sexta-feira, 18 de junho de 2010

Toy Stories

Ja estava com a ideia de fazer um post com criticas de todos ou quase todos filmes da Pixar. Esse em si vai ficar para um outro dia, mas aproveitei a estreia de Toy Story 3 para fazer criticas de todos os 3 filmes. Minha ordem de melhor para pior vai na sequencia cronologica. Peço desculpas por ter sido mais resumida nas criticas dos dois primeiros, especialmente do segundo, mas por ter visto o terceiro ha menos tempo e este ser o que fecha o ciclo, senti a necessidade de escrever mais sobre ele.



Ano: 1995
Diretor: John Lasseter

Toy Story 1 nao so é o primeiro filme da Pixar e o pioneiro em animaçao 3D, mas tambem é o seu melhor filme na minha opiniao. Wall-E é o dono desse posto para a maioria das pessoas, mas eu sinceramente o acho fraquinho. Toy Story se sai muito melhor com uma historia mais criativa, mais ritmo, personagens mais complexos e com issues mais interessantes tambem. Enquanto Wall-E trata do cliche de que a sociedade é uma porcaria e que temos que proteger o meio ambiente, Toy Story consegue retratar problemas pelos quais todo ser humano passa, so que com brinquedos.

A ideia de um brinquedo novo chegar e todos os outros ficarem impressionados com ele e haver uma rivalidade entre ele e o brinquedo que ja era o lider é algo na verdade muito comum na vida real. Muita crianças ja passaram pela experiencia de ver uma nova pessoa chegar na turma da escola e ficar com medo de ter seus amigos roubados por ela.

Com essa e outras situaçoes presentes no filme, a Pixar se mostrou capaz de contar uma historia coerente com a vida imaginada para os brinquedos, e ao mesmo tempo retratar problemas que crianças e adultos vivem.

Uma das melhores cenas é quando Buzz tenta voar e cai. Ela nao so é bonita visualmente, mas again, retrata algo pelo qual todos passam: a desilusao e a dolorosa volta à realidade.

Mesmo tendo uma historia mais linear, gosto de colocar esse Toy Story junto com Meu Vizinho Totoro e Onde Vivem os Montros, dois outros filmes infantis que tambem sao complexos, possuem personagens vivendo crises, estao muito acima da média de filmes para crianças e nao tem uma moral ou liçao para passar. Eles procuram mais entender os sentimentos das crianças e pessoas do que ensina-las alguma coisa.



Ano: 1999
Diretores: John Lasseter, Lee Unkrich & Ash Brannon

Sequencias nao costumam funcionar muito bem. Principalmente pelos fatos da ideia ja ter perdido a graça e estar gasta e de serem feitas apenas para ganhar dinheiro na maior parte das vezes.

Esse nao é o caso de Toy Story 2. Ele é sim inferior ao primeiro, mas continua tendo um otimo timing e mostrando problemas passados por pessoas tambem. Acho que a principal diferença entre os dois é que Toy Story 1 é melhor num todo, e Toy Story 2 é composto por muitas cenas excelentes, relativamente separadas.

Uma das melhores é quando Jessie fala sobre a sua ex-dona. Mesmo sendo um clipe no meio do filme, ela consegue ser nostalgica, bonita e retratar bem os sentimentos da boneca. Tenho que admitir que sinto um aperto no coraçao sempre que a assisto. Alem disso, essa cena é um exemplo perfeito da teoria do Hitchcok de que é preferivel mostrar do que falar algo em um filme.




Ano: 2010
Diretor: Lee Unkrich

11 anos mais tarde, Pixar lança o ultimo filme da serie, que no começo foi inclusive feito contra a vontade deles. O projeto inicial estava nas maos de um estudio da Disney, mas felizmente foi passado para a Pixar depois.

Pela primeira vez na vida, as minhas expectativas estavam ao nivel perfeito. Altas o suficiente para nao esperar muito pouco, e baixas o suficiente para nao querer muito. Toy Story 3 é provavelmente a melhor terceira sequencia que poderia se esperar.

Nao, falar assim é um certo exageiro, ja que nao acho que o filme seja perfeito. Mas nunca esperaria perfeiçao do terceiro de uma serie, portanto quase que da para fazer esse statement.

A Pixar conseguiu ainda aproveitar mais aspectos da vida dos brinquedos, tendo uma abertura incrivel. As primeiras cenas sao excelentes, desde o Andy criança imaginando um mundo inteiro enquanto brincava, passando pelas novas crises que os brinquedos estao vivendo, ate eles chegarem ao Sunnyside, onde de cara promete ser o paraiso.

Logo temos a cena na qual as crianças menores destroem os brinquedos. A minha aposta é que em uma semana veremos uma materia no jornal com o titulo "Doaçoes de brinquedos diminuem em 90%". E espero ve-la mesmo, porque se as crianças nao se recusarem a doar os seus brinquedos para aqueles monstrinhos depois de ver essas cenas vai ser uma prova de que elas nao tem coraçao.

