque tinha complexo de culpa e a Ingrid Bergman grita "agora voce descobriu o que te assombrava, voce está livre!" de uma forma bizarra, amadora, como se fosse uma adolescente numa peça de teatro da escola. Mas por outro lado a cena em que o Gregory desce as escadas num momento em que está fora de si com uma navalha na mao é muito boa. Meio assustadora de um jeito meio Crepúsculo dos Deuses, aquela coisa levemente macabra... só que Crepusculo dos Deuses é mais melancólico, e essa cena nao é. Tambem gostei muito da posiçao da camera no final dessa cena (que vemos o Gragory bebendo um copo de leite, mas é como se nós estivessemos bebendo o leite, é do nosso ponto de vista. E à medida que ele vai bebendo, o leite vai tampando o psicanalista que esta na frente dele) e da cena em que o verdadeiro assassino se mata, e tambem vemos tudo como se fossemos ele, a arma vira para o público, e atira.

E a direçao é muito boa tambem, como é em quase todos os filmes do Hitchcock.

Só nao é um exemplo perfeito porque a teoria é de que praticamente qualquer historia pode dar um bom filme, e essa está no limite mesmo. Mas como os outros elementos dele sao de alta qualidade, é um filme quaaase bom. Quem é chegado em psicologia vai gostar mais. Mas como eu nao sou chegada, as referencias infinitas a Freud me irritaram um pouco bastante.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

5 Hitchcocks

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Acabei demorando muito mais tempo pra escrever sobre o Intriga Internacional, mas tenho algumas boas desculpas:
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1- Vi mais filmes do Hitchcock pra nao falar muita coisa ignorantemente.

2- A minha semana foi meio doidinha

3- Preguiça :D

Mas eu tambem demorei mais porque fiquei preparando um post com criticas dos 5 filmes do Hitchcock que eu vi por agora. Ta, mentira, eu fiquei enrolando pra começar a escrever e estou fazendo tudo em cima da hora. Mas ninguem precisa saber disso.
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Assistir muitos filmes dele agora foi muito bom, ja que eu comecei o ano nao indo muito com a cara dele. Eu sempre tive uma simpatia muito grande pelo Hitch, e uma boa lembrança do Janela Indiscreta, que vi ha um tempo. Mas no inicio do ano vi o Pacto Sinistro e Ladrao de Casaca. O Pacto, por mais que as pessoas elogiem muito e algumas ate digam que é o melhor filme dele, eu achei muito ruim. Estou lendo o livro agora, que é da Patricia Highsmith, e gostando mutissimo muito. Quando eu terminar vou escrever sobre o filme e o livro. Quanto ao Casaca, eu nao achei ruim. É corretinho e tal, mas achei muito agua com açucar, aí fiquei meio desiludida com o Hitchcock. Mas como eu disse, era muito ignorante em relaçao a ele, entao agora, depois de assistir mais 5 filmes e pesquisar mais, voltei a admira-lo.

Depois do Intriga, assisti A Tortura do Silencio (maravilhosa traduçao de I Confess), Interludio (outra maravilhosa traduçao de Notorious...e sinceramente, eu nao sei o que nenhuma das palavras significa), Sombra de uma Dúvida (aeee, essa o tradutor acertou: Shadow of a Doubt) e o famoso Disque M para Matar (Dial M for Murder).

Como eu sou muito criativa, vou falar deles da ordem de pior para melhor.


Atençao: as criticas com um * revelam o final do filme ou alguma coisa importante no desenvolvimento da historia



Último lugar (loseeer!): Disque M para Matar *



É sem dúvida um dos Hitchcock's mais importantes e conhecidos. Mas nao sei muito bem porque ele tem essa fama toda. Nao é de todo ruim, é até direitinho. Mas foi mal adaptado de uma peça, ficou com um tom muito teatral. Passar de teatro pra cinema é dificil, claro, mas Dúvida e 12 Homens e uma Sentença sao exemplos de adaptaçoes que deram muito certo.

