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sábado, 21 de novembro de 2009

Justificativa do Atraso e um Relatorio do que Tenho Feito

Ta, o titulo ja diz tudo. O post sobre Strangers on a Train nao tava andando, e eu fiquei meio desanimada... cheguei a pensar em escrever uma critica sobre An Education, mas acabei desistindo e ficou por isso mesmo.


Eu posso nao estar escrevendo aqui, mas continuo assistindo muitos filmes e lendo bastante (nao o suficiente para atingir a minha meta de ler 20 livros nesse ano, mas pelo menos estou lendo alguma coisa) sobre cinema.

Entao, para nao ficar enchendo o blog de linguiça, vou meio que fazer um resumo das coisas que eu li e vi nesse meio tempo e o que achei delas. É basicamente um conjunto de mini criticas de livros e filmes. rs

Primeiro, os filmes que vi desde o meu ultimo post:

2001: Uma Odisséia no Espaço, A Montanha dos 7 Abutres, Atire no Pianista, A Mulher do Lado, Sindicato de Ladroes, Sharkwater, Play it Again, Sam , Suspeita, As Duas Inglesas e o Amor, O Mensageiro do Diabo, The Lady Vanishes e Pirate Radio.


Vi o 2001 no Cinema Du Parc (que depois que eu comprei uma carta especial para ter desconto no ingresso parou de passar filmes interessantes), e fiquei um pouco decepcionada, mas nao muito. Ja sabia que ele era bastante datado e tal, mas acho um certo exagero colocar ele como um dos melhores filmes ja feitos. Ele é, obviamente, muito interessante, e é incrivel como todos aqueles efeitos especiais que nao deixam nada a desejar considerando a tecnologia de hoje, foram feitos naquela época. Mas acho que o filme nao vai muito além disso. Seus personagens principais sao as imagens e os sons, e nesses aspectos ele é perfeito, mas de historia é muito fraco. Mas ele é um filme para se ver considerando a época em que foi feito, e lembrando que é cultura cinematografica. Nao da pra esperar se divertir extremamente ou coisa do genero. E eu nao preciso nem dizer que é essencial que qualquer cinéfilo o veja, claro. Foi bom ter tido a chance de ve-lo numa tela grande e boa. Numa televisao com certeza ia perder muito.


Fiquei morrendo de saudades dos filmes do Billy Wilder quando vi o Montanha. No inicio do ano vi muita coisa dele, mas depois parei. Fazia muito tempo que nao via nada, e agora estou determinada a catar coisas dele na biblioteca. O problema é que vai ter muita coisa na parte de comédia, que é deprimente de olhar. Voce tem que passar por milhares de capas de comédias romanticas, pastelonas e etc, entao é muito desanimador. Mas vou fazer um esforço. rs Se alguem pedir (nao que eu ache que isso va acontecer, mas...), eu escrevo a minha critica toda dele, mas agora vou apenas dizer que gostei muitissimo.


Com o Atire No Pianista, fiquei muito decepcionada. Minha mae ja tinha falado dele varias vezes, falava que era muito divetido e etc, e eu achei um porre. Que bom que é curtinho e nao deu tempo pra eu cochilar enquanto assistia, se nao acho que nao veria até o final. Muito confuso e bagunçado... com certeza o pior filme do Truffaut que vi até agora.

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Em compensaçao, vi A Mulher do Lado, tambem do Truffaut, que gostei muito. É muito bem feito e consegue nao usar nenhum flashback ou ter cenas super explicativas. Consegue ser dramatico e sutil ao mesmo tempo, ser pesado e leve... é, eu sei que soa muito estranho falar assim, mas é verdade. Ele consegue nao virar um dramalhao, mas ao mesmo tempo nao diminui a tragédia da historia.

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Acredite ou nao, mas On the Waterfront se chama Sindicato de Ladroes em portugues. Peguei o filme porque sabia que era importante e nunca tinha visto nada com o Marlon Brando, mas nao sabia que era o Sindicato, descobri depois em casa. rs Fiquei muito decepcionada. Esperava algo interessante, que mostrasse o charme da mafia, e o filme parece ter sido feito por uma igreja. Cheio de morais, especialmente de nao trair a confiança dos outros, nao trair a si mesmo, super cristao. Uma pena, porque as atuaçoes sao excelentes. Eva Marie Saint, que eu tinha achado fraquinha em Intriga Internacional esta otima, e merece muito o Oscar de melhor atriz coadjuvante que ganhou pelo filme. É natural que eu tenha ficado meio decepcionada com o Brando, ja que falam tao bem dele que as expectativas ficam altas demais. Ele é sim otimo, mas eu provavelmente teria gostado mais dele se ja nao tivesse ouvido tanto.