Mas isso é irrelevante à minha critica. Depois que os brinquedos chegam em Sunnyside o filme se perde um pouco. Continua acima da média dos filmes infantis, mas o roteiro revela ter umas barriguinhas e toda a crise de cumprir o seu dever ou fazer o que voce quer apresentada no começo é meio esquecida para dar espaço à açao.

O climax é meio longo e fica adiando muito o final, e ainda temos a explicaçao de porque o vilao é o vilao, coisa que eu nao sou muito fa(til). Mas tudo isso é perdoavel, até porque Lotso continua mal, coisa que nao é costume na maioria das historias.

Mas nao é so por isso. Todos esses defeitos do filme sao perdoaveis porque ele continua dando de mil nesses filmes bobinhos produzidos pela DreamWorks, 20th Century Fox e até a propria Disney. Mesmo tendo uma historia mais simples que os outros dois Toy Stories ele ainda tem esse pano de fundo psicologico, e uma nostalgia sempre presente. Uma nostalgia leve, discreta, bonita e nem um pouco melosa. Afinal, o filme nao so é sobre despedidas e o inicio de uma nova vida, mas é tambem a propria despedida da Pixar dos seus primeiros personagens, daqueles que originaram tudo o que eles fizeram desde entao.

O postplot e as ultimas cenas terminam o filme de um jeito feliz e despreocupado, mas a historia em si é fechada de uma forma muito bonita e leve, quando Andy percebe que o melhor a fazer era passar os brinquedos adiante, e os da para a menina, mesmo ele querendo manter o Woody por mais um tempo.

Consigo imaginar a Pixar nessa mesma cena. Dando adeus ao Toy Story, ja com saudade, mas entendendo que é necessario. Talvez o maior trunfo do filme seja essa coincidencia (ou nao) do tema com o momento.


P.S.: Chutar a apontar toda vez que o Totoro aparece no filme nao é uma coisa infantil de se fazer nao, né?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

3 filmes em 1 dia

Na ultima quinta feira fiz algo um pouquinho diferente. Assisti 3 filmes em um dia so, sendo que eu fiz um exam de manha(til). Mas a parte que me impressionou mais foi que o mais velho desses filme é de 1992, e todos sao coloridos. Sério, isso é estranho para mim. Mas eu estou com 2 Fellinis, 1 Fritz Lang e 1 Win Wenders, que é mais novo, mas os outros sao todos em preto e branco, entao estarei voltando ao normal.

Fiz meio rapidamente mini-criticas desses filmes porque eles estavam bem fresquinhos na cabeça e eu sabia bem o que falar deles, e para mandar o blog minimamente atualizado tambem.

Ah, eu nao preciso de rehab, nao, ok.

Alta Fidelidade


Diretor: Stephen Frears
Ano: 2000

Meus pais sao fas desse filme e da trilha sonora, entao eu ja conhecia algumas das musicas e tinha um interesse em assiti-lo.

Fui ve-lo sem altas expectativas e sabendo que era um filme meio bobo, o que deu muito certo. Nao é nenhuma obra-prima nem nada, mas é um filme muito, digamos, gute. A historia é bobinha mas é simpatica, assim como todas as caracteristicas do filme. Ele tem uns probleminhas de roteiro e o final é meio bobinho demais, mas isso nao faz diferença nenhuma. John Cusack nao é um ator genial, mas caiu perfeitamente nesse papel. Desde a primeira cena gostei dele. Esta cheio de carisma e funciona muito bem. O outro grande trunfo do filme é a sua maravilhosa trilha sonora que eu nao consigo parar de ouvir. Muito bem escolhida e combina perfeitamente com o resto do filme.

Esses dois fatores e todo o jeito despretencioso do filme o tornam super agradavel e bom de assistir. Recomendo fortemente, mas tenha certeza de ter a trilha sonora a mao antes de assisti-lo, senao voce vai ficar doido procurando as musicas para ouvir depois.

Ja até me mandaram ir pro rehab porque nao paro de escutar as musicas. Por que todo mundo acha que eu sou viciada?!! As minhas favoritas sao "I'm Wrong About Everything", "Always See Your Face" "I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever)" (que é muito melhor que o titulo, eu juro) e "Let's Get It On", com a inesperavelmente otima voz de Jack Black, que tambem esta com um performance correta no filme, em vez de irritante como sempre.


Caes de Aluguel


Diretor: Quentin Tarantino
Ano: 1992

Ja tendo visto e nao gostado do Pulp Fiction, nao tinha muitas esperanças com esse, mas queria assistir de qualquer jeito porque eu tenho essa obsessao de assistir a filmografia completa de todos os diretores minimamente importantes existentes. Again, eu nao preciso de rehab.

O primeiro filme de Tarantino é ruim pelas mesmas qualidades que o segundo. A diferença é que é mais simples e menos pretencioso. A historia tem menos malabarismos em vez das mini historinhas nao tao relacionadas de Pulp Fiction. Mas a falta de ritmo, o excesso de referencia à cultura pop e o fucking dialogo cheio de fucking fuck words é o mesmo.