O título é meio apelativo e propaganda enganosa. Parece uma coisa toda do mal e macabra, mas é um filme bem de detetive, do tipo que se apoia muito de mais na soluçao do final.

Tinha gostado do marido da Grace Kelly na primeira cena, mas depois caiu um pouco. Se a atuaçao dele fosse melhor o filme ja ganharia muito. O amante é muito bobao. Quando ele chega pedindo pro marido (da Grace Kelly, nao dele. rs) falar pra policia que era tudo armaçao, ele nao parece estar querendo salvar a vida da Grace, e sim resolver um charada, tipo "ei, cara, descobri a resposta para aquela palavra-cruzada do jornal!". Sem falar que é muito sem noçao ele ter advinhado exatamente, exatamentissimamente o que o marido tinha feito. E como eu ja disse, tudo se apoia muito no final. Tem um tom meio Agatha Christie, de descobrir as coisas, só que fica só nisso e nao se preocupa com outros elementos da trama. O detetive tambem é meio tosco. Depois de ter acusado a Grace Kelly, ele começa a "defender" ela. Fica muito piscadela pro publico do tipo "viu, ele nao é do mal, nao. Voce ta pensando que ele tá contra a Grace, mas ele percebeu que o marido que é do mal. Esperto, né?!".

Quanto a Grace Kelly, nao me chamou muita atençao, acho ela uma atriz correta. Talvez se a minha mae nao quase me matasse toda vez que eu sacaneio a Grace um pouco, eu gostaria mais dela.

Enfim, nao achei horrivel, mas fraquinho e sem graça. Se é pra brincar de detetive e tentar descobrir as coisas eu posso ler Agatha Christie ou jogar Scotland Yard. Um filme desse tipo pode ficar sim muito bom se der atençao à mais coisas alem da soluçao final.

Ah, e um outro sério problema dele é que na noite seguinte que eu vi, meus pais sairam de casa e pouco depois me ligaram. E eu estava perto de uma cortina!! Acho que vou ficar com medo de telefones tocando à noite por alguns dias.




Penultimo lugar (semi-loser): Sombra de uma Duvida



Minha mae vai reclamar que ela faz de tudo pra eu nao criar muita expectativa para um filme que ela gostou e me decepcionar depois, mas eu criei muita expectativa para esse filme e me decepcionei depois. Por parte, foi porque a minha mae tinha falado que era muito legal. A outra parte foi porque é um dos filmes favoritos do Hitchcock (dos que ele fez né, ninguem é tao metido assim. Acho).
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De cara, nao gostei mesmo. Tinha achado as atuaçoes muito ruins, a trama muito banal ("toda familia tem os seus segredos"), e umas cenas meio nada a ver.

Depois de reclamar da minha reclamaçao do filme e defende-lo, minha mae me fez mudar de ideia. Mas nao tanto assim. rs


Retiro o que disse sobre a trama, porque ela nao se foca nessa coisa de segredos. É mais sobre a Charlie, sobrinha bobinha e ingenua de uma cidade pequena, tendo que lidar com um choque de descobrir coisas macabras sobre o tio, e a relaçao dos dois. O problema é que as cenas deles juntos nao parecem cenas de tio e sobrinha, mas sim, de amantes. Se voce vir aleatoriamente, sem saber nada sobre o filme, nao vai achar que sao parentes. Esse é um grande defeito, ja que essas cenas sao muito importantes.

Tinha achado a atuaçao dos dois muito ruins. Mudei minha opniao sobre a sobrinha, mas continuo achando o tio um personagem, ou mal interpretado, ou mal construido. Quanto a menina, ainda acho que poderia ser melhor, mas concordo com a minha mae que menina bobinha e ingenua de cidadezinha pequena costuma ter esse perfil.

