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sábado, 15 de maio de 2010

Yes, We Cannes! ...or not


Meu querido cinema alternativo, o Cinema Du Parc, preparou um mini-festival de filmes que ganharam a Palma de Ouro em Cannes. O nome que deram ao fetival é Yes, We Cannes! (que eu achei muito gute, ok), e os filmes ja estao passando desde o fim de semana passado. Infelizmente tem filme interessante demais para ver, e horario de menos. Mas consegui assisitir 3 semana passada, 1 ontem, vou ver mais um hoje e talvez durante a semana que vem tambem. O titulo do post tem o "or not" porque considerando os 4 vencedores que assisti, nao sei se Cannes ta podendo mesmo.


Um Homem, uma Mulher



Diretor: Claude Lelouch
Ano: 1966

Eu sei que Cannes costuma premiar uns trabalhos bem diferentes, meio controversos, as vezes estranhos e etc. Mas tudo tem um limite. Nao consigo ver como uma pessoa em um estado mental saudavel pode achar esse filme bom, que dira jures de um festival de cinema.

Posso resumi-lo com tres palavras: experimental, random e video clip. Especialmente random e video clip. Mal existe uma historia, e a que existe é mal contada, lenta demais e com eventos muito fora de contexto, como quando eles estao passeando na praia conversando sobre poesia ou sei la e acham uma frase, que nao faz sentido nenhum, linda. Isso é nos momentos que algo esta acontecendo, ja que o filme se alterna entre dialogos bizarros com vozes em off e imagens random com musiquinhas de fundo.

Uma das cenas mais WTF??! é quando toca a musica Samba Saravah. Momento de puxar o saco da bossa nova. Essa versao da musica esta até bem bonita, mas a cena é ridicula demais, principalmente quando ele começa a citar grandes nomes da musica brasileira.

Sem contar que aquela mudança de preto e branco para sépia, de sépia para cor e por ai vai me irritou. Tentativa totalmente failed de criar o clima com a fotografia. Tambem assume-se que o cameraman tinha uma maozinha nervosa e ficava apertando zoon in e zoon out o tempo todo, durante dialogos parados, meio que para mostrar o nariz e a bochecha dos atores.

Pode até ser que esse jeito todo diferente dele tenha chamado atençao na época, mas continuo nao entendendo como podem considerar esse filme bom. Mesmo.


Paris, Texas


Diretor: Wim Wenders
Ano: 1984

De longe o melhor filme que vi nesse festival agora. No entanto, nao gostei muito dele. Tenho que admitir que estou meio em crise e cada hora acho uma coisa. Basicamente o achei bem interessante, mas com um timing muito ruim e cenas quase sempre longas e desnecessarias, e com uma certa dificuldade de trabalhar com os conflitos da historia e manter o problema principal. Depois de um tempo, Paris, Texas, que era algo crucial no inicio do filme (e o titulo tambem) cai no esquecimento completo. A cena na qual tudo é explicado me incomodou pelo fato de ser muito "hora da verdade".

No entanto, ao discutir o filme um pouco, percebi outras coisas. Paris, Texas é um filme umbiguista, o dono do umbigo sendo o personagem principal. So acompanhamos o que acontece com ele, e do ponto de vista dele. No começo Paris era importante porque ele tinha meio que esquecido da sua vida, e essa era a unica direçao que ele tinha para seguir. A partir do momento que ele vai voltando a vida ele começa a ter novos objetivos, e por isso que os conflitos sao irregulares.

Depois de formar essa teoria, fiquei meio em crise, ja que acredito bastante nas duas. Mas mesmo se baseando no fator umbiguista, eu continuo achando que ele tem algumas cenas muito longas, portanto da para chegar a uma conclusao no meio do caminho.

De qualquer jeito eu nao tenho uma opniao formadinha sobre esse filme. Mas o achei muito interessante e com certeza vale a pena assisti-lo.