Quero Ser John Malkovich


Diretor: Spike Jonze
Ano: 1999

Sempre tive curiosidade em ver esse filme por dois motivos: sua historia maluca e a pariticpaçao inusitada de John Malkovich, a quem eu sou muito simpatica.

E essas sao as razoes de fato para assistir Quero Ser John Malkovich. Muito bem feito, com atuaçoes bem corretas (John Cusack esta bem, nao tanto quanto em Alta Fidelidade, fazendo o papel de loser, mas sem ser genial nem nada), roteiro com otimo timing, e uma auto ironia e senso de ridiculo muito bons. O proprio filme nao se leva a serio e meio que se ridiculariza. Mesmo com a historia mais sick e drugs que ja vi na vida, ele consegue passar muito longe do trash e contar tudo de um jeito quase que normal.

Parabens especiais para o Malkovich que concordou em participar dessa doideira e assim como o filme, ri de si mesmo, e para Spike Jonze que é o diretor e se mostra mais interessante cada vez que vejo um de seus filmes.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Yes, We Cannes! ...maybe

Peço desculpas pela demora em postar... de novo. Minhas aulas acabaram ha pouco tempo e estou em temporada de exams, e mesmo eu estando na verdade tranquila de tempo eu nao estava muito inspirada para escrever. By the way a data do post nao é do dia que eu escrevi e publiquei. Eu comecei a prepara-lo ainda em maio, mas so coloquei os cartazes dos filmes na verdade. Tudo foi escrito hoje, dia 11/06/2010.

Como sempre, eu prometo que vou postar com mais frequencia. E como sempre, nao vou comprir.

Aqui estao as criticas dos dois ultimos filmes que vi no minifestival de Cannes no Cinema du Parc. Depois de ver essa pequena amostra de vencedores de Cannes cheguei à conclusao que esses filmes sao premiados mais pelo impacto da época e criatividade do que por qualidade em si. Fiquei com a sensaçao que os juris vao mais pelo "calor do momento". Mas provavelmente estou errada, afinal eu sou uma pirralha que nao sabe de nada e reclama de obras primas incontestaveis, entao nao ligue para o que eu digo. Ah, e se o filme tiver o Harvey Keitel as chances melhoram tambem, ja que 3 dos 5 filmes que vi tinham a sua participaçao (Taxi Driver, Pulp Fiction e O Piano).

By the way, se voce ama Tarantino/Pulp Fiction, por favor pule direto para a critica de O Piano.


Pulp Fiction


Diretor: Quentin Tarantino
Ano: 1994

Pulp Fiction é um filme muito respeitado que eu era doida para ver ha muito tempo mas morria de medo por causa da famosa violencia explicita do Tarantino. Gostaria de ter conhecido alguem que tivesse visto o filme ha pouco tempo que pudesse me dizer que o filme nao é tao violento nem tao explicito assim. Claro, pessoas com um estomago muito fraco provavelmente vao ficar incomodadas, mas eu que me assusto com qualquer coisa (as vezes dou um gritinho so porque alguem me cutucou de leve) achei a violencia muito light demais e fiquei extremamente decepcionada. Se a violencia Tarantino é leve assim eu vou assistir Laranja Mecanica e O Iluminado logo.

Alem da decepçao com a falta de violencia, fiquei tambem extremamente impressionada com a pobreza do roteiro e do filme todo no geral. Entendo que ele tenha chamado atençao por ser muito diferente, e tambem entendo todo esse lado do Tarantino de fazer referencias a filmes B com mais recursos etc, mas nao consigo entender de jeito nenhum como Pulp Fiction é considerado uma obra prima. O tal roteiro genial do Tarantino na verdade é uma bagunça total, com um cruzamento de historias mal feito e super arrastado. O dialogo genial tambem nao é tudo isso. No inicio até o achei fluente, mas as mini historinhas começam a ficar muito longas e perdem a graça e mostram ter um timing terrivel com um dialogo longo demais e cheio de fuck demais. Fiquei umas 24 horas sem conseguir fazer uma frase inteira sem falar fuck, fucking, shit e motherfucker. Desnecessario. Alem de perceber que o dialogo era pobre depois de algumas cenas, tambem percebi que todos os personagens falam do mesmo jeito. A unica diferença é o nivel de fuck de um para outro.

O humor trash meio negro tambem logo cansa. Muitas das coisas me fariam morrer de rir normalmente, como por exemplo a morte idiota do John Travolta, ou quando eles acidentalmente atiram e matam o cara no banco de tras do carro. Mas tudo fica muito previsivel e repetitivo depois de vermos as primeiras historinhas e entendermos o estilo da coisa.

Tudo é caricato demais, incluindo as atuaçoes. O unico aspecto do filme que se salva é o John Travolta, que esta otimo. Ele é o unico que conseguiu compor bem o seu personagem no meio dessa bagunça toda, sem ficar fora do estilo trash do filme. Qualquer um que nao goste do Travolta pelo seus tempos de Grease deve ver Pulp, que é a prova dos seus skills como ator.


