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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Desvalorizando uma Suposta Obra Prima

Felizmente, nao fui atropelada por um alce louco, nem atingida por um disco de hockey. E não fiquei com preguiça como eu disse que nao iria ficar, afinal, preguiça é coisa de loser. Digo, de gente mais loser do que eu. Enfim, o fato é que eu terminei de escrever a crítica de Um Corpo Que Cai, e vou entao poder começar a trabalhar no post sobre Estranhos No Trem na minha próxima aula de ciencias.




ATENÇAO: ESSE TEXTO É ALTAMENTE NÃO RECOMENDADO PARA PESSOAS QUE GOSTARAM DE UM CORPO QUE CAI! REPETINDO: ALTAMENTE NÃO RECOMENDADO!!!

Caso você tenha ignorado o aviso e tenha continuado a ler, gostaria de deixar bem claro que não me responsabilizo por ataques de raiva ou qualquer outro dano psicológico que a crítica possa causar.

Como eu respeito e gosto muito do Hitchcock, e acho ele realmente genial em alguns filmes, fiquei sem entender como Vertigo (titulo original de Um Corpo que Cai) é tão ruim e é dele, mesmo o filme sendo considerado genial por muita gente. Não consigo entender mesmo como o diretor de um filme tão sutil como Interlúdio pode ser o mesmo de um outro tão não sutil, como o Vertigo. Depois de pensar muito nisso, fiz uma pesquisa sobre o Hitch para saber se ele tinha dupla personalidade ou coisa do gênero, mas não achei nada. Como eu realmente não consigo acreditar que ele tinha uma personalidade estável e fez Vertigo e Interlúdio, pernsei em 3 coisas que podem ter acontecido e que explicariam esse estranho fato.


1- Hitchcock tinha um irmão gêmeo do mal complexado com o fato que o Hitch era o filho favorito e profissionalmente bem sucedido. Esse irmão resolveu então seqüestrar o Hitch durante a produção de Vertigo para que ele dirigisse o filme e provasse que era muito talentoso e que a mãe deles foi injusta em não apoiá-lo na sua genialidade. Em parte, o plano dele deu certo, já que Vertigo é super conceituado. Mas na minha opinião, ele continua sendo o irmão loser.


2- Quem garante que a gripe suína não vem assombrando a sociedade desde 1958? Aposto que teve um surto de gripe nesse ano também, e o Hitch achou que era besteira esse negocio de ficar lavando a mão. Mas acontece que nessa coisa de trabalhar com uma equipe enorme e tal, ele deve ter apertado a mão de um cameraman que tava gripado, e passou pra ele. Uma pena que esse cameraman não tenha apertado a mão da Kim Novak também e passado a gripe para ela. Mas o fato é que nosso querido mestre do suspense teve que ficar de cama durante toda a produção do filme, e foi a Paty Hitchcock, sua filhinha querida que sempre é coadjuvante nos filmes dele que acabou dirigindo Vertigo e meio que se vingou do pai nao a colocar como protagonista.


3- Todos nós entramos em crise em algum momento da vida. Pois é, na época de Vertigo, Hithcock tinha 59 anos. Estava bem no meio de uma bela crise de meia idade, passando pros sessentas, sabe como é, né. Além disso, eu imagino que foi nessa época que ele descobriu o paint no computador. Aí ele ficava o dia todo colorindo fotos, pintando o cabelo das pessoas de verde, colocando nariz de palhaço e chifrinhos nelas e fazendo aqueles desenhos super coloridos e deformados que todo mundo já fez um dia. Aí juntou crise de meia idade com descoberta do paint, e o resultado foi nada mais, nada menos, que Vertigo!! De onde você acha que vem a cena em que a cabecinha do James Stewart fica mudando de cor?


Seja o que for, a coisa que pra mim faz menos sentido é que o Hitchcock tenha de fato feito Vertigo sem nenhuma complicação na época.

Na verdade, não foi tãaao chocante assim ver Vertigo, já que a minha mãe (eu sei que é muito loser falar da minha mãe em quase todos os posts, mas espero que seja uma loseridade suportável) tinha me falado várias vezes que achava ele super estimado. Mas acontece que ele não é um bom filme, ou um filme regular que acham ótimo. Ele é um filme horrível que acham ótimo. Eu realmente não consigo achar uma qualidade nele. Não, na verdade consigo: a atuação do James Stewart é bem direitinha. Mas só isso. Sem exagero nenhum, não consigo achar qualquer outra coisa mesmo.