Sharkwater é um documentario tosquinho sobre como os tubaroes sao importantes para o ser humano e inofencivos, que assisti na aula de ingles. É que a minha professora de ingles é doida com tubaroes (animais em geral, na mesa dela tem uma tartaruga de pelucia e uma cobra de plastico e no verao ela foi nadar com whalesharks... nao me pergunte o nome em portugues porque nunca tinha ouvido falar desse animal antes), e estamos estudando como fazer um texto argumentativo, entao ela passou esse filme pra gente, que é praticamente um texto argumentativo filmado. Comentei com ela do 12 Homens e uma Sentença que é perfeito para esse tema, mas acho que ela nao vai passar nao. O documentario é bem fraquinho, e SUPER parcial e manipulador. Todo mundo da turma caiu na dele, e aposto que estao implorando para ganharem um tubaraozinho de estimaçao de Natal. Para completar, ainda tive que escrever uma carta pedindo para salvarem os tubaroes. Nunca quis matar eles, mas o filme me incomodou porque em vez de usar bons argumentos (usa um bom no final, que é de fato um otimo argumento, mas muito brevemente) usa muuuitas imagens de tubaroes tendo suas barbatanas cortadas e sangrando até a morte para nos comover. Bff.


Fiquei toda feliz quando minha mae achou o Play It Again, Sam (que eu nao sei o titulo original) na biblioteca. Sabia que devia ser meio bobo, mas tava doida pra rir de piadinhas relacionadas a Casablanca. Haha. Foi o filme que riu da minha cara. Um porre total. Comedia sobre losers (bem estilo woody allen...), longo, e nem tanta relaçao com Casablanca assim. Final totalmente forçado para poder fazer referencia. E achei muita falta de respeito ficarem imitando o Humphrey Bogart!! HUNF Sem contar que é injusto um loser daquele ter tantos posters lindos e maravilhosos de Casablanca. Desperdicio.

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O Suspeita tambem achei chatinho. Longo e repetitivo. Usa a mesma historinha base ao longo do filme todo. Nao aguentava mais ver a Joan Fontaine se decepcionando com o Cary Grant e 5 minutos depois amando ele de novo. Tambem achei o final estranho e mal feito. Nao me convenceu.



E o terceiro e ultimo do Truffaut desse grupo, As Duas Inglesas e o Amor. Até tenho esse filme (que veio junto de Jules e Jim e O Ultimo Metro) em casa (casa = encaixotado no Brasil), mas acabei nao vendo antes de viajar, entao peguei ele na biblioteca. Achei ele bem longo. Do tipo que multiplica os minutos por 5. Nao cheguei a uma conclusao muito fixa sobre ele, mas gostei do fato que ao longo do filme as coisas pareciam ir estragando, morrendo. E a historia nao é nem tao tragica assim, mas dava a sensaçao de que tudo estava acabando. No entanto, nao gostei muito das atuaçoes das Inglesas. Ja o Amor (que é a musa do Truffaut, o Jean-Pierre Leaud), da pro gasto. Nao achei ele igualzinho ao Antoine Doinel (coisa que seria muito facil de acontecer, afinal era o unico personagem que ele fazia com o Truffaut), mas tambem nao é totalmente diferente. No fim das contas o Leaud foi uma criança prodigio que sofreu o classico problema de deixar de ser criança e, consequentemente, deixar de ser prodigio.


Quanto ao Mensageiro do Diabo (traduçao podre de Night of the Hunter) é maravilhoso. De cara fiquei um pouco decepcionada porque esperava muito dele, mas agora ele ja esta entre os meus favoritos. Excelente uso da linguagem visual, planos maravilhosos, atuaçoes tambem, uma direçao genial... otimo. Altamente recomendado, so nao veja muito tarde. rs É uma pena que o filme tenha sido mal recebido quando foi lançado, o que deve ser a razao de Charles Laughton nao ter dirigido mais nada. Ele com certeza teria sido um diretor incrivel.


Calma, calma, esta acabando. rs Esse é o penultimo, The Lady Vanishes. É tambem o penultimo filme britanico do Hitchcock. Nao gostei muito nao. O inicio é meio de vagar e sem ritmo, ficamos sem entender qual é o tema do filme. É confuso e transborda erros de enredo, coisas que nao fazem muito sentido e etc.