O Piano


Diretora: Jane Campion
Ano: 1993

Tinha vontade de ver esse filme ha muito tempo so por causa da Anna Paquin, a quem eu sou muito simpatica nao sei porque, e pela sua performance que a tornou a segunda mais jovem atriz a ganhar um Oscar.

No entanto, O Piano é muito mais que isso. A atuaçao de Paquin nem é tao boa assim. Nao é ruim, até considerando que ela era uma criancinha, mas continuo achando Max Records o maior no quesito atuaçao infantil. Anna atua bem, mas é mais fofa que boa atriz.

Quanto ao resto, o filme tem altos e baixos. Visualmente é simplesmente belissimo. Nao posso descreve-lo com uma palavra diferente de stunning. Ja o roteiro e a historia em si meio que se perdem. Tem bons momentos, mas o final é muito ruim e acaba com todo o clima de repressao e solidao do filme, o que afeta muito o produto final e o impacto no espectador.

Jane Campion me convenceu que é uma boa diretora (muito melhor do que o seu recente meloso e sem graça Brilho de Uma Paixao) e tem uma boa mao para construir o clima da historia, que é feito com maestria. A cena na qual o marido se revolta e SPOILER corta o dedo da protagonista é pesada, dramatica mas linda. A cena mais marcante de todo o filme e resultado de um direçao de primeira.

Foi de longe o melhor filme que vi nesse minifestival, mesmo que O Piano tenha parecido melhor enquanto eu assistia do que agora. Acho que a principal questao é que a direçao de arte e a fotografia sao tao belas que todos os outros problemas do filme ficam meio para tras. So consigo pensar naquela floresta escura e umida com alguns tons mais claros fazendo um contraste lindo, mas nao obvio.


Coming Soon (or not):
Kubrick's
Herzog's
Alta Fidelidade, Caes de Aluguel e Quero Ser John Malkovich

sábado, 15 de maio de 2010

Yes, We Cannes! ...or not


Meu querido cinema alternativo, o Cinema Du Parc, preparou um mini-festival de filmes que ganharam a Palma de Ouro em Cannes. O nome que deram ao fetival é Yes, We Cannes! (que eu achei muito gute, ok), e os filmes ja estao passando desde o fim de semana passado. Infelizmente tem filme interessante demais para ver, e horario de menos. Mas consegui assisitir 3 semana passada, 1 ontem, vou ver mais um hoje e talvez durante a semana que vem tambem. O titulo do post tem o "or not" porque considerando os 4 vencedores que assisti, nao sei se Cannes ta podendo mesmo.


Um Homem, uma Mulher



Diretor: Claude Lelouch
Ano: 1966

Eu sei que Cannes costuma premiar uns trabalhos bem diferentes, meio controversos, as vezes estranhos e etc. Mas tudo tem um limite. Nao consigo ver como uma pessoa em um estado mental saudavel pode achar esse filme bom, que dira jures de um festival de cinema.

Posso resumi-lo com tres palavras: experimental, random e video clip. Especialmente random e video clip. Mal existe uma historia, e a que existe é mal contada, lenta demais e com eventos muito fora de contexto, como quando eles estao passeando na praia conversando sobre poesia ou sei la e acham uma frase, que nao faz sentido nenhum, linda. Isso é nos momentos que algo esta acontecendo, ja que o filme se alterna entre dialogos bizarros com vozes em off e imagens random com musiquinhas de fundo.

Uma das cenas mais WTF??! é quando toca a musica Samba Saravah. Momento de puxar o saco da bossa nova. Essa versao da musica esta até bem bonita, mas a cena é ridicula demais, principalmente quando ele começa a citar grandes nomes da musica brasileira.

Sem contar que aquela mudança de preto e branco para sépia, de sépia para cor e por ai vai me irritou. Tentativa totalmente failed de criar o clima com a fotografia. Tambem assume-se que o cameraman tinha uma maozinha nervosa e ficava apertando zoon in e zoon out o tempo todo, durante dialogos parados, meio que para mostrar o nariz e a bochecha dos atores.

Pode até ser que esse jeito todo diferente dele tenha chamado atençao na época, mas continuo nao entendendo como podem considerar esse filme bom. Mesmo.


Paris, Texas


Diretor: Wim Wenders
Ano: 1984

De longe o melhor filme que vi nesse festival agora. No entanto, nao gostei muito dele. Tenho que admitir que estou meio em crise e cada hora acho uma coisa. Basicamente o achei bem interessante, mas com um timing muito ruim e cenas quase sempre longas e desnecessarias, e com uma certa dificuldade de trabalhar com os conflitos da historia e manter o problema principal. Depois de um tempo, Paris, Texas, que era algo crucial no inicio do filme (e o titulo tambem) cai no esquecimento completo. A cena na qual tudo é explicado me incomodou pelo fato de ser muito "hora da verdade".