OS PARÁGRAFOS SEGUINTES REVELAM A HISTORIA PRATICAMENTE TODA


Agora vamos às justificativas. A primeira vítima vai ser o roteiro. Achei ele muito ruim e dividido. Tudo é muito mal amarrado, eu sinceramente fiquei com a sensação de um roteiro digamos...sujo. E o filme muda completamente de tom depois que a mulher morre. Ta, você pode dizer que era pra mudar mesmo. Mas acho que mudou demais. Não parece que é o mesmo filme, e sim uma continuação ou coisa do tipo. Tenho a sensação que ele não foi nem revisado e tal, pra mim o roteirista escreveu, levou para o estúdio e começaram a filmar, sem analisar o texto nem nada. Eu realmente achei ele muito estranho, não consigo acreditar que ele foi aprovado e de fato, filmado.


A próxima justificava vai mais para o lado pessoal mas a primeira parte do filme, que era um pouco sobrenatural, me irritou. Eu não gosto dessas explicações do além, eu realmente prefiro suspenses com uma base com mais lógica, sei lá, acho essa coisa de ficar baixando morto muito simples. Digo, qualquer um pode escrever uma historia de uma mulher que ficava baixando a avó, não consigo achar nada de especial, inteligente, excepcional nela. Ta, na verdade não é nem tão sobrenatural assim já que tem uma explicação psicológica. Que é outra coisa que eu também não gosto. Enfim, independentemente de ser sobrenatural ou psicológico, achei uma historia mal feita e muito óbvia, sem nada de interessante.


Achei que ele tem personagens demais, e não sabe lidar com eles. A amiga do James Stewart foi quem mais sofreu com isso. Ela aparece logo nas primeiras cenas e é apresentada como sendo importante para a trama. Não é. Depois do inicio ela passa a aparecer bem pouco, e na segunda parte do filme ela é completamente esquecida. Só aparece quando ele ainda ta na clínica, e ela nem fica sabendo que a Kim Novak voltou do reino dos mortos. Acho um absurdo total quando uma historia esquece dos personagens. Se não é para eles aparecerem mais, então que lhes dê um destino , mas deixar de lado é inaceitável. A pobrezinha ainda teve que ser a estrela de uma cena que dá tanta vergonha alheia quanto Mamma Mia: quando ela ta com ciúmes da Kim Novak e pinta um quadro igual ao da Carlota (a mulher que a Novak tava baixando) só que no lugar do rosto da Carlota coloca o dela. E essa obra prima ainda é vista de um jeito que metade da tela é o quadro, e a outra metade é ela sentada na mesma posição da pintura, meio que para comparar. Eu realmente não sei o que dá mais vergonha alheia: isso, Meryl Streep cantando e dançando Dancing Queen ou imaginar o Hitch filmando essa cena.


Mas acima de tudo isso, eu diria que o principal problema do filme (não que os outros sejam pequenos problemas, esse é um filme que até os menores defeitos são grandes) é a mão pesada. Pesadíssima. Achei tudo muito forçado. Historia, personagens, atuações, caracterização... a Kim Novak vai estar no top 10 das coisas mais fakes que já vi. Sempre com carão, e (isso não é nem culpa dela) com cabelo, maquiagem e roupas muito estranhos. Voce pode até querer dizer que isso é questão de gosto, mas bom... eu acho que é mais que isso. Porque ela está mesmo muito forçada. Tanto na 1ª quanto na 2ª parte. Na 2ª então, ta sempre com uma maquiagem muuuito pesada e estranha e com um cabelo também muito artificial. Na primeira também ta, mas acho que a na 2ª parte eu fiquei mais incomodada com a estranhice dela. Quanto à sua atuação, fiquei com a impressão de que ela se esforçou muito para fazer o filme. Só que o esforço não se converteu em uma boa atuação, e sim, em uma facilidade de ver que ela tava se matando para fazer as cenas. Eu quase sempre olhava para ela e parecia que ela tava pensando “estou atuando, essa não sou eu, é uma interpretação, olha como eu to me esforçando e como to sofrendo. Olha a minha cara de quem ta baixando morto e não ta entendendo nada do que está acontecendo”, com destaque para a ultima cena. Achei que ela fosse explodir de tanto esforço para atuar, a cara de “olha com eu to sofrendo” foi a mais forçada que já vi.


