
Anteontem terminei de ver a trilogia de 4 filmes e 1 curta do Truffaut, com o personagem Antoine Doinel, interpretado por Jean-Pierre Léaud.
Antoine é uma espécie de alter-ego do Truffaut. No primeiro filme a historia era bem auto-biografica, mas com o tempo o personagem foi seguindo o seu proprio caminho.
Eu cheguei a fazer a critica do Os Incompreendidos, mas dos outros filmes nao. Entao agora vou colocar aqui algumas mini-criticas (nao tao minis quanto as do ultimo post) sobre a trilogia, em ordem cronologica, e fazer uma analise geral da série toda.
Os Incompreendidos (Les 400 Coups, 1959)
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Se quiser ler o que achei do filme mais especificamente, é so procurar um post com o nome "O Primeiro e o Ultimo Truffauts". Peço desculpas por nao colocar o link. O blog ta com algum problema, e nao consigo copiar e colar nada no post. O que tambem justifica a falta de acento nas palavras, porque nesse teclado so descobri onde acentuar o "é" e nao posso copiar e colar as vogais acentuadas de outro lugar.
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É meio injusto comparar esse filme com os outros da trilogia, mas é inevitavel. Esse é de longe e sem qualquer sombra de uma duvida (trocadilho idiota) o melhor filme do Doinel, e um dos melhores do Truffaut (pelo menos do que vi até agora). É até meio estranho o primeiro filme dele ser muito melhor que outros que ele fez quando ja tinha muito mais experiencia. Mas uma das grandes qualidades do 400 Coups em relaçao aos outros filmes é que o Léaud esta uma criança muito fofa e com uma interpretaçao maravilhosa. Ja nos outros, ele ja nao é mais criança, e consequentemente, deixou de ser fofo e bom ator. Uma pena. Como uma tia minha diz, "criança genial, adulto mediocre".
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O Amor aos 20 Anos (Antoine et Colette, 1962)
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.Nao juro que esse é o titulo em portugues, mas na verdade o nome desse curta é meio mal resolvido. Me deu a entender que o nome é Antoine et Colette, mas ele foi feito para uma coleçao de varios curtas dirigidos por diretores diferentes chamada L'amour à 20 Ans. Entao ora ele é chamado de Antoine et Colette, ora é de L'amour à 20 Ans.
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Nele, o Antoine tem uns 20 anos (jura?) e se apaixona por uma amiga que so ve ele como amigo mesmo. Nao diria que o curta é genial, mas é muito bem feito e simpatico. Atuaçoes boas, incluindo o Léaud, que como ainda era novinho nessa época, ainda tinha um pouco do talento da infancia, e nao tanto aquela cara de mascarado que ele ganhou depois.
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Parece que tem o curta dividido em partes no youtube, vale a pena dar uma olhadinha.
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Beijos Proibidos (Baisers Volés, 1968)
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.6 anos mais tarde, o talento do Léaud ja tinha se esgotado, e ele era entao um ator mediano com um jeito metidinho. Acredito que o Truffaut tambem nao estava num dos seus melhores momentos.
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Nao consigo dizer que o filme é uma porcaria total, até porque os filmes do Truffaut sempre me deixam meio insegura do que falar sobre eles, e porque ele tem algumas qualidades (mesmo que eu nao saiba dizer exatamente quais), que quase todos os filmes dele tem. Um certo charme, simpatia ou algum tipo de hipnose que faz com que o publico nao consiga xingar o filme. Mas acho ele bem fraquinho mesmo. Sem ritmo, meio atrapalhado, nao da pra entender muito bem onde a historia quer chegar, e parece ser composto de varios pequenos acontecimentos, que nao estao nem muito ligados entre si.
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Ainda tem a cena longuissima e meio bizarra do Antoine repetindo "Antoine Doinel" em frente ao espelho muitas vezes. E quando ele finalmente termina e voce acha que vai passar para uma outra cena, ele começa a repetir os nomes da namorada e da mulher do patrao... e mais tarde volta a repetir o seu nome de novo! Se voce assistir o filme e for dormir depois, vai acordar no meio da noite assustado jurando que alguem esta sussurrando "Antoine Doinel, Antoine Doinel, Antoine Doinel, Antoine Doinel" no seu ouvido.
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Por outro lado, o filme tem na abertura a musica "Que reste-t-il de nos amours" (que originou o titulo), cantada por Charles Trenet.
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Domicilio Conjugal (Domicile Conjugal, 1970)
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.2 anos mais tarde, Antoine esta casado com Cristine, interpretada por Claude Jade, a mesma menina de Baisers Volés. Ela nao me convence muito, mas é no minimo simpatica, e uma atriz bem correta. Exatamente como Domicilio Conjugal. Muito corretinho, leve, divertido, bem feito e agradavel. Tambem nao é uma obra incrivel, mas é um bom filme, e diferente de Baisers Volés, esta ao nivel de capacidade do Truffaut. O Léaud tambem esta melhor que no filme anterior, e menos mascarado. Mas muito inferior a sua performance em 400 Coups e Antoine et Colette.