No entanto, ao discutir o filme um pouco, percebi outras coisas. Paris, Texas é um filme umbiguista, o dono do umbigo sendo o personagem principal. So acompanhamos o que acontece com ele, e do ponto de vista dele. No começo Paris era importante porque ele tinha meio que esquecido da sua vida, e essa era a unica direçao que ele tinha para seguir. A partir do momento que ele vai voltando a vida ele começa a ter novos objetivos, e por isso que os conflitos sao irregulares.

Depois de formar essa teoria, fiquei meio em crise, ja que acredito bastante nas duas. Mas mesmo se baseando no fator umbiguista, eu continuo achando que ele tem algumas cenas muito longas, portanto da para chegar a uma conclusao no meio do caminho.

De qualquer jeito eu nao tenho uma opniao formadinha sobre esse filme. Mas o achei muito interessante e com certeza vale a pena assisti-lo.


Taxi Driver (contem spoiler)


Diretor: Martin Scorsese
Ano: 1976

Descobri esse filme quando fiquei fa(til) da Jodie Foster, o que foi ha uns 2 anos atras. So nao assisti na época porque achei que era super violento e que ia me impedir de dormir. Passado o tempo, fiquei sabendo mais sobre ele, o diretor, o protagonista e etc. Mas sempre meio com medo de ve-lo. Nao sendo mais super fa(til) da Jodie e nao indo com a cara do De Niro, ja nao estava mais tao empolgada assim para assiti-lo. No entanto, ele era um dos filmes que eu mais queria ver do grupo do festival, até porque nunca vi nada do Scorsese.

Em primeiro lugar, passei todo esse tempo com medo por nada. Tem pouquissimas cenas violentas, e nem sao explicitas. So uns tiros na cara das pessoas e ketchup para todo o lado.

Mas nao é so isso. O filme é muito ruim num todo. Nao gosto desse estilo realista, meio tentando mostrar a crueza da vida. Até porque nessa tentativa, o filme fica muito caricato e over. Tudo tem um aspecto muito sujo, e no fim das contas é uma apontaçao de dedos total. O De Niro é uma pessoa burra, ignorante e sem oportunidade na vida, mas que tem um bom coraçao, é ingenuo e muito melhor do que os riquinhos burgueses. Ja a mulher pela qual ele se apaixona no começo e os colegas de trabalho dela sao uns babacas metidos a besta. Sem contar que tudo tem um certo tom de "denuncia" de como a sociedade é de verdade, "veja o lado sujo da cidade que voce nao conhecia".

De Niro é realmente failed. Até entendo que o estilo de interpretaçao dele nao é o que eu gosto mesmo, mas existem atores com esse estilo que sao muito melhores. Fala com uma vez meio susurrante estranha, e fica com uma cara de quem ta tentando ter uma performance profunda o tempo todo. Digo, os olhos dele estavam sempre meio fechados, encarando alguma coisa fixamente, achando que isso é expressivo. A cena na qual ele começa a malhar é pointless e horrivel. É tao crua e over que me incomodou.

A trilha sonora é até interessante, com um jazz bem legal. Mas muito mal usada. Contribui para toda a overidade do filme, colocando musicas pesadas numa cena de açao, levinhas em cenas de romance e etc. Tudo muito obvio, sublinhando algo que as imagens ja estao passando. Junto com isso, tambem temos a narraçao, que ja considero um recurso pobre, sendo mal usada e reforçando mais ainda o que nao é preciso.

O mais triste no entanto é que o filme, com todos esses problemas, poderia ser apenas ruim. Mas nao. Ao chegar no final, percebemos que ele é muito ruim. Em primeiro lugar, o corte de cabelo punk é muito random. Mas o grande problema é que o filme nao termina quando ele mata as pessoas e quase morre. Justamente, quase morre. Qualquer um perceberia que ele deveria morrer ali, e the end, dando um final mais impactante e coerente com o resto da tese do filme de que a sociedade é uma droga. Mas nao, temos que ter um post plot. E claro, tem que ser um post plot tao random quanto o corte de cabelo punk.

Depois de matar uns 4 caras violenta e friamente, advinha, o De Niro é um heroi!!! Sim, em vez de ir para a prisao nosso amiguinho de bom coraçao acabou com um canal de prostituiçao de menores da maneira mais primata possivel e agora todos o amam! E claro, a Jodie Foster voltou para casa e esta indo para a escola normalmente, e nao sofre nenhum tipo de bullying por ter sido uma prostituta nem nada. Ta todo mundo feliz. E como o De Niro é gente boa e a mulher do começo é uma b*tch, ela agora vai se arrepender de ter dado um fora nele, mas ele ja percebeu que ela nao vale nada.

Simplesmente nao da para leva-lo a sério.

domingo, 9 de maio de 2010

Uma Pequena Pérola


Me lembro de ver em algum canal infantil que eu assistia anunciando que ia passar o filme Conta Comigo. Como eu tenho uma memoria extremamente bizarra, o titulo e algumas cenas da propaganda ficaram na minha cabeça. Bati de cara com o cartaz do filme algumas vezes depois disso e o reconheci, mas nunca liguei muito e sempre achei que era um filmeco de Sessao da Tarde.