Acho as cenas do pai com o amigo discutindo formas de matar pessoas meio paralelas demais. Parecem terem sido colocadas la só pra ficar meio engraçado, "que legal! Duas pessoas discutindo sobre a melhor forma de assassinar alguem!". Elas só cruzam com a historia mesmo quando a Charlie, depois de descobrir as tais coisas macabras sobre o tio, surta por ficar incomodada com eles falando de morte.

Outra cena que é muito fraquinha mesmo é quando a Charlie vai jantar com o detetive, e do nada, passa de um momento em que eles estao rindo, pra outro com a Charlie assustada, depois do detetive ter contado sobre o tio dela. A transiçao é horrenda. Eu até voltei o filme pra ver se nao tinha pulado nenhuma cena. Muito mal feita mesmo.

Mas tirando essas coisas (pequeninos detalhes), achei ele interessante. O jeito como a familia admirava o tio é muito bom, e a mae (irma do tio) tambem é um bom personagem. O jeito como a Charlie vai amadurecendo a força ao longo do filme tambem é muito bom. As decisoes que ela toma e o jeito como ela reage sao muito bem feitos e a deixaram uma personagem muito bem trabalhada tambem. Pena que nao foi feito o mesmo com o tio, coisa que seria essencial.

Ah, e uma das ultimas cenas, quando a Charlie desce da escada, é de uma sutileza muito boa. Diria que é a melhor cena do filme.

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Lugar do meio (mais ou menos loser): Intriga Internacional *



De novo, a expectativa diminuiu o impacto do filme. Quem foi que inventou ela? Coisa mais desnecessaria...

Dessa vez a expectativa veio de um top 100 (http://www.interney.net/blogs/filmesdochico/2009/01/29/6_anos_100_filmes/) que vi num blog de cinema que eu gosto. O Intriga estava em 4º lugar. Aí eu obviamente fiquei esperando um filmao.

Pra começar, eu gostei. Acho que o meu principal problema com ele é que eu daria um rumo totalmente diferete para a historia, o que a transfomaria em outra coisa, entao nao é um defeito, é só uma opniao pessoal. Na verdade, eu achava que era diferente. Eu pensava que o Cary Grant era confundido com um agente, e os seus colegas agentes nao conseguiam entender quem ele era realmente, entao tinha que fazer as missoes. É muito diferente disso. Ele é confundido pelo inimigo, que nao acredita nele quando diz que pegaram a pessoa errada. Eu achei esse inicio muito mais interessante do que o que eu achava que era, com certeza.

E o inicio é de fato uma das melhores coisas do filme. Depois de ter escapado dos inimigos, as pessoas nao acreditando no que aconteceu é otimo, e ele cismado em provar a verdade, procurando o agente com o qual confundiram com ele, e nisso só parecendo que ele é de fato o cara. Ele vai se envolvendo naquilo, cada vez deixando mais claro para as pessoas que ele era o agente mesmo.

O publico tambem vai ficando angustiado, pensando "onde que a droga do agente ta que ele nao aparece?!" (eu pensei isso pelo menos, e estou sem evidencia alguma assumindo que mais gente tambem pensou. Mas detalhes, detalhes) mas logo isso é respondido, quando descobrimos que o agente nao existia. Era uma inveçao da CIA para destrair os caras que eles estavam espionando. É nessa hora que eu mudaria o rumo da historia. Eu acho que ficaria muito melhor se ficassemos o filme todo quase tendo um ataque sem entender onde o agente estava, e descobrissemos só no final que a criatura nao existia. Mas a historia segue bem de qualquer jeito. Só acho que a melhor ideia do filme é a da nao existencia do agente, que logo acaba.

Mas outra coisa muito boa no filme sao as cenas. Ele tem algumas cenas muito boas e marcantes, que ficaram ainda melhores na telona a céu aberto. A cena dele fugindo do aviao é muito boa, e ele descendo os rostos dos presidentes no final tambem. É até chato pensar que rever ele na TV vai perder muito. Essas partes ficaram realmente deslumbrantes na telona.