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Esse seria o ultimo filme da série, e o Truffaut publicou o livro As Aventuras de Antoine Doinel depois do lançamento de Domicile. Ia pegar o livro na biblioteca, mas obviamente so tinha em frances. Tudo bem, Natal serve pra isso.
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O Amor em Fuga (L'amour en Fuite, 1979)
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.Imagino que o Truffaut ficou muito feliz com o Léaud enquanto fazia Domicile Conjugal, porque seu proximo filme tambem foi com ele (As Duas Inglesas e o Amor), so que sem o personagem Antoine Doinel. Depois disso nao sei o que houve, mas para o bem da filmografia do Truffaut, os dois ficaram sem fazer filmes juntos por 8 anos. O triste é que ao final desse periodo os dois se juntaram de novo pra fechar a trilogia de 4 filmes e 1 curta de uma forma bem, digamos, triste.
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Como ja disse, o Domicile teria sido o ultimo Doinel, e nao consegui descobrir porque o Truffaut resolveu fazer mais um. Tenho que admitir que fiquei muitissimo decepcionada com o filme, porque esperava um final muito bom. Algo como um "estudo" do personagem, mas nao de uma forma simplista... esperava alguma coisa feita com muito capricho e qualidade pelo Truffaut, o que so poderia resultar num filme excelente. Pois é, o filme é exatamente o contrario do que eu achava.
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Jean-Pierre Léaud esta mais chato, mascarado e estranho do que nunca, o Truffaut parece que estava sem paciencia alguma pra fazer o filme e ainda tem a chatissima (negrito requeridissimo para deixar bem claro o quao chata ela é) da Marie-France Pisier.
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40% é uma boa estimativa da porcentagem de cenas do filme que sao flashbacks (cenas dos filmes anteriores da série). Nao duvido nem que seja mais que isso. Parece aqueles episodios de série que a Mariazinha fala pro Joaozinho "lembra como a gente vivia roubando as coisas da mamae?" e o telespectador ve tooodas as cenas existentes de episodios anterioes da Mariazinha e do Joaozinho roubando coisas da mamae. Nao preciso nem dizer que esses episodios sao feitos so pra encher linguiça e nao precisar gastar muito dinheiro gravando novas cenas e escrevendo novas historias. So nao consigo entender por que o Truffaut fez isso. É um filme infinitamente inferior ao talento dele, e totalmente desnecessario para a sua filmografia. Uma mancha no seu curriculo. O que me deixa feliz é que vi nos extras do DVD que ele nao ficou satisfeito com o filme.
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Como ja disse, o Doinel esta quase insuportavel. Me parece que ele era bom quando era criança porque nao era ator profissional (e nesse ponto eu concordo com o Spike Jonze, diretor de Onde Vivem os Monstros, que quis uma criança nao-atriz, pois acredita que as que tem experiencia ja estao "estragadas") e ainda estava "fresco". Acho tambem muito provavel que o sucesso que ele fez no 400 Coups colaborou muito para a sua piora e metidice mais tarde, e tambem o fato dele ser a musa do Truffaut. Ele parece estar sempre com uma cara de "sou um ator intelectual". Acho entao que ele so foi piorando a medida que foi envelhecendo. Uma pena, era fa (desculpa a ausencia do til, nao consegui acha-lo nesse teclado ainda...) dele quando vi o seu primeiro filme.
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E a Marie-France Pisier, que interpreta a Colette, esta RI-DI-CU-LA. Muito caricata, fala mexendo o rosto todo, e parece querer ocupar a cena inteira. Nao consigo entender como o Truffaut deixou uma interpretaçao tao podre assim entrar no filme dele.
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Assim como Baisers Volés, ele tambem tem uma musica tema com o titulo do filme, so que diferentemente de Baisers, a musica é muito estranha e nada a ver.
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Ah, e a minha mae reconheceu a menina que fica com ele no final como sendo um espécie de Xuxa francesa. O Truffaut viu o programa infantil dela um dia e achou que ela improvisava bem com criança. Ta, foi uma boa justificativa, mas ela tem muita cara de boba. E segundo à minha mae, ela continuou fazendo esse programa uns 10 anos depois, ja mais velha. Pois é, Xuxa é uma decadencia mundial.
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Continuo achando interessante essa ideia do Truffaut de fazer uma trilogia contando a historia de um mesmo personagem através de varios filmes, mas é chato ver que no fim das contas a trilogia Doinel é meio fraquinha. Composta por 1 filme maravilhoso, 1 bom, 1 fraquinho, 1 horrivel e 1 curta muito bom, no final, até temos mais coisas boas que ruins, mas o fato de o ultimo filme da série ser tao fraquinho acaba estragando um pouco o resto. É realmente uma pena. Seria melhor se o Truffaut tivesse parado no Domicile Conjugal, e fosse de fato uma trilogia de 3 filmes (e meio, por causa do curta).
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Mas nao deixo de recomendar que veja. E mesmo que nao seja essencial, acho muito importante assisti-la na ordem cronologica, ja que os filmes sao bem dependentes entre si, com algumas referencias, e até para entender melhor o desenvolvimento do personagem.
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-Alice
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P.S.: Nao fique esperando a minha critica do Strangers on a Train.