Outro dia na biblioteca estava meio fraco de opçao, e a minha mae me sugeriu esse filme. De cara torci um pouco o nariz mas ela me disse que era um filme bem feito e tinha um lado meio amargo. Como eu tenho uma quedinha por coisas amargas, me animei a pega-lo.

Assisti no dia do meu aniversario so porque era o filme mais curto dos que eu tinha em casa. E sinceramente, nao podia ter feito uma escolha melhor.

Nao vou dizer que é o melhor filme ja feito, nem uma obra genial. Mas Conta Comigo nao quer ser nenhuma dessas coisas mesmo. Tirando as suas muitas caracteristicas boas, esse é um dos seus aspectos mais interessantes: a falta de pretensao. Nesse ponto ele é quase ingenuo. Com uma historia que cai facil na profundidade barata de frases de efeito e tom de "a jornada que mudou a vida deles", ele passa muito longe disso.

Nao que ele seja bobo ou pareça nao saber o tema da historia. Simplesmente tudo é muito bem feito e com cuidado, com o tal tom meio amargo em relaçao à infancia, pré-adolescencia, familia, vida em cidade pequena e amizade. Amargo, mas nao pessimista. Sua ideia esta longe de ser que a vida nao vale a pena, ninguem presta, ou qualquer coisa do tipo. Na minha opniao é um amargo meio conformado com a situaçao. Ele aponta os problemas de todos esses temas que citei acima, mas sem tratar os meninos como probres coitados, muito menos pequenos herois que vao dar a volta por cima. Nao acho que ele seja um retrato de infancia exatamente, mas basicamente ele conta uma historia que é ficçao, mas com personagens, conflitos, ambiente e soluçoes muito bem elaborados e fundamentados.


Os personagens até sao a principio meio estereotipados, mas sem ser caricato nem ter aquela moral de "as pessoas sao mais do que a imagem que temos delas". A atuaçao dos meninos ajuda, que nao é genial de tirar o chapéu como a de Max Records em Onde Vivem os Montros (sim, eu vou cita-lo sempre que falar de atores infantis), mas é de fato muito boa. Além disso, o filme supera esse suposto estereotipo muito bem, sendo capaz de criar personagens complexos durante a sua curta duraçao.

O que é uma outra coisa muito interessante. Num tempo de apenas 1 hora e 28 minutos ele consegue desenvolver todos esses elementos melhor do que filmes com uma duraçao regular que se perdem. Prova de um otimo timing.
A ingenuidade das crianças que nao tinham ideia do que estavam fazendo e lidando com uma coisa muito acima do seu nivel de maturidade é um ponto muito bem apresentado. Como o resto do filme, nao trata eles como criancinhas bobinhas, nem mini-adultos. Simplesmente crianças bricando com algo que nao é brincadeira, e levando tudo a sério, ou nao, ao mesmo tempo.


Para finalizar, um pequeno detalhe no final que me chamou muito a atençao, por uma questao pessoal mesmo. Logo depois que eles voltam para a cidade tem um post plot com o protagonista contando o que aconteceu depois, e uma das coisas que ele fala é que depois de um tempo ele e o melhor amigo foram se afastando dos outros dois meninos até chegar ao ponto em que eles passaram a ser apenas dois outros rostos no corredor da escola. Eu simplesmente amei o jeito que ele disse isso. Sou uma das grandes defensoras de que amizades vem e vao e isso nao é um problema, mas sim, um simples fato da vida.

O desenrolar da historia em si é otimo, e mesmo tendo um final que fecha toda a historia e com narraçao, ele consegue ser bom. O que é para poucos.

Conta Comigo nao é uma obra-prima porque ele tem essa cara toda humilde e pequena, e mesmo que cheio de coisas boas, tem seus defeitos e nao é impactante o suficiente para ser uma. Mas isso inclusive faz parte das suas qualidades. Ao meu ver, entao, ele é uma pequena obra-prima, um trabalho muito bem feito. Um exemplo a ser seguido por filmes de sessao da tarde e low-budget em geral.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Billy Wilder's

Peço desculpas a demora longa a escrever. É final do ano, tenho andado meio sem tempo e/ou inspiraçao para escrever.

Comecei essas mini-criticas ha bastante tempo mas nao consegui terminar depois. Tenho visto muita coisa do Billy Wilder, entao aqui esta o que achei de todos os filmes que vi dele até agora nesse ano. Nao fiz com muito capricho, mas para um blog totalmente desatualizado esta bom.



Beije-me, Idiota


Começa perfeito. Com um timing maravilhoso, as cenas do musico com ciumes da mulher e trabalhando com o amigo sao excelentes. Both o musico e o amigo sao muito bons. Conseguiu tambem me arrancar uma risada na parte "me-aa" da musica "Sophia", o que, sem querer que soe muito metido, é bem dificil. Infelizmente, o filme se perde totalmente a partir do momento que a Kim Novak aparece (por que sera, heim?). Na verdade nao é exatamente culpa dela. É claro que ela é uma chata insuportavél, mas ela ta até menos irritante que em Vertigo. A questao é que a historia fica com um timing pior e meio arrastada depois disso. Mas se recupera com o final, que assim como o amigo do musico gosta de falar, tem "the unexpected little twist". Um grande mérito do filme (tipico dos Wilder's tambem) é tratar uma situaçao extremamente incomum e controversial de uma forma super cotidiana e até meio ingenua. Depois falam que antigamente qualquer coisinha era considerada um horror e que tudo era muito mais restrito. Bullshit.