E acho que parte da fama de maior diretor de suspense do Hitch vem dessas cenas muito boas, e da variaçao no estilo do filme. Ele tem coisas mais serias, tem coisas bem bobinha, e tem algo bem no meio do caminho, tipo Intriga. Ele é um suspense, mas nao do tipo que exige toda a atençao possivel e muito raciocinio. E ele é cheio de piscadelas (dessa vez sendo uma coisa positiva) pro publico, como a cena em que o Cary vai tomar banho e fica cantarolando Cantando na Chuva. Todas essas coisas que deixam o filme mais simpatico e agradavel sao muito bem feitas, e é daí que eu acho que vem a importancia do Hitch.

Nao concordo com o top 100 que colocou o Intriga em 4º lugar. Ele é um entretenimento de primeirississima qualidade, e nesse ponto é genial sim, mas nao é um filme para ser um dos melhores ja feitos. A grande qualidade dele é que é universal (ou seria internacional? hehe. Piadinha sem graça...), qualquer um pode gostar, nao tem um publico expecifico. E é muitissimo bem feito, uma produçao caprichada.

Só que ele nao é muito serio, tem um lado glamuroso, mais romantico, na verdade. Essa foi outra coisa que diminuiu ele pra mim, nao que isso seja uma coisa ruim, é porque achava que ele fosse diferente. Como eu disse, expectativa é inutil.

Ah, e eu diria que a unica coisa que eu realmente achei muito ruim no filme foi o final. Meu pai, o que era aquela cena de casamento??? Nada a ver! Mestre do suspense e romantico bobao nao combinam.

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Segundo lugar (ainda nao é o vencedor, entao é meio loser): A Tortura do Silencio, que eu vou chamar de I Confess, porque esse titulo em portugues é insuportavel.



Ia ver esse filme no festival de filmes ex-censurados do Cinema Du Parc, mas o festival foi cancelado. Nao sei o motivo, mas acho que foi censurado. rs


Pouco depois da censura do festival, achei o I Confess na minha querida bibliotequinha. Foi o primeiro que eu vi depois do Intriga, e gostei muito!! Ele tambem teve um começo diferente do que eu esperava: achava que o cara ia confessar o crime meio que sem querer, nao com a intençao de ser no lugarzinho de confessar la, para o padre nao poder contar para ninguem. Mas achei mais interessante desse jeito.


Os personagens sao todos muito bem construidos, e o filme nao tem tom de ficar apontando mocinho e vilao em momento algum. O assassino é muito interessante, porque na verdade a morte foi um acidente, e o jeito como ele vai ficando dominado pela angustia e o medo de ser descoberto é otimo.

É cheio de ambiguidades, dá direito a vaarias interpretaçoes, coisa que eu adoro. A Anne Baxter tentando ajudar o padre é muito bom, principalmente o fato de depois de ter contado mil coisas que ela nao queria contar, só ter deixado ele mais enrolado ainda.

O detetive me chamou muito a atençao. Ele tem um jeito meio sadico, de nao querer só resolver o caso, mas de um prazer em ver as pessoas se ferrando ao descobrir provas contra elas. Achei um personagem muito bem escrito e interpretado.

Montgomery Clift, o padre, nao sei nem dizer se ele é um otimo ator, mas ele tem uma presença impressionante. Gostei da atuaçao dele sim, mas a beleza chama mais atençao. rs Se ele fosse padre de uma igreja perto da minha casa até eu ia na missa todos os dias.

Toda a historia é muito bem contada, com personagens muito bem feitos e complexos, nao tem a pretensao de dividir bem e mal (poderia se dizer que o assassinado era meio do mal, mas a narrativa nao se preocupa em focar isso), permite varias interpretaçoes, tem atuaçoes muito boas, tudo se encaixa e é bem amarrado.