E falando em ultima cena: o que é aquela coisa? Depois de eu ficar duas horas e 8 minutos vendo a Kim Novak fazendo caras e bocas eu ainda tenho que ver ela morrer (pela segunda vez ainda por cima! A gente pensa que tá livre dela, mas não...a criatura tem duas vidas!) porque uma freira ouviu um barulho e subiu para ver o que tava acontecendo!! Aí ela sai da escuridão da torre de um jeito muito macabro, a Novak que tá sofrendo muuuito se assusta e cai da janela PELA SEGUNDA VEZ! E a janela nem terminava de cara, ainda tinha um pouquinho de chão, dava pra tentar de segurar, vai. E a freira nem fica impressionada com isso ou incomodada por ter meio que matado ela, só fala algo do tipo “oh, meu deus” super seriamente e faz um sinal da cruz. Ah, não! Isso foi falta de respeito! Depois de um filme inteiro é isso que eu recebo? Uma freira assassina? E eu queria ver o James Stewart se explicando que não matou ela.

“Ah, eu não levei ela para um lugar deserto pra matá-la não, é porque... sabe aquela mulher que morreu um tempo atrás? Aquela doida que ficava baixando morto? Então! Na verdade, o marido dela armou tudo e matou ela, e tinha duas mulheres, e a que morreu era a mulher dele, essa agora é uma outra que se parece muito com ela e ele pagou pra se passar por ela e fingir que tava baixando morto!! Só que depois eu encontrei ela e descobri tudo, e levei ela pra lá, mas eu não queria matá-la não, e a freira apareceu e ela se assustou e caiu. Eu sei que tava perto dela e podia muito bem tê-la empurrado, mas eu não fiz isso não. O senhor acredita em mim, não é seu juiz? O que? Cadeira elétrica? Naao, eu juro que não matei ela!!! A minha cabeça já ficou mudando de cor ao longo do filme, o senhor não sabe como isso é incômodo, eu não mereço ir para cadeira elé... AAAAAAAAAAAH!!!” Aí ele morre e algum tempo depois descobrimos que era tudo uma armação e na verdade o James Stewart mesmo está vivo e etc, etc.

Quando ela morreu pela primeira vez, eu olhei no tempo de filme do DVD e ainda faltava mais ou menos 1 hora. Eu pensei “Não é possível!! A mulher já morreu, o que mais tem para acontecer?” Mal sabia eu o que me esperava...

E é por todos esses motivos e mais alguns, que eu acho o filme meio trash. Só não é trash porque a principio é um filme sério, mas para mim, ele é recheado de coisas que chegam no limite da trashidade. Como as cenas que eu comentei, a mão pesada e o exagero na historia e etc. Não vai me dizer que a cabecinha colorida do James Stewart e a Kim Novak saindo do banheiro com fumaçinha branca atrás dela não são coisas trash? Não adianta dizer que tenho que considerar os recursos da época porque eu acharia essas coisas nada a ver mesmo que fossem feitas hoje com os melhores efeitos especiais possíveis.

Mas a grande pergunta é “Como esse filme é tão bem conceituado?” Quem conseguir responder essa pergunta ganha um doce. Não, dois. É uma pergunta muito difícil mesmo.
O Interessante é que segundo a Wikipédia (http://en.wikipedia.org/wiki/Vertigo_(film) ), o filme não foi muito elogiado quando foi lançado e também não foi um sucesso de público. Recebeu criticas meio misturadas, e poucas positivas. Com o tempo ele foi sendo revisto e começou a ser mais valorizado, quando foi relançado no cinema e chegou em VHS foi um grande sucesso comercial. O fato é que mesmo ele sendo muito considerado hoje, sua historia com o publico e a critica não é muito simples.

Espero ter sido bem clara com as minhas justificativas, e caso você tenha cabeçaduramente ignorado o aviso no inicio do post e tenha lido, fique à vontade para explicar porque as pessoas gostam tanto de Vertigo e ganhar os dois doces, mas argumentos como “Vertigo é uma obra prima do Mestre Hitchcock e se você não gostou é porque não entendeu o filme” não são argumentos de verdade.

A minha conclusão é que o Hitchcock deveria ter tomado mais cuidado com o irmão dele, lavado as mãos e que a mãe dele deveria ter confiscado o computador. Isso teria poupado a mim e à muita gente de desperdiçar 2 horas e 8 minutos de nossas vidas. 2 horas e 8 minutos que ficarão marcados para sempre com a Kim Novak fazendo carão e com a cabeça do James Stewart mudando de cor.