Ah, e para quem quiser se divertir, aqui estao os links de duas musicas do filme. A "Sophia" eu nao vejo muita graça, mas gosto da parte "me-aa", e a "I'm a Poached Egg" é bem bonitinha e feliz.
http://www.youtube.com/watch?v=l0fFRSqIr7c

http://www.youtube.com/watch?v=U104gqTGReA



Uma Loura Por Um Milhao


É um filme pouco conhecido, e nem merece muita atençao mesmo. Mas tem algumas pequenas qualidades muito boas. Jack Lemmon como sempre esta muito bom, com a sua interpretaçao perfeita para comédia sem ficar caricato, fazendo caras e bocas perfeitas. Walther Matthau esta otimo, com um timing excelente e uma dicçao incrivel. Insurpreendentemente ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante no ano do filme. A historia até que começa bem, mas vai se perdendo um pouco ao longo do filme. Mas de qualquer jeito tem um bom roteiro e um otimo timing, tipicas caracteristicas de filmes do Wilder. É um divertimento acima da média, ainda que abaixo da qualidade Wilder.



Um Amor Na Tarde


Ja esse tem menos qualidades. Até que começa bem, mas é meio sem graça. Nao tem um timing tao bom assim, e a historia é mais fraquinha mesmo. Comparando com outra comédia romantica do Wilder, diria que Avanti! é melhor. Mas essa da pra engolir, e achei interessante nao tentarem fazer o Gary Cooper parecer mais novo. O personagem dele é um homem mais velho mesmo, sem nenhum attempt de ser gala(til).



O Pecado Mora ao Lado


Minhas expectativas eram muito altas, o que é um problema sério. Enquanto eu estava assistindo achei meio fraco, com um timing mais ou menos e com situaçoes muito repetitivas. Depois até melhorou um pouco a minha ideia sobre ele, pensando que a trama é até que bem construida e o personagem se esforçando para nao trair a mulher e ficando completamente doido é bem feito, mas continuo achando que a maioria das cenas sao variaçoes sobre o mesmo tema. Acho que preciso reve-lo um dia sem a influencia da expectativa para poder julga-lo melhor.



A Incrivel Suzana


É o segundo filme do Billy Wilder. Consequentemente, nao é para se esperar muito mesmo, e ele é pouco conhecido de qualquer jeito. O roteiro é bem direitinho, e mesmo sendo bobinho e meio fraco, é bem gute, digamos. Nao gosto do Ray Milland, mas ele nao me incomodou muito dessa vez. A Ginger Rogers esta com uma boa performance, sabendo alternar entre uma adulta fingindo ser criança e uma adulta normal. É bem agradavél e leve de ver.



Se Meu Apartamento Falasse


Por ser uma das comédias mais importantes do Billy Wilder, eu denovo criei muita expectativa. Nao acho que ele seja o melhor filme dele de jeito nenhum, mas é cheio de qualidades e com certeza muito interessante. Lemmon obviamente esta muito bom, MacLaine me convence mesmo sem acha-la uma boa atriz. Sei la, vai ver a acho simpatica. O filme tem o tipico bom timing do Wilder, e claro, a tipica historia controversial. Mais uma vez ele foi sucesseful ao trabalhar com temas polemicos, naquele seu estilo cotidiano, sutil e leve. Como em outros filmes ele começa muito bem e acaba piorando ao longo, mas isso nao é tao chamativo assim. A critica ao jeito que as pessoas sobem na vida é muito bem feita sem ficar moralista nem com aquele jeito babaquinha de "comédias que te fazem rir e pensar".


O Farrapo Humano


Realmente nao gostei. Nao que seja uma porcaria total. Tem algumas cenas boas, uns angulos de camera interessantes e gostei da fotografia. A cena em que o homem é "atacado" por insetos é muito boa. Mas tirando isso nao me convenceu muito. Ja disse que nao vou com a cara do Ray Milland, mas considerando o seu estilo de interpretaçao (que nao é o meu favorito, ja que gosto das mais contidas) acho que ele esta bem. A historia é meio polemica como o sempre, e o seu ponto mais interessante é que termina em aberto, sem sabermos se ele superou o alcoolismo ou nao. Mas o filme em si eu achei bem arrastado e meio mao pesada, até um pouco dramalhao.