Esse é bem sério mesmo, sem qualquer glamour. Nao que glamour e seriedade sejam opostos, mas os outros 3 filmes que tinha visto dele esse ano antes tinham mais glamour e romance (menos o Pacto Sinistro. Esse é ruim mesmo), e eu tava achando que ele ficava mais nisso mesmo, que nao fazia filmes, digamos, mais frios. Entao fiquei muito feliz em ver um filme dele num estilo diferente, e vi que ele fez sim filmes mais frios, e muitissimo bem.

Ah, e parece que ele foi censurado por causa da cena que uma multidao tenta atacar o padre. Motivo bobo e forçado.


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Em primeirissimo lugar, o grande vencedor, o qual eu nao sei o que o nome significa, INTERLUDIOO!!




Peguei o Interludio mais porque era com a Ingrid, e por ser um filme importante do Hitch. Mas estava esperando algo no estilo de Ladrao de Casaca. Nadica de nada a ver. Casaca é mais bobinho, é bem entretenimento mesmo, mas sem grandes caprichos tipo Intriga. Interludio nao é bobinho, tem dialogos importantes para a historia, é sutil e exige concentraçao.

De inicio, eu estava meio de saco cheio dele, porque eu achava que era bobinho, e tava aquela coisa seria, devagar, sem bobice na minha frente... eu nao tinha me preparado psicologicamente para isso! Mas ele prendeu a minha atençao, e quando terminei de ver tinha gostado, mas estava meio chateada porque esperava algo diferente, e porque nao estava tao concentrada assim para assistir a um filme cheio de indiretas e sutilezas.

Mas depois de alguns dias, o lado de ter assistido despreparada foi ficando mais insignificante, e as qualidades do filme começaram a me chamar mais a atençao.

Acabei gostando muito. Muitssimo muito. Acho que a gente só descobre se o filme é um dos nossos favoritos com o tempo, mas acho que ele vai fazer companhia pros meus 3 preferidos (Casablanca, 12 Homens e uma Sentença e Crepusculo dos Deuses).

É dificil dizer o que eu mais gostei nele, mas a sutileza me chamou muito a atençao. Como eu ainda nao vi muitos filmes, diria que é o mais sutil que eu ja vi. Tudo é muito delicado, o roteiro é sem pressa e cuidadoso com os minimos detalhes.

Isso leva a outra coisa que eu gostei muito: a narrativa. A historia é contada de uma forma muito diferente do comum. Sei la, é até dificil de explicar, mas ele consegue, sem esnobar coisas importantes, se focar na relaçao entre a Ingrid, o Cary Grant e o Claude Rains. Até nos esquecemos do lado de espionagem da historia. É mais romance do que suspense. Mas nao acho que seja um romance muito romantico, ele é mesmo sobre a as pessoas se relacionando, e tem um lado meio ironico e cinico. Ah, é dificil de explicar, ja tive uma dificuldade pra chegar a uma conclusao sobre o assunto que ele trata, explicar vai ser mais dificil ainda...rs

Os personagens sao bem construidos, e geram varias interpretaçoes em cima do que eles falam e fazem. As poucas cenas da Ingrid com o Cary sao todas muito boas cheias de sutilezas, indiretas e ironias. Uma pena ter visto o filme em ingles, com isso eu aproveito menos essas coisinhas do dialogo. Eu queria ter revisto ele mais preparada pro estilo, mas acabei devolvendo antes. Vou acabar revendo antes de voltar pro Brasil de qualquer jeito, até la eu ja vou conseguir pegar essas coisinhas nos dialogos melhor.

Uma cena muito boa é a ultima. Diferente do que eu achava que seria essa cena de fuga (tinha lido sobre ela antes), ela é devagar, nao de perseguiçao. É realmente uma senhora cena, porque mesmo sendo calma e lenta, tudo acontece muito rapido, da a sensaçao de o tempo estar acabando, uma agonia. O personagem do Claude Rains nao sabe o que fazer e tem só aquele tempo de descer a escada pra resolver. Ah, nao dá pra explicar direito a cena, ainda mais tentando nao estragar o final.