E por ultimo, Pirate Radio, uma comédia nova que eu tambem nao sei o nome em portugues. É uma porcaria. Eu fui no cinema ontem com uma amiga minha (a mesma que reclama que eu leio pouco. Mas agora ela ta ficando mais orgulhosa de mim. rs), e iamos ver (nao, nao era Lua Nova) Amreeka. So que ela olhou errado o horario do filme, e tivemos que escolher outro. Eu queria ver Mary & Max, que parece ser uma animaçao para adultos, mas fiquei preocupada em ser gentil e nao demonstrar muito a minha intolerancia com alguns filmes. Ninguem falava qual filme preferia, e eu acabei sugerindo Pirate Radio, que é comédia e ela tinha falado que parecia ser engraçado. Eu ja tinha visto o trailer muitas vezes e nao pretendia ver MESMO, mas o que a gente faz para nao estragar um amizade, nao é? Entao eu vi um dos piores filmes do ano. Muito ruim MESMO. Ja pela abertura dava pra ver que nao dava pra levar ele nem minimamente a serio, pois ela parece com abertura de serie. Pensei que pelo menos o Phillip Seymour Hoffman era o protagonista, entao nao podia ser tao ruim, mas ele nao é. Usaram o nome e imagem dele pra chamar atençao, mas ele aprece pouquissimo. O filme é muito mal amarrado, e é na verdade cheio de pequenos episodios... uma porcaria total. Nao gaste o seu dinheiro nem tempo com ele. Sério, é horrivel.


Ufa. Terminei... os filmes. Agora vou falar um pouco dos livros. Juro que serei breve. Hum...nao, nao juro, nao porque eu sei que nao vou ser breve coisa nenhuma.


O que eu li mesmo foi You Must Remember This: The Filming of Casablanca e It's Only a Movie (biografia do Hitchcock). Os dois sao bons para saber de alguns detalhes interessante e como fonte de informaçao, mas sao ambos mal escritos.


O Casablanca em especial. Na parte que descrevia o processoe de casting, toda hora que um novo ator era adicionado ao elenco, parava a historia, e começa a contar em detalhes a historia desse ator. Para atores menos importantes eram falados menos detalhes, mas mesmo assim era meio irritante e desanimador. Tinha algumas coisas sobre a vida deles que eram realmente importantes para entender o processo de produçao, mas tinha outras totalmente desnecessarias tambem. Falava detalhes da vida do Major Strasser, o alemao que morre no final! E ele aparece super pouco no filme... enfim, valeu a pena para conhecer mais e tal, mas nao sei se recomendo muito, porque é muito mal escrito mesmo.


O livro do Hitch nao é exatamente escrito, mas sim, uma transcriçao. Varias. Varias, varias. Ele é, basicamente, um conjunto de depoimentos sobre o Hitchcock e os filmes dele. Entao vale um pouco a pena pela mesma razao do Casablanca, por ter bastante informaçao.

Mas ele é muito irregular. Pois a autora fala de todos os filmes dele (digo, transcreve), so que nem sempre ela achava muita gente para depor, entao aguns filmes sao cheios de detalhes, e outros, sao brevemente citados. Fiquei muito triste na parte do Interludio, ja que ele é o meu filme favorito do Hitch, e é comentado muito brevemente. E outros filmes menores recebem paginas e paginas cheias de datelhes muitas vezes desnecessarios.


No Pacto Sinistro por exemplo, deve ter umas 3 paginas so da atriz que interpretou a Miriam falando. A personagem morre no inicio do filme! E ela nem fala nada interessante. Fica dizendo que o Hitchcock gostou do teste dela, e que ele é muito rigido com os atores que escolhe, e que ele disse pra ela colocar oculos pra fazer o personagem, e que ela tinha sei la quantos oculos diferentes, e que ela nao conseguia enxergar nada com um deles, e que era muito engraçado sabe, que tinha uma cena que ela nao conseguia ver nada e que os colegas de elenco tiveram que ajudar ela a pegar o onibus, e que ela nao conseguia ver nada, ah, foi tao engraçado, e ela tinha muitos oculos, e nao conseguia ver nada... voce entendeu o espirito da coisa, né?!

Algumas partes do livro eram bem legais, mas outras eram sacais. Uma pena... mas foi otimo pra eu aprender muita coisa sobre o Hitch.


E agora, meio de embalo, estou lendo (mas to no comecinho ainda) Hitchcock/Truffaut, que é a entrevista que o Truffaut fez com o Hitch em 1962 com o objetivo (dentre outros) de provar à critica americana que o Hitch era um grande diretor e merecia respeito. O Truffaut teve a idéia de fazer a entrevista quando estava divulgando Jules e Jim em Nova York e um jornalista perguntou a ele por que os criticos do Cahiers Du Cinema levavam o Hitchcock tao a sério, ja que mesmo que ele fosse respeitado, nao era considerado tao genial assim pela critica americana.

Eu queria pegar o livro na biblioteca, mas so tinha em frances, e como vassouras sujas nao ensinam frances nenhum, eu nao tenho condiçoes de ler. Mas entao meu pai me deu de presente o livro em ingles porque eu sou uma boa menina. :D Ta, ele nao falou que era por isso, mas gosto de pensar desse jeito. Fico até feliz que nao pude pegar o livro na biblioteca, porque ele é lindo. Cheio de fotos, grandao... ia ser triste ter que devolver! rs Quando terminar de ler falo o que achei.


E eu juro que um dia eu termino a critica do Strangers on a Train!!



-Alice