Ja tenho idéias para posts futuros, o que nao quer dizer que elas serao logo colocadas em pratica. Mas comecei a ler Les Films de Ma Vie, coletania de criticas do Truffaut, e tenho andado com muuuita vontade de escrever. Por tanto vou me esforçar.

domingo, 11 de abril de 2010

A Prova de Que Crianças Nao Precisam de uma Historinha Bobinha


Quando era pequena, como qualquer outra criança (espero), fui obcecada por muitos filmes. Branca de Neve, Rei Leao, uma versao musical do Patinho Feio, Bambi, Rudolf a Rena de Nariz Vermelho, Todos os Caes Merecem o Céu, Procurando Nemo, entre outros. Nessa lista o nivel de obsessao varia bastante, o Branca de Neve por exemplo eu assistia religiosamente todos os dias e ainda forçava as pessoas a intrepretarem o filme. Ja o Patinho Feio, eu so ficava cantando as musiquinhas.

Enfim, o fato é que um dos filmes que mais me marcaram foi Meu Vizinho Totoro, que conheci quando morei na França aos 6 anos.

É uma animaçao japonesa de 1988, dirigida por Hayao Miyazaki, o mesmo de A Viagem de Chihiro, filme que na minha opiniao é infinitamente inferior ao Totoro. O plot é: duas meninas e seu pai se mudam para uma casa no interior para ficarem mais perto de sua mae que esta no hospital doente. Um dia a mais nova encontra o Totoro por perto, e ele e alguns outros "monstros" aparecem de vez em quando.

Depois disso até cheguei a reve-lo com uns 11 anos mas fiquei meio decepcionada.

4 anos depois dessa decepçao, estamos passeando em Londres, e vejo numa loja uma porçao de coisinhas do filme. Graças ao meu tio, ganhei de Natal um bichinho de pelucia e um porta moeda (se quiser ver como é e ficar morrendo de inveja, clique aqui: Enchendo Linguiça). Com isso, fiquei animada a rever o filme. Poucos dias depois, estamos em Paris, e nao so Totoro ainda estava em cartaz, mas tambem achei (e comprei) um poster liiiindo do filme. De volta à Montreal, a primeira coisa a fazer foi reserva-lo na biblioteca, ja que nao pude ver na França por ser em japones com legenda em frances. E o meu japones anda meio enferrujado, sabe.

Tenho que admitir que estava meio nervosa. Recentemente revi Procurando Nemo e foi muito triste porque o achei bem fraquinho. Demorou bastante para pegarmos o DVD, primeiro porque a fila de espera era grande, segundo porque sendo um filme infantil voce pode ficar com ele por 2 semansas, em vez de uma so, ja que criança vê e revê. Achei isso gute.


O que me marcou tanto do filme quando eu tinha 6 anos, nunca vou saber. Mas acho que tenho uma idéia. No minimo, posso apontar as suas qualidades.

Sem querer falar coisas sem sentido, ele é muito simples e muito complexo ao mesmo tempo. Quero dizer, mal tem uma historia, os personagens nao sao complicados (mas ainda assim construidos muito cuidadosamente), quase nada acontece, as poucas coisas que acontecem mal sao explicadas, é até meio nonsense, e o desenho é super simples. Mas mesmo assim, tudo isso é extremamente bem feito e composto por pequenos detalhes, o que o torna complexo.


Ele é bem singelo e feliz, mas com uma melancolia sempre presente. Me lembrou um pouco do Onde Vivem os Monstros, que tambem tenta retratar os sentimentos das crianças. Os dois filmes têm estilos muito diferentes, mas Totoro cumpre esse objetivo melhor por ser mais discreto. Consegue mostrar a solidao e uma certa pressao que as meninas sofriam perfeitamente, mesmo que na maior parte do tempo elas estejam brincando e rindo.

Uma das coisas mais interessantes é a relaçao delas com o Totoro. Nao se sabe em momento algum se ele de fato existia ou se era a imaginaçao delas. E sinceramente, quem liga? A funçao que ele tem de protege-las de longe é muito bem construida, e o fato d'ele estar sempre ou com um sorrisao ou uma cara de tacho ainda aumenta o ar de misterio e magia do filme.


Assim como a historia, narrativa e roteiro, o desenho é simples, mas lindo. As cores sao extremamente bem escolhidas e ajudam na atmosfera criada.

Mas o mais importante é que Totoro é a prova de que criança nao precisa de uma historinha linear, bobinha, com bem e mal claramente especificados, moral ou qualquer uma dessas coisas que as pessoas tanto insistem que sao necessarias em um filme infantil. Falar que elas nao vao entender, que é muito complicado ou sei la o que é besteira. Na minha opiniao, essas exigencias vêm dos pais que acham que o filho tem que aprender alguma coisa com o filme ou coisa do tipo. Ou talvez porque eles mesmos nao vao entender algo mais diferente.



Um filme delicado e nem um pouco explicadinho como Totoro é capaz de encantar as crianças tanto quanto um conto de fadas, ou até mais. A prova é que ele esta em cartaz em Paris desde 2000, tem bonecos e posters sendo vendidos, uma fila longa de espera na biblioteca, e ainda é meio antigo.

Ja passou da hora das pessoas entenderem isso e pararem de subestimar o gosto e a capacidade das crianças de acompanhar uma historia.