Enfim, acho que ele tem um jeito meio Casablanca. Um pouco cinico, sutil, ambiguo, e tem a Ingrid Bergman e o Claude Rains rs. Só que Casablanca nao é tao sutil assim, tem um certo tom de aventura, é muito mais cinico e nao tem essa narrativa diferente. Acho que gostei muito dele por um lado pessoal mesmo, como Casablanca (3º Casablanca do paragrafo, caramba!). Até porque os meus filmes favoritos eu nao gosto deles só pelo lado tecnico (que na verdade sempre está meio relacionado ao lado pessoal rs), tem alguma coisa no filme que me chamou atençao, ou que me identifiquei. É o que eu acho que seja a definiçao de filme favorito: nao necessariamente o que voce considera melhor, mas o que te marca (ai, que brega) de alguma forma. O 12 Homens eu gosto muito, mas ele é mais pra um lado tecnico e menos pessoal, gostei dele por causa dos dialogos, e ele me marcou com isso. Mas nao como Casablanca, que eu me identifiquei com o cinismo. Fico até meio sem graça de elogiar tanto o filme para as outras pessoas, ja que acho que os nao cinicos nao vao ver tanta graça.

Peço desculpas por nao ter justificado muito bem, nem analisado muito tecnicamente, mas foi porque eu gostei muito dele mais pelo lado pessoal. Mil desculpas mesmo, porque eu odeio quando as pessoas vao fazer critica de um filme e os seus argumentos sao que é "lindo e emocionante". Espero ter usado argumentos melhores que estes...

Aluguei já o Festim Diabólico, O Homem Errado, Quando Fala o Coraçao e Um Corpo Que Cai. Vi o ultimo hoje de tarde, quando o post ainda nao estava pronto. Depois eu faço um outro grupo de criticas com esses.

Espero ter sido clara nos motivos por ter gostado ou nao dos filmes. Quem discordar se manifeste, mas nao venha me dizer que o filme é lindo e emocionante, por favor.

-Alice

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A Aula de Francês Mais Útil de Toda a Minha Vida

A minha primeira aula de frances aqui foi meio estranha, porque a professora pegou uma vassoura suja, e passou a mao nela, pra explicar como as bacterias se escondem na lingua e como fazer para acabar com o mau halito. Na verdade eu continuo sem saber como, porque nao consegui prestar atençao no que ela falava, só nas naquelas maos passando nas bolinhas bem grandes de pó, e nelas tocando o rosto dela depois, sem serem lavadas antes.

Mas eu de fato aprendi uma das coisas mais valiosas e úteis de toda a minha vida escolar: tem numa estaçao de metro, nao muito longe da minha, uma biblioteca gigante, que é de graça, onde voce pode alugar livros, CDs e filmes.

Sim, de graça. Basta ser residente de Quebec, mostrar comprovante de residencia e de identidade, que voce ganha uma carteirinha com a qual voce pode pegar no maixmo 3 filmes de uma vez, e ficar com eles durante uma semana. E se nao for tempo o suficiente, voce pode pedir mais tempo. Tambem tem um site na internet onde voce pode procurar os filmes que eles tem, ver se estao disponiveis, reservar, renovar o que voce pegou e etc.

O acervo de filmes é excelente, o que é um sério problema, porque ele tem muitos classicos e filmes importantes que eu ja deveria ter visto ha muito tempo. Agora a questao é ver qual que vai passar na frente do outro. Se eu conseguir pegar eles, né, porque fui procurar Cidadao Kane e estavam todos alugados. Mas ja fui la duas vezes e dei uma catada no hitchcocks, porque vi muito poucos filmes dele e andava muito preconceituosa devido aos ultimos que tinha visto.