Taxi Driver (contem spoiler)


Diretor: Martin Scorsese
Ano: 1976

Descobri esse filme quando fiquei fa(til) da Jodie Foster, o que foi ha uns 2 anos atras. So nao assisti na época porque achei que era super violento e que ia me impedir de dormir. Passado o tempo, fiquei sabendo mais sobre ele, o diretor, o protagonista e etc. Mas sempre meio com medo de ve-lo. Nao sendo mais super fa(til) da Jodie e nao indo com a cara do De Niro, ja nao estava mais tao empolgada assim para assiti-lo. No entanto, ele era um dos filmes que eu mais queria ver do grupo do festival, até porque nunca vi nada do Scorsese.

Em primeiro lugar, passei todo esse tempo com medo por nada. Tem pouquissimas cenas violentas, e nem sao explicitas. So uns tiros na cara das pessoas e ketchup para todo o lado.

Mas nao é so isso. O filme é muito ruim num todo. Nao gosto desse estilo realista, meio tentando mostrar a crueza da vida. Até porque nessa tentativa, o filme fica muito caricato e over. Tudo tem um aspecto muito sujo, e no fim das contas é uma apontaçao de dedos total. O De Niro é uma pessoa burra, ignorante e sem oportunidade na vida, mas que tem um bom coraçao, é ingenuo e muito melhor do que os riquinhos burgueses. Ja a mulher pela qual ele se apaixona no começo e os colegas de trabalho dela sao uns babacas metidos a besta. Sem contar que tudo tem um certo tom de "denuncia" de como a sociedade é de verdade, "veja o lado sujo da cidade que voce nao conhecia".

De Niro é realmente failed. Até entendo que o estilo de interpretaçao dele nao é o que eu gosto mesmo, mas existem atores com esse estilo que sao muito melhores. Fala com uma vez meio susurrante estranha, e fica com uma cara de quem ta tentando ter uma performance profunda o tempo todo. Digo, os olhos dele estavam sempre meio fechados, encarando alguma coisa fixamente, achando que isso é expressivo. A cena na qual ele começa a malhar é pointless e horrivel. É tao crua e over que me incomodou.

A trilha sonora é até interessante, com um jazz bem legal. Mas muito mal usada. Contribui para toda a overidade do filme, colocando musicas pesadas numa cena de açao, levinhas em cenas de romance e etc. Tudo muito obvio, sublinhando algo que as imagens ja estao passando. Junto com isso, tambem temos a narraçao, que ja considero um recurso pobre, sendo mal usada e reforçando mais ainda o que nao é preciso.

O mais triste no entanto é que o filme, com todos esses problemas, poderia ser apenas ruim. Mas nao. Ao chegar no final, percebemos que ele é muito ruim. Em primeiro lugar, o corte de cabelo punk é muito random. Mas o grande problema é que o filme nao termina quando ele mata as pessoas e quase morre. Justamente, quase morre. Qualquer um perceberia que ele deveria morrer ali, e the end, dando um final mais impactante e coerente com o resto da tese do filme de que a sociedade é uma droga. Mas nao, temos que ter um post plot. E claro, tem que ser um post plot tao random quanto o corte de cabelo punk.

Depois de matar uns 4 caras violenta e friamente, advinha, o De Niro é um heroi!!! Sim, em vez de ir para a prisao nosso amiguinho de bom coraçao acabou com um canal de prostituiçao de menores da maneira mais primata possivel e agora todos o amam! E claro, a Jodie Foster voltou para casa e esta indo para a escola normalmente, e nao sofre nenhum tipo de bullying por ter sido uma prostituta nem nada. Ta todo mundo feliz. E como o De Niro é gente boa e a mulher do começo é uma b*tch, ela agora vai se arrepender de ter dado um fora nele, mas ele ja percebeu que ela nao vale nada.

Simplesmente nao da para leva-lo a sério.