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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Primeiro e o Último Truffauts

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Coincidentemente, peguei na biblioteca o primeiro filme do Truffaut (Les 400 Coups, Os Incompreendidos) e o último (De Repente num Domingo, Vivement Dimanche!). São completamente diferentes: 400 Coups é sério e meio autobiografico, e Dimanche é uma grande piada sobre os filmes de misterio.
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De qualquer jeito, gostei dos dois. Também dei uma pesquisada sobre o Truffaut e descobri coisinhas muito felizes sobre ele. :D Tá, talvez nao tao felizes assim, mas descobri que ele acabava com os filmes que fazia critica no Cahier du Cinema, revista na qual ele escrevia antes de virar diretor, e que se divertia muito mais falando mal deles do que elogiando (alguem me entende!!). Com isso fiquei mais a vontade para esculachar os filmes e também, mais simpatica a ele.
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Também adorei o que ele começou a fazer quando tinha 14 anos: saiu da escola e resolveu se auto ensinar. Seus objetivos escolares eram assistir 3 filmes por dia e ler 3 livros por semana. O problema é que os meus pais nao se animaram muito com essa ideia.
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No DVD do 400 Coups tinha alguns extras do Truffaut falando de como ele começou a fazer cinema, do Jean-Pierre Léaud (o menino do filme) em Cannes, o teste de camera dele, e outras coisinhas. O problema é que era sem nenhuma legenda, entao nao consegui entender tudo direitinho, mas depois de voltar a cena muitas vezes e perguntar para os meus pais o que eles estavam dizendo, consegui pegar a ideia principal.
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Com certeza vou pegar mais filmes dele na proxima vez que for na minha bibliotequinha queridinha do meu coraçaozinho, até para melhorar o meu frances e ficar mais a vontade na aula da minha professora doida cheia de bacterias nos dentes.

O primeiro filme que vi dele foi Jules e Jim, na metade do ano, que gostei bastante. Infelizmente, depois bati a cara com O Último Metrô e Fahrenheit 451. Mas mesmo com essas decepçoes, acho que os filmes dele têm uma simplicidade e delicadeza que chamam atençao. Desses 5 filmes que eu vi, todos eles têm alguma cena marcante ou sacaçoes interessantes.

Uma das coisas que mais me chamaram atençao no 400 foi a mesma que no Jules e Jim: a imparcialidade. Nenhum dos dois filmes julga os personagens, os dois têm muita sutileza e nao ficam apontando bonzinho e mauzinho. Contam a historia de uma forma meio distante, mas ao mesmo tempo têm um carinho com ela e os personagens.

Se voce ainda nao dormiu ou foi fazer outra coisa e conseguiu aguentar essa introduçao gigante, meu pai! Voce deve ser muito sem o que fazer, heim. Mas obrigada pela paciencia, e espero que voce ainda tenha um pouco dela e leia as minhas criticas do Vivement Dimanche! e do Les 400 Coups... por favor?





De cara estava achando ele meio chatinho, e a legenda ruim atrapalhou muito. Eu nao entendia direito nem o que estava escrito nem o que eles tinham dito. Acabei perguntando muita coisa pros meus pais. Mas achei ele muito simpatico, leve, divertido, e bem feito. As atuaçoes sao boas, a Fanny Ardant tem uma presença de cena impressionante.

Ele é uma grande piada dos filmes de misterio, do tipo que vao aparecendo cada vez mais coisas misteriosas e voce fica meio confuso. Junta todos os cliches desses filmes e os usa muito bem, incluindo a famosa falsa estante que gira e te leva para um lugar macabro, e o fato do assassino ser a ultima pessoa que voce pensaria.

Uma brincadeira muito bem feita. Mais bem feita que boa parte dos filmes sérios. Uma pena que o titulo em frances nao dá para traduzir perfeitamente. É uma expressao que significa algo como "to doido pra isso acabar!" (haha! Eu sou muito boa em frances, conheço todas as expressoes...ta, foi a minha mae que me falou isso). Mas poderia ser algo melhor do que o titulo que colocaram, pois com De Repente num Domingo dá a entender que o filme se passa num domingo, o que nao é verdade.





Como ja disse, a imparcialidade me chamou muito a atençao. Quantas pessoas conseguem fazer um filme sobre um menino que vive brigando com os pais, foge de casa e rouba dinheiro da avó sem defender o menino ou ter uma explicaçao psicologica do tipo "ele é assim porque comeu pao podre quando tinha 3 anos"? E quantas pessoas conseguem fazer isso no seu primeiro filme? O Truffaut, que assistia os filmes mil vezes para entender como eles foram feitos e via 3 filmes por dia quando tinha 14 anos consegue. Mamae, papai, agora voces me deixam sair da escola? Pro bem da minha carreira...voces nao querem que eu seja bem sucedida?


O Jean-Pierre Léaud, ator principal, é ótimo. A cena em que ele conversa com a psicologa, que nao tinha dialogos escritos, foi meio de improviso, é muito boa. Nao dá pra entender como uma criatura de 13 anos consegue atuar tao bem no primeiro filme que faz. Bizarro.


Tem algumas cenas que sao realmente excelentes, como a cena do carrossel (aquilo é um carrossel? Ah, aquele negocio que gira), a da psicologa, a dele correndo, a dos meninos fugindo da aula de educaçao fisica, dele fazendo o bilhete pra justificar ter faltado aula e muitas outras. O filme é com certeza cheiinho de cenas que chamam atençao.


Acho que o titulo em portugues (Os Incompreendidos) estraga um pouco, fica parecendo um negocio mais psicologico, tipo "ninguem me entende, bua, bua...", que nao tem nada a ver com o filme. Acho o titulo original muito mais simpatico e coerente. Les 400 Coups quer dizer algo como "os 400 golpes", sendo "golpe" no sentido de apanhar, tanto literalmente quanto num sentido mais amplo.


Trata com delicadeza, cuidado e sem muito drama de uma historia relativamente pesada, e que pode virar uma porcaria transbordando cliches muito facilmente. Com toda a sinceridade: pra que ir a escola?