Mas se tudo isso é ótimo, a organizaçao dos filmes nao é. Sao separados por genero, mas essa classificaçao é meio doida. Nao tem suspense, e os hitchcocks estao divididos entre policial e drama. Os filmes estao teoricamente por ordem alfabetica do nome do diretor, o que nao é uma boa tecnica, ja que é muito facil voce querer ver um filme e nao saber quem dirigiu. Na ultima vez que fui la, ainda descobri que as pessoas pegam uns 20 DVDs pra escolher qual que vao levar, e depois deixam numa mesinha. Na verdade isso é o que eles pedem que seja feito, ate porque só ficaria mais bagunçado se as pessoas colocassem de volta, mas piora a busca mesmo assim. Vi que tinha o Montanha dos 7 Abutres disponivel mas nao consegui achar e nao tive paciencia pra procurar nas mesinhas.

Ja que a minha professora de frances é muito doida e eu realmente nao gostei dela, vou tentar lembrar que descobri a biblioteca na aula dela toda vez que eu ficar com raiva das maluquices que ela faz. O que vai acontecer toda a aula.

domingo, 30 de agosto de 2009

A Vida Não Mais em Cima de um Cinema

Nos mudamos ontem para o lugar onde vamos morar mesmo. Sinto saudades de ir no cinema sem nem colocar o pé na rua, mas fico feliz que a minha gata nao fique mais correndo de um lado para o outro tentando pegar uma criatura invisivel. Aqui tem mais espaço e ela nao está fazendo isso. Por enquanto.
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Mas nao pense que eu estou desmunida de coisas para jogar na cara dos outros. De jeito nenhum. A casa em que estamos é de uma familia com dois filhos pequenos, e eles deixaram uma porrada (muito mesmo) de DVDs na sala. A questao é que a maioria é de Mini Eisnteins, Ben 10, Homem Aranha e outras coisas muito cults. Eu até gosto de filmes cults, mas nao desses.

Mas para a minha felicidade, os pais tambem tem os seus DVDs! Tirando algumas coisas de muito mal gosto (Sex and The City), tem muitos filmes que eu tava querendo ver, como: Os Pássaros, 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, Blade Runner, Pulp Fiction, O Dia Em Que a Terra Parou (sim, o original!), Corra, Lola, Corra, O Grande Ditador, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain (mesmo eu cada vez tendo mais certeza de que vou achar um porre, eu quero ver ele. Se bem que é melhor nao ter visto do que odiar um filme que tanta gente idolatra.), uns curtas da Pixar e outras coisinhas interessantes ou no minimo boas para um dia chuvoso.

Ainda nao descobri uma boa locadora por aqui, mas acho que estou bem equipada por algum tempo. E ainda tenho o Hairspray do John Waters (que eu comprei no Cinema Du Parc por 5 dólares e nem vi ainda) e 4 filmes (Acossado, Pequena Miss Sunshine, Juno e Charada) que trouxe do Brasil por terem a regiao compativel com a daqui.

A única e grande desvantagem disso é que eles nao deixaram os DVDs porque sao gente boa e legais. Eles deixaram os DVDs e MUITAS outras coisas junto. No meu quarto tinha um bonequinho do homem aranha, meias jogadas, muitos brinquedos e uma quantiade bem legal de poeira. E na geladeira 70% das coisas estavam vencidas. E uma boa parte desde o ano passado. Legal, né? :D

Mas depois de tirar o homem aranha, a poeira, os brinquedos e uma mesinha de plastico, e colocar minhas fotos de cinema (Humphrey Bogart, dele com a Audrey Hepburn em Sabrina, do ...E O Vento Levou e do Hitchcock com 2 pássaros no ombro), um cartaz (lindo, lindo, lindo, lindo) de Casablanca, uma montagem da Audrey com o Gregory Peck no Rio e a minha coleçao de porta-copos de cinema, me sinto mais em casa.



-Alice


Minha coleçao de porta-copos. Ela nao é linda?